Doenças do pericárdio Flashcards
Quais as considerações basais com relação a pericardite aguda?
*É a doença mais comum que acomete o pericárdio
*Ocorre uma inflamação do pericárdio, levando ao acúmulo de líquido entre os folhetos
Pode ser infecciosa ou não infecciosa, sendo a etiologia viral (principalmente por Coxsackie B) .
Como a pericardite pode ser classificada?
Aguda: (< 6 semanas)
Subaguda (6 semanas - 6 meses)
Crônica (> 6 meses)
Causa: infecciosa, não infecciosa ou relacionada a autoimunidade
Como é o quadro clínico clássico?
Dor pleurítica (piora a inspiração profunda, tosse, espirro), contínua, podendo irradiar para pescoço, ombro esquerdo
Alivia na posição genupeitoral ou na posição de Beck (abraça o travesseiro)
Atrito pericárdio (mais audível na borda esternal esquerda ou ápice na posição inclinada para frente, sendo um sinal de inflamação que pode aparecer e desaparecer ao longo do quadro)
Cardiomegalia com com campos pleuropulmonares - Coração em moringa
Efusão pericárdica
Ecocardiograma vendo derrame pericárdico
ECG (1º estágio - supra de ST difuso em todas as derivações (poupando avR e v1, pode ser infra tbm) + supra/infra PR em V5 v V6 ; 2º ST e PR voltam ao normal e T achata; 3. T invertida ; 4. T normaliza + baixa voltagem em todo o ECG)
Principais agentes etiológicos da pericardite aguda infecciosa:
Coxsackie A e B***, ecovírus, adenovírus, influenza HIV
Pneumococo, Streptococcus, Staphylococcus, Legionella…
Mycobacterium tuberculosis
Gram negativos entéricos
Haemophilus influenzae
Neisseria meningitidis
Explique o pródromo da pericardite aguda:
Alguns dos agentes etiológicos da pericardite aguda são causadores do resfriado (ex. coxackie e ecovírus), podendo gerar um pródromo de resfriado comum.
Explique o derrame pleural como possibilidade na pericardite aguda:
Por conta da contiguidade do pericárdio com a pleura parietal pode haver a formação de um derrame pleural.
Diagnósticos diferenciais Pericardite aguda viral:
IAM Pericardite pós IAM Pericardite da injúria renal Pericardite associada a neoplasia Pericardite associada a colagenoses
Principais causas de pericardite aguda não infecciosa:
Idiopática Traumática Neoplasia primária (mesotelioma) Neoplasia metástica ( CA pulmão, mama, linfoma, melanoma) Pericardite pós IAM Pericardite da injúria renal Pericardite associada a neoplasia Pericardite associada a colagenoses Dissecção aórtica Medicamentosa - Hidralazina, procrainamida, anticoagulantes, penicilina, isoniazida) Hipotireoidismo
Qual achado é quase que patognomônico de pericardite aguda?
Atrito pericárdico, embora nem sempre esteja presente (mais audível na borda esternal esquerda ou ápice na posição inclinada para frente, sendo um sinal de inflamação que pode aparecer e desaparecer ao longo do quadro)).
Qual das etiologias costuma ter sintomatologia mais grave?
As pericardites bacterianas costumam ter etiologia mais grave que as virais.
Nesses casos, associado a dor torácica, há febre alta, calafrios, desvio à esquerda, intensa prostração e queda no estado geral
Como é o líquido pericárdico na pericardite aguda?
Revela-se como exsudato:densidade maisor que 1,02; presença de coágulos; contagem de leucócitos maior que 300 mm 3, numerosas células mesoteliais, relação de LDL pericárdica e sanguínea maios que 0.6, glicose baixa, PTN líquido pericárdico/PTN sérica > 0,5
Tratamento pericardite aguda viral/idiopática:
AINEs em dose alta (IBUPROFENO ESCOLHA… poucos efeitos colaterais e melhora fluxo coronariano, secundariamente indometacida) ou AAS dose inflamatória
Colchicina (tratamento da dor e prevenção de recorrências)
Omeprazol (protetor gástrico)
Tratamento pericardite pós-IAM:
AAS
Cochicina
Omeprazol
Tratamento pericardite autoimune ou refratária:
Glicocorticóides
Tratamento pericardite aguda recorrente por mais de 2 anos:
Pericardiectomia
Qual a principal complicação do derrame pericárdico?
Tamponamento cardíaco e pericardite constrictiva são as mais temidas, embora a mais comum seja a pericardite recorrente.
Como a pericardite pós IAM pode se manifestar?
Síndrome de Dressler (pericardite tardia, a partir de 10 dias pós infarto, etiologia autoimune, alterações no ECG específicas de pericardite)
Pericardite epistenocárdica (pericardite precoce), relacionada ao infarto transmural (10 dias pós infarto, IAM transmural, em geral não apresenta alterações eletrocardiográficas)
Como é a pericardite em paciente com insuficiência renal crônica?
Pericardite urêmica, especialmente os dependentes de diálise. Indica urgência de diálise
Alterações eletrocardiográficas da pericardite aguda:
ECG (1º estágio - supra de ST difuso em todas as derivações (poupando avR e v1, pode ser infra tbm) + supra/infra PR em V5 v V6 ; 2º ST e PR voltam ao normal e T achata; 3. T invertida ; 4. T normaliza + baixa voltagem em todo o ECG)
Qual o exame mais útil para avaliar a presença de derrame pericárdico?
