Síndromes Febris Flashcards
Leptospirose
*Vasculite infecciosa
- Agente: Leptospira interrogans (espiroqueta)
- Roedores são os principais reservatórios sendo portadores
- Rattus novergicus (rato de esgoto) principal portador do sorovar Icterohaemorraghiae
- “Alberga” os germes nos rins e eliminando-o vivo p/ ambiente (solo ou água) pela urina
- Homem é hospedeiro acidental → penetra por abrasões na pele ou mucosas pelo contato com urina contaminada
Leptospirose
- Síndrome febril = a dengue, que pode evoluir p/ forma grave (Sd. Weil)
- Principais meio de contágio: enchentes e chuvas forter*
- Atividades de risco: colheita de arroz, esgoto, minas e túneis, estáblos e abateduras, pescaria e represas
Patogenia da Lespstopirose - Fase da Leptospirose
- Penetra pele/ mucosas → corrente sanguínea → disseminação
- Lesão direta do endotélio vascular: capilarite generalizada
- Adesão das leptospiras à membrana das céls
- Fígado e rim são órgãos mais afetados
- Pulmão: (disfunção pulmonar é principal causa de óbito (capilarite difusa)
- Coração: miocardite mononuclear
- Miose
Patogenia da Leptospirose - Fase imune
- Anticorpos IgM antileptospira
- Resposta humoral elimina por opsonização as leptospiras de quase todos órgãos, menos das meninges, olhos e rins (TCP)
- Eliminação urinária de leptospiras pode persistir por 6 semanas a 3 meses
Leptospirose - QC
- Incubação de 7-14 dias
- Forma anictérica (90-95%): síndrome febril aguda c/ curso bifásico → fase da leptospiremia (3-7 dias) → fdesfervescência (1-2 dias) → fase imune (4-30 dias)
- Forma íctero-hemorrágica ou Síndrome de Weil (5-10%): icterícia, IRA e hemorragia
Leptospirose - Forma Anictérica (Leve)
- Leucocitose c/ desvio à E, plaquetopenia* (por ativação endotelial), ↑ VHS, CPK
- Febre bifásica + Sufusão conjuntival + Dor nas panturrilhas
- Fase da leptospiremia (3-7 dias) : febre alta remitente (38-40ºC c/ oscilações diárias s/ normalidade), calafrios, cefaleia (frontal e retro-orbitária), náusea, diarreia (15-30%), tosse seca/ dor garganta (20%) e rash eritematoso maculopapular pré-tibial
- MIALGIA (Panturrilhas, dorso e abdome)
- Sufusões conjuntivais (“olho vermelho” em 30-40%)
- Fase imune (4-30 dias): recrudescimento da febre, pode ter complicações reativas
- Meningite asséptica: manifestação neurológica MAIS comum (15-40%) → Liquor: pleocitose linfocítica (mononuclear), glicose normal
- Uveíte (10%): mais tardia que pode recidivar
Leptospirose - Forma Íctero-Hemorrágica (Síndrome de Weil)
**Síndrome pulmão-rim
- Tríade: Hemorragia Alveolar (principal causa morte) + Lesão Renal Aguda (↓ K+) + Icterícia rubínica (↑ BD/ ↑ FA e GGT)
- Letalidade de 10-40%
- Sorogrupo: L. icterohaemorrhagiae
- Início anictérico (leve) c/ evolução fulminante p/ Sd. multissistêmica (4-9 dias)
- HEPATOESPLENOMEGALI (20%)
Leptospirose - Forma Íctero-Hemorrágica (Síndrome de Weil)
- Icterícia rubínica (alaranjada pela vasculite conjuntival associada): ↑ BD/ ↑ FA e GGT
- IRA hipocalêmica*, mas o típico é oligúria c/ K+ normal
- Diáteses hemorrágicas (40-50%): equimoses, peteguias, HD e hemorragia pulmonar
- Miocardite
Leptospirose - Dx:
- Inespecíficos: ↑ CPK/ ↓ plaquetas
- Específico: Microaglutinação ≥1:800 (padrão-ouro)
- Cultura positiva no sangue ou liquor nos primeiros 7 dias, e na urina após 7-10 semanas (baixa sensibilidade)
- Exames sorológicos (macro, micro, hemaglutinação indireta e ELISA): positivo só após 7 dias (fase imune)
Leptospirose - TTO:
- Pode ser autolimitada o ATB ↓ intensidade e duração dos sintomas e ↓ morbimortalidade da forma grave (Weil)
- Início precoce nos primeiros 5 dias é o ideal, mas pode ser começado a qqer momemnto
- Forma leve (anictérica): Doxiciclina 100 mg VO 12/12h 5-7 dias OU Amoxicilina 500 mg 8/8h por 5-7 d
- Doxiciclina é contraindicada em gestantes, <9 anos e c/ IRA ou Insuf. hepática
- Forma grave: Penicilina Cristalina 1,5 mi UI IV 6/6h OU Ceftriaxona 1-2g IV/d OU Azitromicina 500 mg IV/d (todas por no mínimo 7 dias IV)
- Associar medidas de suporte: hidratação volêmica ± K+ ± HEMOdiálise
- Pelo risco de SDRA: IOT + VM c/ baixo volume corrente (protetora)
Leptospirose - Profilaxia
- Controle de ratos
- Controle de grupos ocupacionais c/ roupas adequadas
- Saneamento básico
- Medidas p/ evitar enchentes
- Vacinação de animais (cães) contra leptospirose
- Quimioprofilaxia individual (controversa): Doxiciclina 200 mg VO 1x/sem ANTES da exposição (vítimas de enchentes não se encaixam pois já houve exposição)
Arboviroses (Artropod-Born Virosis)
- Dengue
- Zika
- Febre Amarela
- Chikungunya
DENGUE
- Agente Etiológico: Flavivírus (gênero) da → família Flaviviridae
- Vírus de RNA
- Sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4 e DENV-5 (esse não tem no BR)
- Vetor: mosquito Aedes aegypti (meio urbano) é o principal (pode ter o recente Aedes albopictus)
- Depósito ovos em água parada → larvas
- Mosquito adquire vírus pelo sangue do indivíduo infectado
- Hábitos diurnos e vespertinos
DENGUE - Curiosidade na Transmissão:
- Transmissão vertical
2. Transmissão por transfusão sanguínea
Dengue - Patogênese
- Tropismo principal por macrófago/ monócito, depois por céls musculares esqueléticas (mialgia)
- Incubação de 3-15 dias
- Sintomas depende da liberação de TNF-a e IL-6
- A partir do 6º dia o IgM se torna positivo e o IgG em 14 dias
Dengue - Forma Grave
- Maior risco em quem já se infectou por algum outro sorotipo
- Maior risco se 2ª infecção for pelo sorotipo 2
- Ordem decrescente de virulência: 2 → 3 → 4 → 1
- Teoria de Halstead
- Nem sempre é necessário p/ ser grave ter sido previamente infectado
