Fracturas Flashcards
Fratura por avulsão?
resulta de uma contração muscular contra resistência, que vai arrancar um fragmento ósseo a nível da sua inserção.
Fratura em ramo verde?
típica da criança pq tem periósteo mais desenvolvido e muito flexível (dobrável). Só há rotura na zona de pressão, o resto do osso dobra
Sinais clínicos de fratura?
➔ De probabilidade
➔ De certeza
De probabilidade:
Deformidade visível ou palpável
Ferimento visível (equimose/contusão)
Impotência funcional
Dor local e viva sobre o osso à palpação e tanto maior quanto mais perto da fratura.
De certeza:
Mobilidade anormal
Crepitações, quando se move a parte lesada
8 tipos de Traços de fratura?
Oblíqua
Transversal
Por Avulsão
Em ramo verde
Em espiral
Cominutiva→ trauma direto, + do que 2 fragmentos.
Segmentária
Coaptada → trauma indireto. A zona distal penetra na diáfise e encrava.
Fraturas de stress ou de fadiga?
Causa: traumatismos/utilização repetidos; ocorre muito no desporto ex: basquetebolistas, marcha. Melhor ECD: cintigrafia
Pois Rx não é o melhor exame - por vezes o calo ósseo de reparação é a 1ª pista de fratura (a linha de fratura é muito subtil).
Trat: cura espontaneamente, passa pela proteção contra o uso excessivo.
Fractura exposta é mais associada a que situação?
Acidentes de viação ou trabalho
Qual é a classificação para as fracturas?
Classificação de Gustillo e Anderson (I - IIIC)
Tipo I: lesão cutânea até 1 cm, limpa. Não há exteriorização do osso. Mais freq de dentro para fora. Contusão muscular mínima. Fraturas transversais ou obliquas.
Tipo II: lesão cutânea > 1 cm. Com lesão extensa dos tecidos moles, retalhos ou avulsões. Esmagamento mínimo ou moderado. Fraturas transversais ou oblíquas com cominuição mínima.
Tipo III: lesões extensas nos tecidos moles. Lesão de alta energia com esmagamento significativo.
Tipo III A: cobertura óssea adequada. Fraturas segmentares e provocadas por tiros. É possível fechar e abrir.
Tipo III B: Arrancamento do periósteo e exposição óssea. Contaminação massiva pelo que não é possível cobrir a lesão.
Tipo III C: lesão vascular ou nervosa
Quais são as condições necessárias ver cumpridas para se poder encerrar uma fratura exposta?
Só as fraturas do tipo I ou do tipo II, podem ser encerradas no hospital periférico/cuidados primários. Temos de verificar os seguintes parâmetros:
→ a ferida tem de estar razoavelmente limpa e não pode ter ocorrido num ambiente contaminado.
→ tecido necrótico e material estranho desbridados
→ circulação do membro normal e suprimento do membro intacto
→ estado geral do doente satisfatório, s/ lesões multissistémicas que permita uma avaliação pós-operatória
→ a ferida pode ser encerrada sem tensão e o encerramento não cria um espaço morto.
Os cuidados primários podem fazer alguma coisa numa fractura de tipo III ?
Se for uma fratura do tipo III, não pode ser encerrada nos cuidados primários, tem de ir para um hospital central.
Então perante uma fractura exposta, o que se pode fazer nos cuidados primários, para depois ser atendido no hospital central?
Abordagem ABCDE
Sinais vitais: TA, FR e FC pelo risco de choque hipovolémico
Lavar a ferida com soro fisiológico ou se não água corrente e sabão azul (base) numa compressa (não devemos usar soluções alcoólicas como a iodopovidona=betadine pq vão irritar o local)
Acesso venoso para dar analgésico, AB de largo espectro e soro
Remover corpos estranhos, detritos e excisão de tecidos mortos, colocar penso esterilizado
Fazer imobilização provisória
Fazer imunização antitetânica (imunoglobulina)
Numa fractura exposta, o que faz no hospital central?
Dar soro expansor de volume (pelo risco de hipovolémia)
Fazer análises
Lavar de novo
Desbridamento cirúrgico em bloco sob anestesia (entre as 48-72h) e estabilização provisória (osteotaxia) com recurso a fixadores externos.
A cobertura final da ferida deve ser realizada ideal/ entre o 3º e 5º dias.
Quais são os maiores riscos depois da cobertura de uma fractura exposta?
Infeção
choque
necrose dos tecidos
Conceito de fractura emergente
Têm de ser vistas em 3h
Lesão nervosa, vascular com hemorragia significativa, ferida contaminada (com terra, estrume, óleo)→risco de vida para o doente, para o membro.
Fraturas urgentes: timing?
têm de ser abordadas em 24h
Qual a importância das condições anestésicas numa cirurgia de fractura exposta?
A anestesia logo após as refeições pode levar a aspiração de vómito, com pneumonia química e potencial MORTE. A mortalidade é de 64%.
Quais sao as condições anestésicas a tomar atenção?
