Sepse e Choque Flashcards
O que é o choque?
É um estado patofisiológico instável e dinâmico caracterizado pela inadequada perfusão tecidual.
A criança, assim como o adulto, apresenta hipotensão como manifestação inicial do choque. V ou F?
Falso. A criança mesmo com significativo comprometimento da perfusão tecidual, consegue compensar a disfunção circulatória, mantendo a pressão arterial adequada.
Quais as causas mais comuns de choque pediátrico?
Diarreias, vômitos, trauma (incluindo choque hemorrágico) e sepse.
O choque séptico é mais comum em quais grupos pediátricos?
Recém-nascidos, em particular os de baixo peso, lactentes jovens, crianças imunodeprimidas e portadoras de doenças crônicas.
Como o choque é classificado?
A partir de sua fisiopatologia, sendo dividido em:
I. Hipovolêmico = hemorragias, diarreias.
II. Distributivo = sepse, anafilaxia, intoxicações.
III. Cardiogênico = arritmias, cardiopatias congênitas.
IV. Obstrutivo = pneumotórax, tamponamento.
Do que depende a oferta de oxigênio aos tecidos?
Da concentração arterial de oxigênio e do desempenho cardiocirculatório (Índice Cardíaco = débito cardíaco / superfície corporal).
Do que depende a concentração arterial de oxigênio?
Quantidade de hemoglobina, da saturação arterial de oxigênio dessa hemoglobina e da pressão de oxigênio no sangue arterial.
O que determina o débito cardíaco?
Frequência cardíaca e volume sistólico.
Do que depende o volume sistólico?
I. Pré-Carga = quantidade de sangue que chega ao ventrículo.
II. Contratilidade cardíaca = Forca que o músculo cardíaco exerce para ejetar o sangue dos ventrículos.
III. Pós-carga = resistência a ser vencida pelo coração para bombear o sangue, resistência essa que depende do tônus vascular e da pressão intratorácica.
Em quais condições aumentam o consumo/necessidade de oxigênio do organismo?
Febre, agitação, hipermetabolismo e taquidispneia (em taquidispneias importantes, o consumo de oxigênio dos mm. respiratórios vai de 3% no estado basal para 50%).
Quando há queda do transporte do oxigênio, por qual mecanismo as células mantém suas necessidades atendidas? Quando esse mecanismo compensatório não funciona mais?
Aumentam a extração de oxigênio livre ou logado à hemoglobina. O aumento da extração funciona até um ponto crítico de transporte de oxigênio, a partir do qual o consumo de oxigênio celular também cai e dá início ao sofrimento tecidual.
Cite exemplos de patologias que interferem no débito cardíaco e em que ponto elas agem:
Hipovolemia = queda no volume de sangue que chega ao ventrículo, portanto redução da pré-carga.
Sepse = vasodilatação sistêmica levando a hipovolemia relativa, portanto redução da pré-carga.
Arritmias = alterações na contratilidade cardíaca.
Pneumotórax hipertensivo = provoca uma dobra nos vasos da base, causando obstrução ao fluxo e consequente aumento da resistência à ejeção de sangue (aumento da pós-carga).
Tamponamento cardíaco = aumento da pós-carga.
Quais os objetivos da avaliação inicial do choque em crianças?
I. Reconhecimento imediato das condições de risco de morte.
II. Reconhecimento precoce do comprometimento circulatório.
III. Classificação do tipo e causa do choque.
Quais as principais manifestações clínicas do choque?
Taquicardia
Alterações dos pulsos, alteração da perfusão periférica, alteração de cor e temperatura das extremidades, alterações no nível de consciência, hipotensão e oligúria.
Qual a manifestação mais precoce do choque pediátrico?
Taquicardia reflexa a queda do volume sistólico como tentativa de manter o débito cardíaco.
No choque, os pulsos periféricos estão mais finos que os centrais. V ou F?
Verdadeiro.
Como é avaliada a perfusão periférica?
Deve ser avaliada na palma da mão ou na planta do pé, com o membro elevado acima do nível do coração. Frequentemente no choque a perfusão se encontra lentificada > 2s; porém na fase quente do choque séptico a perfusão pode estar acelerada.
O que indicam a palidez e frialdade de extremidades no choque?
Vasoconstrição como medida compensatória da queda do débito cardíaco, em tentativa de manter a pressão arterial.
