Streptococcus Flashcards
Como se caracteriza o género Streptococcus
Constituído por uma grande diversidade de cocos gram-positivos em pares ou cadeias. A maioria das espécies são anaeróbios facultativos e muitos possuem crescimento capnofílico (em meios ricos em CO2). Elevadas exigências nutricionais e meios enriquecidos com sangue ou soro para o seu isolamento. Catalase-negativos.
Que critérios se podem usar para classificar as diferentes espécies de Streptococcus?
Propriedades Serológicas (Grupos de Lancefield)
Padrões Hemolíticos (hemólise completa - beta; hemólise incompleta - alfa; ausência de hemólise - gama)
Propriedades Bioquímicas
Qual a espécie patogénica de Streptococcus mais comum?
Streptococcus pyogenes - pertencem ao grupo A de Lancefield e são por excelência o causador de amigdalite, ainda que também seja conhecido por infeções necrosantes bastante graves.
Qual a forma dos Streptococcus Pyogenes e qual o meio de crescimento ótimo?
São cocos esféricos cujo meio de crescimento ótimo é gelose de sangue enriquecida, no entanto é inibido por elevadas concentrações de glicose.
Quais os componentes estruturais relevantes para a virulência e capacidade de infeção do Streptococcus pyrogenes?
Carbohidratos de grupo específico (dímero de N-acetilglicosamina e ramnose, permitindo distinguir o grupo A dos restantes);
Proteínas Tipo Específicas (das quais a principal é a Proteína M, associada a streptococcus virulentos e a secundária é a T que, embora menos virulenta, é um marcador importante para as que não expressam M);
Componentes da Superfície Celular como proteínas idênticas às do tipo M, ácido lipoteicóico e Proteína F;
Cápsula (camada mais externa composta por ácido hialurónico, impedindo a fagocitose da bactéria, funcionando assim como uma barreira física entre as proteínas opsonizantes ligadas à superfície celular e células fagocíticas)
Como é conseguida a virulência do grupo A?
Pela capacidade destas bactérias de aderir à superfície das células do hospedeiro, invadir as células epiteliais, impedir a opsonização e a fagocitose e produzir uma grande variedade de toxinas e enzimas.
Como conseguem os Streptococcus pyogenes a sua característica aderência?
Pela interação entre o ácido lipoteicóico e os sítios de ligação dos ácidos gordos na fibronectina e células epiteliais (mediada pelas proteínas M e F, entre outras adesinas, o que permite a manutenção da infeção por longos períodos e a colonização de locais mais profundos).
Como conseguem os Streptococcus evitar a opsonização e fagocitose?
Pela ligação da região conservada da proteína M à beta-microglobulina sérica (fator H), que desregula a ativação do sistema de complemento. Quando o fragmento C3b se liga à proteína M este é degradado pelo fator H e isto impede a fagocitose. Esta bactéria pode ainda bloquear a quimiotaxia dos neutrófilos e fagócitos mononucleares ao produzir a C5a peptidase que degrada a C5a.
Para além da Proteína M tão característica pela virulência dos Streptococcus pyogenes, que outras toxinas e enzimas aumentam esta virulência?
Exotoxinas Pirogénicas (Spe que atuam como superantigénios, interagindo com macrófagos e células T auxiliares com a libertação de IL-1, IL-2, IL-6, TNF-alfa e TNF-beta e interferão gama); Estreptolisina S e O (a S é uma hemolisinaoxigénio-estável, não imunogénica e ligada à célula que pode lisar eritrócitos, leucócitos e plaquetas; a O é uma hemolisina oxigénio-lábil capaz de lisar eritrócitos, leucócitos e plaquetas, sendo que para esta última se formam anticorpos rapidamente, o que é útil para detetar streptococcus do grupo a - Testo ASO); Estreptocinases (podem ser A e B, capazes de lisar coágulos sanguíneos, podendo ser responsáveis pela rápida disseminação da bactéria); Desoxirribonucleases (DNAses do tipo A ou B, não são citolíticas, mas podem degradar o DNA livre no pus - reduz viscosidade e permite maior disseminação do microrganismo, sendo os marcadores contra esta enzima importantes para diagnóstico de infeções cutâneas por S. pyogenes); C5a Peptidase (degrada C5a, componente do complemento que medeia a inflamação ativando e recrutando células fagocíticas; Outras enzimas como a hialuronidase e difosfopiridina nucelotidase (DPNase) nos S. pyogenes.
