Oncologia II Flashcards
Como caracterizar um nódulo no pulmão pelo tamanho
Menor ou igual a 3 centímetros
Quais a possíveis causas de um nódulo pulmonar solitário benigno e como conduzir
Principal causa: cicatriz de tuberculose. Acompanhar por 2 anos: Rx, tc ou pet (a cada 3-6m)
Causas de nódulo pulmonar solitário maligno e suas características
Principal causa é o câncer (se encontrado na fase de nódulo pulmonar solitário -> sobrevida de até 80%). Está relacionado a tabagismo, idade > 35a, > 2cm, crescimento em 2 anos, calcificação/forma.
Chegou um paciente com nódulo pulmonar solitário, e agora?
1) Perguntar se tem exame anterior para comparar: Se não cresceu = não é câncer; Se cresceu ou é achado novo = pode ser câncer.
2) Se não tem exame antigo, avaliar a forma: Redondo = benigno; Espiculado = Maligno.
Padrão de calcificação do nódulo pulmonar solitário que fala mais a favor de malignidade
Salpicado e excêntrico
Padrão de calcificação do nódulo pulmonar solitário que fala mais a favor de benignidade
Hamartoma (pipoca gordurosa)
Tratamento do nodulo pulmonar solitário
Pela alta probabilidade de cura, quando há suspeita de malignidade -> Ressecção do nódulo ou lobectomia
Qual o tipo de câncer que mais mata no mundo?
Câncer de pulmão
O que está envolvido no carcinoma broncogenico
Acomete o epitelio respiratório: brônquios, bronquiolite e alvéolo
Como é feita a classificação do câncer de pulmão
- Não pequenas células: adenocarcinoma, carcinoma epidermoide, carcinoma de grandes células
- Pequenas células: oatcell
Características do adenocarcinoma no câncer de pulmão
É o subtipo histológico mais comum (40%), mais frequente em pacientes jovens, não fumantes (apesar do tabagismo ser o maior fator de risco). Localiza-se perifericamente, mais próximo da pleura -> maior facilidade em causar derrame pleural
“ADerrameCarcinoma”
Características do carcinoma epidermoide no câncer de pulmão
Responsável por 30% dos casos, 2o mais comum. Localização predominantemente central, causa cavitação (diagnóstico diferencial com tuberculose). Segue o padrão: idoso, tabagista.
Características do OatCell no câncer de pulmão
Subtipo histológico do câncer de pequenas células. Representa 20%, é o mais agressivo, central e pode assumir comportamento neuroendócrino
Qual a localização do tumor de pulmão que causa mais sintomas?
Central. Causa hemoptise, cavitação, compressão bronquica
Clínica do câncer de pulmão
Sintomas inespecificas (perda de peso, anorexia, fadiga, anemia), tosse (principal manifestação), hemoptise, dispneia, dor torácica, rouquidao.
Clínica do câncer de pulmão quando há disseminação regional
Acomete linfonodos e estruturas adjacentes -> esôfago (disfagia), nervo laringeo recorrente (rouquidao), nervo frênico (dispneia e soluços), pleura e pericárdio (derrames), coração (arritmias, IC, tamponamento) e linfangite (dispneia e hipoxia)
Síndrome de Pancoast
Relacionada a tumor pulmonar do sulco superior. Mais associada ao tipo epidermoide.
- Dor Torácica: destruição do gradil costal
- Compressão do Plexo Braquial: parestesia e atrofia dos membros superiores
- Síndrome de Horner: compressão do simpático toracocervical. O simpático não passa. Ptose, anidrose, miose e enoftalmia.
Síndrome da veia cava superior
Compressão da veia cava superior -> varizes no tórax, edema de face e de membros superiores, turgencia jugular
Principal causa é o oatcell
Sítios de metastase à distância mais comum no câncer de pulmão
Ossos (costelas, vértebras, pelve), figado, adrenal, SNC, medula óssea
Síndromes paraneoplasicas mais comuns nomcancer de pulmão
- OatCell: Eaton-Lambert -> doença autoimune que ataca a placa motora, levando a fraqueza muscular; SIAD -> ADH em excesso, causando hiponatremia dilucional (ADHCELL)
- Adenocarcinoma: Osteoartropatia hipertrofica pulmonar (artrose)
- Epidemoide: Hipercalcemia (PTH like)
Diagnostico do câncer de pulmão
A coleta de material para histopatologico vai depender da localização.