Teoria de Halstead - Dengue Grave
- Ligação de acs heterólogos ao novo sorotipo (s/ neutralizar) facilita penetração do vírus nos macrófagos que ↑ viremia e resposta pró-inflamatória (citocinas e tromboplastina/ fator pró-coagulante)
- Permeabilidade capilar: hipovolemia
- Trombocitopenia: destruição periférica de plaquetas por imunocomplexos
- Maior risco em lactentes que herdam IgG materno
Dengue grave - Outras Teorias
- Teoria de Rosen: cepas mais virulentas do agente etiológico
- Teoria da Multicausalidade: fatores individuais (<15a, lactentes, ♀, branco, comorbidades), virais (sorotipos circulantes) e epidemiológicos
QC da Dengue - Fase Febril (Febre “quebra-ossos”)
- Febre alta (39-40ºC), início súbito, duração de 2-7 dias,
- Adinamia, cefaleia, dor retro-orbitária, mialgia intensa e artralgia
- Anorexia, náusea, vômito e diarreia
- Exantema maculopapular: face, tronco e extremidades entre 2º-4º dia, durante defervescência (36-48h)
- Maioria apresenta melhora progressiva após essa fase
QC dengue - Fase Crítica
- Só alguns passam por essa fase, se instala após desfervecência (entre 3o e 7o dia após início dos sintomas)
- Extravasamento plasmático
- Suas manifestações costumam ser o sinais de alarme, esses prenunciam a possibilidade de rápida evolução para estado de choque circulatório***
- Choque circulatória: taquicardia, hipotensão ou PA convergente, pulso fino, extremidades fria, oligúria <1,5ml/kg/h, taquipneia
Dengue com sinais de Alarme:
- Suspeita dengue + ≥1 sinal de alarme
- Prova do laço + não ésinal de alarme
- Extravasamento plasmático: ↑ Hematócrito (1); Lipotimia (hipotensão postural) (2) ; Acúmulo de Líquido (ascite, derrame pleura e pericárdico) (3)
- Disfunção orgânica leve: Dor abdominal intensa e contínua(referida ou à palpação) (4); Vômitos persistentes (5); Hepatomegalia >2 cm abaixo do RC (6); Letargia/ irritabilidade (7)
- Plaquetopenia: Sangramento de MUCOSAS (8)
Dengue Grave:
*Suspeita de dengue + ≥ 1 sinal de gravidade
- Extravasamento plasmático grave /choque (3Ps): ↓ PA ou pressão convergente (≠ entre PAS e PAD <20 mmHg); Pulso fino e rápido, periferia com TEC >2 seg e extremidades frias
- Disfunção orgânica: Encefalite; Miocardite (bradi/taquicardia c/ alteração da repolarização ventricular) ou Hepatite (↑AST/ALT, alargamento TAP)
- Sangramento grave: Hemorragia digestiva ou no SNC
Diagnóstico Diferencial com a Dengue
- Zika: febre mais baixa, maior exantema no início do QC, mais conjuntivite, mialgia/artralgia não são tão prevalente e ausência de sangramento/ choque
- Chikungunya:febre mais intensa, maior artralgia (risco de cronificação) e linfopenia
- Leptospirose (forma anictérica): leucocitose significativa com desvio à esquerda
- Viroses exantemáticas (sarampo, rubeola, mononucleose)
- Hepatites virais
Diagnóstico da Dengue
- Até o 5o dia da doença (só métodos que identificam diretamente o vírus devido a viremia): pesquisa de antígenos virais NS1 (inicial até 3o dia)(1); isolamento viral (cultura) (2), teste de amplificação gênica (RT-PCR) (3) e imunohistoquimica tecidual/ biópsia (4)
- Se negativos não excluem a doença, apenas se IgM negativo
- A partir do 6o dia (após soroconversão): sorologia (ELISA IgM)
Classificação de Caso de Dengue
- Só pode ser feito de forma retrospectiva
- TODO CASO SUSPEITO DEVE SER NOTIFICADO
- Suspeita: náusea/vômitos; exantema; mialgias/ artralgias; cefaleia/ dor retro-orbitaria; petequias; prova laço +; leucopenia
- Suspeita com sinais de alarme
- Suspeita de dengue grave: choque, sangramento grave ou lesão de órgãos específicos (ALT/AST >1000)
- Confirmado: após laboratorial +;
- Em casos de EPIDEMIA os 1os casos devem ser obrigatoriamente confirmados por exames (depois só grupo C e D, ou seja, graves);
- Se ausência de epidemia deve ser confirmado em todos pelo laboratorial
- Descartado: laboratorial -; confirmação ou sugestão de outra doença
Prova do Laço
*Pode ser negativa durante o choque
- Avalia o risco de sangramento
- Deve ser feita em todos casos suspeitos que não apresentam sangramento espontâneo
- Insuflação do manguito ate valor médio da PA=(PAS+PAD)/2
- Fazer um quadrado com 2,5 cm no antebraço
- Adultos: Manter manguito insuflado por 5 minutos, positivo ser ≥20 petéquias
- Criança: Manter insuflado por 3 minutos, positivo se ≥ 10 petéquias
- Pode ser falso-negativo em obesos ou no choque
Tratamento da Dengue
- Não prescrever AAS/ AINS (Risco de sangramento e Síndrome do extravasamento plasmático)
- Não há drogas especificas contra o vírus da dengue
- Alívio dos sintomas: analgésicos (Dipirona ou Paracetamol), antieméticos, antipruriginosos e HIDRATAÇÃO
- Evitar deterioração clinica, devendo em todo caso de suspeita manejar como dengue
- NOTIFICAR TODOS CASOS SUSPEITOS
- Reavaliar sinais de alarme ou de gravidade
Tratamento da Dengue - Grupo A:
*Não é obrigatório hemograma
- Suspeita de dengue SEM sinais de alarme/ sangramento (prova do laço negativa) e ausência de comorbidades crônicas
- Exames p/ Dx só em situações não epidêmicas
- TTO: ambulatorial
- Hidratação oral 60 ml/kg/d sendo 1/3 solução salina (SRO) e 2/3 com líquidos caseiros (água, sucos, chás)
- Manter hidratação durante todo período febril e por 24-48h após desfervecência
- Reavaliação em 48h ou se Sinais de Alarme
Tratamento da Dengue - Grupo B
*Obrigatório solicitar hemograma
- Suspeita de dengue + ausência de sinais de alarme + PRESENÇA de sangramento espontânea (petéquias/ equimoses) ou induzidos (Prova do laço +)
