Eletrofisiologia Flashcards
ELETROCARDIOGRAMA
Fenômenos elétricos que se originam durante atividade cardíaca e que podemos registar na superfície corporal através de eletrocardiógrafos.
Padrão de normalidade: varia com idade, sexo e biotipo.
As anomalias cardíacas podem ou não alterar o ECG
células marca passo definição
emitem disparos elétricos periodicamente (automatismo). Esse conjunto de células localiza-se no nó sinusal. Responsáveis pela liberação de energia
Nó sinusal
localizado no átrio direito, parede posterior; determina a velocidade das contrações cardíacas por meio da liberação de energia
Células de condução
conduzem a energia elétrica (“fios de condução” - formados por células miocárdicas) → distribuição da energia
Células musculares função
células autônomas controladas pelo SNA (movimentação involuntária), responsáveis pela contração
Célula em repouso características
predomínio de Na+ extra e de K+ intra - entretanto, a concentração de Na+ extra é maior que a concentração de K+ intra → célula positiva fora e “negativa” dentro. Assim, a diferença entre dois campos extracelulares e entre dois campos intracelulares é igual a zero). Já a diferença entre um campo intra e um campo extra é igual a -90mV (conforme mostrado abaixo).
Meio intracelular: voltagem zero
Meio extracelular: voltagem zero
Diferença de voltagem entre intra e extra: -90mV
Quando a célula está em repouso
sua membrana encontra-se polarizada, isto é, há mais íons positivos do lado externo da membrana que do lado interno.
Despolarização
disparo elétrico ativa a bomba sódio-potássio → entra Na+ e sai K-, invertendo a polaridade da célula (+20mV). Essa despolarização vai sendo conduzida célula a célula
Contratura muscular
no sarcômero (unidade funcional), a actina se liga à miosina (pontes cruzadas), contraindo o músculo. Esse estímulo é conduzido célula a célula. Para otimizar essa condução, o coração tem um sistema de condução para não depender da condução célula a célula e contrair simultaneamente
Repolarização
após a despolarização, a célula sofre repolarização (entra K+ e sai Na+), formando a curva de potencial de ação da célula miocárdica. Na repolarização, um estímulo elétrico é incapaz de despolarizar a célula → é necessário que a célula volte ao repouso para ser despolarizada novamente
Sistema de condução ordem
Nó sinusal → feixes internodais (fios elétricos espalhados pela parede dos átrios) → nó atrioventricular → feixe de Hiss → ramos direito e esquerdo → fibras de Purkinje
Vetor de despolarização atrial
+60º (vetor resultante átrios)
Considerado normal entre 0º e +90º
Vetores de despolarização ventricular:
1º septo interventricular, 2º ventrículos (predomina o esquerdo), 3º base do coração.
A força dos 3 ventrículos juntos é considerada normal quando fica entre +110º e -30º
DI
eletrodo positivo no braço esquerdo e negativo no direito. A corrente com direção horizontal que une 0º com ± 180º (eixo x)
DII
eletrodo positivo na perna esquerda e negativo no braço direito. A corrente do centro do círculo até +60º e na direção oposta até os -120º
DIII
eletrodo positivo na perna esquerda e negativo no braço esquerdo. O eixo segue do +120º até -60º
Posicionamento dos eletrodos - como é obtido o registro do ECG
Punho D (aVR): vermelho
Punho E (aVL): amarelo
Tornozelo E (aVF): verde
Tornozelo D: preto
V1: 4º EIC na linha paraesternal D
V2: 4º EIC na linha paraesternal E
V3: linha de intersecção entre o V2 e o V4
V4: 5º EIC na linha hemiclavicular E
V5: 5º EIC na linha axilar anterior E
V6: 5º EIC na linha axilar média E
Onda P
despolarização atrial (1ª parte = lado direito / 2ª parte = lado esquerdo)
A repolarização dos átrios coincide sempre com a despolarização do ventrículo, sendo “escondida” por tamanha descarga elétrica dos ventrículos - por isso, nunca vemos a onda de repolarização do átrio (se fosse vista, significa que o ventrículo não contraiu, portanto morte).
Complexo QRS
despolarização dos ventrículos
Q: ativação septal
R: ativação das paredes livres (duas metades - ramos direito e esquerdo)
S: ativação das porções basais
Onda T
repolarização ventricular. Geralmente ⅓ do tamanho do QRS
Segmento ST
importância grande, analisamos nos infartos - tempo que o ventrículo leva para contrair
Intervalo PR
mais fiel do que o segmento PR (onda P pode mudar de forma, aumentando ou diminuindo segmento PR). Importante para analisar tempo de condução do nó sinusal até os ventrículos, diagnosticando bloqueios do nó AV
Intervalo QT
se muito longo, indica repolarização atrasada. Pode causar arritmias graves
12 passos para interpretar um ECG
Passo 1: sexo, idade, peso, altura
Passo 2: verificar calibração do aparelho (voltagem e velocidade) → padrão de 1 mV de altura e velocidade de 25mm/s
Passo 3: frequência cardíaca
Passo 4: ritmo (identificar onda P e eixo)
Passo 5: analisar amplitude, duração e polaridade da onda P
Passo 6: intervalo PR (duração)
Passo 7: eixo do QRS
Passo 8: analisar amplitude e duração do complexo QRS
Passo 9: morfologia do QRS
Passo 10: segmento ST (infra ou supradesnivelamento)
Passo 11: morfologia onda T
Passo 12: intervalo QT
Identificação
Sexo, idade, peso, altura
Crianças: eixo para direita e FC alta
Gestante ou obeso: coração sobe e desvia o eixo para a esquerda
Pessoa muito magra: a captação da energia é exacerbada porque o eletrodo está muito próximo (poderia falsear uma sobrecarga do VE com QRS muito elevado, por exemplo). De forma oposta, pessoa muito obesa vai ter registro menor → precisa calibrar eletro para padrão 2n (captação melhor). Existe padrão 2n e n/2.
Verificar calibração
Desenho no início do traçado do ECG: “1mV 25mm/s” ou “calibrado em padrão n”
Padrão n: 10 quadradinhos (2 quadradões) de altura X 5 quadradinhos (1 quadradão) de largura
Identificar ritmo
Calcular em DII longo
FC = 1500 / nº de quadradinhos entre duas ondas R
FC < 50 bpm: bradicardia
FC > 110 bpm: taquicardia
Bloqueio atrioventricular 1º grau
mais inofensivo; pode ocorrer na juventude / adolescência e depois vir a desaparecer. Há um prolongamento do intervalo PR, mas esse espaçamento é constante (largura mais larga e constante)
Bloqueio atrioventricular do 2º grau Mobitz I ou Wenckebach:
intervalo PR começa normal, vai alargando a cada batimento, bloqueia (onda P some), volta ao normal. Visto em DII longo → provável doença do nó AV
Bloqueio atrioventricular do 2º grau Mobitz II ou tipo Mobitz (bloqueio 2 para 1)
frequência atrial boa, mas resposta ventricular baixa (um passa e outro não) = 2 ondas P para 1 QRS → tratamento com marcapasso
A cada 2 batimentos atriais, só conduz 1 ventricular
No exemplo abaixo: 80 bpm no átrio; 40 bpm no ventrículo
Bloqueio atrioventricular do 3º grau ou total (BAVT):
onda P e complexo QRS batem sem correlação. Não segue padrão de 2 ondas P seguida por 1 QRS. O intervalo PR não é constante