- Central: escarro, broncoscopia
- Periférico: Toracostomia, videotoracoscopia, percutaneo
Estadiamento do câncer de pulmão
Varia de acordo com o tipo histológico
- Não pequenas células: vai usar o TNM
T: tumor; tamanho e quanto invade a parede. Tentar excluir T4 (invadiu e atravessou a parede do órgão) que é marcador de irressecabilidade.
N: número de linfonodos; normalmente não indica irressecabilidade.
M: metastase; tem ou não.
- Pequenas Células:
Limitado: um hemitorax
Extenso: espalhado
TNM do câncer de pulmão não pequenas células
T1: <= 3cm (nódulo pulmonar solitário)
T2: 3-7cm ou >2cm da Carina
T3: >7cm ou <2cm da Carina
T4: Acomete estrutura adjacente (critério de irressecabilidade) ou ->= 2 lesões no mesmo pulmão (pode ser ressecado)
N1: linfonodos hilares do mesmo lado
N2: linfonodos mediastinais do mesmo lado
N3: linfonodos contralaterais ou supraclaviculares (critério de irressecabilidade)
M1: metástases (osso, cérebro, figado) ou derrame pleural/pericárdico
Critérios de irressecabilidade do câncer de pulmão não pequenas células
T4 ou N3 ou M1 (estágio IIIB ou IV) -> Qt +/- RT
Tratamento proposto para câncer de pulmão não pequenas células
Em geral o tratamento é cirurgia + qt.
- Se T1N0M0 (nódulo pulmonar solitário)= estágio IA -> só cirurgia
- I, II, IIIA (Ainda posso tentar operar): qt + cirurgia
- IIIB (Babou a cirurgia): qt + RT (ainda há chance de cura)
- IV: metastático -> so QT paliativo
Quenturas condutas podem ser tomadas no câncer de pulmão metastático?
Sempre lembrar de melhorar qualidade de vida
- RT paliativa se obstrucao bronquica, hemoptise, tosse, síndrome da veia cava superior
- metástases solitárias podem ser ressecadas
- Pleurodese se derrame pleural de repetição
- Controle da dor
Tipos de cirurgia na ressecção do câncer de pulmão
- Pneumectomia: necessita de pacientes com boa reserva pulmonar e tumores invadindo múltiplos lobos ou tumores muito centrais
- Lobectomia: procedimento de escolha, cirurgia padrão
- Ressecção em Cunha e Segmentectomia: reservados para pacientes com baixa reserva pulmonar e pequenas lesões periféricas
Tratamento do câncer de pulmão pequenas células
Tem evolução muito rápida, péssimo prognóstico, maior causa de metastase. responde a qt, mas tem recidiva muito rápido.
- Limitado (restrito a um hemitorax): qt + RT
- Extenso: qt paliativo
Classificação do Câncer de Tireoide
- Bem diferenciados: bom prognóstico, mais comuns (90%), acometem mais as mulheres jovens (20-40a; paciente típico). Pode ser de dois tipos: papilifero (mais comum) e o folicular.
- Pouco diferenciados: acometem 9%, Foge do padrão , pior prognóstico. Podem ser do tipo medular ou anaplasico/indiferenciado.
Qual a grande diferenca entre a metastase entre os tumores papiliferos e foliculares da tireoide?
Papilifero faz disseminação linfática e folicular faz angioinvasao com metastase a distancia.
Características gerais dos tumores papiliferos e foliculares da tireoide
- Papilifero: O mais comum; Acomete mais mulheres de 30-40 anos; Excelente prognóstico; Disseminação linfática; associado a irradiação; Presença de corpos Psamomatosos no histopatologico (cálcio concêntrico)
- Folicular: 2 mais comum; acomete mulheres um pouco mais velhas (40-60a); Bom prognóstico; Disseminação hematogenica; Associado a carência de iodo.
Manifestações clínicas dos tumores papiliferos e foliculares da tireoide
- Papilifero: paciente eutireoideo, massa de crescimento lento, não doloroso, na topografia da tireoide. Pode haver linfonodo presente. Pode ter sintoma compressivo.
- Folicular: Nodulo tireoideano solitário de rápido crescimento ou dor por hemorragia no interior
Diagnóstico dos tumores papiliferos e foliculares da tireoide
- Papilifero: PAAF - avaliação da citopatologia
- Folicular: não pode fazer PAAF, pois não há diferença citopatologico entre o adenoma e carcinoma folicular -> Histopatologico
Tratamento dos tumores papiliferos e foliculares da tireoide
O tratamento sempre tende a ser cirúrgico
-Papilifero: <1cm e sem linfonodo: tireoidectomia parcial; >1cm ou com linfonodo: tireoidectomia total; se <15a ou irradiação, pelo risco de lesão difusa, deve fazer total.
