pp 10 Flashcards
exame
O sistema imunitário das mucosas protege as superficies internas do corpo:
- O sistema imunitário das mucosas
inclui a superfície interna do corpo,
que é delineada por epitélio secretor
de muco.
*A maioria dos patogénios que
causam a morte em todo o mundo
infeta a mucosa ou entra no corpo
por essa via (respiratória, intestinal
ou reprodutora).
As mucosas são colonizadas por:
- micro-organismos comensais ou microbiota, que incluem
muitos tipos de bactérias que em condições normais não são patogénicas e são benéficas
ao hospedeiro (importantes funções metabólicas e essenciais à função imunitária normal).
As mucosas contêm:
estruturas imunológicas especializadas
(mucosal-associated lymphoid tissues, MALT).
GALT:
(gut-associated lymphoid tissue): inclui o apêndice, folículos linfóides isolados da
lâmina propria (LP) e os Peyer’s Patches no intestino delgado.
onde estao as cells do s. imunitário da mucosa?
- As células do sistema imunitário da mucosa
estão espalhadas pela mucosa, ou
localizadas em compartimentos
anatomicamente definidos.
Peyer’s patches:
- 100-200 visíveis no intestino delgado
- Muito ricos em folículos e células B, com algumas zonas de células T à volta
- As células que separam o tecido linfóide do lúmen
intestinal contêm umas células epiteliais especializadas
chamadas !células M!, que contactam diretamente com
micro-organismos e promovem o transporte de
antigénios do intestino para DCs nos Peyer’s patches.
O sistema imunológico da mucosa contém:
- um grande número de
linfócitos efetores, mesmo na ausência de doença.
maioria dos linfócitos das mucosas:
- A maioria dos linfócitos espalhados pelas mucosas tem um fenótipo efetor.
No intestino encontram-se (linfócitos) em 2 tipos de compartimento:
- o Epitélio
–> linfócitos, principalmente células T CD8 intra-epiteliais (IEL) - Lâmina própria
–> muitos tipos de leucócitos (células T CD4 e CD8, células B produtoras
de IgA, ILCs, DCs, macrófagos, mastócitos).
Células da lamina propria:
*As células T CD4 Th17 e as ILC3 secretam citocinas tais como
IL-17 e IL-22 e estimulam
o epitélio a produzir péptidos anti
microbianos
), mesmo
na ausência de inflamação excessiva.
A função das células T efetoras é contra-balançada:
- pela
presença de muitas células T reguladoras (Treg) produtoras
de IL-10. As
Treg suprimem a produção local de respostas
inflamatórias
a antigénios não patogénicos da comida e
previnem
reações inflamatórias contra micróbios comensais
intestinais
.
DCs e macrófagos nas respostas imunitárias na mucosa:
- Os DCse macrófagos do GALT inibem a inflamação e mantêm a homeostasia.
Os DCse macrófagos do GALT inibem a inflamação e mantêm a homeostasia:
- suprimindo a imunidade aos antigénios ingeridos e aos organismos comensais.
Na ausência de inflamação/infeção:
- as
DCs das mucosas induzem a geração e ativação de Tregs específicas para o antigénio (nos nodos linfáticos mesentéricos, associados
aos intestinos). Estas Treg dirigem-se para o intestino e suprimem a produção local de
respostas inflamatórias a antigénios não patogénicos da comida.
A LP do intestino contém:
- a maior população de macrófagos do corpo. Não produzem
grandes quantidades de citocinas inflamatórias ou ROS/NO após fagocitose de
micróbios que passem a barreira epitelial, mas antes elevados níveis de IL-10,
importante para a sobrevivência e proliferação das Treg e a tolerância nas mucosas.
O sistema imunitário da mucosa tem de manter a tolerância a:
- antigénios estranhos inofensivos.
- Administração de uma proteína oralmente resulta em tolerância oral
periférica). - O sistema imunitário da mucosa é intrinsecamente indutor de tolerância (o que é um
obstáculo ao desenvolvimento de vacinas não vivas) - Tolerância pode falhar, como na doença celíaca ou em alergias alimentares.
IgA secretada é a principal:
classe de anticorpo associada
ao sistema imunológico da mucosa.
A principal função da imunidade humoral no trato gastro-intestinal é:
- neutralizar micróbios no
lúmen, e esta função é mediada principalmente por IgA produzida na lâmina própria e transportada
através do epitélio.
Há
produção de elevadas quantidades de
IgA
na mucosa,
- mesmo sem invasão por
patogénios
, derivada do reconhecimento
de antigénios comensais.
O transporte de IgA para o lumen do
intestino é feito através:
- do epitélio
(transcitose) pelo recetor polimérico de Ig
(pIgR)
*A deficiência de IgA é relativamente
comum, mas pode ser compensada por
IgM secretada.