Descreva a Epidemiologia dos Streptococcus pyogenes
Colonizam, tanto no adulto como na criança a orofaringe de indivíduos saudáveis (15-20%). Colonização geralmente transitória e regulado pela capacidade do indivíduo de desenvolver imunidade específica contra a proteína M. Os Streptococcus alfa-hemolíticos e não hemolíticos podem produzir substâncias semelhantes a antibióticos (bacteriocinas) que inibem o crescimento dos S. pyogenes.
Podem ainda colonizar transitoriamente a pele e sobreviver durante longos períodos de tempo em superfícies secas, sendo a transmissão feita (geralmente) por via respiratória (mais provável durante o inverno e em locais com multidões). As infeções nos tecidos mais profundos inicia-se geralmente por uma infeção cutânea que, após invasão pelo microrganismo evolui para uma mais profunda.
Que Síndromes Clínicas podem resultar da Infeção por Streptococcus Pyogenes?
Estas síndromes podem ser causadas diretamente pelo microrganismo, pelas suas toxinas/enzimas ou como consequência da infeção:
Amigdalite;
Piodermite/ Impétigo;
Erisipela;
Celulite;
Fasciite Necronizante;
Síndrome do Choque Tóxico por Estreptococcus
Existem ainda patologias que, embora associadas a este género, são complicações de uma infeção crónica ou prolongada:
Febre Reumática;
Glomerulonefrite Aguda
Descreva a seguinte Patologia: Amigdalite Estreptocócica (e uma complicação da mesma)
Desenvolve-se 2-4 dias após a exposição ao patogeneo, marcada por um início abrupto de dor de garganta, febre, mal-estar e cefaleias. Orofaringe possivelmente eritematosa com exsudado e linfoadenopatia cervical proeminente. Díficil distinguir uma amigdalite viral da estreptocócica, mas sabe-se que a presença de exsudado é mais característica nas virais (ainda que frequentemente se encontre nas estreptocócicas).
Uma complicação da amigdalite estreptocócica é a escarlatina que ocorre quando a estirpe é lisogenizada por um bacteriófago que estimula a produção de exotoxina pirogénica. Após 1-2 dias do aparecimento dos sintomas iniciais desenvove-se uma erupção eritematosa difusa que contrasta com a palidez circum-oral, da palma das mão e das plantas dos pés.
Descreva a seguinte Patologia: Piodermite (Impétigo)
Infeção purulenta, limitada à derme que afeta principalmente as zonas expostas. O microrganismo é introduzido por uma solução de continuidade (arranhão ou corte) sendo que inicialmetne se observa o desenvolvimento de vesículas que se transformam em pústulas e sofrem rutura e originam crostas. Característica em crianças com higiene precária sendo que na zona de infeção podem ser encontrados Staphylococcus aureus.
Descreva a seguinte Patologia: Erisipela
Infeção aguda da pele, mais comum em crianças de pouca idade e adultos de idade avançada. Geralmente precedida por infeções das vias aéreas ou da pele por S. pyogenes.
Descreva a seguinte Patologia: Celulite
Envolve a pele e tecidos subcutâneos mais profundos, mas devido ao grande número de microrganismos que a pode provocar é necessário o isolamento e identificação do microrganismo em questão
Descreva a seguinte Patologia: Fasciite Necrosante
Infeção que ocorre profundamente no tecido subcutâneo e que se dissemina pelos planos fasciais, caracterizando-se pela destruição do músculo e gordura. Começa por haver apenas celulite e avança para a formação de bolhas e finalmente gangrena e sintomas sistémicos. Deve ser tratada ativamente com antimicrobianos e remoção do tecido não viável.
Descreva a seguinte Patologia: Síndrome do Choque Tóxico por Estreptococos
Pacientes mais suscetíveis são os que estão infetados com HIV, cancro, diabetes mellitus, doenças cardíacas e pulmonares, infeção pelo vírus varicela-zoster e uso de drogas intravenosas e consumo excessivo de álcool.