- Folicular: O diagnóstico não é dado no pre operatório pela PAAF (devido à semelhança entre adenoma e câncer); devendo ser dado pelo histopatologico após a cirurgia.
< 2cm: provavelmente é adenoma; então tireoidectomia parcial. Se histopatologico mostrar que é câncer = ampliar para tireoidectomia total.
> 2cm: tireoidectomia total
Seguimento dos tumores papiliferos e foliculares da tireoide
Deve ser feito com dosagem de tireoglobulina ou cintilografia
Se alteração dos exames, pode ser feita a supressao do TSH (com Levotiroxina - geralmente é feito já nos pôs op; tumores que respondem a TSH) ou Radioablacao com Iodo radioativo.
Complicações da tireoidectomia
- Hipoparatireoidismo: hipocalcemia; transitória
- Lesão do Nervo Laringeo Recorrente: se for unilateral, causa rouquidao; se for bilateral leva a insuficiência respiratória aguda
- Lesão do ramo externo do nervo laringeo superior: perda do timbre de voz
Carcinoma de Células de Hurtle
Variante mais agressiva e menos diferenciada do carcinoma folicular da tireoide; Cursa com disseminação linfática.
Tto: tireoidectomia total + linfadenectomia
Onde é originado o carcinoma medular de tireoide
É originado da células parafoliculares ou células C -> produtoras de calcitonina
Marcador sanguíneo do carcinoma medular de tireoide e efeitos sistêmicos
Principal marcador é a Calcitonina (promove aumento da secreção líquida para luz intestinal -> diarreia); é utilizado no pre operatório e no pós operatório para avaliar recidiva
Diagnóstico do carcinoma medular de tireoide
PAAF
Apresentação do carcinoma medular de tireoide
Pode ser apresentar com massa palpável cervical, sintomas compressivos…
- Esporádica: mais comum, 80% dos casos
- Familiar: relacionado com NEM; geralmente é bilateral, multicêntrico
NEM 2A: CMT + Feocromocitoma + hiperparatireoidismo
NEM 2B: CMT + Feocromocitoma + neuromas
Obs.: tratar o Feocromocitoma antes do CMT
O que fazer com familiares de primeiro grau de pacientes com carcinoma medular de tireoide
Pesquisar protooncogene e RET -> se positivo = tireoidectomia profilática
Tratamento do carcinoma medular de tireoide
Tireoidectomia + linfadenectomia
Características do Carcinoma Anaplasico de Tireoide
Mais agressivo, mais raro, pior prognóstico, acomete mais idosas, extremamente invasivo, relacionado com deficiência de iodo, poucos sobrevivem por mais de um ano.
Tratamento do Carcinoma Anaplasico de Tireoide
Não há proposta cirúrgica;
Deve ser feita traqueostomia (evitar asfixia) e qt/RT
Nódulo de tireoide com história suspeita de malignidade
Criança, sexo masculino, extremos de idade, história familiar, crescimento recente, presença de linfonodos são sugestivos de malignidade
Característica no exame físico que fala a favor de Nódulo de tireoide benigno
Mais de um nódulo palpável em tireoide com nodularidade difusa
Características do USG de Nódulo de tireoide que fala a favor de malignidade
Microcalcificacoes, infiltração, vascularização (central é mais perigoso) -> Chamas IV ou V.
Importância da PAAF no Nódulo de tireoide
É o grande exame diagnóstico. Nódulos císticos geralmente são benignos; todo o conteúdo aspirado deve ser enviado para a citopatologia.
Carcinoma Papilifero, medular e anaplasico podem ser diagnosticados pela PAAF.
Exame laboratorial para iniciar investigação de Nódulo de tireoide
Dosar TSH.
- TSH normal -> realizar USG -> se nódulo > 1cm ou suspeito -> PAAF
- TSH suprimido -> cintilografia -> nódulo frio = realizar USG; nódulo quente -> pensar em adenoma Toxico e fazer cirurgia/radioiodo
Qual o câncer mais comum no homem?
É o câncer de próstata, excluindo o câncer de pele não melanoma
Característica em relação ao crescimento do tumor de próstata
Baixa letalidade, crescimento lento
Principais fatores de risco relacionado ao câncer de próstata
Idade (mais velhos), história familiar, raça negra
Principais características histológicas do câncer de prostata
Adenocarcinoma (95%), são multifocais, e localizam-se na periferia da próstata
Escore de Gleason
Avalia as 2 formas histológicas da próstata mais comuns, varia de 2 a 10. >7 é alto risco.
