Febre Reumática Flashcards
Qual o principal agente etiológico da febre reumática?
Streptococo beta-hemolítico do grupo A
Qual o tipo de via fisiopatológica da FR?
Auto-imune
Qual a faixa etária mais acometida?
Crianças, adolescentes e jovens adultos
A FR é precedida por qual doença?
Faringoamigdalite estreptocócica
O EBGA é o responsável por 15%-20% das faringoamigdalites e pela quase totalidade daquelas de origem bacteriana. V ou F?
V
Nos países em desenvolvimento, a FR é a principal causa de qual doença?
Cardiopatia adquirida em crianças e jovens
Quais os fatores socioeconômicos e ambientais para a faringoamigdalite estreptocócica?
Alimentação inadequada, habitação em aglomerados, ausência
ou carência de atendimento médico.
Descreva a fisiopatologia da cardite reumática da FR.
Via mimetismo molecular, anticorpos que reconhecem antígenos da bactéria acabam atacando células da parede do entotélio valvar, aumentando a expressão de VCAM1 (molécula de adesão), que por sua vez atrai quimiocinas e citocinas, iniciando processo inflamatório mediado por anticorpos, neutrófilos, macrófagos e, principalmente, linfócitos T.
Qual o linfócito T predominante na FR?
T CD4+
Uma vez afastado outros diagnósticos, a coréia isolada implica FR. V ou F?
V
Pct com história de surto agudo prévio ou cardiopatia crônica comprovada, precisa de que critérios para diagnóstico de recorrência?
1 maior ou vários menores OU 2 menores de acordo com critérios da OMS
Quais os critérios MAIORES para diagn de FR de acordo com os Critérios de Jones?
Coréia Cardite Artrite Eritema marginado Nódulos subcutâneos
Quais os critérios MENORES para diagn de FR de acordo com os Critérios de Jones?
Febre
Artralgia
Elevação de marcadores inflamatórios (VHS, PCR)
Intervalo PR prolongado no ECG
Critérios para diagn de Primeiro episódio de FR
2 maiores OU 1 maior + 2 menores MAIS evidência de infecç prévia
Critérios para diagn de recorrência de FR sem doença cardíaca reumática estabelecida
Dois critérios maiores ou um
maior e dois menores mais a
evidência de infecção
estreptocócica anterior
Diagn de recorrência de surto de FR em pct com doença cardíaca reumática estabelecida
2 menores + evidência de infec prévia
Diagn Coreia de Sydenham OU cardite reumática de início insidioso
Não precisa de nenhum outro sintoma NEM DE evidência de infec estreptoc
Diagn para Lesões valvares crônicas da CRC: diagnóstico inicial de estenose mitral pura ou dupla lesão de mitral e/ou doença na valva aórtica, com características de envolvimento reumático.
Não é necessário mais nada para diagn de CRC
Em pct jovem com cardite de início insidioso, qual o principal diagn diferencial?
Cardite infecciosa
Como deve ser feito o diagn diferencial de faringoamigdalite estrept com infecção viral?
Manifestações clínicas: virose comumente se apresenta com coriza, tosse, rouquidão e conjutivite. Já a estrept pode apresentar vômitos, mal-estar geral, febre elevada, hiperemia e edema de faringe, exsudato purulento, petéquias, gânglios cervicais aumentados
Qual o padrão-ouro para comprovação laboratorial de infecção por EBGA? Quando deve ser pedido?
Cultura da orofaringe. Quadro clínico sugestivo + teste rápido de detecção de antígeno negativo
Quais os testes sorológicos usados para detecção de infecção prévia de EBGA? Podem ser usados para diagn de infecção atual?
ASLO e anti-DNAse. Não!
Qual a manifestação mais comum da FR?
Artrite (75%)
Como diferenciar artrite de artralgia?
Artralgia: apenas dor na articulação
Artrite: edema na articulação dolorosa ou, na falta deste, pela associação da dor com limitação de movimentos.
Como é a atrite tipica da FR?
Dor muito intensa. Migratória. Cessa totalmente em 1 mês, e raramente fica em uma articulação por mais de 1 semana. Responde rapidamente a AINES (dor desaparece em 24 horas).
Que outros tipos de artrites (além da típica) também podem aparecer na FR?
Aditiva, monoartrtite (particularmente se pct já tiver usando AINES, já que responde muito bem a ele).
Como diferenciar Artrite reativa pós-estreptocócica com Artrite reumática da FR?
ARPE: Aditiva, início mais rápido (10 dias), não responde bem a AINES.
AR: migratória, início mais lento, responde muito bem a AINES.
Pct com ARPE deve ser considerado portadores de FR se preencherem critérios de Jones. V/F?
V
Qual é a única manifestação da FR que pode levar a óbito e sequelas? Com que frequência ocorre nos primeiros episódios?
Cardite. 40 a 70%
Grandes derrames pericárdicos e
tamponamento cardíaco são comuns na FR. V/F?
F. São RAROS (na maioria das vezes é leve)
Como diagnosticar clinicamente pericardite na FR?
presença de atrito e/ou derrame pericárdico, abafamento
de bulhas, dor ou desconforto precordial.
a insuficiência cardíaca é causada pela lesão valvar
(valvite) e não pelo acometimento miocárdico. v/f?
V
Quais as lesões endocárdicas mais frequentes no quadro agudo da cardite da FR? E no quadro crônico?
Regurgitação mitral –> Regurg aórtica.
Crônico: estenoses valvares
Quais os 3 sopros característicos de lesão valvar no primeiro episódio? Caso não haja algum, pode-se afastar comprometimento cardíaco?
