renal 2 Flashcards
Quais são os constituintes do filtrado glomerular?
Os capilares glomerulares são impermeáveis às proteínas e elementos celulares, por isso, estes não se encontram no filtrado glomerular.
As concentrações dos constituintes do filtrado glomerular, incluindo a maioria dos sais e moléculas orgânicas, são semelhantes às suas concentrações plasmáticas. As exceções incluem moléculas de baixo peso molecular, como o cálcio e os ácidos gordos, as quais não são livremente filtradas por se encontrarem ligadas a proteínas plasmáticas.
O que determina a taxa de filtração dos capilares glomerulares?
A TGF é determinada pelo:
- Balanço entre as forças hidrostática e osmótica coloidal que atuam através da membrana capilar;
- Coeficiente de filtração glomerular (Kf), que é o produto da permeabilidade pela área de superfície de filtração desses capilares.
A que se deve a alta taxa de filtração dos capilares glomerulares?
A TGF representa 20% do fluxo plasmático renal.
Os capilares glomerulares têm uma taxa de filtração muito superior à da maioria dos capilares, graças a uma pressão hidrostática elevada e um elevado Kf.
O que é a fração filtrada e como se calcula? Apresenta o seu valor aproximado.
A fração filtrada é a fração do plasma que quando passa nos capilares glomerulares é filtrada.
Fração filtrada = TGF / Fluxo plasmático renal
Esta fração é em média 0.2, ou seja, 20% do plasma que corre nos rins é filtrado através dos capilares glomerulares.
Como é composta a membrana capilar glomerular?
É composta por 3 camadas diferentes:
- Endotélio capilar;
- Membrana basal;
- Podócitos, células epiteliais especializadas que envolvem a superfície exterior dos capilares.
Todas estas camadas contribuem para impedir a filtração de proteínas plasmáticas, ou por repulsão eletrostática e/ou diâmetro do poro).
Que características da membrana capilar glomerular lhe proporcionam uma elevada taxa de filtração?
O endotélio dos capilares ser perfurado por milhares de pequenos poros designados fenestrae.
A carga negativa fixa das células endoteliais, que previne a passagem de proteínas plasmáticas, também carregadas negativamente.
Caracteriza cada uma das camadas da membrana capilar glomerular.
A membrana basal envolve o endotélio, consistindo numa intrincada rede de colagénio e fibrilhas de proteoglicanos (carga negativa) que apresenta espaços através dos quais passam grandes quantidades de água e pequenos solutos.
A camada de podócitos não é contínua, estas células emitem longos processos que envolvem a superfície exterior dos capilares. Estes processos apresentam espaços entre si designados por poros em fenda através dos quais passa o filtrado glomerular. A membrana citoplasmática dos podócitos, por também apresentar cargas negativas, constitui uma restrição adicional à filtração de proteínas plasmáticas.
Em que se baseia a seletividade da barreira de filtração?
A seletividade da barreira de filtração glomerular na determinação das moléculas que são filtráveis baseia-se no seu peso molecular e carga elétrica.
Explica o que é a filterabilidade.
Uma filterabilidade de 1.0 significa que uma substância é filtrada com facilidade igual à da água. Se for 0.75 quer dizer que a velocidade de filtração da substância corresponde a 75% da velocidade de filtração da água.
À medida que o peso molecular se aproxima do da albumina, a filterabilidade diminui rapidamente, aproximando-se de zero.
As moléculas carregadas negativamente são filtradas com maior dificuldade do que as carregadas positivamente.
A albumina é filtrada?
O diâmetro molecular da albumina é de 6nm, e os poros da membrana glomerular medem 8nm.
Apesar disso, a albumina não é filtrada por causa da sua carga negativa e consequente repulsão eletrostática exercida pelas cargas negativas presentes nos proteoglicanos da parede capilar glomerular.
Quais são os fatores que determinam a taxa de filtração glomerular? O que mede a TGF?
A TFG mede a formação e o fluxo de filtrado glomerular e é determinada pela soma das forças hidrostáticas e osmóticas coloidais através da membrana glomerular, a qual determina a pressão líquida de filtração, e pelo coeficiente de filtração capilar.
Apresenta o cálculo da TFG.
TFG =
Apresenta o cálculo da TFG.
TFG = Kf x pressão líquida de filtração.
A pressão líquida de filtração é o resultado do balanço das forças de Starling. Indique quais são estas forças.
Pressão hidrostática nos capilares glomerulares que promove a filtração.
Pressão hidrostática na cápsula de Bowman que se opõe à filtração.
Pressão osmótica coloidal exercida pelas proteínas plasmáticas dos capilares glomerulares que se opõe à filtração.