Clínica do câncer de prostata
Maioria é assintomático, pois a maior parte começa perifericamente.
Se estágio avançado: sintoma obstrutivo/irritativo
Metastase: osso (raramente vai para vísceras)
Opiniões sobre Rastreamento do câncer de prostata
Existe grande diferença entre rastrear (voltado para pessoas assintomáticos e aparentemente saudáveis) e diagnóstico precoce (pessoas que apresentam sinais iniciais da doença)
- ministério da saúde: não rastrear!!
- Sociedade Brasileira de Urologia: Rastrear!
Rastreamento do câncer de prostata
- Quando indicar? >50a -> todos até 75anos (após essa idade não há mais benefício, pois deve morrer de outra causa)
>45a -> negros e história familiar - O que indicar? PSA (pode estar alterado em condições benignas) e toque retal (mostra-se endurecido, nodular, irregular)
- Como confirmar? USG transretal com biópsia (12-14 fragmentos) -> quando fazer?
Toque retal alterado ou PSA:
>10 = biópsia
2,5 e 10 = avaliar risco (>60a - >4 = biópsia; 2,5 - 4 = refinamento do PSA;;; <60a - >2,5 = biópsia)
Refinamento do PSA
- Velocidade de crescimento: >0,75 por ano
- Fração livre de PSA: <25%
- Densidade de PSA: relação entre PSA e tamanho da próstata para diferenciar entre câncer e HPB (prostata muito aumentada) - > 0,15
Disseminação do câncer de próstata e exames para estadiamento
- Disseminação: atingiu órgão adjacentes já é t4.
Local: bexiga, reto, vesícula seminal
Linfática: Linfonodos obturadorss
Metastase: óssea é a principal - Examea: ressonância magnética sonda endorretal + cintilografia óssea
Tratamento do câncer de prostata
- Doença Localizada: proposta curativa. Prostatectomia total ou Radioterapia
- Doença Avançada/Metastatica: Privação androgênica (o tumor é dependente de androgênios) -> castração
- Cirúrgica: Orquiectomia bilateral (padrão ouro)
- Química: Goserelina e flutamida
Peso normal da próstata
Até 30g pelo USG
Características da Hiperplasia Prostática Benigna
A prevalência aumenta com a idade; a maioria dos pacientes é assintomática; a hipertrofia é principalmente na zona periuretral (central) e de transição, causando sintomatologia urinária.
Quadro clínico da Hiperplasia Prostática Benigna
- Obstrutivos: retenção urinária, esforço miccional, jato fraco (respondem bem a cirurgia)
- Irritativos: urgência miccional, nictúria, polaciuria, dor supra púbica (relacionado a distensão cronica da bexiga com alteração das fibras musculares -> não respondem bem a cirurgia)
Diagnóstico de Hiperplasia Prostática Benigna
Descartar infecção urinária, prostatite, bexiga neurogenica; PSA geralmente é <4 (se >10 =’pensar em câncer); no toque retal a prostata geralmente é grande, mas não é endurecida, sem nodulações
Tratamento farmacológico da Hiperplasia Prostática Benigna
- Sintomas Obstrutivos: respondem aos anti androgênios (inibidores da 5 alfa redutase - responsável pela conversão de testosterona em Di hidro testosterona) -> o Androgenio é o maior estimulador do crescimento prostático: Finasterida
- Sintomas Irritativos: respondem ao alfa 1 bloqueador, que promovem diminuição do tonus prostático e vesical: Prazosin, tamsulosim
Tratamento cirúrgico da Hiperplasia Prostática Benigna
Indicado para refratários ao tratamento clínico, muito sintomáticos, retenção urinária aguda, repercussão renal da obstrucao (irá pôs renal, hidronefrose…)
Escolha: Ressecção Transuretral da Próstata
Principal tipo histológico do Câncer de Bexiga e suas características
Carcinoma de células transicionais. Essas células são o meio do caminho entre células cilíndricas e células escamosas; a bexiga é o principal sítio de tumor do urotelio (reveste a bexiga, pelve renal, ureteres e uretra proximal); as células transicionais estão relacionadas ao poder de distensão da bexiga, para suportar variações no volume
Fatores de risco do Câncer de Bexiga
Acomete mais homens brancos e idosos; tabagismo, arilamina, hidrocarboneto.
Manifestações clínicas do câncer de bexiga
Hematuria é a principal manifestação (o tumor tem muito espaço para crescer sem causar compressão -> necrosa e sangra); pode haver sintomas Irritativos urinários.