Os sistemas inato e adaptativo controlam:
- a microbiota enquanto previnem
inflamação, sem comprometer a capacidade de reagir a patogénios. - A microbiota intestinal desempenha um papel importante na formação da função
imunitária intestinal e sistémica.
Respostas imunitárias totais a bactérias comensais
provocam:
- doenças intestinais.
Os agentes patogénicos entéricos causam:
- uma resposta inflamatória
local e o desenvolvimento de uma resposta imunitária.
Um factor chave na decisão entre a tolerância e
o desenvolvimento de poderosas respostas
imunitárias adaptativas é o contexto em que o
antigénio é apresentado aos linfócitos T no
sistema imunitário das mucosas:
- Quando não há inflamação, a apresentação do antigénio às células T pelas DCs induz a diferenciação das Treg.
- Quando micro-organismos patogénicos
atravessam a mucosa há indução de uma
resposta inflamatória, o que estimula a
maturação das APCs e a expressão de
moléculas co-estimuladoras, favorecendo
uma resposta protetora das células T.
Imunodeficiência:
quando um ou mais componentes do sistema imunitário
apresentam defeitos.
Imunodeficiência primária (PID):
- em que as defesas do hospedeiro
falham devido a um defeito num gene que resulta na perda de função de
um ou mais componentes do sistema imunitário, levando a
susceptibilidade a infeções. - Foram identificados defeitos no desenvolvimento de células T e/ou B, na
função fagocítica ou em componentes do complemento (> 150 doenças). - Manifestam-se pelo aparecimento de infeções recorrentes, frequentemente
pelo mesmo tipo de patogénio.
Imunodeficiência secundária ou adquirida:
- deficiências na função
imunitária que são consequência de infeção (ex. HIV) ou outras doenças,
tratamentos/fármacos, malnutrição, etc.
As doenças de imunodeficiência primárias são causadas por:
- defeitos
genéticos herdados.
Defeitos no
desenvolvimento de
células T podem resultar
em:
- m imunodeficiências
combinadas graves
(Severe Combined
ImmunoDeficiencies, SCID).
Defeitos no
desenvolvimento de
células B resultam em:
- deficiências na produção
de anticorpos que causam
incapacidade de eliminar
bactérias extracelulares e
alguns vírus.
Primeira descrição de uma imunodeficiência:
- Ogden C. Bruton em 1952 > deficiência de
anticorpos num menino. Como a esta doença está ligada ao X e é caracterizada pela ausência de
Ig no soro (agamaglobulinemia), foi chamada de agamaglobulinemia ligada ao X de Bruton (XLA). - Os bebés com estas doenças são geralmente identificados como resultado de infeções
recorrentes com bactérias piogénicas, tais como Streptococcus pneumoniae, e enterovírus. - Devido à proteção
transitória proporcionada aos recém-nascidos por anticorpos maternos, a XLA é tipicamente detectada vários meses após o nascimento, quando os níveis de anticorpos
maternos na criança diminuem.
As deficiências imunológicas podem ser causadas por:
- defeitos na ativação e
funcionamento de células B ou T que levam a respostas anormais de Abs.
Deficiência em CD40L:
- manifesta-se
como síndrome de hiper-IgM (doentes
muito suscetíveis a infeções por
bactérias piogénicas extracelulares.
CVID:
- “common variable immunodeficiency”; formas
mais comuns de PIDs (primary immunodeficiencies),
predominantemente relacionadas com deficiências
em anticorpos.
Defeitos em componentes da via do complemento e em proteínas reguladoras
do complemento causam:
- função humoral defetiva e danos nos tecidos.
Defeitos nas células fagocíticas permitem:
- infeções bacterianas generalizadas.
Alguns defeitos genéticos que levam a SCID podem ser corrigidos com:
- transplante de células estaminais hematopoiéticas ou terapia génica.
- O dador e o receptor de um transplante de células
estaminais hematopoiéticas (HSC) devem partilhar
pelo menos algumas moléculas de MHC para
restaurar a função imunitária.
Human Immunodeficiency Virus (HIV):
- é um retrovírus que
estabelece uma infeção
crónica que progride para
síndrome da
imunodeficiência adquirida
(AIDS).
HIV:
- O HIV replica-se principalmente em células T CD4 ativadas
(além de CD4 expressam CCR5, ambos coreceptores utilizado pelo HIV para entrada nas células) - Uma deficiência genética do co-receptor CCR5 confere resistência à infeção pelo HIV.
O tecido linfóide é o principal:
- reservatório da infeção pelo HIV.
- As DCs podem iniciar a infeção transportando o HIV
das mucosas para o tecido linfóide.
Medicamentos que bloqueiam a replicação do HIV levam a:
- uma diminuição
no título de vírus infecioso e a um aumento nas células T CD4.
