Manejo clínico pessoas com DPOC Flashcards
Fatores de risco DPOC
Tabagismo
Poluição domiciliar e do meio ambiente
Exposição ocupacional a poeiras e produtos químicos, Fatores genéticos (deficiência de α-1-antitripsina)
Idade (idosos)
Gênero (masculino)
Susceptibilidade individual
Fatores socioeconômicos e infecções de repetição na infância.
Exame padrão ouro para DPOC
Espirometria
Exame físico DPOC
Sinais de hiperinsuflação pulmonar (tórax em barril com hipersonoridade à percussão.
Bulhas abafadas
Excursão diafragmática reduzida) e de obstrução ao fluxo aéreo (sibilos, expiração prolongada, presença de secreção nas vias aéreas – roncos).
Na abordagem do paciente, o 1o passo é a realização da
classificação de gravidade da limitação do fluxo aéreo, através da espirometria (classificação GOLD, espirométrica), avaliando VEF1 em relação ao normal esperado através do
uso de broncodilatador
A seguir, o 2o passo é a classificação dos sintomas,
que é feita a partir de dois escores: o mMRC (avalia dispneia, de 0 a 4 – considerado muito sintomático se >
2) e o CAT (avaliação mais ampla dos impactos na vida do paciente, com soma de 0 a 40 – considerado muito
sintomático se ≥ 10).
O 3o passo é a realização da classificação de risco de exacerbações,
considerado baixo no paciente que apresentou no máximo uma exacerbação no ano (sem hospitalização), ou alto no
paciente que apresentou dois ou mais exacerbações no ano ou qualquer hospitalização por episódio de exacerbação.
O tratamento não farmacológico envolve
cessar o tabagismo (influencia na história natural da doença), prática de atividade física regular (melhora a capacidade pulmonar), apoio psicossocial, reabilitação pulmonar (melhora da musculatura acessória e da utilização do oxigênio), vacinação (vacina da gripe anualmente e
pneumocócica 23 em 2 doses, sendo a 2a 5 anos após a 1a) e adequação do estado nutricional (orientações preventivas da obesidade e em relação ao aporte adequado para prevenção de uma perda de peso exagerada – desnutrição e obesidade relacionados a mau prognóstico).
Tratamento farmacológico tabagismo grupo A
broncodilatador adrenérgico de curta (SABA)
ou longa ação (LABA) ou anticolinérgico de curta ação
(SAMA).
Tratamento farmacológico tabagismo grupo B
broncodilatador adrenérgico de longa ação
(LABA) ou anticolinérgico de longa ação (LAMA). Para pacientes com dispneia persistente em monoterapia recomenda-se o uso de ambos os broncodilatadores (LABA + LAMA).
Tratamento farmacológico tabagismo grupo C
broncodilatador anticolinérgico de longa ação (LAMA). Para pacientes com exacerbações persistentes pode ser adicionado um segundo broncodilatador adrenérgico de longa ação (LABA). Como segunda alternativa, pode ser usada uma combinação de broncodilatador adrenérgico de longa ação com corticoide inalatório (LABA + ICS).
Tratamento farmacológico tabagismo grupo D
broncodilatador adrenérgico de longa ação associado a anticolinérgico de longa ação (LABA + LAMA). Em pacientes que continuam tendo exacerbações há duas possibilidades: adicionar corticoide inalatório (LAMA + LABA + ICS, terapia tripla) ou substituir o broncodilatador colinérgico de longa ação por corticoide inalatório (LABA + ICS – se não houver melhora, terapia tripla).
A oxigenioterapia domiciliar é
uma intervenção efetiva em reduzir a mortalidade dos pacientes com DPOC grave, além de aliviar os sintomas decorrentes da insuficiência cardíaca direita.
O paciente deve ser encaminhado ao pneumologista em casos de:
DPOC de difícil controle (≥ 2 internações ou idas à emergência por exacerbações no último ano, desde
que com tratamento otimizado para o grupo), muito grave (VEF1 < 30% do previsto), paciente que persiste sintomático (mMRC ≥ 2 ou CAT ≥ 10, desde que com tratamento otimizado para o grupo), suspeita de cor pulmonale ou avaliação para oxigenoterapia domiciliar prolongada (SaO2 ≤ 92% em repouso no ar ambiente e fora de crise).