Como é feito o diagnóstico do Câncer de Bexiga
- Citologia: 1o exame a ser feito; pesquisa de células neoplasicos na urina
- Cistosocopia com biópsia: vai olhar as lesões, fazer a biópsia para ver a profundidade e estadiar
Tratamento do Câncer de Bexiga
Possibilidade de cura por procedimento endoscópico; o tratamento depende da profundidade do tumor.
- Superficial (acomete até a submucosa T1N0M0): Ressecção endoscópica +/- BCG intra vesical (evitar recorrência local)
- Invasivo (acomete muscular >= T2): A cirurgia deve ser radical quando acomete muscular pela grande facilidade de disseminação do tumor.-> qt neo + qt adjuvante e Cistectomia radical (com ureterotomia ou neobexiga com alça de delgado) + linfadenectomia
- -
Tipos histológicos do Câncer de Esôfago
- Escamoso ou Epidermoide: relacionado com fumo, álcool, bebidas muito quentes, acalasia, negros, idosos e tilose palmo plantar. Localiza-se no esôfago médio e superior (derivado do epitelio estratificado não queratinizado)
- Adenocarcinoma: relacionado com Esôfago de Barret (metaplasia intestinal) e acalasia (8% dos casos de câncer relacionado a acalasia). Acomete esôfago distal.
Clínica do Câncer de Esôfago
- Emagrecimento acentuado: sd consumptiva do câncer + não se alimenta bem (mediadores inflamatórios aumentam o metabolismo basal)
- Disfagia Progressiva: com o crescimento do tumor, vai haver disfagia progressiva para sólidos e líquidos.
Diagnóstico do Câncer de Esôfago
- Esofagografia Baritada: investigação inicial do paciente com disfagia -> sinal da maçã mordida
- EDA com biópsia e escovado (citologia): onde pode ser dado o diagnóstico definitivo. Pelo menos 7 fragmentos de biópsia.
Aspectos endoscópicos do Câncer de Esôfago
- Polipoide Exofitico (mais comum)
- Escavado ou ulcerado
- Plano ou infiltrativo
Peculiaridade sobre o estadiamento do Câncer de Esôfago
O câncer de esôfago se dissemina facilmente, pois o órgão não é revestido por serosa, e sim uma fina camada de adventícia.
O estadiamento pode ser concluído com exames de imagem, como tac de tórax e abdome
Estadiamento do Câncer de Esôfago
- Tis (in situ): limitado a mucosa (tumor precoce)
T1: até submucosa
T2: até muscular
T3: até adventícia (no caso do esôfago); até serosa (em outros orgaos)
T4: ultrapassa a adventícia (pode atingir outros órgãos por disseminação local, como a árvore traqueobronquica, aorta, nervo laringeo recorrente, diafragma, pericárdio, estômago) - N0: sem metastase de linfonodos
N1: meta para 1-2 linfonodos
N2: meta para 3-6 linfonodos
N3: meta para >= 7 linfonodos (grande facilidade deste tumor para disseminação linfática) - M0: sem metastase
M1: doença metastatica (principalmente para figado, pulmão e ossos)
Como funciona o tratamento do câncer de Esôfago
- O tratamento, em geral, se baseia em químio e rádio neoadjuvante (causa grande inflamação local, necessitando de 4-6semanas para o processo esfriar e abordar cirurgicamente) + Esofagectomia (margem de segurança de 8cm para baixo e para cima) + Linfadenectomia
- Se tumor até T4 irressecavel (aquele que acomete órgãos nobres) ou M1 -> paliativa (stents, gastrostomia, jejunostomia, RT local, qt)
- Se tumor só em mucosa: faz mucosectomia endoscópica
Se tumor até submucosa: faz só esofagectomia e linfadenectomia
Qual o tipo histológico mais comum do câncer de estômago
Adenocarcinoma em 90% dos casos
Classificação histológica de Lauren no Câncer Gástrico
- Intestinal (mais comum): Homens, >50a, melhor prognóstico, mais diferenciado, associado a gastrite cronica atrófica (pode estar relacionado a anemia perniciosa, infecção por h pylori -> não há produção suficiente de ácido clorídrico, levando a acloridria e metaplasia intestinal no estômago), faz disseminação hematogenica.