Descreva a seguinte Patologia: Febre Reumática
Complicação causada por S. pyogenes e caracterizada por alterações inflamatórias envolvendo o coração, articulações, vasos sanguíneos e os tecidos subcutâneos. A nível cardíaco desenvolve-se uma pancardite (inflamação de todas as camadas do coração levando a lesões progressivas das válvulas cardíacas)
Descreva a seguinte Patologia: Glomerulonefrite Aguda
inflamação aguda dos glomérulos renais com edema, hipertensão, hematúria e proteinúria
Como se faz o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus Pyogenes?
Por Microscopia, Deteção Antigénica, Cultura, Identificação (sensibilidade bacitracina) e Deteção de Anticorpos
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus Pyogenes por Microscopia?
A coloração pelo método de Gram é rápida para diagnóstico preliminar nos tecidos moles ou piodermite.
Cocos Gram-Positivos aos pares ou em cadeia em asociação com leucócitos. Um a vez que fazem parte da flora normal da orofaringe e assim uma amostra respiratória de um paciente com amigdalite apresenta um baixo valor prognóstico
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus Pyogenes por Deteção Antigénica?
Podem-se realizar testes utilizando anticorpos contra o carbohidrato específico da parede celular do Streptococcus pyogenes mas, ainda que muito específicos, são testes com pouca sensibilidade (negativos devem ser confirmados com a cultura)
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus Pyogenes por Cultura?
Amostras obtidas da orofaringe posterior (pois a anterior tem um baixo número de bactérias e a cavidade bucal é colonizada por outras bactérias que inibem o crescimento de S. pyogenes). Não devem ser recolhidas amostras de pústulas cutâneas rompidas uma vez que se encontram contaminadas com estafilococos. Uma vez que possuem grandes necessidades nutricionais o seu período de incubação deve ser prolongado.
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus Pyogenes por Identificação?
O S. pyogenes foi identificado devido à sua sensibilidade bacitracina o que indica que pertence ao grupo A. A diferença entre S. pyogenes e S. anginosus e de outros S. beta-hemolíticos pode ser rapidamente realizada pela demonstração da enzima L-pirrolidonil-arilamidase (PYR)
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus Pyogenes por Deteção de Anticorpos?
O Teste ASO trata-se da quantificação dos anticorpos contra a estreptolisina O que permite quantificar a presença de febre reumática ou glomerulonefrite aguda que tenha derivado de uma infeção faríngea por Streptococcus recente. O Teste Anti-DNAse B deve ser realizado se se suspeitar de glomerulonefrite estreptocócica.
Qual a terapêutica ideal para o Streptococcus pyogenes e qual a opção secundária (em que casos se deve utilizar)?
Muito sensível à Penicilina mas em caso de alergia deve ser utilizada a Eritromicina ou Cefalosporina oral (como em Portugal não há Penicilina oral muitas vezes é utilizada a opção de tratamento como se fosse um paciente alérgico).
Qual a terapêutica que deve ser aplicada se, para além de Streptococcus pyogenes, nos encontrarmos na presença de Staphylococcus aureus?
A penicilina não é eficaz e deve ser utilizada Oxacilina ou Vancomicina
A que se deve a resistência a Macrólidos?
A uma bomba de efluxo, característica do fenótipo M (gene mef), ou de uma metilação ribossómica resultando no fenótipo MLSb (gene erm). Assim distinguem-se 3 fenótipos:
- Fenótipo MLSb Indutível – resistente à Eritromicina e sensível à Clindamicina, mas quando existe elevada concentração de antibiótico torna-se resistente a ambos;
- Fenótipo MLSb Constitutivo – resistente à Eritromicina e à Clindamicina;
- Fenótipo M – resistente à Eritromicina e susceptível à Clindamicina;
No caso do MLSB Indutível a resistência apenas se manifestar quando na presença de elevadas concentrações de Macrólidos.
Qual a ordem preferencial das Terapêuticas a Aplicar?
Penicilina, se esta não se encontrar disponível Macrólidos (quer no caso de necessidade de toma oral ou de alergia à penicilina). Nas infeções graves deve-se associar a Penicilina a Clindamicina, Dicloxacilina ou Vancomicina.
Que tipo de Terapêutica se deve realizar em doentes com historial de Febre Reumática?