A hipotensão pode ser uma manifestação tardia no choque pediátrico. V ou F?
Verdadeiro. Isso ocorre por conta dos diversos mecanismos compensatórios (aumento da FC e vasoconstrição) para tentar manter a PA. A queda da PA indica insuficiência desses mecanismos para controlar o choque, indicado maior gravidade do quadro.
Como definir hipotensão em crianças?
RN < 60mmHg.
Lactentes < 70mmHg.
> 2 anos < 70 + ( 2 x idade).
A criança chocada pode se apresentar agitada ou torporosa, ou ainda, apresentar alternância entre esses níveis. Essas manifestações são secundárias a… ?
Deficiência na oferta de oxigênio em nível cerebral.
Defina oligúria em crianças:
Diurese < 1ml/kg/h.
Qual a origem da queda da diurese no choque pediátrico?
Origem pré-renal (má perfusão renal).
Qual a possível complicação decorrente da má perfusão renal?
Necrose tubular aguda.
Quando suspeitar de necrose tubular aguda em decorrência da má perfusão no choque?
Persistência da oligúria após ressuscitação volêmica.
Quais as manifestações laboratoriais do choque?
Acidose metabólica (gasometria), aumento dos níveis de lactato (crianças podem ter lactato normal em vigência de sepse, porém a monitoração continua recomendada, glicemia, eletrólitos, hemograma, PCR e culturas.
Quais as causas do choque hipovolêmico?
Decorre de perdas líquidas causadas por vômitos e/ou diarreia, ou ainda sangramento em crianças politraumatizadas.
Como ocorre o choque hipovolêmico por vômitos e/ou diarreias e em quem predomina?
Ocorre por perdas abundantes que não conseguem ser repostas, sendo presente na história diversos episódios de diarreia com fezes líquidas em grande quantidade e vômitos associados que dificulta a hidratação da criança. Predomina em lactentes, principalmente os não amamentados ao seio materno e desnutridos.
Como é choque hipovolêmico por vômitos e diarreia?
Choque frio (extremidades frias, pálidas e com perfusão > 2s). Ocorre taquicardia, pulsos finos, diminuição da diurese e alteração do nível de consciência. Sinais de desidratação: turgor pastoso, olhos encovados, saliva escassa e fontanela deprimida.
Causa mais frequente de choque hipovolêmico hemorrágico:
Trauma
Como é choque hipovolêmico hemorrágico?
Sempre frio, com taquicardia, pulsos finos e alteração do nível de consciência. Hipotensão é comum. Podem ocorrer sintomas respiratórios, além de hematomas, fraturas e outras lesões decorrentes do trauma.
Quais lesões traumáticas deve chamar ainda mais atenção para risco de sangramento importante na criança?
Lesões de tórax, abdome, pelve, ossos longos e couro cabeludo.
O que é o choque distributivo?
Choque no qual, por meio de vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar e/ou redistribuição do fluxo sanguíneo, ocorre hipovolemia relativa (diminuição da pré-carga).
Qual a principal causa de choque distributivo em pediatria?
Choque séptico.
Cite outras causas de choque distributivo nas crianças:
Choque neurogênico e choque anafilático.
Defina SRIS (Síndrome da Resposta Inflamatória Sistêmica):
Resposta inflamatória inespecífico que ocorre após trauma, infecção, queimadura, pancreatite etc…
Quais os 4 critérios que definem o diagnóstico de SRIS:
Temperatura central (retal ou esofágica) > 38.3ºC ou < 36ºC.
Taquicardia > 2 desvios-padrão para a idade na ausência de outros estímulos ou Bradicardia < percentil 10 para a idade para crianças < 1 ano na ausência de estímulos vasovagal, drogas ou cardiopatia congênita.
Frequência respiratória média > 1 desvio-padrão para a idade ou necessidade de ventilação mecânica.
Contagem de leucócitos aumenta ou diminuída para a idade ou neutrófilos imaturos > 10% dos neutrófilos totais.
Defina sepse:
SRIS + foco infeccioso confirmado ou suspeito.
Que dados levam a suspeição clínica de infecção?
Púpuras ou petéquias na presença de instabilidade hemodinâmica.
Febre e tosse na presença de leucocitose e/ou infiltrado pulmonar.
Abdome distendido e timpânico na presença de leucocitose, associado à perfuração intestinal.
