Urgência médica - Infeções ginecológicas (terminado) Flashcards
Até prova em contrário, todas as ulceras genitais…
Devem ser consideradas de etiologia infeciosa
Úlceras vulvares de causa infeciosa - agentes de transmissão venérea: vírus
HSV1
e
HSV2
- ambos são a causa mais frequente de úlceras vulvares (70-80%)
VIH
Úlceras vulvares de causa infeciosa - agentes de transmissão venérea: bactérias
Treponema pallidum ++
Haemophilus ducreyi ++
Chalmydia trachomatis
Klesbiella granulomatis
Úlceras vulvares de causa infeciosa - agentes de transmissão não venérea: fungos
Candida albicans ++
Histoplasma capsulatum
Cryptococcus neoformans
Úlceras vulvares de causa infeciosa - agentes de transmissão não venérea: vírus
VEB ++
CMV
VZV
Coxsackie A
Enterovirus 71
Úlceras vulvares de causa infeciosa - agentes de transmissão não venérea: bactérias
Salmonella ++
Mycoplasma pneumoniae ++
Staphylococcus
Streptococcus
Pseudomonas
Corynebacterium diphtheriae
Micobactérias
Actinomyces
Úlceras vulvares de causa infeciosa - agentes de transmissão não venérea: parasitas
Leishmania
Schistosoma
Entamoeba histolytica
Toxoplasma gondii
Úlceras vulvares de causa não infeciosa: dermatoses não bolhosas
Dermatite de contacto irritativa ++
Reação fixa a fármacos (++): sulfonamidas, tetraciclinas, penicilina, cefalosporinas, hidroclorotiazida, furosemida, bloqueadores beta, IECA, fenitoína, alopurinol, nicorandil, foscamet, vacinas, biológicos, AINEs, citotóxicos, metaqualona, barbitúricos, fluconazol
Líquen escleroso ++
Líquen plano ++
Doença de Crohn ++
Síndrome de Behçet ++
Doença de Darier
Pioderma gangrenosum
Hidradenite supurativa
Eritema necrolítico migratório
Lúpus eritematoso disseminado
Úlceras vulvares de causa não infeciosa - dermatoses bolhosas auto-imunes
Penfigoide bolhoso das membranas mucosas
Pênfigo vulgar
Penfigoide bolhoso
Doença de deposito linear por IgA
Epidermolise bolhosa adquirida
Úlceras vulvares de causa não infeciosa - não auto-imunes
Dermatite de contacto ++
Necrólise epidérmica tóxica
Hailey-Hailey
Epidermólise bolhosa hereditária
Úlceras vulvares de causa não infeciosa - condições pré-malignas/ malignas
VIN
Carcinoma basocelular
Carcinoma epidermoide
Doença de Paget extra-mamária
Melanoma
Linfoma
Leucemia
Histiocitose de células de Langerhans
Úlceras vulvares de causa não infeciosa - miscelânea
Nódulo reumatoide
Gangrena
Acrodermatite
Linfangiectasia
Doença de enxerto vs hospedeiro
Picada de aranha
Fissuras himeneais
Doença de Reiter
Granulomatose de Wegener
Neuropática
Mutilação genital feminina
Traumatismo
Auto-induzida
Úlceras vulvares - herpes genital: agente etiológico
HSV2 (65-80%); HSV1
Úlceras vulvares - herpes genital: 5 caraterísticas (localização das lesões, número de lesões, dor, aspeto das lesões, adenomegalias)
Localização das lesões: colo uterino, vulva, vagina, períneo, coxas e nádegas
N.º de lesões: múltiplas
Dor: sim (por vezes, também ardor/prurido), pode ser muito intensa
Aspeto das lesões:
* Infeção primária: vulva eritematosa e edemaciada, com vesículas agrupadas, evoluindo para pústulas e
úlceras de base eritematosa; bilaterais e frequentemente coalescendo; bordos e base moles (resolução em duas semanas)
* Infeção recorrente: lesões menos exuberantes, edema discreto, unilaterais (resolução em 5-7 dias)
Adenomegalias: gânglios aumentados, sem flutuação, dolorosos (especialmente na infeção primária)
Úlceras vulvares - herpes genital: tratamento
- Aciclovir 400 mg, 3 id