- Difuso: mulheres, jovens, pouco diferenciado, células em anel de sinete, faz disseminação linfática (linfonodos em todo o corpo, não é regional -> M1)
Fatores de risco do Câncer Gástrico
Baixo nível socioeconômico, história familiar, genética, gastrite cronica atrófica, pólipos gástricos (adenoma), tabagismo, cirurgia gástrica previa
Pólipo de estômago mais relacionado com Câncer Gástrico
Adenoma
Formas de disseminação do Câncer Gástrico
- Contiguidade: orgaos adjacentes
- Linfática: linfonodos regionais; supraclavicular esquerdo (Virchow), axilar esquerdo (Irish)
- Hematogenica: circulação porta ou sistêmica
- Implante periotoneal: peritonio parietal, ovário (Krukenberg), fundo de saco (prateleira de Blumer), umbilical (irmã Maria José)
Manifestações clínicas do Câncer Gástrico
Disfagia + emagrecimento
Pode ter no exame físico: Virchow, Krukenberg, dermatomiosite (síndrome paraneoplasica), síndrome de trousseau (tromboflebite superficial ou profunda migratória)
Como é dado o diagnóstico de Câncer Gástrico
EDA com biópsia e escovado (citologia)
Classificação Macroscópica de Borrmann (Forma de apresentação do câncer gástrico)
I: Polipoide -> retirar e biópsia
II: Ulcerado com bordos nítidos (muito semelhando a úlcera gástrica, biópsia com 7 fragmentos)
III: Ulcerado com bordos não nítidos -> mais feita biópsia
IV: Infiltrante (linite plastica)
V: não se encaixa nos anteriores.
Estadiamento do Câncer Gástrico
- TNM igual ao de esôfago (T1 = tumor precoce)
- Se presença de ascite = videolaparoscopia (alta sensibilidade para implantes metastaticas) -> inventário de cavidade. Se carcinomatose peritoneal = M1
- Se presença de linfonodos à distância (Virchow, Krukenberg, sister mary joseph) = M1
Método não invasivo de maior acuracia para o estadiamento T do Câncer Gástrico
Ecoendoscopia
Tratamento curativo do Câncer Gástrico sem metastase
Gastrectomia (margem de segurança de 6cm) + linfadenectomia (pelo menos 15 linfonodos - D1,D2) +/- Qt e RT
- Se tumor proximal: gastrectomia total + reconstrução em Y de Roux (pode tirar até esôfago)
- Se tumor distal: gastrectomia subtotal + reconstrução em BII (retira até 75% do órgão)
O que é R0, R1 e R2 em cirurgia oncológica
R0 = retira toda doença macro e micro R1 = retira toda a macro e fica micro R2 = não retira nem toda a macro
Opções paliativas para o Câncer Gástrico com metastase e qual o objetivo
O objetivo é possibilitar alimentação.
Pode ser feita gastrectomia subtotal paliativa, bypass gástrico, qt paliativa, jejunostomia, RT paliativa…
Sarcomas gástricos (GIST)
Originado do mesênquima (tecido conjuntivo); o principal representante é o GIST (tumor estromal do trato gastrointestinal) -> principal localização é o estômago; mutação no KIT
- Climica: sangramentos, dor abdominal e dispepsia; a maioria é de origem benigna
- Tratamento: Ressecção cirúrgica com margens livres, mesmo que signifique retirada de órgãos adjacentes. Normalmente não acomete linfonodos; faz metastase para figado e peritonio
Fatores de risco para Câncer Colorretal
História familiar, síndromes de polipose (Polipose Adenomatosa Familiar, por ex), síndrome de Lynch, DII, dieta rica em gorduras, endocardite por estreptococos bovis
Tipo histológico mais comum com câncer colorretal
Adenocarcinoma
Como ocorre a progressao de lesão benigna para maligna no Câncer Colorretal
Começa com o crescimento da mucosa para o interior da luz intestinal -> pólipo = polipectomia
adenoma que se transforma em adenocarcinoma
Lado direito: Polipoide
Lado esquerdo: lesão constrictiva.
Como ocorre a disseminação do Câncer Colorretal
Através da parede intestinal, via vasos linfáticos, veia porta até o figado, cavidade peritoneal, via hematogenica para pulmão e ossos.
Manifestações clínicas do Câncer Colorretal
- Direita: Anemia ferropriva, massa palpável, febre (ainda não causa alteração do hábito intestinal, pois as fezes são liquidas e colode maior diâmetro -> o tumor cresce, levando a sangramentos e pode ser causa de FOO)
- Esquerda: Alteração do hábito intestinal -> pode causar constipação e diarreia paradoxal (intestino de menor diâmetro, fezes mais endurecidas)
- Reto: hematoquezia, tenesmo, fezes em fita
Complicações das metástases hepáticas
Hepatomegalia dolorosa, ascite carcinomatoso, disfunção de bexiga.