Profilaxia Antibiótica prolongada para evitar a recorrência da doença (toma de uma injeção de Penicilina de Difusão Lenta um vez por mês durante pelo menos 5 anos e caso o doente seja submetido a intervenções cirúrgicas ou qualquer procedimento evasivo (devido à possibilidade de endocardite). A profilaxia da Endocardite deve ser feita com Amoxicilina, em associação, ou não com um aminoglicosídeo.
Qual a única espécie de Streptococcus que apresenta o antígeno do grupo B?
Streptococcus agalactiae
Descreva a Fisiologia e Estrutura do Streptococcus agalactiae
Cocos gram-positivos (díficil distinguir dos S. pyogenes pelo método Gram, sendo a maior diferença o aspeto cremoso destas colónias e uma zona estreita de beta-hemólise. Estas estirpes apresentam:
Antígeno B/ antígeno polissacárido grupo-específico da parede celular;
Polissacáridos Capsulares Tipo-Específicos;
Proteínas de Superfície, Proteína C
Como se pode explicar a maior incidência de infeção desta bactéria nos recém-nascidos?
Os anticorpos desenvolvidos contra os antígenos capsulares dos Streptococcus do grupo B são protetores e os recém-nascidos apresentam baixos níveis dos mesmos. Do mesmo modo a colonização genital com streptococcus está associada a um risco aumentado de partos prematuros e para combater este microrganismo é fundamental o papel do sistema de complemento, assim existe uma maior probabilidade de colonização em prematuros com baixos níveis de complemento.
Como pode ser manipulada a fagocitose dos Streptococcus do grupo B?
O ácido siálico da região terminal de alguns polissacáridos capsulares pode inibir a ativação do sistema de complemento pela via alternativa e assim interferir com a fagocitose deste Streptococcus.
Quais as enzimas que os Streptococcus do grupo B produzem?
DNAses Hialuronidase Neuraminidase Proteases Hipurase Hemolisinas
Quais as características epidemiológicas do Streptococcus agalactiae?
Colonizam a orofaringe, trato GI inferior e o trato genito-urinário - cerca de 60% dos recém-nascidos provenientes de mães colonizadas tornam-se colonizados à nascença e este risco aumenta caso a mãe esteja intensamente colonizada aquando do nascimento, no parto prematuro, na rutura prolongada das membranas e febre intra-parto. A colonização e o desenvolvimento de doença neo-natal pode ocorrer no útero, por ocasião do nascimento ou nos primeiros meses de vida:
Início Precoce (<7dias)
Início Tardio (>1semana e <3meses)
Em que casos há maior probabilidade de transmissão para o recém nascido de Streptococcus agalactiae?
Quando ocorre a rutura prematura das membranas, um parto prolongado, prematuridade ou há uma mãe infetada.
Quando se fala de Streptococcus agalactiae, que o tipo de patologia mais frequente em grupos de mulheres grávidas vs mulheres não grávidas e homens?
Enquanto que nas grávidas é mais frequente encontrar infeções urinárias, amnionite, endometrite e infeções de ferimentos, nos homens e mulheres não-grávidas é mais frequente encontrar infeções da pele e dos tecidos moles, possível bacterémia, urossepsia e pneumonia.
Que doentes apresentam maior risco de contrais infeções por Streptococcus do grupo B na idade adulta?
Diabetes mellitus, cancro ou alcoólicos.
Que Síndromes Clínicas podemos esperar decorrentes da infeção por Streptococcus agalactiae
Doenças Neo-Natal de Início Precoce
Doenças Neo-Natal de Início Tardio
Infeções em Mulheres Grávidas
Infeções em Homens e Mulheres Não-Grávidas
Descreva as Doenças Neo-Natal de Início Precoce associadas a Streptococcus agaçactiae
Sintomas na 1º semana de vida e caracterizados por uma bacterémia, pneumonia ou meningite (sendo pneumonia a mais frequente)
Descreva as Doenças Neo-Natal de Início Tardio associadas a Streptococcus agaçactiae
Doença adquirida através de uma fonte exógena cujas manifestações predominantes são a bacterémia com meningite
Descreva as Infeções em Mulheres Grávidas associadas a Streptococcus agalactiae
Ao nível do trato urinário ou aparelho genital, frequentes durante e após a gravidez como e endometrite, raramente apresentando complicações como a bacterémia, endocardite, meningite ou osteomielite.