- Aciclovir 200 mg, 5 id
- Valaciclovir 1000 mg, 2 id
7 a 10 dias
Úlceras vulvares - herpes genital: doença recorrente (4 considerações sobre o tratamento)
- Pode optar-se por tratamento sintomático das crises ou supressivo, de acordo com a frequência das crises e a
vontade da doente - O tratamento supressivo diminui a transmissão
- Há evidência relativamente à segurança destes esquemas durante pelo menos 6 anos (aciclovir)
- O tratamento episódico, este deve ser iniciado no período prodrómico ou até 48 horas após o surgimento de lesões (deve ser portadora de medicação ou receita válida)
Úlceras vulvares - herpes genital: doença recorrente (tratamento episódico)
o Aciclovir 400 mg, 3 id, 5 dias
o Aciclovir 800 mg, 2 id, 5 dias
o Aciclovir 800 mg, 3 id, 2 dias
o Valaciclovir 500 mg, 2 id, 3 dias
o Valaciclovir 1000 mg, id, 5 dias
Se HIV:
o Aciclovir 400 mg, 3 id, 5-10 dias
o Valaciclovir 1000 mg, 2 id, 5-10 dias
o Imiquimod tópico id, 5 dias (se resistência aos anteriores)
Úlceras vulvares - herpes genital: doença recorrente (tratamento supressivo)
o Aciclovir 400 mg, 2 id
o Valaciclovir 1000 mg, id
Se HIV:
o Aciclovir 400-800 mg, 2-3 id
o Valaciclovir 500 mg, 2 id
Úlceras vulvares: sífilis primária (agente)
Treponema pallidum
Úlceras vulvares: sífilis primária - transmissão
Sexual, Vertical, Transfusão
Úlceras vulvares: sífilis primária - incubação
3 dias - 3 meses (x̅= 3 semanas)
Úlceras vulvares: sífilis primária - caraterísticas (local da infeção, nº de lesões, dor, aspeto das lesões, adenomegalias e evolução)
Local da infeção: no local de inoculação (+ nos grandes lábios ou no vestíbulo; frequentemente passa desapercebido - colo, vagina)
N.º de lesões: habitualmente única (70% dos casos)
Dor: indolor
Aspeto das lesões: inicialmente uma pápula, com evolução para úlcera (cerca de 2 cm); bordos bem definidos, elevados e duros; exsudado seroso; base vermelha e dura, sem crosta
Adenomegalias: gânglios aumentados uni ou bilaterais, firmes, móveis, indolores e sem flutuação
Evolução: cicatrização espontânea, sem cicatriz, em 1-2 meses
Úlceras vulvares: sífilis primária - serologia
- Aconselhado pedir inicialmente um teste treponémico (maior sensibilidade na sífilis primária; positividade +
precoce do que os não-treponémicos): TP-PA, FTA-ABS ou MHA-TP - Se positivo, repetir com um segundo teste treponémico (baixa especificidade dos testes)
- Se se pedir inicialmente um teste não treponémico (VDRL) e este for positivo, deve ser pedida confirmação com um treponémico
- Se serologias negativas, mas suspeita elevada, repetir ao fim de 2 semanas ou efetuar biópsia
Úlceras vulvares: sífilis primária - história natural
Sífilis precoce
- sífilis primária
- sífilis secundária
- sífilis latente precoce
Sífilis precoce evolui para sífilis tardia
Sífilis tardia
- sífilis latente tardia
- sífilis terciária
Sífilis Secundária - caraterísticas
4-8 semanas após lesão primária
- Lesões mucocutâneas (90%), não pruriginosas, com atingimento palmo-plantar
- Envolvimento multissistémico
- Febre, mal-estar
- Linfadenopatia generalizada
- Hepatite, esplenomegalia
- Artrite
- Glomerulonefrite
- Resolução espontânea (4-12 semanas)
Sífilis latente
- Serologia positiva, na ausência de manifestações clínicas
- Dividida em 2 fases:
o Sífilis latente precoce → infeção < 2 anos
o Sífilis latente tardia → infeção ≥ 2 anos (ou duração de infeção desconhecida)
→ O UpToDate considera o cut off de 1 ano!