Defina sepse grave:
Sepse associada a disfunção cardiovascular, SDRA (Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo), duas ou mais disfunções orgânicas (respiratória, renal, neurológica, hematológica ou hepática).
Defina choque séptico:
Sepse + disfunção cardiovascular (hipotensão, necessidade de droga vasoativa ou :
acidose metabólica inexplicada. aumento do lactato arterial oligúria perfusão lentificada Diferença entre T central e axilar > 3ºC.
O que ocorre no choque quente do choque séptico?
Esse choque ocorre quando o organismo tenta compensar a vasodilatação do choque distributivo com aumento do débito cardíaco. Logo há perfusão acelerada < 1 s, face e extremidades ruborizadas e aquecidas e outros sinais de choque: taquicardia, oligúria, alteração do nível de consciência…
O que causa o choque cardiogênico?
Falência da bomba cardíaca, seja por cardiopatia congênita ou adquirida.
O que ocorre no choque cardiogênico?
A baixa contratilidade do miocárdio leva à queda do volume sistólico e do débito cardíaco, sendo compensado com vasoconstrição e taquicardia.
O choque cardiogênico pode ser a primeira manifestação de uma cardiopatia adquirida, como a miocardite viral. V ou F?
Verdadeiro.
Assim como nos outros tipos de choque, o choque cardiogênico melhor com reposição rápida de volume. V ou F?
Falso. Esses pacientes pioram quando se passa volume rápido.
Estertores pulmonares e hepatomegalia podem ocorrer no choque cardiogênico. V ou F?
Verdadeiro.
Quais exames de imagem auxiliam o diagnóstico de cardiogênico?
Rx de tórax com área cardíaca aumentada
Ecocardiograma = confirma o diagnóstico.
Quais as principais causas de choque obstrutivo?
Pneumotórax hipertensivo (politraumatismo ou barotrauma por VM).
Quais sinais costumam estar presentes no choque obstrutivo por pneumotórax hipertensivo?
Sinais gerais de choque: taquicardia, perfusão lentificada, pulsos finos, palidez e frialdade de extremidades, oligúria (< 1ml/kg/h), alteração do nível de consciência.
Sinais de Pneumotórax Hipertensivo = MV diminuído ou ausente, timpanismo à percussão.
Quais sinais sugerem o tamponamento cardíaco como causa de um choque obstrutivo?
Abafamento de bulhas cardíacas, achatamento do complexo QRS, ausência de resposta ao tratamento do choque.
Qual a conduta inicial no tratamento do choque?
I. Garantir oxigenação: posicionamento adequado (extensão da cabeça), suplementação de oxigênio e, se persistência de sintomas, ventilação com máscara e IOT.
II. Acesso venoso periférico (2 acessos, com dispositivos curtos e calibrosos) e, se impossível, punção intraóssea (extremidade proximal da tíbia, abaixo da tuberosidade) ou acesso central (femoral, jugular interna ou subclávia).
III. Infundir volume (Soluções cristaloide isotônica = Soro Fisiológico 0.9% ou Ringer Lactato) de forma precoce e agressiva. Dose: 20mL/kg de 5 a 10min (seringa, pois equipos ou bombas de soro não são capazes de infundir líquido nessa velocidade). Após, reavaliar variáveis respiratórias e cardiocirculatórias e, caso necessário, repetir volume.
Tratamento especifico do choque hipovolêmico por vômito/diarreia:
Após medidas iniciais e reavaliação, se ainda houver manifestações clínicas de choque:
Nova expansão volêmica com 20mL/kg de SF 0.9% em 5 a 10min.
Se persistirem os sintomas:
Nova expansão volêmica com 20mL/kg de SF 0.9% em 5 a 10min.
Após resolução do choque, conduz o caso para tratar a desidratação do paciente.
Tratamento específico do choque hemorrágico:
Avaliação inicial completa, com estabelecimento de via aérea pérvia, oxigenação adequada e acessos vasculares.
Ressuscitação volêmica com infusão rápida de soro fisiológico 0.9% ou ringer lactato 20mL/kg em 5 a 10min.
Se persistência dos sintomas, realizar nova expansão volêmica e solicitar concentrado de hemácias.
Se após 2 expansões, o pacientes persistir sintomático, infundir o concentrado de hemácias 20mL/kg em infusão rápida.
Além disso deve-se investigar a causa/foco do sangramento e corrigir isso. Também deve-se manter níveis adequados de PA para evitar lesão cerebral secundária quando houver suspeita de lesão intracraniana.