Descreva as Infeções em Homens e Mulheres Não Grávidas associadas a Streptococcus agalactiae
As manifestações mais comuns são bacteriémia, pneumonia, infecções dos ossos e das articulações, da pele e dos tecidos moles.
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus agalactiae?
Pela Deteção de Antígeno, Cultura e Identificação
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus agalactiae através da Deteção de Antígeno?
Para detetar rapidamente a doença causada pelo Streptococcus do grupo B em neo-natais pode-se detetar diretamente antígenos com anticorpos preparados contra o polissacárido grupo-específico. Ainda assim é importante referir que atualmente o único método confiável para detetar se uma mulher grávida está colonizada ou não é a cultura.
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus agalactiae através da Cultura?
Estes crescem rapidamente em meio nutricionalmente enriquecido e produzem grandes colónias após 24 horas de incubação. A beta-hemólise pode estar ausente ou ser difícil de identificar. Deve ainda ser utilizado um meio seletivo com adição de antibióticos para permitir um diagnóstico de streptococcus do gurpo B.
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus agalactiae através da Identificação?
A Identificação Preliminar pode ser feita pelo teste de CAMP positivo pela hidrólise do hipurato, sendo a identificação definitiva conseguida pela demonstração do polissacárido grupo-específico ou por sondas moleculares.
A que antibiótico é o Streptococcus do grupo B suscetível e como é que este é utilizado?
Geralmente suscetíveis à Penicilina G e, sendo que a concentração mínima inibitória é relativamente elevada, é frequentemente utilizada a associação da penicilina com um aminoglicosídeo.
No caso de Pacientes alérgicos à Terapêutica preferencial para os Streptococcus agalactiae, qual a opção a utilizar?
No caso de pacientes alérgicos à penicilina é utilizado a Gentamicina, tendo sido já descrita a resistência à eritromicina e à tetraciclina.
Como é feita a prevenção da doença neo-natal causada por Streptococcus agalactiae?
Recomenda-se às mulheres grávidas que sejam examinadas para deteção quanto à possível colonização por Streptococcus do Grupo B entre a 35ª e 37ª semana. Deve-se ainda conhecer os fatores de risco:
Temperatura Intra-Parto de pelo menos 38º;
Rutura prematura das membranas (pelo menos 18 horas pré-parto);
Cultura Vaginal ou Retal positiva para o microrganismo entre a 35ª e 37ª semana
Quando se verificam fatores de Risco deve ser administrada Penicilina G pelo menos 4 horas antes do parto.
Quanto às infeções urinárias, frequentemente causadas por S. agalactiae, qual a terapêutica a seguiur?
Ampicilina ou Nitrofurantoína
Qual o único Streptococcus suscetível a Optoquina?
Streptococcus pneumoniae que provoca doenças que representam uma das maiores causas de morbilidade e mortalidade
Descreva a Estrutura dos Streptococcus pneumoniae (penumococos)
Gram-positivo encapsulado, podendo apresentar uma forma oval ou de lança e estão geralmente aos pares ou em cadeias curtas. As células mais velhas descoram rapidamente o que faz com que pareçam Gram-Negativas.
O que acontece às colónias de S. pneumoniae com o envelhecimento?
Sofrem autólise com o envelhecimento, levando à destruição da parte central da colónia, razão pela qual acabam por ter um aspeto em covinha.
Descreva a capacidade de Hemólise dos Streptococcus pneumoniae
Quando cultivados em gelose de sangue são alfa-hemolíticas, no entanto, quando cultivadas anaerobiamente são beta-hemolíticas. A aparência alfa-hemolítica resulta da produção de pneumolisina (degrada a hemoglobina resultando num produto verde, conferindo a coloração típoca das colónias de S. pneumoniae em gelose de sangue).
Descreva as necessidades nutricionais do Streptococcus pneumoniae
Tem necessidades nutricionais fastidiosas e apenas cresce em meios suplementados com produtos sanguíneos e, tal como os restantes Streptococcus carecem de catalase.
Indique quais as proteínas que se encontram nos Streptococcus pneumoniae e qual a sua importância
Ácido Teicóico na parede celular, bem como a Colina, que é exclusa do S. pneumoniae e desempenha um papel regulador na hidrólise desse invólucro, sendo necessária para a atividade da autolisina pneumocócica durante a divisão celular - amidase.