Sífilis terciária
- 25% dos doentes não tratados
- Até ≥ 30 anos após infeção
- Pode afetar qualquer órgão/sistema
- Principais manifestações:
o Neurossífilis, doença cardiovascular, lesões gomatosas
Sífilis - 2 considerações
- Coinfecção com VIH é muito frequente
- DOENÇA DE DECLARAÇÃO OBRIGATÓRIA
Sífilis - tratamento
- Sífilis precoce: Penicilina benzatínica 2,4 milhões de unidades, IM, dose única
- Sífilis Tardia: Penicilina benzatínica 2,4 milhões de unidades, IM, 1 x semana, 3 semanas
o Se suspeita de atingimento cardiovascular, ocular ou SNC → Referenciar ao hospital
Se alergia:
* Dessensibilização (preferencial)
* Doxiciclina 100 mg, 2 id, 14 dias
* Ceftriaxone 1 g IM, id, 10 dias
* Azitromicina 2 g, dose única
* Eritromicina 500 mg, 4 id (na alergia à penicilina)
Sífilis - seguimento
Testes treponémicos permanecem positivos após o tratamento
Titulação periódica de testes não-treponémicos (VDRL) permite monitorizar a resposta ao tratamento
o Diminuição do título ≥4x (ou ≥ 2 diluições) considerada significativa ( ex: 1:16 para 1:4)
Sífilis - seguimento (segundo UpToDate)
Monitorização após o tratamento – Os pacientes devem ser monitorizados clinicamente e com testes serológicos após o tratamento
Resposta serológica esperada – Uma redução de quatro vezes no título não-treponémico, equivalente a uma alteração de duas diluições (exemplo: de 1:32 para 1:8 ou de 1:16 para 1:4), é considerada uma resposta serológica adequada. Com o tempo, a maioria dos pacientes tratados com sucesso para sífilis apresenta serorreversão; no entanto, alguns podem ter uma redução adequada nos títulos, mas os títulos não-treponémicos não apresentam serorreversão
Frequência de testes – Para pacientes sem HIV, a frequência dos testes serológicos depende do estágio da doença:
- Sífilis precoce – Seis e 12 meses após o tratamento; espera-se uma resposta adequada até aos 12 meses.
- Sífilis tardia – Seis, 12 e 24 meses após o tratamento; pode demorar até dois anos para alcançar uma resposta adequada em pacientes com sífilis tardia
Pacientes com HIV são normalmente monitorizados com maior frequência
Úlceras vulvares: cancróide - agente
Haemophilus ducreyi
Úlceras vulvares: cancróide - prevalência
Muito raro nos países ocidentais (surtos esporádicos)
Úlceras vulvares: cancróide - caraterísticas (local da infeção, nº de lesões, dor, aspeto das lesões, adenomegalias e evolução)
Local da infeção: no local de inoculação
Nº de lesões: uma ou duas (por vezes, múltiplas ou gigantes)
Dor: muito doloroso
Aspeto das lesões: pápula ou pústula no local de inoculação, inicialmente indolor, evoluindo para uma úlcera dolorosa, profunda, mole, de bordos mal definidos; base friável, com exsudado necrótico, com cheiro
Adenomegalias: gânglios aumentados unilateralmente, dolorosos (por vezes, de grandes dimensões, com flutuação
e drenagem crónica)
Evolução: cicatrização espontânea em 2 meses, com cicatriz; com tratamento, alívio sintomático ao fim de 3 dias e melhoria das lesões em 7 dias
Cancróide - tratamento
- Azitromicina 1g, dose única
- Ceftriaxone 250 mg, IM, dose única
- Ciprofloxacina 500 mg, 2 id, 3 dias
- Eritromicina 500 mg, 3 id, 7 dias
- Eventual aspiração/incisão e drenagem de gânglios inguinais
Cancróide - 2 notas
- Coinfecção com VIH e/ou T. pallidum é muito frequente
- Pode haver distorção anatómica marcada, apesar do sucesso do tratamento
Úlceras vulvares - linfogranuloma venéreo: agente
Chlamydia trachomatis
Úlceras vulvares - linfogranuloma venéreo: prevalência
Raro em mulheres; a aumentar a frequência em MSM