A introdução da HAART:
- regime de tratamento
composto por vários anti-retrovirais que atuam em várias fases do ciclo do vírus). - reduziu drasticamente a morbilidade e mortalidade dos doentes com HIV.
A resposta imunitária ao HIV controla mas:
- não elimina o vírus.
- No curso da infeção o HIV acumula muitas mutações, o que pode resultar em
crescimento de variantes resistentes a medicamentos - A infeção de um componente central da resposta adaptativa (células T CD4) e a rápida mutação do vírus perante a forte resposta de CTLs e anticorpos tornam
difícil a criação de uma vacina contra o HIV.
Variação genética do hospedeiro pode:
- alterar a progressão da doença.
A destruição da função imune como resultado da infeção pelo HIV leva:
- ao aumento da suscetibilidade a infeções oportunistas.
Alergias e doenças alérgicas:
- Antigénios não associados a agentes infecciosos podem suscitar respostas
imunitárias, o que pode causar doenças.
As reações alérgicas:
- em resposta a antigénios ambientais inofensivos são
reações de hipersensibilidade imediata. - ocorrem no espaço de minutos em indivíduos
previamente sensibilizados para o antigénio inócuo (alergénio).
Os alergénios são:
geralmente proteínas ou produtos químicos ligados a
proteínas; por exemplo, proteínas em pólen, ácaros domésticos, pelo de
animais, alimentos e medicamentos.
Propriedades dos alergénios inalados:
- A maioria dos alergénios transportados
pelo ar são proteínas relativamente
pequenas e altamente solúveis que são
transportadas em partículas secas tais
como grãos de pólen ou fezes de ácaros - Em contato com os epitélios cobertos de
muco dos olhos, nariz, ou vias
respiratórias, o alergénio solúvel é eluído da partícula e difunde-se na mucosa, onde pode ser captado pelas células dendríticas e provocar sensibilização.
doenças alérgicas:
- Envolvem ativação de mastócitos mediada por
anticorpos IgE - Caracterizadas por doença inflamatória do tipo 2
(produção de IL-4, IL-5 e IL-13 por células Th2, Tfh e
ILC2s)
Doenças alérgicas requerem:
- a produção prévia de IgE dependente de
células T específicas de alergénios e ligação da IgE aos
mastócito.
As manifestações clínicas/patológicas da alergia
consistem:
- nas reações vasculares e musculares que se
desenvolvem rapidamente após exposição repetida ao alergénio (hipersensibilidade imediata) e numa reação inflamatória de fase tardia provocada pela acumulação
de eosinófilos e neutrófilos.
Os indivíduos atópicos produzem:
- níveis elevados de
IgE em resposta a alergénios ambientais.
Mecanismos efetores das reações alérgicas mediadas por IgE:
- Os mastócitos residem nos tecidos (perto dos vasos e nervos e sob o epitélio) e
quando ativados libertam mediadores responsáveis pelas manifestações alérgicas
(efeitos diferentes em tecidos diferentes).
anafilaxia:
- Na forma sistémica mais extrema, denominada anafilaxia, os mediadores derivados de
mastócitos podem restringir as vias respiratórias ao ponto de causar asfixia e produzir um
colapso cardiovascular que leva ao choque, ambos podendo causar a morte.
Os basófilos estão no:
- sangue mas
podem ser recrutados para locais de
inflamação. Tal como os mastócitos,
ligam IgE e podem ser ativados pela
ligação deste ao antigénio. São
capazes de sintetizar muitos dos
mesmos mediadores que os
mastócitos e contribuem para
reações alérgicas.
Após ativação, os eosinófilos:
- libertam grânulos tóxicos que
causam inflamação e danos nos
tecidos em reações alérgicas.
O desenvolvimento das alergias é o resultado da:
interação complexa de fatores genéticos e ambientais.
“Hipótese da higiene”:
- a exposição a algumas
infeções e a microrganismos ambientais comuns (por ex. flora intestinal) na infância contribui para o
desenvolvimento do sistema imunitário e leva a um estado não atópico. - Em contraste, pensa-se que as crianças que têm uma suscetibilidade genética para atopia e que vivem num ambiente com baixa exposição a doenças
infeciosas e microrganismos ambientais, ou que
receberam múltiplos ciclos de antibióticos na infância, não desenvolvem mecanismos imuno
reguladores eficientes e são mais suscetíveis ao
desenvolvimento de doenças alérgicas.
Existe uma predisposição genética para o desenvolvimento
de certas alergias?
yes.
Existem fatores de risco associados ao:
desenvolvimentos de
alergias a determinados alimentos.
Doenças alérgicas mediadas por IgE podem ser tratadas:
- inibindo as vias efetoras que levam a sintomas, ou através de técnicas de dessensibilização que restauram a tolerância biológica ao alergénio.
As
células T reguladoras
conseguem:
- controlar as
respostas alérgicas.