- Entra nesse grupo qqer pessoa com comorbidades crônicas (HAS,DM, DPOC, IRA, anemia, autoimunes) ou condições especiais (<2 anos ou >65 anos ou GESTANTES) ou risco social
- Exames p/ confirma Dx só se não estiver em epidemia, mas é obrigatório Hemograma (avaliar Hemoconcentrção)
- Manter em OBSERVAÇÃO (c/ manejo = grupo A), até liberação do exame
- Hidratação oral 60 ml/kg/d sendo 1/3 solução salina (SRO) e 2/3 com líquidos caseiros (água, sucos, chás)
- Se Ht OK manejo = grupo A; Se Ht ↑ = grupo C
Tratamento da Dengue - Grupo C:
- Caso suspeito + PRESENÇA de algum sinal de alarme
- Obrigatório solicitar exame específicos p/ Dengue + Inespecíficos (Hemograma + AST/ALT + Albumina sérica + Rx Tórax + USG abdome(avaliar derrame cavitário))
- Internação em ENFERMARIA
- Reposição volêmica IV imediata: 20 ml/kg em 2h (até 3x)
- Se melhora: fazer 25 ml/kg em 6h (e depois passar para 8h sendo 1/3 SF 0,9% e 2/3 com SG 5%) → manter internado por no mínimo 48h até preencher critérios para alta
- Ausência de melhora: Grupo D
Tratamento da Dengue - Grupo D:
*Manejar como choque
- Caso suspeito de dengue + Presença de sinal de CHOQUE, SANGRAMENTO GRAVE OU DISFUNÇÃO GRAVE DE ÓRGÃO
- Obrigatório solicitar exame específico p/ dengue + inespecíficos (hemograma, AST/ALT, Albumina, Rx tórax e USG abdome)
- Internação em UTI* até estabilização clínica (mínimo 48h)
- Fase de expansão rápida: SF 0,9% ou RL 20 ml/kg IV em até 20 min (até 3x) → reavaliar em 15-30’ e Ht em 2h → se melhora = grupo C
- Ausência de melhora: Infundir Albumina 0,5-1 g/kg ou coloides sintéticos (NORADRENALIA) 10 ml/kg/h
- Se hemorragia: CH 10-15 ml/kg/d
Indicações para internação hospitalar
- Sinais de alarme, choque, sangramento grave ou disfunção de órgãos
- Recusa ingestão alimentos/ líquidos
- Comprometimento respiratório: MV diminuído, dificuldade respiratória, dor torácica
- Impossibilidade de seguimento ou retorno à UBS
- Comorbidades descompensadas: DM, HAS, ICC, cumarínicos, asma
Critérios para alta hospitalar:
- Ausência de febre durante 48h, s/ uso de antitérmicos
- Melhora visível do QC
- Ht normal e estável por 24h
- Plaquetas em ascensão e >50.000/mm3
- Estabilização hemodinâmica durante 48h
Dengvaxia
- Vírus vivo recombinante atenuado (cepa enfraquecido da FA - cepa 17A)
- Proteção contra os 4 sorotipos de dengue
- Vacina indicada para entre 9-45 anos com 3 doses SC (0,6 e 12 meses) que já teve um episódio prévio de dengue
- Contraindicada em gestantes e Imunodeprimidos (evitar em fenilcetonúricos)
- Contraindicada para soronegativas para dengue (maior risco da forma grave)
- Efeito protetor só ocorre em quem já teve antes dengue
Febre Amarela (FA)
- Doença febril aguda
- Agente Etiológico: Flavivírus (vírus amarílico) é um RNA virus
- Ciclo urbano: transmissão pelo mosquito Aedes aegypti → forma urbana foi erradicada do BR em 1942
- Ciclo silvestre: mosquito Haemagogus e Sabethes que transmite a doença para macacos (principal reservatório/ epizootias), sendo homem um hospedeiro acidental → principal forma de transmissão atual
- É uma ZOONOSE
Febre Amarela (FA)
- É uma doença de notificação compulsória IMEDIATA (Até 24h), mesmo se suspeita
- Incubação de 3-6 dias
- Forma Leve (90%): Febre + “dicas” → Sinal de FAgeT e Ecoturismo (pescaria)
- Forma Grave (10%): lesão fígado (hepatite viral necrosante)+ Rim (Síndrome hepato-renal) → Tríade: Icterícia + Hematêmese (↓ fatores de coagulação) + Oligúria
Causas de Sinal de FAgeT
*Febre alta com pulso lento (bradicardia)
- Febre Amarela
2. Febre Tifoide
Febre Amarela (FA) - QC:
- Leve: Febre alta continua, cefaleia e mialgias, injeção conjuntival, rubor facial, ictericia leve ou ausente e bradicardia relativa (sinal de Faget)
- 1.Maioria tem resolução espontânea ou evoluem para forma grave
- Forma grave (período de intoxicação): todos da leve, icterícia intensa (hepatite aguda c/ necrose), manifestações hemorrágicas (gengivorragia, epistaxe, hematêmese, metrorragia, petéquias, equimose), oligúria e diminuição da consciência
- Maligna: todos casos de forma grave intensa com CIVD
Febre Amarela (FA) - Laboratorial
- Plaquetopenia
- Elevação das aminotransferases: AST (TGO >1000) > ALT (TGP) → dxx c/ leptospirose que é o contrário, e = hepatite alcoólica
- ↑ BD
- EAS: Proteinuria (albuminuria) indica IRA por NTA
- Leucopenia e neutropenia, anemia (sangramentos)
- VHS aproxima-se de zero
Febre Amarela (FA) - Diagnóstico
- Até 5o dia: isolamento viral em cultura ou PCR
- ≥6o dia: sorologia com ELISA IgM
- Pctes que tiveram FA e se curaram não precisam ser vacinados (imunidade natural)
Febre Amarela (FA) - TTO
- Suporte, não há TTO específico
- Para todo paciente com FA, independente da gravidade, nos primeiros 6 dias da doença devem ser adotado medidas de prevenção contra picada
- Casos leves podem ser manejados em casa c/ hidratação oral e sintomáticos (antitérmicos e analgésicos)
- Casos moderados a grave (ou alterações laboratoriais): hospitalizados, hidratação venosa, Vitamina K (10 ml/kg/d por 3 dias) e hemoderivados s/n
Sinais de alerta para formas graves da FA
- Ictericia, hemorragias, colúria, oligúria, vômitos constantes, diminuição consciência e dor abdominal intensa
- Hematócrito elevado (>20% LSN)
- TGO > TGP, ambos com níveis elevados
- Creatinina elevada
- Coagulograma alterado
Profilaxia da FA - Vacinação
- Vacinação: altamente imunogênica e eficaz em 98% a partir de 10 dias da aplicação
- Vírus vivo atenuado
- Risco de doença viscerotrópica vacinal é grande em idoso (>60 anos) e imunodeprimidos
- Todos visitantes ou residentes em areas potenciais de transmissão deverão receber a vacina