Abordagem PAAPA
Perguntar
Avaliar
Aconselhar
Preparar
Acompanhar
A 1a linha de medicamentos para tabagismo é formada pela
TRN (adesivos, gomas, pastilhas, inalador em aerosol, spray nasal, comprimidos sublinguais) e pela terapia não nicotínica (Vareniclina e Bupropiona).
Adesivo
absorção rápida pela derme, liberação lenta e contínua pela corrente sanguínea por 24 e 16h, com dessensibilização de receptores dopaminérgicos.
Sem relato de dependência, tem boa aderência do paciente, com dose em média de 1mg para cada cigarro fumado (reduzida a cada 1 ou 2 semanas) e dose máxima de reposição de 0,5mg/kg/dia. O tempo de uso para cada etapa é de em média 4 semanas. Causa efeitos colaterais como irritação local, eritema infiltrativo, náuseas, vômitos, hipersalivação e diarreia (overdose).
Gomas e pastilhas
Absorção pela mucosa oral, mascação forte e lenta por
30min (goma – liberação de nicotina varia com a força, não contínua, em picos).
Menor aderência ao tratamento. Precaução em história de úlcera péptica.
Bupropriona
é um antidepressivo atípico, inibidor da captação neuronal de dopamina e noradrenalina – aumenta a atividade dopaminérgica e noradrenérgica, diminuindo a síndrome de abstinência (simula a ação da nicotina).
Vareniclina
é agonista parcial dos receptores nicotínicos, aos quais
se ligam e promovem a liberação de dopamina. Tem alto custo (tratamento completo de 12 semanas em torno de R$1.200,00).
Nortriptilina
é um antidepressivo tricíclico que promove bloqueio
da recaptação de noradrenalina. Disponível em cápsulas de 25, 50 e 75mg – dose recomendada 75-100 mg/dia por 8-12 semanas (cautela em cardiopatas e arrítmicos).
Cigarros eletrônicos
Aumentam as concentrações de nicotina e de material particulado em ambientes fechados e emitem numerosas substâncias potencialmente tóxicas, cujas características, exposição e número são altamente variáveis, dependendo do produto e de como é operado. Há diversos casos de doença associada ao uso de cigarro eletrônico, cujo
principal danos em curto prazo é o desenvolvimento
de doença pulmonar intersticial.
Classificação GOLD 1
GOLD 1 - VEF1 ≥ 80% do previsto
Classificação GOLD 2
GOLD 2 - VEF1 entre 50% e 80% do previsto
Classificação GOLD 3
VEF1 entre 30% e 50% do previsto
Classificação GOLD 4
GOLD 4 - VEF1 menor que 30% do previsto
Escala de dispneia
➢ 0 - falta de ar aos grandes esforços
➢ 1 - falta de ar quando apressa o passo
ou quando sobre ladeiras
➢ 2 - tem falta de ar para andar no
próprio passo ou andar mais lento que
outras pessoas da própria idade
➢ 3 - tem que parar muitas vezes
caminhando no plano
➢ 4 - sente tanta falta de ar que não sai de
casa ou precisa de ajuda para se vestir
ou tomar banho
Deve considerar DPOC em qualquer paciente com
dispneia + tosse crônica ou escarro + exposição a fatores de risco
A - paciente de baixo risco e pouco sintomático
➢ Primeira linha - SABA ou SAMA
➢ Segunda linha - LABA
B - paciente de baixo risco e muito sintomático
➢ Primeira linha - LABA ou LAMA
➢ Segunda linha - LABA + LAMA
C - paciente de alto risco e pouco sintomático
➢ Primeira linha - LAMA + SABA e/ou
SAMA se necessário
➢ Segunda linha - LABA + LAMA ou LABA +
ICS
D - paciente de alto risco e muito sintomático
➢ Primeira linha - LABA + LAMA
➢ Segunda linha - LABA + LAMA + ICS ou
LABA + ICS
Broncodilatadores de longa duração:
LABA: formoterol, salmeterol
LAMA: tiotrópio
Broncodilatadores de curta duração:
SABA: salbutamol, fenoterol,
terbutalina
SAMA: ipratróprio
Classificação GOLD DPOC
> 80 leve
50-80 moderado,
30-50 grave
<30 muito grave