Obs.: metastase pulmonar geralmente resulta da meta hepática, exceção ocorre em tumores de reto -> drenagem direta para o pulmão.
Rastreamento do câncer colorretal
Um dos cânceres que tem benéfico com o rastreamento
Feito a partir dos 50a.
- Colonoscopia 10/10a
- Retossigmoidoscopia / colonoscopia virtual 5/5a
- Sangue oculto anual
Obs.: se história familiar: a partir dos 40 anos ou 10 anos antes do diagnóstico do parente.
Como dar o diagnóstico do Câncer Colorretal
Colonoscopia + Biópsia
Os tumores colorretais podem acometer dois lugares ao mesmo tempo = sincronicos! Precisa de colono para procurar tumor em outro lugar, mesmo que o diagnostico tenha sido dado pela Retossigmoidoscopia.
Papel do CEA no Câncer Colorretal
Não dá diagnóstico! Acompanhamento de tratamento.
Estadiamento do Câncer Colorretal
T e M iguais ao câncer de estômago e esôfago
N0 = sem linfonodos
N1 = 1 a 3 linfonodos regionais
N2 = >= 4 linfonodos regionais
Tratamento do câncer colorretal
- Cólon: Ressecção cirúrgica com margens livres + linfadenectomia / qt adjuvante (se N positivo)
Obs.: fazer cirurgia mesmo se meta à distância, para melhorar qualidade de vida - Reto: depende da localização do tumor.
- Reto alto (>= 6cm da margem anal): Ressecção abdominal baixa (RAB) + linfadenectomia
- Reto Baixo (<5cm da margem anal): Ressecção abdominoperineal + colostomia
+ qt/RT neoadjuvante + qt adjuvante (o tumor pode ter regredido com a terapia neoadjuvante, mas ainda precisa de tto pôs cirúrgico)
Quando devemos indicar cirurgia no câncer colorretal?
O paciente só não deve ser operado em condições proibitivas!
Devemos ressecar o tumor e as metástases (alta chance de cura mesmo com doença metastatica)
Como abordar Câncer Colorretal metastático?
Deve ser tentada a cirurgia do foco Primario e da metastase
Quando ressecar?
- No fígado: até 3 lesões unilobares
- No pulmão/peritoneo: sem outras lesões metastaticas/únicos
Tipo histológico mais comum do Câncer de Pâncreas
Adenocarcinoma ductal
Fatores de risco para Câncer de Pâncreas
Homem, negro, idoso, tabagismo
Onde pode aparecer o Câncer de Pâncreas
Pode ser de cabeça, corpo e cauda
Clinica do Câncer de Pâncreas
- Dor abdominal (obstrucao dos ductos) + emagrecimento. Pode apresentar síndrome de Trousseau, diabetes de início recente (>90% das glândulas estão afetadas), Virchow.
Disseminação linfática, manifestações extra pancreáticas = manifestações extra gástricas
Se tumor de cabeça de pâncreas = síndrome colestatica couvoisier (mais comum)
Diagnóstico do Câncer de Pâncreas
Clínica e imagem fecham o diagnóstico, não precisa de biópsia. Pode fazer cirugia e enviar peça para histopatologico
Exame de imagem = Tc de abdome
Marcador = CA 19.9
Tratamento do Câncer de Pâncreas
Tumor agressivo, de cura difícil.
-Curativo: se sem metastase e sem invasão vascular
- Cabeça: pancreatoduodenectomia (Whipple)
- Corpo e cauda: pancreatectomia + esplenectomia
Pode ser feita qt adjuvante.
- Paliativo: grande maioria dos casos.
Tipos de tumores hepáticos
- Benignos (mais comum): adenoma, hemangioma, hiperplasia nodular focal
- Malignos: metastase, hepatocarcinoma
Característica dos tumores hepáticos metastaticos
Tumor maligno hepático mais comum. Principais sítios primários: cólon, mama, pâncreas. Múltiplas nódulos de tamanho semelhante.
Tratamento: paliativo; exceto colorretal -> com até 3 lesões unilobares
Principais fatores de risco para Hepatocarcinoma
Cirrose e hepatite B
Clínica do Hepatocarcinoma
Dor abdominal e hepatomegalia
Estão mais propensos a sangramentos pela hipervascularizacao e pela disfunção hepática de base
Diagnóstico do Hepatocarcinoma
- Alfafetoproteina
- Des-gama-carboxi protrombina (dcp)
- Tc dinâmica ou RNM; na dúvida, faz biópsia.