Leishmaniose Visceral (Calazar):
”Febre negra” devido escurecimento da pele
- Forma sistêmica da infecção causada por 3 subespécies do complexo Leishmania chagasi (principal do BR/ América Latina), L.donovani (Índia, África) e L.infantum (Mediterrâneo)
- É um protozoário flagelado - classe Mastigophora)
- Transmissão: flebotomíneos → Lutzomyia longipalpis (mosquito-palha, Birigui ou tatuquira)
- Reservatórios: cães (principais) seguido das raposas (pode ficar assintomáticos ou doença debilitante)
- Predomínio na região periurbana (prevalente no Ceará)
Leishmaniose Visceral (Calazar):
- Amastigota: forma aflagelada, arredondada, parasito intracelular obrigatório → se reproduz no citoplasma dos macrófagos
- Promastigota: forma flagelada, alongada e móvel → se reproduz no intestino do vetor
- Reprodução assexuada por divisão binária
- Alcançam órgãos do sistema reticuloendotelial (fígado, baço, MO)
Leishmaniose
- BR é um dos países responsável pela “carga global” da doença (mais no Nordeste)
- Mosquito tem hábito noturno
- Nem todas pessoas picadas desenvolvem a doença
- Infecção assintomática: teste intradérmico de Montenegro (leishmania) que meda cada imunológica adquirida após exposição
- Resposta exagerada com plasmocitose medular e hipergamaglobulinemia policlonal
Leishmaniose - Forma Oligossintomática
- É a forma mais comum nas áreas endêmicas
- Sintomas inespecíficos: febrícula, tosse seca, adinamia, diarreia e hepatomegalia discreta
- “Virose prolongada”
- 60-70% evolui com resolução espontânea em 3-6 meses, e o restante progride p/ calazar clássico
Leishmaniose - Clínica
- Baixa patogenicidade → maioria não adoece
- Baixa resposta celular: Febre arrastada, Hepatoesplenomegalia e Pancitopenia
- Alta resposta humoral: aumento de globulina policlonal
- Pancitopenia (frequente) e avaliar queda de neutrófilos <500/mm3, por risco de neutropenia febril
Leishmaniose - Forma Crônica (Calazar Clássico)
- Predomina em crianças <10 anos e em imunodeprimidos (aids, transplantadas)
- Curso prolongado e insidioso c/ incubação de 3-8 meses
- Febre persistente com 2-3 picos diários ou intermitente
- Tosse seca, mal-estar, astenia e sintomas TGI
- Palidez cutâneo-mucosa, desnutrição, cabelos quebradiços, pele de coloração pardacenta ou cera vermelha ou escurecida, abdome volumoso devido hepatoesplenomegalia de grande monta
- Baço palpável a 5 cm do RCE
Principais Características Clinicas do Calazar
- Febre + perda ponderal
- Hepatoesplenomegalia de grande monta
- Pancitopenia
- Hipoalbuminemia + hipergamaglobulinemia
Causas de Esplenomegalia de Grande Monta (>5 cm do RCE)
- Neoplasia hematológicas: Mieloproliferativas (LMC, metaplasia mieloide agnogênica/ mielofibrose idiopática, Policitemia vera), Linfoproliferativas (LLC, MM,linfomas)
- Infecções: Esquistossomose hepatoesplênica, Calazar e Sd. Da esplenomegalia hiper-reativa à malária
- Miscelânea: Talassemia mano e Dç de Gaucher
Confirmação Dx da Leishmaniose
- Parasitológico (formas amastigotas):
- Aspirado de MO (S = 70%): é preferencial
- Punção Esplênica (S = 95%): risco de sangramento (padrão-ouro
- Sorológico (feito em região não endêmica): Teste rápido, IFI (padrão-ouro), rK39 (Atividade da doença)
- Reação de Montenegro: Negativo (indica baixa resposta celular/ imunidade) sempre na fase ativa da doença
TTO da Leishmaniose
- 1a Escolha: Glucantime (antimonial pentavalente 20 ml/kg/d IV ou IM por 20-30 dias)
- Efeitos adversos: Alargamento intervalo QT, morte súplica por TV aumento amilase/ liase
- 2a Escolha: Anfotericina B lipossomal
- Considerado 1a escolha em (G’s e I’s): Gestante, Grave (icterícia), Insuficiências (renal, hepatica , cardíaca)/ Imunodeprimidos, Idade <1 anos e >50 anos/ Intolerante (Intervalo QT alargado, hipersensibilidade)
Malária
- Transmissão pelo mosquito do gênero Anopheles darlingi
- Agente etiológico: protozoário Plasmodium sp.
- Ciclo reprodutivo no fígado em 6-16 dias infectam as hemácias surgindo episódios febris periódicos, calafrios e prostração (rotura cíclicas das hemácias pelo parasita)
- No BR maioria se encontra na Amazônia (AC, AM, RO, PA, MG, TO, MA)
Plasmodium das Malária
*Um mesmo pcte pode ser infectado por 2 espécies diferentes
- Plasmodium vivax (90% no BR): mais COMUM (vivo*) e infecta reticulócitos jovens
- Plasmodium falciparum: mais GRAVE
- Plasmodium malarie: mais RARO
- Plasmodium ovale: restrito à África
- Plasmodium knowlesi
Malária
- Região Endêmica: notificação compulsória SEMANAL (até 7 dias)
- Região NÃO Endêmica: notificação compulsória IMEDIATA (até 24h)
Malária - Ciclo Evolutivo no Homem
- HOMEM: É ASSEXUADO
- MOSQUITO: SEXUADO (Gametas → zigoto → oocineto → oocisto → esporozoíta)
- Pré-Eritrocitário (hepático): Picada do mosquito → Libera Esporozoíta → Fígado (hepatócito) → reprodução assexuada (Esquizogonia tecidual) → Esquizonte (multinuclear) → Merozoíta (duração 6-16 dia)
- Ciclo eritrocitário (hemácia): Merozoíta → Hemácias → reprodução assexuada da esquizogonia eritrocitária (sinais e sintomas da Malária) → Trofozoíta em anel → Esquizonte eritrocitáiro → Merozoíta hemáticos (duração 48-72h) → infecção de novas hemácias e formação hemozoína
Hipnozoíta
- Ciclo hepático encontrado apenas nas espécies P. vivax e P. ovale
- Forma parasitária latente no interior dos hepatócitos
- Responsável pelos episódios de recidiva da doença
- Pode ficar latente por anos e desencadear novo ciclo hepático e eritrocitári
- É resistente aos antimaláricos, sendo necessário acrescentar Primaquina por 7-14 dias
Duração da Esquizogonia Eritrocitária (Febre)