Pressão osmótica coloidal das proteínas presentes na cápsula de Bowman que promove a filtração.
Apresenta o cálculo da pressão de filtração.
Pressão de filtração = Pressão hidrostática glomerular - Pressão hidrostática da cápsula de Bowman - Pressão osmótica coloidal dos capilares glomerulares (60-18-32= +10mmHg)
Em condições normais a concentração de proteínas no filtrado glomerular é de tal forma baixa que a pressão osmótica coloidal do fluido na cápsula de Bowman pode ser considerada zero.
Calcula a TFG tendo em conta as forças de Starling.
TFG = Kf x (PG - PB - pG + pB)
Alguns destes fatores podem variar de forma marcada de acordo com as circunstâncias fisiológicas, enquanto outros apresentam alterações sobretudo quando se verificam condições patológicas.
Relaciona o coeficiente de filtração glomerular com a TFG.
O aumento no coeficiente de filtração aumenta a TFG. Apesar disto, a regulação da TFG não depende de alterações do Kf.
Em algumas doenças o Kf encontra-se reduzido por causa da diminuição do número de capilares funcionais ou através do aumento da espessura da membrana capilar.
Relaciona a pressão hidrostática da cápsula de Bowman com a TFG.
O aumento da pressão hidrostática da cápsula reduz a TFG. Esta pressão tem um valor de 18mmHg.
Algumas doenças associadas à obstrução do trato urinário provocam um aumento acentuado da pressão hidrostática da cápsula, reduzindo marcadamente a TFG.
A precipitação de cálcio ou ácido úrico leva à formação de cálculos que se depositam nos ureteres e que obstruem a saída da urina, aumentando também a pressão hidrostática da cápsula. Esta situação diminui a TFG e pode provocar danos no tecido renal.
Relaciona a pressão osmótica coloidal dos capilares glomerulares com a TFG.
O aumento da pressão osmótica coloidal dos capilares reduz a TFG.
Aumentando a pressão osmótica arterial aumenta também a pressão osmótica coloidal dos capilares glomerulares, o que reduz a TFG.
Que fatores afetam a pressão osmótica coloidal dos capilares glomerulares?
Pressão osmótica coloidal arterial e fração do plasma filtrada através dos capilares glomerulares.
Quando o sangue passa através dos capilares glomerulares, da arteríola aferente para a arteríola eferente, a concentração das proteínas plasmáticas aumenta cerca de 20%.
A passagem por filtração de parte do fluido plasmático para a cápsula de Bowman, concentra as proteínas plasmáticas que permanecem nos capilares glomerulares.
Esta pressão tem um valor médio de 32mmHg.
Relaciona o fluxo sanguíneo renal com a TFG.
O aumento do fluxo sanguíneo renal tende a aumentar a TFG.
Alterações no fluxo sanguíneo renal influenciam a TFG independentemente das alterações de pressão hidrostática glomerular.
Relaciona a pressão hidrostática dos capilares glomerulares com a TFG.
O aumento da pressão hidrostática dos capilares aumenta a TFG.
Esta pressão tem um valor de 60mmHg e constitui a forma mais importante de regular a TFG.
Um aumento da pressão arterial tende a aumentar a pressão hidrostática glomerular, produzindo um aumento da TFG.
De que fatores depende a pressão hidrostática glomerular?
A pressão hidrostática glomerular depende:
- Da pressão arterial sistémica;
- Da resistência arteriolar aferente;
- Da resistência arteriolar eferente.
Que impacto têm as alterações da resistência arteriolar aferente ao nível da TFG?
O aumento da resistência por vasoconstrição das arteríolas aferentes reduz a pressão hidrostática glomerular e a TFG.
A sua vasodilatação reduz a resistência, aumentando a pressão hidrostática glomerular e a TFG.
Qual é o impacto das alterações na resistência arteriolar eferente ao nível da TFG?
A constrição das arteríolas eferentes aumenta a resistência à saída do sangue dos capilares glomerulares, aumentando a sua pressão hidrostática e diminuindo o fluxo sanguíneo, levando a um aumento da fração filtrada e consequentemente da pressão osmótica coloidal glomerular.
Se a constrição destas arteríolas for muito significativa o aumento da pressão osmótica coloidal excede o aumento da pressão hidrostática, verificando-se uma redução da força líquida de filtração que resulta num decréscimo da TFG.
A constrição da arteríola eferente tem um efeito bifásico. Explica.
Perante níveis de constrição moderados verifica-se um aumento da TFG.
Com vasoconstrição pronunciada a TFG tende a diminuir.