Quais as metas do tratamento do choque séptico?
I. Atingir os valores fisiológicos de PA.
II. Igualar os pulsos centrais e periféricos.
III.Manter a perfusão < 2s.
IV. Normalizar o estado mental.
V. Manter a diurese urinária acima de 1ml/kg/h.
Tratamento específico do choque séptico:
Avaliação inicial com estabelecimento de via aérea com oferta adequada de oxigênio e 2 acessos venosos.
Antibioticoterapia empírica na primeira hora de tratamento.
Ressuscitação com cristaloides isotônicos (SF 0.9% ou ringer lactato) ou albumina (coloide) em bolus 20mL/kg em 5 a 10min. Avaliar durante a expansão volêmica por sinais de congestão (hepatomegalia, estertores pulmonares, ritmo de galope…), se presentes suspender a expansão, se ausentes até 60mL/kg, continuar até melhora dos sintomas.
Se houver acúmulo de líquido = diuréticos até resolução do choque ou hemofiltração venovenosa ou diálise.
Drogas vasoativas (inotrópico) = adrenalina contínua na dose 0.1 a 0.3 mcg/kg/min OU dobutamina 5 a 20mcg/kg/min.
Se refratário a adrenalina, hidrocortisona 50mg/m2/d por suspeita de insuficiência suprerrenal relativa.
Controle metabólico (glicemia, cálcio ionizado).
Medidas de controle do transporte e consumo de O2 = Transfusão de concentrado de hemácias se hemoglobina < 10mg/dl, controle da febre, sedação e ventilação mecânica precoce
Hormônio tireoidiano T3 se choque refratário em pacientes com disfunção conhecida desse hormônio ou com risco de disfunção como portadores de trissomia do 21 (Síndrome de Down) e patologias do SNC.
Quais drogas vasoativas estão indicadas para o choque quente?
Noradrenalina 0.1 a 0.2mcg/kg/min.
Se ausência de resposta, considerar:
Vasopressina 0.0005 a 0.002 unidades/kg/min.
Quais drogas vasoativas estão indicadas para o choque frio?
Se hipotenso = aumento progressivo na dose de anrenalina (0.1 a 1mcg/kg/min).
Se normotenso = associar vasodilatador (nitroprussiato) à adrenalina ou inicar inibidor de fosfodiesterase.
Tratamento específico do choque cardiogênico:
Avaliação inicial com estabelecimento de via aérea pérvia com oxigenação adequada e pelo menos 2 acessos periféricos garantidos.
Expansão volêmica inicial com sinais de piora/congestão: estertoração pulmonar, hepatomegalia e ritmo de galope ou piora da taquicardia.
Notada a piora, restringir o volume ofertado e utilizar diuréticos + dobutamina (efeito inotrópico e vasodilatador leve) 5 a 20mcg/kg/min.
Se persistência do choque = inibidor de fosfodiesterase (milrinona) que possui efeito inotrópico e vasodilatador potente, na dose de 0,375mcg a 0,75mcg/kg.min.
Se refratário ainda a inibidor da fosfodiesterase = levosimendam 0.1 a 0.4mg/kg/min (possui ação inotrópica e vasodilatadora por meio da sensibilização dos canais de cálcio das miofibrilas, aumentando a contratilidade cardíaca e reduzindo a resistência vascular sistêmica.
Tratamento específico do choque obstrutivo:
Avaliação inicial com estabelecimento de via aérea pérvia com oxigenação adequada e garantir dois acessos venosos periféricos.
Expansão com SF 0.9% 20ml/kg/min em 5 a 10min.
Exame pulmonar: MV diminuídos ou ausentes e percussão timpânica = punção de alívio imediatamente, seguida de drenagem do tórax realizada por cirurgião.
Exame cardiovascular: turgência jugular, abafamento de bulhas = punção de alívio e drenagem realizadas por cirurgião.
Encaminhar para UTI.
A dopamina possui ação sobre qual receptor adrenérgico e o que causa sua estimulação?
Principalmente atua sobre os receptores dopaminérgicos que provocam vasodilatação esplâncnica e renal, na dose frequentemente indicada (5 a 10mcg/kg/min) possui ação leve sobre os receptores alfa (vasoconstrição) e beta-1 (inotropismo).
Sobre qual receptor adrenérgico age a noradrenalina e qual seu efeito?