Úlceras vulvares - linfogranuloma venéreo: caraterísticas (localização das lesões, nº de lesões, dor, aspeto das lesões, adenomegalias e outros sintomas)
Localização das lesões: no local da inoculação
Nº de lesões: única
Dor: indolor
Aspeto das lesões: inicialmente, uma pápula, que posteriormente pode ulcerar (raramente observado) e cicatrizar
rapidamente
Adenomegalias: semanas depois do surgimento da pápula; usualmente unilaterais e dolorosos (bubões); podem fistulizar
Outros sintomas: sintomatologia de uretrite e/ou proctite
Linfogranuloma venéreo - complicações
- Elefantíase
- Fistulização crónica dos bubões
Linfogranuloma venéreo - tratamento
1ª linha
* Doxiciclina 100 mg, 2 id, 21 dias
2ª linha
* Eritromicina 500 mg 4 id, 21 dias
* Azitromicina 1g, 1x/semana, 3 semanas
* Drenagem por aspiração dos bubões maiores e com flutuação
Úlceras vulvares - granuloma inguinal: agente
Klebsiella granulomatis
Úlceras vulvares - granuloma inguinal: caraterísticas (localização das lesões, nº de lesões, dor, aspeto das lesões, adenomegalias e outros sintomas)
Localização das lesões: no local da inoculação (raramente no colo)
Nº de lesões: única ou múltiplas (em 50% dos casos)
Dor: indolor
Aspeto das lesões: inicialmente nódulos ou pápulas, que posteriormente sofrem erosão; lesões muito vascularizadas (vermelhas), sangrando muito facilmente, moles, bordos bem definidos (variantes: ulcerovegetativa, nodular,
hipertrófica e cicatricial); pode haver áreas de ulceração em expansão e outras em cicatrização na mesma lesão; frequente a extensão às pregas cutâneas e surgimento de fissuras profundas («knife cut like»)
Adenomegalias: raramente
Outros sintomas: pseudo-bubões; Extensão a órgãos pélvicos ou à distância (intra-abdominal, ossos e boca)
Granuloma inguinal - tratamento
1ª linha
* Doxiciclina 100 mg,2 id, 21 dias
2ª linha:
* Ciprofloxacina 750 mg, 2 id, 21 dias
* Eritromicina 500 mg, 4 id, 21 dias
* Azitromicina 500 mg, id, 21 dias
* Azitromicina 1000 mg, 1x/semana, durante pelo menos três semanas
* Trimetoprim-sulfametoxazol 160/800 mg, 2 id, 21 dias
* Se ainda houver lesões ao fim de 3 semanas, prolongar o tratamento
Granuloma inguinal - 4 notas
- Suspeitar em indivíduos provenientes, que tenham viajado, ou com contacto com indivíduos das Caraíbas, África, Austrália, Sul da Índia, América do Sul ou Sudeste Asiático
- Podem ocorrer recorrências, 6-18 meses, mesmo apesar de aparente tratamento com sucesso
- A transmissão pode ser não venérea
- Sem tratamento, evolução para cura espontânea ao fim de vários meses, mas com destruição extensa de tecidos
As 3 doenças + frequentemente associadas a corrimento vaginal são
Vaginose bacteriana; candidíase; tricomoníase
Vaginose bacteriana - clínica
Corrimento branco-acinzentado, fino e homogéneo, que reveste as paredes da vagina e vestíbulo, com odor
intenso a peixe, não irritativo (sem prurido ou eritema vulvovaginal)
- ≈ 50% assintomáticas
Vaginose bacteriana - diagnóstico
Baseia-se em sinais e sintomas clínicos e pode ser apoiado por testes laboratoriais.
* critérios clínicos – Critérios Diagnósticos de Amsel
* exame microscópico a fresco (amostra de corrimento colhida das paredes da vagina com um cotonete)
* exame Gram (método laboratorial gold standard para o seu diagnóstico): Critérios de Hay-Ison
Vaginose bacteriana - Critérios Clínicos Diagnósticos de Amsel
(presença de ≥3 critérios):
1. corrimento vaginal homogéneo, branco-acinzentado
2. pH vaginal > 4.5
3. corrimento vaginal com odor a peixe (se não for reconhecido, usar algumas gotas de KOH 10%) | Teste do olfato, das aminas ou de Wiff
4. presença de clue cells ao exame microscópico a fresco
Vaginose bacteriana - quem tratar?