Ecocardiograma, todavia a ausência de derrame pericárdico ao exame não exclui a pericardite.
Sinal de derrame pericárdico no raio X:
Coração em moringa
Qual a recomendação com relação aos anticoagulantes orais no tratamento da pericardite aguda?
NÃO DEVEM ser usados anticoagulantes orais, a fim de evitar o hemopericárdio.
Qual a principal etiologia de pericardite crônica?
Mycobacterium tuberculosis
Causas de pericardite crônica:
Mycobacterium tuberculosis (é a mais prevalente, especialmente em pacientes com HIV)
Neoplasia (CA pulmão, mama, linfoma, melanoma)
IR (urêmica)
Colagenoses
Mixadematosa (hipotireoidismo)
Sintomas pericardite crônica:
Tosse Dispneia Perda de peso Astenia Febre Sudorese noturna Manifestações de insuficiência cardíaca direita (turgência jugular, refluxo hepatojugular) É INCOMUM o atrito pericárdico Cardiomegalia
V ou F: Encontrar o bacilo da tuberculose no liquido pericárdico é um bom método diagnóstico de pericardite crônica.
F. Encontrar o bacilo é infrequente, apenas 20% dos casos
Valor da dosagem da adenosina desaminase como método diagnóstico:
Sensibilidade de 95%, valores positivos acima de 45
V ou F: Cultura de Mycobactéria é um bom método diagnóstico de pericardite crônica
Pouco sensível (menos de 50 % dos casos)
Qual o melhor método diagnóstico na pericardite crônica?
Biópsia pericárdica.
Líquido sanguinolento alerta para tuberculose ou neoplasia.
Tratamento pericardite crônnica:
Pericardiocentese ou Infusão de agente esclerosante ou Pericardiecomia
Se a causa for tuberculose, iniciar esquema RIP imediatamente, associar a corticoides (?)
O que é pericardite constrictiva?
Perda da elasticidade do pericárdio, pela inflamacão crônica, restringindo os movimentos do coração. Há colabamento da cavidade pericárdica, com formação de tecido de granulação e diminuição da elasticidade, além de espessamento pericárdico, resultando no encarceramento pericárdico.
Achados clínicos da pericardite onstrictiva:
- Sinal de Kussmaul (persistência da turgência jugular a inspiração profunda)
- Knck pericárdico (ruído protodiastólico, devido a cessação súbita do enchimento pericárdico, a pressão de enchimento aumentada…sai rapidamente do átrio para o ventrículo e para por conta da restrição ventricular
- Sinais de IVD: refluxo hepatojugular, edema MMII, turgência jugular…
- Colapso Y proeminente - sinal de platô ou da raiz quadrada
OBS.: PULSO PARADOXAL (queda de mais de 10 mmHg a inspiração profunda) É DE TAMPONAMENTO
Diagnóstico periardite constrictiva:
ECG: baixa voltagem geral, com FA comumente associada
ECO: espessamento pericárdico + dilatação VCI e de veias hepáticas + interrupção abrupta do enchimento ventricular diastólico
RX tórax: calcificação do pericárdio
TC e RNM são de alta acurácia
Diferenciação pericardite constritiva e miocardiopatia restritiva
- Knock pericardio na pericardite constrictiva
- Espessura aumentada ( na miocardiopatia restritiva o que está espessado é a parede)
- Pulso paradoxal presente em 1/3 dos casos na pericardite constrictiva e ausente na miocardiopatia restritiva
- Descenso Y rápido da pericardite constrictiva
Tratamento epricardite constrictiva:
Pericardiectomia
NÃO PODE SER ANTICOAGULADO
O que é derrame pericárdico?
Quantidade de líquido no saco pericárdico superior a 50 mL.
O derrame pericárdico tem suas principais etiologias alteradas pela idade?
Em jovens: causas infecciosas
Em idosos: cardiopatia isquêmica, insuficiência cardíaca e neoplasias
Sintomatologia derrame pericárdico:
Geralmente assintomática, mas pode ser vista como uma opressão no peito.
O que é tamponamento cardíaco?
Acúmulo no saco pericárdico levanto a aumento da pressão intrapericárdico (equalização das pressões das câmaras cardíacas), prejudicando o enchimento ventricular (restrição), diminuindo o débito cardíaco.
Causas de tamponamento cardíaco:
Pericardite idiopática Pericardite neopásica Anticoagulação na pericardite Dissecção aórtica Cirurgia cardíaca
Achados clínicos no tamponamento cardíaco:
Tríade de Beck: hipotensão (diminuição da ejeção), turgência jugular (estase venosa retrógrada ao Átrio direito, que não se esvazia adeuqadamente), hipofonese de bulhas (líquido entre a parede torácica e a câmara cardíaca)
Pulso paradoxal (DPOC asma, 1/³ pericardite constrictiva) (queda de mais de 10 mmHg a inspiração profunda - obstrução no trato de saída do VE; insp profunda abaula septo, mas restrição impede que o VE acomode o sangue na parede livre - visto pelo manguito)
Turgência jugular patológica
Método diagnóstico de elição:
Ecocardiograma (restrição diastólica + aumento do fluxo através da valvas direitas)
Tratamento tamponamento cardíaco:
Pericardiocentese guiada por ECOTT
ou
Drenagem cirúrgica
+
Análise do fluido pericárdico: celularidade geral e específica, GRAM e cultura para fungos e bactérias, PCR para vírus e Mycobacterium tuberculosis