*Terçã: 2 dias p/ terminar esquizogonia e 1 dia de febre
- P. vivax: utiliza fator Duffy (grupo sanguíneo Duffy é imune) → Hemácias ↑ muito de volume → Febre Terçã Benigna (febre a cada 3 dias)
- P. falciparum: receptor glicoforina A → Febre Terçã Maligna (febre a cada 3 dias)
- Forma esquizonte são raramente visíveis na periferia; gametócitos tem forma alongada (“em foice”) e há muitos trofozoítas na mesma hemácia
- P. malaria: febre quartã (febre a cada 4 dias) → esquizonte tem formato de “faixa equatorial”
Transmissão da Malária
- Quase sempre transmitida por vetores
- Só transmitida em climas frios se umidade do ar >60% e temperatura >16ºC
- Forma autóctone (transmitido no próprio local)
- Predomina em regiões de clima quente e úmido, onde predomina matas/ florestas
- Transmissão Parenteral: hemotransfusão, agulhas IV, transplante de órgão e congênita (por MEROZOÍTA e não esporozoíta)
Malaria - Patogênese
- Febre: por liberação substâncias do estroma hemático após ruptura (hemozoína, IL-1 e TNF-a)
- Anemia: multifatorial por hemólise intravascular (merozoíta) e extravascular (principal mecanismo anemia crônica)
- Esplenomegalia e hiperesplenismo (hiperfuncionante): hemácias parasitas estruídas por macrófagos dos cordões esplênicos
Forma Grave da Malária - P. Falciparum
- Grau de parasitemia >250.000 parasitas/mm3
- Invade hemácias de qqer idade (P. vivax é exclusivo de reticulócitos jovens)
- Infecta maior nº de hemácias e maior agudização
- Pode levar à hipoglicemia e acidose láctica
- FR: Crianças entre 3m e 5 anos; Gestantes e indivíduos de regiões não malarígenas (migrantes, turistas)
Imunidade em RN à Malária
- RN da área hiperendêmica são protegidos da infecção devido IgG transplacentário maternos
- Resistência da Hemoglobina Fetal (HbF) ao plasmódio
- Muito baixo risco de adoecer em <3 meses de idade
- Maior risco de gravidade entre 3 meses e 5 anos
Bloqueio microvascular e Citoaderência da Malária
- Maior fator responsável pela morbiletalidade da malária é o Boqueio Microvascular, por sequestro de hemácias parasitadas no cérebro, rins, pulmão, placenta
- Fenômeno EXCLUSIVO do P. falciparum
Semi-imunidade ao plasmódio
- Adquirida de forma lenta e progressiva após estímulos antigênicos constantes, por infecções repetidas pelo mesmo parasita
- Não é completa, evita reinfecção e não erradica o protozoário
- Adquirem forma mais branda se reinfecção, c/ baixos níveis de parasitemia
- Desaparece após 6 meses de ausência completa do estímulo
- É espécie-específica
Proteção Natural contra P. falciparum- Traço Falcêmico, Talassemia
- Heterozigotos p/ gene HbS
- Seleção natural do “cinturão malárico africano”
- Hemácias afoiçadas inibem crescimento e desenvolvimento do plasmódio, c/ redução parasitemia
- Betatalassemia: dificuldade pela maior percentural de HbF
Malária por P. vivax - Febre Terçã Benigna
- Febre maioria irregular e contínua
- Risco de recaídas devido hipnozoítas latentes no fígado
- Ruptura esplênica tardia
- Pródromo é = as 3 espécies de plasmódio c/ sintomas inespecíficos (mal-estar, fadiga, náusea)
- Incubação entre 12-16 dias
- Crises febris (“acessos maláricos”) ocorrem diariamente no início e depois a cada 48h
- Período do frio: calafrio, tremores, mialgia
- Período do calor: alor e febre, fáscies congestas, olhos brilhantes, hemorragias subconjuntivais
- Período de sudorese: sudorese, temperatura cai “em crise”
- Febre, calafrios, sudorese, esplenomegalia (58%), hepatomegalia (53%), palidez cutâneo-mucosa (36%), icterícia (34%), vômitos (30%), cefaleia, diarreia
- Complicação: rotura esplênica espontânea
- Anemia N/N, leucopenia c/ desvio à E, ↑BI, ↑ LDH e ↓ haptoglobina
Malária por P. falciparum - Febre Terçã Maligna ou Perniciosa
*Bloqueio microvascular por citoaderência das hemácias”
- Incubação entre 8-12 d
- Pródromos = da vivax, poendo ter confusão e convulsões junto c/ febre
- Leucopenia e trombocitopenia
- Malária cerebral (30%): delirum, cefaleia, coma, hiper-reflexia tendinosa e Babinski bilateral → isquemia difusa
- ” renal (65%): mais em adultos, oligúria, ↑ Ur/Cr
- ” hepática: icterícia
- ” intestinal (álgida): diarreia, sangue, prostração
- ” pulmonar: complicação mais grave c/ risco de SDRA.
- Hipoglicemia: altera gliconeogênese hepática e ↑ consumo glicose periférico (hiperinsulinemia)
- Acidose láctica
Malária por P. malariae - Febre Quartã
- Raras (1%)
- Incubação de 30-40 dias
- QC = P. vivax, exceto pelo período de febre que ocorre a cada 72h
- Parasitemia moderada
- Complicação mais temível é a SÍNDROME NEFRÓTICA por imunocomplexos
Malária nas formas especiais
- Gestantes: causa de abortamento, morte neonatal, PIG e TPM em áreas endêmicas
- Crônica
- A imunossupressão da malária torna pcte sucetível ao vírus EBV e desenvolver Linfoma de Burkit,
Síndrome da Esplenomegalia Tropical (malária hiper-reativa)
- Acomete adulto jovem, da raça NEGRA
- Volumosa hepatoesplenomegalia de evolução crônica, anemia e sintomas gerais
- Associação c/ hipoalbuminemia com hipergamaglobulinemia acentuada (= calazar)
- Altos títulos de anticorpos circulantes contra os plasmódios
- Infiltração linfocitária sinusoidal hepática
Diagnóstico da Malária
- Febre (crises) + Anemia hemolítica (icterícia c/ ↑ BI)
- Dica: região Norte
- Hematoscopia por:
- Gota Espessa: é o exame de escolha, sendo feito metileno-Giemsa/ método de Walker
- Esfregaço
- Imunotestes Rápidos: preferível em áreas NÃO endêmicas → diferencia P. falciparum de outros.
- Testes moleculares (PCR)
- Dxx: influenza, meninite bacteriana, calazar, febre tifoide, endocardite infecciosa.