Atua predominante sobre os receptores alfa, apresentante forte efeito vasoconstritor. Atua com menos intensidade sobre os receptores beta-1 (inotropismo) e beta-2 (vasodilatação).
Sobre quais receptores age a adrenalina e quais seus efeitos?
A adrenalina na dose de 0.1 a 0.3mcg/kg/min age com maior intensidade sobre os receptores beta-1 (inotropismo) e beta-2 (vasodilatação). Quando > 0.3mcg/kg/min, possui maior ação sobre o receptor alfa, produzindo vasoconstrição.
Sobre quais receptores age a dobutamina e quais seus efeitos?
A dobutamina age sobre os receptores beta-1 e beta-2, apresentando leve ação inotrópica e vasodilatadora.
Quais aspectos clínicos devem ser monitorados com frequência na criança com sepse/choque séptico?
Ausculta cardíaca, frequência e ritmo cardíaco.
Padrão respiratório e ausculta pulmonar.
Coloração da pele e mucosas.
Medida da PA com manguito adequado.
Perfusão periférica (palmas e plantas), além de temperatura de extremidades, amplitude de pulsos e velocidade de enchimento capilar.
Diurese.
Nível de consciência (irritabilidade e sonolência = sinais de alerta).
Quais exames são necessários na monitoração da criança com sepse/choque séptico?
Gasometrias arterial e venosa central, lactato arterial, hemograma completo, coagulograma, provas de atividade inflamatória (PCR e pró-calcitonina), culturas, função renal (ureia e creatinina), dosagem de cálcio e glicemia.
O que deve ter na monitoração hemodinâmica na primeira hora do choque séptico?
Oximetria de pulso. Monitoração cardíaca (ECG contínuo). Controle da PA. Monitoração da temperatura. Monitoração do débito urinário (deve estar > 1mL/kg/h).
Após a primeira hora, quais parâmetros devem ser monitorados no paciente pediátrico com choque séptico?
Pressão arterial média invasiva (PAMi) - feita por cateterização arterial.
Pressão venosa central (PVC) - feita por cateterização venosa.
Saturação venosa central de oxigênio (SvO2) - coleta seriada ou monitorização contínua com cateter em junção da cava superior com o átrio direito).
Ecocardiograma seriado - avalia efetividade das DVA.
Ultrassonografia - Doppler de fluxo atráves de valvas Ao ou P, avaliam índice cardíaco, volume sistólico, volemia, resposta a volume, RVP…
Variação da pressão de pulso (PPV) - diferença entre a pressão de pulso máxima na inspitação e mínima na expiração, se > 13% = hipovolemia responsiva a fluídos.
Pressão Intra-Abdomina (PIA) - sondagem vesical para detecção precoce de hipertensão abdominal e síndrome compartimental.
O choque séptico pode simular simultaneamente as 4 formas de choque. V ou F? Explique.
Verdadeiro.
I. Choque Hipovolêmico = extravasamento capilar, elevada perda insensível de fluídos, volume intravascular efetivo reduzido secundário a vasodilatação.
II. Choque Cardiogênico = As toxinas bacterianas e citocinas inflamatórias têm efeito miocárdio-depressor.
III. Choque Obstrutivo = trombose de pequenos vasos e síndrome compartimental abdominal.
IV. Choque Distributivo = reduzida resistência vascular sistêmica e hipóxia citopática.
Quais os sinais clínicos e alterações laboratoriais do choque quente?
Boa perfusão periférica, pele quente e seca, taquicardia, instabilidade térmica, pulsos amplos e alteração do nível de consciência. Ocorre aumento da saturação venosa de O2 refletindo a queda do consumo de oxigênio perifério; aumento do DC e diminuição da resistência vascular sistêmica.
De alterações laboratoriais têm-se = hipocapnia, hipóxia, aumento discreto do lactato e hiperglicemia.
Quais os sinais clínicos e fisiológicos do choque frio, e quais alterações laboratoriais são obtidas?
Sinais clínicos = cianose, pele fria e úmida, pulsos finos, taquicardia, respiração lenta, depressão do nível de consciência, oligúria.
Sinais fisiológicos = Diminuição do DC, aumento da RVS, diminuição da PVC, trombocitopenia e diminuição do consumo de oxigênio.
Alterações laboratoriais = hipóxia, acidose metabólica, coagulopatia, hipoglicemia e aumento do lactato.