Descreva os Ácidos Teicóicos dos pneumococos
Existem duas formas na sua parede celular - uma está exposta sobre a superfície e outra, semelhante, ligada covalentemente aos lípidos da membrana.
O Ácido Teicóico exposto está ligado à camada de peptidoglicano e estende-se através da cápsula formando o Polissacárido C que precipita uma fração de globulina sérica (Proteína C Reativa) na presença de cálcio. A CRP encontra-se em baixas concentrações em pacientes saudáveis e em altas concentraçãos em infeções agudas.
O Ácido Teicóico da membrana é denominado Antígeno F, uma vez que pode reagir de maneira cruzada com os antígenos superficiais Forssman nas células dos mamíferos.
A que se devem as manifestações da doença causada por Streptococcus pneumoniae?
Principalmente pela resposta do organismo hospedeiro à infeção e não tanto pela produção de fatores tóxicos específicos do microrganismo - quando este migra para tecidos normalmente estéreis vai estimular uma resposta inflamatória localizada e escapa da destruição pelas células fagocíticas. Assim, a sua capacidade de Colonização e Migração, Destruição Tecidual e Sobrevivência à Fagocitose permite que este microrganismo tenha uma forte virulência.
Descreva a Colonização e Migração pelo Streptococcus pneumoniae
Coloniza a orofaringe e, em situações específicas é capaz de se disseminar para os pulmões, seios peri-nasais e ouvido médio e pode ainda ser transportado pela corrente sanguínea até ao cérebro.
Consegue ainda fixar-se às células epiteliais graças a proteínas adesivas da superfície, tendo ainda uma protease para a IgA secretora e a pneumolisina.
Descreva a Destruição Tecidual pelo Streptococcus pneumoniae
O Ácido Teicóico e os Fragmentos de Peptidoglicano ativam a via alternativa do complemento - há produção de Ca5 levando ao processo inflamatório. Tal atividade é aumentada pela amidase bacteriana (libertação de componentes celulares) e a via clássica do complemento é ativada pela pneumolisina, havendo produção de C3a e C5a. As proteínas do complemento levam à produção de citocinas, resultando numa migração de células inflamatórias para o local. A ação do S. pneumoniae leva à produção de peróxido de hidrogénio, o que acaba por lesar os tecidos graças ao oxigénio reativo.
A fosforiscolina da parede celular pode ligar-se a recetores do fator de ativação plaquetária e assim penetrar nas células, onde ficam protegidas da opsonização e fagocitose.
Descreva a Sobrevivência à Fagocitose pelo Streptococcus pneumoniae
A sua cápsula confere uma proteção antifagocitária e, devido à inibição da capacidade oxidativa da célula, mediada pela pneumolisina, necessária para a destruição intracelular. Apenas as estirpes com cápsula são capazes de induzir infeção nos seres humanos, as não-capsuladas são avirulentas.
Descreva a epidemiologia dos Streptococcus pneumoniae
Colonização mais frequente em crianças do que em adultos, sendo facilmente transmitidas de crianças infetadas para adultos em contacto com as mesmas. A infeção surge quando os pneumococos se disseminam para outros locais (que não a orofaringe e nasofaringe) como os pulmões, seios perinasais, ouvidos e meninges. Em todas as referidas pode surgir bacterémia.
É causa comum de pneumonia bacteriana, meningite, otite média, sinusite e bacterémia, sendo a maioria das infeções endógenas (cujo risco aumenta no caso de infeção vírica respiratória prévia).
Os idosos e as crianças apresentam risco acrescido de desenvolver meningite que, no caso de doenças hematológicas se manifesta num aumento de risco de sépsis.
Quais as principais Síndromes Clínicas causadas por Streptococcus pneumoniae?
Pneumonia, Sinusite e Otite Média, Meningite e Bacterémia
Descreva a Pneumonia pneumococica
Caracterizada pelo desenvolver das bactérias nos espaços alveolares. Os eritrócitos atravessam os capilares congestionados e acumulam-se nos alvéolos e depois ocorre o mesmo com neutrófilos e macrófagos alveolares. Ocorre um início abrupto de febre constante entre os 39-41ºC e calafrios com tremores. Resulta frequentemente da inspiração de aerossóis contaminados, desenvolvendo-se geralmente nos lobos inferiores - pneumonia lobar.