Indicações
* mulheres sintomáticas
* mulheres assintomáticas que vão ser submetidas a cirurgia ginecológica
Não é recomendado o tratamento dos parceiros sexuais
Vaginose bacteriana - durante o tratamento
Durante o tratamento, usar preservativo ou evitar relações sexuais
Vaginose bacteriana - recorrências
Muitas doentes tem recorrência da infeção dentro de 3-12 meses,
qualquer que seja a terapêutica usada
Vaginose bacteriana - tratamento das recorrências
Metronidazol tópico 2x semana, 4 a 6 meses
Vaginose bacteriana - tratamento
Esquemas terapêuticos recomendados
(Evidência nível Ia, grau A)
- Metronidazol 500 mg, p.o., 2 id, 7 dias
ou
- Clindamicina* creme vaginal 2%, 7 dias
ou
- Metronidazol óvulos vaginais 500 mg, 5 dias
- O creme de clindamicina reduz a eficácia dos preservativos devido aos óleos minerais
Esquemas alternativos
- Tinidazol 2 g, p.o., id, 2 dias
ou
- Tinidazol 1 g, p.o., id, 5 dias
ou
- Clindamicina 300 mg, p.o., 2 id, 7 dias
ou
- Cloreto de dequalínio comprimidos vaginais 10 mg, id, 6 dias
Vaginose bacteriana - tratamento na gravidez
O tratamento é recomendado nas grávidas sintomáticas
- Metronidazol 500 mg, p.o., 2 id, 7 dias
ou - Metronidazol 250 mg, p.o., 3 id, 7 dias
ou - Clindamicina 300 mg, p.o., 2 id, 7 dias
Notas:
- O metronidazol pode ser utilizado em todos os trimestres da gravidez
(categoria B). Não foram demonstrados efeitos teratogénicos ou mutagénicos no feto
- O tinidazol não deve ser utilizado, pois, a sua segurança não esta comprovada na gravidez (categoria C)
Vaginose bacteriana - tratamento se infeção por HIV
Embora as recorrências sejam mais frequentes nas mulheres HIV positivas, o seu tratamento segue o esquema terapêutico adotado para as HIV negativas
Candidíase - etiologia
Candida albicans (90%); Outras espécies de Candida sp. (C. glabrata, C. krusei, C. tropicalis…)
Candidíase - clínica
- Corrimento branco, grumoso e espesso, tipo requeijão, inodoro, que forma placas aderentes às paredes vaginais, eritema, edema e fissuras vulvares
- Ardor e prurido vulvar, dispareunia superficial
- 10-20% assintomáticas
Candidíase recorrente - definição
≥ 4 episódios sintomáticos por ano
Candidíase não complicada - 4 caraterísticas
Esporádica ou pouco frequente
Ligeira a moderada
C. albicans provável
Mulher não imunocomprometida
Candidíase complicada - 4 caraterísticas
Recorrente
Severa
Candidíase não albicans
Mulher imunodeprimida, com diabetes descompensada ou debilitada
Candidíase - diagnóstico
Essencialmente clínico. Pode ser confirmado laboratorialmente com zaragatoa vaginal, por exame microscópico a
fresco e/ou cultural
- pH vaginal: normal (< 4.5)
- Teste do olfato, das aminas ou de Wiff: negativo
Candidíase - exame microscópico com solução salina
Pseudohifas (40-60% dos casos); blastosporos (a adição de 2 gotas de KOH a 10% lisa as células epiteliais e torna mais visíveis as hifas)
Candidíase - exame Gram
esporos / pseudohifas (≥ 65% nos casos sintomáticos)
Candidíase - indicações para tratamento
- Mulheres sintomáticas
- Parceiro sexual sintomático, com balanite
Candidíase não complicada - tratamento
Tratamento oral:
- Fluconazol: 150 mg, toma única
ou
- Itraconazol:
200 mg, 2 vezes ao dia, toma única
ou 1 g, 2 tomas (12/12h)
Tratamento intravaginal
- Clotrimazol:
Creme vaginal 1%, durante 6 dias
ou
Comprimido vaginal 500 mg, dose única
ou
Comprimidos vaginais 200 mg, durante 3 dias consecutivos ou 100 mg durante 6 dias consecutivos
- Miconazol:
Creme vaginal 2%, durante 6 dias
ou
Econazol creme vaginal 1%, durante 6 dias
ou
Econazol óvulo vaginal 150 mg, durante 3 dias
ou
Econazol óvulo vaginal 300 mg, dose única
- Sertaconazol:
Comprimido vaginal 500 mg, dose única
ou
Creme vaginal 2%, durante 6 dias
- Isoconazol:
Creme vaginal 1%, durante 6 dias
- Tioconazol:
Comprimido vaginal 100 mg, dose única
- Fenticonazol:
Creme vaginal 2%, durante 6 dias
ou
Óvulo vaginal 200 mg, durante 6 dias
- Nistatina:
Comprimido vaginal, 1 vez ao dia, durante 14 dias
Nota: as terapêuticas tópicas, com óvulos e cremes vaginais, diminuem a eficácia dos preservativos
Candidíase complicada - tratamento
Severa
- Fluconazol:
150 mg, via oral (p.o.), toma única e repetir após 3 dias (dias 1 e 4).
e/ou
- Terapêutica antifúngica tópica:
Durante 14 dias
Recorrente
- Tratamento inicial:
. Fluconazol: 150 mg ou 200 mg, a cada 3 dias, num total de 3 tomas (dias 1, 4 e 7).
e/ou
. Terapêutica antifúngica tópica: 7 a 14 dias.