As condutas iniciais do tratamento do choque séptico são:
I. Estabelecer via aérea adequada.
II. Estabelecer acesso venoso.
III. Restabelecer o volume circulante efetivo.
IV. Corrigir os distúrbios metabólicos associados.
V/ Instituir terapia inotrópica/vasopressora.
Como é feita a otimização da oxigenação e redução do consumo de oxigênio?
Controle térmico, redução do esforço respiratório através de suporte ventilatório invasivo ou não (cateter nasal de alto fluxo) e controle da agitação e dor com administração de sedativos e analgésicos.
Se o acesso periférico estiver difícil de se conseguir e consumir muito tempo, qual via alternativa é escolhida?
Punção intraóssea.
As DVAs devem esperar o estabelecimento do acesso venoso central para serem administradas. V ou F?
Falso. Pode ser iniciada drogas vasoativas com efeito inotrópico por via periférica, permitindo infusão de DVA ainda na primeira hora de atendimento.
Até quando deve ser realizada a infusão de volume no choque séptico?
Até a normalização da perfusão, da pressão sanguínea e da saturação venosa de O2 > 70%.
Quais sinais de descompensação podem surgir da infusão rápida de volume no paciente séptico?
Podem ocorrer sinais de descompensação cardíaca (estertores, rtimo de galope, hepatomegalia e aumento do esforço respiratório).
Plasma fresco congelado está indicado em qual situação durante o choque?
Está indicado quando houverem distúrbios de coagulação ou em pacientes com choque hemorrágico.
Em pacientes instáveis, em que nível deve ser mantida a hemoglobina do paciente e quais medidas podem ser tomadas para estabilização desse parâmetro?
A hemoglobina em pacientes instáveis deve ser mantida acima de 10g/dL (em pacientes estáveis é aceitável > 7g/dL). Para correção de níveis baixos de hemoglobina é indicada a transfusão de concentrado de hemácias.
Quais medidas podem ser realizadas para controle da contratilidade miocárdica e do tônus vasomotor?
Correção de distúrbios metabólicos (hipóxia, acidose, hipoglicemia, hipocalcemia) e administração de DVAs.
Qual a DVA de primeira linha para choque frio e quente, respectivamente?
Adrenalina e Noradrenalina.
Qual distúrbio fisiológico pode ser corrigido com noradrenalina?
Baixa resistência vascular periférica.
Nos casos refratários a noradrenalina, qual medicamento pode ser usado?
Vasopressina.
Quando deve se considerar o uso de drogas vasodilatadoras?
Pacientes que permanecem com alterações da perfusão apesar de PA normalizada (choque frio).
Qual a droga vasodilatadora de escolha no choque séptico? Quando descontinuar essa droga?
Milrinona (inibidor de fosfodiesterase III) em infusão contínua na dose de 0.25 a 0.75mcg/kg/min.
Descontinuar se observadas taquiarritmia, hipotensão ou evidência de redução da RVS.
A partir de que valor é definido a hipoglicemia e como tratá-la?
É considerado hipoglicemia valores de glicemia abaixo de 40mg/dL.
É tratada com glicose 25%, 2 a 4mL/kg em bolus.
Qual distúrbio metabólico é frequente no choque séptico? Para o que ele contribui? Como é feito o tratamento?
Hipocalcemia.
Contribui para disfunção cardíaca.
Reposição de gluconato de cálcio 1 a 2ml/kg.
Hidrocortisona é indicado quando no choque séptico?
No quadro refratário a catecolaminas e sinais de insuficiência adrenal ou fatores de risco para essa patologia.
Quais critérios são levados em consideração na escolha da antibioticoterapia precoce?
Idade, apresentação do quadro infeccioso, padrão de resistência antimicrobiana da comunidade e do serviço hospitalar.
Qual antibiótico é indicado para sepse com foco domiciliar em criança previamente hígida?
Ceftriaxona.
Na sepse com choque tóxico, qual associação de antibióticos é indicada?
Ceftriaxona + Clindamicina.
Sepse em RN, qual antibioterapia precoce é usada?
Cefotaxima + ampicilina.
Reposição de bicarbonato é indicada para a acidose láctica induzida pela hipoperfusão durante o choque séptico. V ou F?
Falso.
Quando está indicada a terapia de reposição renal no choque séptico?
Quando ocorre edema e disfunção orgânica secundária durante a expansão volêmica e evolução do quadro.