Descreva a Sinusite e Otite Média pneumococica
Infeções agudas nos seios peri-nasais e ouvido, geralmente precedidas por infeções virais das vias aéreas superiores - obstrução dos seios peri-nasais e ouvido médio. A Otite Média é frequentemente observada em crianças de pouca idade, no entanto a sinusite abrange pacientes de todos os grupos etários
Descreva a Meningite pneumococica
Resulta da disseminação do organismo para o SNC após bacterémia, tendo como ponto de partida infeções no ouvido médio ou nos seios peri-nasais, que após traumatismo podem originar uma comunicação entre a naso-faringe e o espaço subaracnoide.
Descreva a Bacterémia pneumococica
25-30% dos pacientes com pneumonia pneumocócica e em mais de 80% dos pacientes com meningite. Pode ocorrer endocardite nos pacientes com válculas lesadas, mas também nos que estejam saudáveis.
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus pneumoniae?
Por Microscopia, Cultura e Identificação
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus pneumoniae por Microscopia?
A coloração de Gram dá um rápido diagnóstico de doença pneumocócica. Diplococos gram-positivos em forma de lanceta, revestidos por cápsula não corada. Mas se forem colónias envelhecidas podem não aparecer coradas, evidenciando um aspeto gram-negativo.
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus pneumoniae por Cultura?
Amostras de Expectoração que devem ser incubadas em meio nutritivo enriquecido e suplementado com sangue. Utiliza-se um meio seletivo com 5microg/ml de Gentamicina, mas é muito difícil diferenciar pneumococos de outros estreptococs alfa-hemolíticos na amostra. Para identificar o microrganismo responsável pela sinusite ou otite média deve ser realizado um aspirado do local infetado.
Como pode ser feito o Diagnóstico Laboratorial de Streptococcus pneumoniae por Identificação?
Teste de solubilidade à bílis: este é rapidamente lisado quando as autolisinas são ativadas pela presença de bílis e dos Streptococcus alfa-hemolíticos, os pneumococos são os que solubilizam mais rápido, podendo ainda ser identificado pela sua suscetibilidade à Optoquina.
Qual era a Terapêutica contra os Streptococcus pneumoniae antes dos Antibióticos?
Infusões Passivas de Anticorpos Anti-Capsulares já que estes levavam a uma opsonização das bactérias e a uma fagocitose facilitada pelos leucócitos
Qual a Terapêutica de eleição para os Streptococcus pneumoniae e qual a segunda opção?
Penicilina, no caso de pacientes alérgicos pode ser substituída por Cefalosporinas, Eritromicina ou Cloranfenicol, sendo que este último está recomendado para casos de Meningite.
Quando se fala de Meningite pneumococica, o que é importante ter em conta?
No caso da Meningite é preciso ter em conta que os macrolídos não atravessam a Barreira Hemato-Encefálica, e por isso são inúteis nessa situação clínica.
Que evolução se tem observado quanto às Resistências a Antibióticos por parte dos Streptococcus pneumoniae?
Há uma elevada resistência às Tetraciclinas e um aumento das resistências às Penicilinas, que se deve a uma diminuição da afinidade às PBP. O aumento de resistência às Penicilinas é um caso único, uma vez que se trata duma evolução progressiva, caracterizada por uma aquisição gradual de sequências de DNA estranho, tal como estretococcus da cavidade oral, que conduziram a genes em mosaico que codificam esta resistência e esta resulta de uma mutação nas PBPs - mudança no alco.
A resistência às Quinolonas resulta de uma mutação independente, não existindo neste caso resistências cruzadas às Quinolonas e Penicilinas.
Existe algum Método de Prevenção contra o Streptococcus pneumoniae?
Sim, existe uma vacina anti-capsular (23 polissacáridos diferentes), mas este não é eficaz em indivíduos que possuam elevado risco de contrair a doença. Existe também uma Vacina Conjugada 7 Valente, em que os polissacáridos estão conjugados a uma proteína, normalmente o roxóide da difteria ou do tétano, que aumenta em muito a eficácia da vacina.
Quais os indivíduos que apresentam maior risco de contrair uma infeção por pneumococs?
Pacientes com Asplenia, Anemia falciforme, Neoplasia e HIV-Positivos
Pacientes Submetidos a Transplante Renal
Crianças de Pouca Idade
Indivíduos Idosos.