TTO da Malária
- P. vivax: Cloroquina 25 mg/kg VO por 3 dias + Primaquina 0,5 mg/kg VO por 7 dias (se gestante só cloroquina)
- P. falciparum: Artemeter + Lumefantrina VO por 3 dias (+ primaquina dose única no 1º dia)
- Artesunato + mefloquina VO por 3 dias (+ primaquina dose única no 1º dia)
- 2ª Escolha: Quinina ou Clindamicina ou Primaquina
- Graves (qqer espécie): ArtesunATO IV por 6d (ou Artemete IM por 5 d) + Clindamicina IV por 7d
Medicações da Malária - Cloroquina
- Pode ser usada na gestação
- Toxicidade ocular NÃO é problema, pois tempo de tto é curto (3 dias)
- Ataca esquizontes eritrocitário, revertendo a parasitemia
- Não é contra os hipnozoítas hepáticos
- P. vivax resistente às 4-aminoquinoleínas (cloroquina, amodiaquina) são inexistentes no BR
Medicações da Malária - Primaquina
- Efeitos adversos: hemólise em pctes c/ G6PD; metemoglobinemia
- Contraindicada na gestação (sem segurança estabelecida) e em <6 meses de idade → não receber nem derivados de artemisina
- Quando contraindicada deve receber quimioprofilaxia contra recaída (hipnozoítas) com doses semanais de Cloroquina por 12 semanas
- Não é contraindicado na amamentação
TTO P. falciparum - situações especiais
- Gestante no 1º Trimestre e < 6meses: não fazer primaquina, fazer → Quinina por 3 dias + Clindamicina por 5 dias
- Gestante no 2 ou 3º Trimestre: podem receber derivados de artemeter + lumefantrina por 3 dias (s/ usar primaquina) ou artesunato + mefloquina por 3 dias
- P. falciparum é sensível à Cloroquina quando há desapareciemnto da parasitemia assexuada em 7 dias após início do tto
Profilaxia da Malária
- P. vivax por ser mais endêmica a eficácia da quimioprofilaxia é BAIXA
- Pode ser feita em viajante em território nacional e áreas de alto risco de P. falciparum (Amazônia legal e ficarão por tempo > que o de incubação)
- Começar 1 sem antes da viagem endêmica e manter até 4 semanas após a saíad da área endêmica
- Cloroquina 5mg/kg 1x sem ou Mefloquina 5 mg/kg 1x/sem ou Doxiciclina 100 mg/d
DXX entre Febre Amarela, Leptospirose e Malária
- FA: Faget e Ecoturismo; LeucoPENIA, ↑ B. DIRETA, ↑ AST/ALT
- Leptospirose: Sufusão Conjuntival e Enchente; LeucoCITOSE; ↑ B. DIRETA, ↑ FA/GGT
- Malária: Febre em crises; Região Amazônica; ANEMIA; B. INDIRETA; ↑ LDH
EBOLA
*Vírus Marburg (parente do Ebolar) tem reservatório os morcegos
- Gênero Ebola pertence à família Filoviridae (vírus filamentares)
- Doença febril aguda grave c/ alta letalidade (70%)
- Espécies: zaire (epidemia africana em 2014-2015), sudan, ivory coast, bundibugyo
- Transmissão confinada à África subsaariana
- Pode provocar epizootias (epidemia em animais), em primatas
- Reservatório natural é desconhecido (primata - humanos)
EBOLA - Disseminação
- Rápida disseminação de pessoa-pessoa por contato c/ fluidos corporais (até cadáver)
- Contato com a pele do doente leva à contaminação das mãos desprotegidas (penetração corporal)
- Transmissão nas epidemias NÃO foi documentada pela via respiratória ou por intermédio de vetores como mosquitos
- Fluidos mais infectantes: sangue, fezes e vômito
- Pode estar presente em urina, sêmen, saliva, leite materno (FÔMITES, Parenteral)
Ebola
- Preferência por macrófagos e céls dendríticas (presente em todos órgãos e tecidos do corpo)
- Pode acometer vários locais do corpo: necrose multitecidual simultânea c/ tempestade de citocinas pró-inflamatórias (SIRS)
- Alto efeito imunodepressor, gerando um ciclo vicioso que favorece a progressão
Ebola - QC
*Evolução progressiva para morte em 14 dias
- Incubação de 2-21 dias (início da infecção e transmissão)
- Síndrome febril aguda inespecífica, diarreia, vômitos, dor abdominal, febre, calafrios, Sinal de Faget
- Rash maculopapular difuso, não pruriginoso (5-7 dia)
- Hemorragia (20%) c/ hematoquezia
- Meningoencefaleia, alteração consciência, rigidez
- Manifestações oftalmológica tardia c/ uveíte aguda (visão turva, fotofobia)
Ebola - Laboratorial
- Leucopenia: achado mais comum
- Trombocitopenia
- Aumento das aminotransferases
- Azotemia
- CIVD
- Hipoalbuminemia
- Hiperamilasemia
Ebola:
- Dx: RT-PCR a partir do 4º dia do início dos sintomas (avaliar em quem teve contato há 21 dias com um infectado)
- Sem ARV específicos: Favipiravir?
- Evitar depleção volêmica e eletrolítica
- Cobrir TODA superfície corpórea para prevenção
- Evitar aleitamento materno
Chikungunya (CHIKV)
- Arbovírus de RNA fita única, gênero Alphavirus da família Togaviridae
- Agente etiológico: Alphavirus
- Transmissor/ vetor: Ae. aegypti e Ae. albopictus (mosquito-tigre)
- Na África também pode ser transmitido pelo Culex, Mansonia e Anopheles
- Homem é o hospedeiro definitivo e demais animais intermediário
Chikungunya (CHIKV)
- Doença de notificação compulsória semanal, em casos atípocos ou em área não endêmica imediata (24h)
- Vírus “exportados” para novos territórios
- Surgimento de mutação (A226V)
Chikungunya (CHIKV) - QC
*Incubação de 1-12 dias
- “Febre dos que se torcem”
- Fase Aguda (3-10 dias): febre + quadro articular (poliartrite simétrica distal)
- Subaguda (até 3m): retorno dos sintomas articulares
- Crônica (>3 m): deformidade articular
Chikungunya (CHIKV) - Fase Aguda (até 10 dias)
- Dx: 1ª semana com Sorologia + PCR
- Poliartrite simétrica distal
- Febre alta de até 10 dias
- Poliartralgia intensa, simétrica e distal maioria em mãos, punhos e tornozelos (axial é acometido em 30-50%)
- Edema periarticular
- Dor articular pode ser INCAPACITANTE
- Rash maculopapular (40-75%) entre 3-7º dia, pode haver prurido e bolhas (cças)
- TTO: Repouso + Analgesia (refratário: opióides)
Chikungunya (CHIKV) - Fase Subaguda (até 3 meses)
- Persistência de queixas articulares: rigidez matinal, dor e edema
- Pode complicar como Síndrome do Túnel do Carpo
- Leucopenia, AST/ALT elevadas, Crioglobulinemia
- TTO: Repouso + Analgesia (se refratário opióide) + AINEs/ Corticoide
Chikungunya (CHIKV) - Fase Crônica (> 3 meses a anos)
*Pode durar de 3-6 anos
- Artropatia crônica destrutiva (deformidade)
- Dxx c/ AR ou A. psoriásica, mas maioria se recupera sem sequelas
- Fenômeno de Raynaud (20%)
- Fadiga, cefaleia, prurido, alopecia, dor neuropática
- Fatores de risco: Idade >45 anos, Dça articular prévia, ♀ e maior intensidade dos sintomas na fase aguda
- TTO: Hidroxicloroquina*/ MTX + Fisioterapia