Hepatocarcinoma na Tc dinâmica (trifásica)
- Sem contraste: só mostra a ondulação hepática (sugestiva de cirrose)
- Arterial: captação de contraste no tumor
- Portal: desaparece a massa
Obs.: captação arterial = Wash out; ocorre pela hipervascularizacao do tumor.
Tratamento do Hepatocarcinoma
Nem todo paciente estará apto a cirurgia devido à doença de base.
- Lesão única < 5cm e Child A = Ressecção
- Lesão única < 5cm ou até 3 lesões < 3cm + Child B/C (critérios de Milão) = transplante
- Lesão > 5cm, múltipla, figado ok = embolização arterial da lesão (causar necrose e diminuição)
- Metástase: paliativo
Características do hemangioma hepático
Tumor vascular, causado por vasos sanguíneos enovelados. Tumor benigno mais frequente. Tratamento: expectante, exceto os sintomáticos, crescimento e risco de ruptura
Hiperplasia nodular focal do figado
2o tumor benigno mais comum; se resolve sozinho; é uma cicatriz fibrosa central com septos irradiados (reação do figado a uma má formação vascular). Tto: expectante
Características do adenoma hepático
Relacionado com uso de ACO. Proliferacao benigna de hepatocitos. Relacionado com ruptura e sangramento, risco de malignizacao. Tratamento: Ressecção.
Diferenças nos tumores benignos do figado na Tc dinâmica
- Hemangioma: captação arterial de contraste periférica
- Hiperplasia Nodular Focal: captação arterial de contraste em roda de carruagem
- Adenoma: captação arterial heterogênea
Principais subtipos histológicos do Câncer de Celulas Renais (hipernefroma)
Células claras (60% e pior prognóstico), células papiliferas (10% e prognóstico intermediário), cromofobico (10% - prognóstico bom)
Fatores de risco para Câncer de Celulas Renais (hipernefroma)
Homens, idosos, negros e TABAGISTA
Clínica do Câncer de Celulas Renais (hipernefroma)
Hematuria macroscópica, dor no flanco e massa palpável
Síndromes paraneoplasicas do Câncer de Celulas Renais (hipernefroma)
- Hipercalcemia (PTH like)
- Hipertensão (secreção de renina)
- Eritrocitose (Secreção de Eritropoietina)
- Sd de Stauffer: hepatopatia
Diagnóstico do Câncer de Celulas Renais (hipernefroma)
Imagem: TC ou RNM
Tratamento do Câncer de Celulas Renais (hipernefroma)
Nefrostomia, mesmo que M1. Melhorar qualidade de vida.
Não altera função renal porque é unilateral
Principal tipo do Câncer de Testículo
Células germinativos (homens jovens 20-40a)
Marcadores do Câncer de Testículo
Alfafetoproteina, LDH e HCG
Manifestações clínicas do Câncer de Testículo e sitos de metastase
Massa testicular indolor.
Sítios de metastase: hepática, pulmonar, óssea, retroperitoneal
Tipos histológicos do Câncer de Testículo
- Não seminoma: carcinoma embrionário, teratoma, teratocarcinoma, Coriocarcinoma, tumores de saco vitelinica
- Seminomas: mais velhos, localizados, muito sensíveis a RT
Fatores de risco para Câncer de Testículo
Criptorquidia com correção tardia, história familiar, síndrome de down, síndrome de klinefelter
Diagnóstico de Câncer de Testículo
USG = massa hipoecogemica.
Diagnóstico definitivo = tratamento -> Orquiectomia
Em que se baseia o tratamento do Câncer de Testículo
- Estágios iniciais: Orquiectomia com alta chance de cura
- Estágios finais: Ressecção de linfonodos retroperitoniais, qt
Fatores de pior prognóstico do Câncer de Testículo
- LDH > 10x, HCG > 50.000, AFP > 10.000
- Tumor primário de mediastino ou metastase não pulmonar
Pólipos colorretais nao neoplasicos
Hiperplasia, inflamatório e hamartoma
Pólipos colorretais neoplasicos
- Maligno: adenocarcinoma
- Benigno: adenoma (tubular, viloso, tubuloviloso)
Adenoma colorretal mais relacionado com malignidade
Adenoma viloso
Polipose Adenomatosa familiar
Herança autossômica dominante, gene APC, formação de inúmeros pólipos intestinais (pelo menos 100), que podem ser achados em todo o Tgi.
Associado a hiperpigmentação retiniana.
Tratamento: colectomia total profilática + rastreamento familiar
Síndrome de Peutz-Jeghers
Síndrome genética com pólipos hamartomatosos + manchas melanoticas em pele e mucosas. Maior probabilidade de diversos tipos de câncer.