Sopro sist da regurg mitral, sopro diast da regurg aórtica, sopro diastólico de Carey Coombs. NÃO
Como suspeitar de cardite recorrente na FR?
Detecção de um novo sopro ou pelo aumento da intensidade de
sopros previamente existentes, atrito ou derrame pericárdico,
aumento de área cardíaca ou insuficiência cardíaca associada
à evidência de infecção estreptocócica anterior
Como é a apresentação da cardite subclínica na FR?
exame cardiovascular dentro
dos limites normais, associado a exames radiológicos e
eletrocardiográficos normais, com exceção do intervalo PR;
exame dopplerecocardiográfico identificando regurgitação mitral e/ou aórtica em grau leve, com características patológicas
diferenciadas das regurgitações fisiológicas
Como é a apresentação da cardite leve na FR?
presença de taquicardia desproporcional
à febre, abafamento da primeira bulha, sopro sistólico
mitral, área cardíaca normal, exames radiológico e
eletrocardiográfico normais, com exceção do prolongamento
do intervalo PR; regurgitações leves ou leves/moderadas
ao dopplerecocardiograma, com ventrículo esquerdo de
dimensões normais
Como é a apresentação da cardite moderada na FR?
dados clínicos mais evidentes do
que na cardite leve, com taquicardia persistente e sopro
de regurgitação mitral mais intenso, porém sem frêmito,
associado ou não ao sopro aórtico diastólico; sopro de
Carey Coombs pode estar presente; sinais incipientes de
insuficiência cardíaca, aumento leve da área cardíaca e
congestão pulmonar discreta podem ser encontrados no raiox de tórax
Como se dá o início da Coreia de Sydenham?
Labilidade emocional e fraqueza muscular
O que é a Coreia de Sydenham?
Trata-se de uma desordem neurológica caracterizada
por movimentos rápidos involuntários incoordenados, que
desaparecem durante o sono e são acentuados em situações
de estresse e esforço.
Nos casos de Coréia isolada, qual o diagn diferencial importantíssimo?
Lúpus Eritematoso Sistêmico. Importante dosar anticorpo anti-nucleo para descartar isso.
Descreva o Eritema marginatum.
Caracteriza-se por eritema com bordas
nítidas, centro claro, contornos arredondados ou irregulares,
sendo de difícil detecção nas pessoas de pele escura. As
lesões são múltiplas, indolores, não pruriginosas, podendo
haver fusão, resultando em aspecto serpiginoso. As lesões se
localizam principalmente no tronco, abdome e face interna
de membros superiores e inferiores, poupando a face;
são fugazes, podendo durar minutos ou horas, e mudam
frequentemente de forma. Ocorrem geralmente no início da
doença, porém podem persistir ou recorrer durante meses
Como é o padrão clássico da ARTRALGIA na FR? Que outra manifestação esse padrão está frequentemente associado?
artralgia com padrão poliarticular migratório e assimétrico envolvendo grandes articulações. Cardite.
Febre raramente está associada a artrite. V/F?
FALSO! Febre quase sempre cursa com artrite.
RX de tórax deve ser pedido para FR?
Sim, para investigação de cardiomegalia (aumenta a chance de ser cardite de FR) e congestão pulmonar (caracteriza cardite grave reumática).
Qual a recomendação da OMS para Ecocardiografia na FR?
Investigar cardite subclínica em regiões endêmicas.
Quais os objetivos do tt da FR?
Eliminar processo inflamatório, erradicar bactéria e promover alívio dos sintomas
Quais os critérios para hospitalização na FR?
Cardite moderada ou grave, artrite incapacitante e coreia grave (abreviar tempo de suspeita clínica e início do tt).
Pct com cardite precisa ficar em repouso absoluto no leito?
NÃO (zero evidências de que isso ajuda)
TT para erradicação do estreptococo deve ser feito apenas após confirmação do agente etiológico. V/F?
FALSO! Basta ter suspeita clínica de FR
Qual o AINE mais eficaz para controle da artrite?
AAS
Em que situações deve-se usar corticoides no tt da FR?
Cardite moderada a grave (Embora não haja melhora no prognóstico, reduz tempo de evolução e melhora sintomas)
Como deve ser feito o tt da IC na FR?
Diuréticos + restrição hidrica
É necessário uso de medicamentos para controle da coreia leve e moderada?
Não! Só repouso e manutenção do pct em ambiente calmo.
Como monitorizar pct com FR?
Verificar se manifest clínicas e febre desaparecem. Refazer VHS/PCR a cada 15 dias. Fazer Eco, ECG e RX em pct com lesão cardíaca 4 semanas após tt.
Até que dia desde o início da faringoamigdalite o uso de ATB é eficaz para erradicação do patógeno?
9 dias
Qual a droga de escolha para erradicação do strept oral? E no caso de alergia a penicilina?
fenoximetilpenicilina (penicilina V). Estreptomicina
Qual a medicação ideal para profilaxia secundária?
penicilina G Benzatina é de 1.200.0000 U por
via intramuscular profunda nos pacientes acima de 20 Kg e
600.000 U naqueles abaixo de 20 Kg, com intervalo a cada
três semanas
Determine qual a duração da profilaxia secundária na FR
FR sem cardite prévia: Até 21 anos ou 5 anos após o último surto, valendo o que cobrir maior período
FR com cardite prévia; insuficiência mitral
leve residual ou resolução da lesão valvar: Até 25 anos ou 10 anos após o último surto, valendo o que cobrir maior período.
Lesão valvar residual moderada a severa: Até os 40 anos ou por toda a vida
Após cirurgia valvar: Por toda a vida