- Tratamento de manutenção:
. Fluconazol (100 mg, 150 mg ou 200 mg): 1 vez por semana, durante 6 meses.
. Caso não seja possível a terapêutica oral:
Terapêutica tópica intermitente, após a menstruação
Candidíase complicada - quando o prurido vulvar é intenso…
A aplicação tópica de hidrocortisona em creme dá um alívio sintomático mais rápido
Candidíases recorrentes - regressão
Nas candidíases recorrentes 30-40% regridem após tratamento prolongado
Nestas, o tratamento do parceiro sexual é discutível e
é recomendada a dupla abordagem terapêutica (oral e tópica)
Candidíase por Candida não albicans - tratamento
- O tratamento ótimo não está definido. A Candida glabrata e Krusei são resistentes ao fluconazol
- Recomenda-se o tratamento oral ou tópico, 7 a 14 dias, com outro imidazol, ou a utilização intravaginal de um
manipulado de ácido bórico, 14 dias (comprimido vaginal, 600 mg)
Candidíase na gravidez
- As preparações orais antifúngicas não devem ser usadas na gravidez
- Usar formulações tópicas, durante 6 dias
Candidíase e infeção por HIV
As vulvovaginites sintomáticas são mais frequentes, contudo, o tratamento adotado não difere das mulheres HIV
negativas
Tricomoníase - agente
Trichomonas vaginalis
Tricomoníase - clínica
- Corrimento: espumoso (arejado) em > 70%; amarelo-esverdeado em 10-30%
- Eritema vulvar; vaginite; colo “em framboesa” em ≈2%
- Irritação e prurido vulvar; disúria
- 10-50% assintomáticas
Tricomoníase - diagnóstico
Baseia-se em dados clínicos e testes laboratoriais:
* Exame microscópico a fresco em solução salina – identifica o protozoário flagelado em 40-80% dos casos; o exame microscópico deve ser efetuado tão cedo quanto
possível, porque a motilidade do protozoário diminui com o tempo.
* Teste Wiff ou das aminas - usualmente positivo
* pH > 4.5
Tricomoníase - tratamento: indicações
Mulheres sintomáticas
Tratamento epidemiológico dos parceiros sexuais
Tricomoníase - tratamento
Esquemas terapêuticos recomendados (evidência nível Ia, grau A)
- metronidazol 2 g p.o. toma única (taxa de cura 90-95%)
ou
- tinidazol 2 g p.o. toma única (taxa de cura 86-100%)
ou
- secnidazol 2 g p.o. toma única
- Devido às altas taxas de infeção da uretra e glândulas parauretrais, a administração via sistémica é preferencial. Não se recomendam os tratamentos locais
- Evitar relações sexuais até estar terminada a terapêutica prescrita e ficarem assintomáticos (a doente e o parceiro)
Tricomoníase - tratamento, se recorrência
Tinidazol* ou metronidazol 2 g, p.o, id, 5 dias
- O tinidazol tem maior semivida sérica que o metronidazol e atinge níveis séricos mais elevados nos tecidos génito-urinários; algumas espécies de T. vaginalis têm concentrações
inibitórias mínimas mais baixas para o tinidazol que para o metronidazol
Tricomoníase - tratamento, se gravidez
É recomendado tratar as grávidas sintomáticas
- esquema terapêutico recomendado: metronidazol 2 g p.o. toma única
- esquema alternativo: metronidazol 500 mg 2 id, 7 dias
- Apesar da tricomoníase estar associada a resultados adversos na gravidez, particularmente rotura prematura de membranas pré-termo, parto pré-termo e recém-nascidos de
baixo peso, o tratamento não parece demonstrar redução da morbilidade perinatal - Nas grávidas assintomáticas pode considerar-se o tratamento depois das 37 semanas, tendo em conta o risco de transmissão ao RN – infeção respiratória e genital
Tricomoníase - tratamento, se infeção por HIV
- A infeção por T. vaginalis em mulheres HIV positivas aumenta o risco de transmissão de HIV, por aumento da concentração viral nas secreções vaginais
- O rastreio anual é recomendado, tal como a avaliação 3 meses após o tratamento de uma infeção
Esquema terapêutico:
- metronidazol 500 mg p.o. 2 id, 7 dias
ou
- metronidazol/ tinidazol 2 g, p.o. 5 dias