Fatores de Risco para evolução para Fase Crônica da CHIKV
- Idade >45 anos,
- Dça articular prévia,
- ♀
- Maior intensidade dos sintomas na fase aguda
Chikungunya (CHIKV) - QC
- No geral tem curso benigno e autolimitado
- Risco de formas graves/ atípicas (<5%): meningoencefalite, Pneumonite, miocardite, nefrite
- Maior risco em idoso (>65 anos), <2 anos (RN*), gestantes, usuários crônicos de AINE (AAS) e portadores de comorbidades
- CRISE CONVULSIVA: em hx prévia de epilepsia/ alcoolismo
- Não altera curso gravidez, nem é teratogênico, mas pode transmitir viremia no período perinatal (grave)
- Não é transmitido pelo Leite Materno
Chikungunya (CHIKV) - Dx:
- RT-PCR (até 5º dia dos sintomas);
- IgM anti-CHIKV (≥6º dia);
- Sorologia “pareada” c/ acs IgG anti-CHIKV, como 1ª coleta a partir do 6º dia do início e repetido após 15 dias
- Acredita ter imunidade permanente, não tendo uma 2ª ves
Chikungunya (CHIKV) - TTO
*Repouso previne evolução p/ forma subaguda/crônica
- Fase aguda (=suporte): Paracetamol/ Dipirona ou opioide (se refratário), Crioterapia e Repouso
- Evitar uso de AINE pelo risco de coinfecção c/ dengue
- Pode ser tentado amitriptilina baixa dose ou gabapentina (parestesias refratárias)
- Subaguda: AINE ou glicocorticoide (intra-articular ou VO) + Fisioterapia
- Crônica: Hidroxicloroquina por 6 semanas ± Sulfassalazina (1ª linha) + Fisioterapia
- MTX é mais tóxico sendo 2ª linha
ZIKA (ZIKAV)
- RNA fita-única
- Gênero Flavivírus (= dengue e DA)
- Vetor: Ae. aegypti (regiões tropicais) e Ae. albopictus (temperadas)
- Transmissão: Picada do mosquito, Vertical*, Sexual, Transfusional e por acidade ocupacional
Transmissão pelo ZIKAV
- Picada do mosquito,
- Vertical*,
- Sexual,
- Transfusional
- Acidade ocupacional
ZIKA (ZIKAV) - QC:
*Dica: Rash + Conjuntivite NÃO purulenta
- Incubação de 2-7 dias
- Assintomático em 50%
- Doença febril aguda autolimitada de evolução branda
- Febre BAIXA ou AUSENTE
- Exantema pruriginoso (entre 1-2º dia)
- Rash + Conjuntivite NÃO purulenta
- Atralgia mais leve que pode durar 1 mês
ZIKA (ZIKAV) - QC:
- RN que adquirem Zika após nascimento tem QC = ao dos adultos (assintomática ou leve)
- Não tende a ser mais agressivo em gestantes (Rash + conjuntivite não pruulenta)
- Viremia é mais persistente (até 10 semanas) na gestante devido proliferação do ZIKAV na placenta = Transmissão vertical
- NEUROTROPISMO: Microcefalia congênita (em filhos de gestantes), Sd. Guillain-Barré (neurotoxicidade direta), mielite e meingoencefalite em qqer idade
Complicações do ZIKAV pelo Neurotropismo
- Microcefalia congênita (em filhos de gestantes): risco durante toda gestação. mas maior no 1º trimestre e não há tto específico
- Sd. Guillain-Barré (neurotoxicidade direta),
- Mielite e meingoencefalite em qqer idade
Microcefalia
*Pode ser vista no pré-natal,, após a 20ª semana de gestação e mais evidente no 3º trimestre
- PC abaixo do esperado p/ idade e sexo, sendo 2 DP abaixo da média para idade e sexo
- Se >3 DP da média é uma microcefalia granve
- Ponto de corte entre RN a termo é de PC ≤ 32 cm aferido após 24h de vida até o 7º dia.
- Microcefalia congênita (1ª ou familiar/ idiopática) maioria (90%) SEM RM/ neuropsicomotor
- Microcefalia pós-neonatal (2ª): normal ao nascer mas adquire dça após vida extra-uterina c/ comprometimento neuropsicomotor
Causas de Microcefalia
- Congênita: genéticas ou adquiridas
- Adquiridas: traumas (hemorragia IC fetal), TORCHSZ e HIV e teratógenos (DM não controlado, álcool, radiação)
- Pós-natais: genéticas, traumas (AVC), meningites, encefalopatias, toxcinas (cobre, falência renal crônica)
Padrões de Infecção Congênita do SNC
- Dx clinicorradiológico no USG pré-natal
- Confirmar após anscer c/ TC ou RM de crânio (forma grave) ou USG transfontanela (não gravE)
- Maiores: Calcificações no parênquima subcorticais (é o mais sugestivo), corticais e tálamo/ gânglios da base; ventriculomealia ex-vacuum
- Menores: alterações de fossa posterior c/ hipoplasia do cerebelo, hipoplasia do vermis cerebelar, alargamento da fossa posterior >10 mm e agenesia/ hipoplasia do corpo caloso
Dxx entre Dengue, Zika e CHIKV
- Dengue: febre alta (>38ºC), rash menos frequente (2-4º dia), mialgia e dor retro-orbitária e mais letal (choque por extravasamento plasmático e hemorragias) → não tem hiperemia conjuntiva (ZIKA tem)
- CHIKV: febre alta (>38ºC), rash menos frequente (2-4º dia), dor/inflamação articular periférica e possui fase crônca (=AR)
- Zika: febre baixa ou ausente (até 38ºC), rahs mais frequente (1-2ºd), Conjuntivite NÃO purulenta, Sd. Guillain-Barré, Microcefalia e Transmissão sexual e vertical
Dxx da Zika
- Parvovirose (eritema infeccios): rash facial em bofetada
- Rubéola: coriza e linfadenopatia generalizada, exantema craniocaudal
- Sarampo: tosse, coriza, dor de garganta, manchas de Koplik
- Malária: febre alta (c/ calafrios), mialgia, dor abdominal, vômitos e diarreia, anemia e hemólise
- Leptospirose: febre alta c calafrios, icterícia rubínica (mas ambas podem ter hiperemia conjuntival)
- Streptococcus grupo A: febre elevada, prostração, faringoamigdalite
ZIKA - Dx:
*Notificação compulsória (7 dias), sendo que se em gestantes ou óbitos é imediata (24h)
- RT-PCR no soro (até 5º dia) ou na urina (até 15º dia) → em gestante fica positivo por mais tempo
- Sorológico: a partir do 6º dia c/ anti-ZIKA (IgM, IgG)
- Exames laboratoriais ESPECÍFICOS, só são obrigatórios para GESTANTES ( se exantema c/ duração de 5 dias deve fazer RT-PCR de Soro + Urina), CÇAS c/ suspeita de exposição vertical e que evoluem p/ complicações
- Restante pode fazer apenas por critérios clinicoepidemiológicos
ZIKA - TTO:
- Evitar AINEs
- Sintomáticos: antitérmicos, analgésicos, antipruriginosos
- Evitar sexo desprotegido (camisinha), se gestante durante toda gestação
- Evitar locais endêmicos se planejar engravidar
Febre Tifoide
- Agente: Salmonella typhi (enterobacteria gram-negativo, bastonete, anaeróbios facultativos)
- Contém endotoxina/ lipopolissacarídeo (Antígeno O e Antígeno H) que irão determinar o sorogupo da salmonela (A, B, C ou D***)
Febre Tifoide - Transmissão
- Mais em países subdesenvolvidos c/ problema de saneamento básico e higiene
- O único reservatório da S. Typhi e S. Para typhi sorotipos A,B e C é o ser humano. Transmissão oral-fecal, sexual e ocupacional.
- Podem se tornar portadores crônicos assintomáticos de longa data e eliminando o bacilo (fonte de infecção)
- Maioria por fonte hídrica (água contaminada c/ fezes humana)
Febre Tifoide - Patogênese
- Tem S.typhi tem propriedade de se proliferar no interior de fagócitica mononucleares, comportando-se como parasita intracelular que resiste à ação microbicida desses favoritos.
- Este fenômeno ocorre em menor grau com S.paratyphi mas não acontece com as salmonela não tifoides (S.enteritidis)
- Replicação nas células do sistema reticuloendotelial (macrofagos) → alterações hiperplásicas nas placas de Peter e linfonodos mesentéricos (necrose, hemorragia e perfuração intestinal) → Recirculação da S.typhi (vias biliares→ vesícula → intestino → fezes)
Febre tifoide - QC:
- Febre há mais de 1-2 semanas c/ epidemiologia sugestiva (condições precárias, falta de saneamento)
- Incubação de 5-21 dias
- Fase 1 ou 1a semana: febre alta (39-40) de início subagudo/insidiosa/ progressivo e mal-estar; Sinal de FAgeT (20%)
- Fase 2 ou 2-3a semana: febre alta sustentado, cefaleia continua, prostração , apatia, bradipsiquísmo, delirium, “estado tifoso” (delírio murmurante ou coma vígil)
- Desidratação e dor abdominal c/ fezes em “sopa de ervilha”, hepatomegalia (60%), esplenomegalia, exantema “roséolas tifoides”, língua subir rosa (25%)
- Fase 3 ou 4a semana: febre diminui progressivamente, pode ter sinais de desnutrição e atrofia muscular
Febre tifoide
- Leucopenia com desvio para esquerda e linfomonocitose relativa
- Complicações: enterorragia (3-10%), perfuração intestinal
- Recaída: febre e outros sintomas na fase de convalescença (4a semana)
- Bacteremia recorrente por Salmonella é uma condição definidora de aids (QC mais grave)
Febre tifoide
- Dx definitivo: isolamento da S.typhi ou S.paratyphi no sangue, medula óssea , roséolas, fezes ou secreção intestinal
- Hemocultura: maior sensibilidade na 1a semana (S = 75-90%)
- Mielocultura: exame de maior sensibilidade (90%) e mante-se positivo após 1a semana, podendo ser recomendado de rotina
- Compro ultra tem maior valor positivo após 3-4a semana e é maior em cças
- Exames sorológicos não tem boa acurácia , sendo mais clássico a reação de Widal
Febre tifoide - TTO
- Em monoterapia com Cloranfenicol 50 mg/kg/d VO até 15 dias após último dia de febre sendo máximo de 21 dias (1a escolha no BR)
- Risco de toxicidade medular (idiossincrásica), resistência e aumento da taxa de recaídas
- Aminopenicilinas (ampicilinas e amoxicilina) e SMZ+ TMP também são algumas opções
- S. Typhi multirresistentes (MDR): fluoroquinolonas e cefalosporina 3a geração
Febre tifoide - Vacinação
- Não apresenta valor prático para controle de surtos, e baixo poder imunogênico e curta duração
- Só para >5 anos
- Recomendação de vacinar indivíduos que irão viajar para área de alta endemicidade e expostos a alimento contaminados
- Não é recomendo vacinar em massa
Salmonella enterica
- A: S. paratyphi A
- B: S. paratyphi B e S. typhimurium
- C1: S. paratyphi C e S. choleraesuis
- D: S. typhi e S. enteritidis
Dengue
- FR: idade, etnia e infecção 1ª
- Há reação cruzada entre dengue e ZIKA (e não c/ CHIKV)
- Uso do NS1 diferencia a dengue da CHIKV
Contraindicações da Vacina da FA
- <6 meses,
- dça febril aguda/ ↓ Estado geral;
- reações anafilática a ovos de galinha, gelatina, eritromicina e canamicina;
- gestantes (riso x benefício);
- imunodef. ou uso de supressores;
- dça timo (miastenia gravis, timoma)
IRA na Leptospirose
- É uma manifestação da 2ª fase da doença
- Caracteriza-se por ser NÃO oligúrica e hipocalêmica
- Ação no túbulo contorcido proximal, pela não reabsorção de Na+ que elimina mais K+
- Hidratação IV é um dos ilares do tto
- Níveis de Ur e Cr se elevam rapidamente
Doenças contraídas em cavernas no BR
- Leptospirose (urina de ratos)
- Histoplasmose (morcegos)
- Hantavirose (Hantavírus presente na saliva, fezes e urina de roedores)
Malária
- A gravidade da doença se relaciona a % de eritrócitos infectados e c/ presença do pigmento malárico em >5% dos neutrófilos à hematocospia
- Infecção por Plasmodium malariae pode acompanhar com Sd. Nefrótica por imunocomplexos
- Na Def. de G6FD a Primaquina pode provocar hemólise por estresse oxidativo sobre eritrócitos
- Traço falcêmico (AS) desenvolvem forma menos intensas de malária falcípara
Nova classificação da dengue
- Dengue
- Dengue com siansi de alarme
- Dengue grave
Leptospirose
- A forma mais comum da dça é anictérica (branda); a forma menos comum e mais grave é a Sd. de Weil
- Dça infecciosa aguda, febril cuja mortalidade pode chegar a 50% nas formas grave, como Sd. de Weil e Sd de hemorragia pulmonar
- Fase precoce geralmente é febri, inespecífica, por volta do 4º ao 9º dia, surgem a gravidade (icterícia rubínica e IRA)
- Hiperemia/ sufusão conjuntival é comum na leptospirose
- ATB deve ser introduzido em qqer fase, mas tem maior benefício se na fase precoce