→ fraturas urgentes e tiver tomado chá, café, torradas ou bolo →janela anestésica de 6h
→ refeição diferente dessas→8 horas
→ se refeição abundante, álcool, consumo de drogas ou opioides→ 10h
Contudo, se apresentar RISCO DE VIDA OU PARA O MEMBRO - EMERGÊNCIA: bloco operatório de imediato
5 Tumores que metastizam para o osso:
tiróide
mama
pulmão
próstata
rim
Tumores que dão acrometastases?
Metastização para as mãos e para os pés (acrometastases) é rara:
carcinoma do pulmão (mãos e pés)
Do útero - só pés
Caso clinico:
Homem 75 anos que cai da cama e fratura o osso, causas de fratura patológica, metástases e tumores primários malignos principais.
Causas de fratura patológica: neoplasias que metastiza para o osso, osteoporose e doenças ósseas metabólicas. Processos que enfraquecem as propriedades do osso.
Tumores primários malignos principais a dar metástases para o osso (big 5): mama, pulmão, rim, tiroide e próstata.
Tipos de lesões ósseas que existem? E podem ser metastases de que tumores
Lesões osteoblásticas: Ca próstata, bexiga, meduloblastoma, carcinoma brônquico.
Lesões osteolíticas: Ca tiroide, pulmão, rim, útero, SR, melanoma, gastrointestinais
Lesões mistas: mama, pulmão, ovário, testículo, linfoma, tumores da região cervical.
ECDs a pedir numa fractura patológica?
HC: História de cancro (pessoal ou familiar) / Perda de peso e apetite / Astenia / Mal estar geral / Hemorragia GI / Hematúria / Dispneia / Dor e sua caracterização
EO: Adenopatias
ESTUDOS LABORATORIAIS Bioquímica completa, Hemograma com leucograma; PSA, CEA (Ag Carcino-Embrionário); AFP ; Ca19.9; Ca125; imunoelectroforese das proteínas séricas SE suspeita de MM
IMAGIOLOGIA Rx dupla incidência
Ecografia mamária; vaginal e transrectal; tiroideia
TAC Toraco Abdomino Pélvico
Cintigrama ósseo
biópsia acaba por confirmar
Numa fractura patológica, quais são as maiores preocupações em ambos os sexos?
A maior preocupação é se dever a uma lesão osteolítica causada por um cancro.
Tratamento de fractura patológica
Tratamento cirúrgico
1. Tratar a dor (RT, analgesia e consulta da dor)
- Fazer avaliação pré-operatória: avaliar risco CV, hipercalcemia maligna→está indicada a administração de bifosfonatos (permitem atrasar tb o aparecimento de novas metástases).
- Embolização tumoral (24-36h antes da cirurgia) p/ diminuir perdas sanguíneas. Indicações: curetagem da lesão na bacia, acetábulo, lesões com massas volumosas de tecidos moles e carcinomas sangrantes: rim, mama, tiróide, pulmão e melanoma.
- cirurgia: nos ossos longos (encavilhamento ou prótese se envolver articulações); na bacia e acetábulo (artroplastia ou cimento); na coluna (estabilização e descompressão)
Linfoma - Clínica, Diagnóstico, Trat
Dor (inclusive dor noturna que não deixa dormir) + sintomas constitucionais (febre, perda de peso) + massa de tecidos moles.
Dx feito por imunohistoquimica/Citometria de fluxo.
Trat: Radioterapia
Pode tb ser associada QT se for um tumor quimio sensível (mas isto é tx do tumor não da fratura).
O que é uma pseudo-artrose?
Complicação intrínseca da fratura que corresponde à não consolidação/não união entre o 6º e o 8º mês (devem estar consolidadas entre o 4º e o 6º mês).
2 tipos de pseudartrose:
→ fibrosa=atrófica
→ cartilagínea
Em quê que consiste a pseudo-artrose tipo fibrosa, ECD e trat?
Chama-se fibrosa ou atrófica devido à ausência de calo externo. O espaço entre os topos de fratura está cheio de tecido fibroso em vez de osso. Surge em fraturas sujeitas a movimentos de distração=mov. entre os topos ósseos.
Rx: quantidade de calo interno e externo é pequena e não há preenchimento do foco de fratura. Cintigrama: não há captação isotópica pq não há osteoide (osso novo)
Tx: encurtamento e osteossíntese; enxerto; osteossíntese e enxerto onlay.
Em quê que consiste a pseudo-artrose tipo cartilagínea, ECD e trat?
O foco de fratura está preenchido por tecido fibrocartilagíneo não unido. Como a fibrocartilagem não tem vasos sanguíneos, a união através do foco não pode ocorrer. O calo externo continua a alargar tentando rodear a pseudoartrose→formação de uma massa grande de osso→pseudoartrose hipertrófica
Rx: típico, em pata de elefante.
Tx: correção das situações de instabilidade do foco.
Quais são as causas de pseudo-artrose?
Mobilidade excessiva dos topos=imobilização inadequada;
ausência de continuidade entre fragmentos;
perda de suprimento sanguíneo;
infeção (osteomielite pode dar pseudartrose séptica).
Fractura Epifisárias: classificação?
Classificação de Salter Harris:
Tipo I: desprendimento total entre a cartilagem de crescimento e a metáfise. Frequente nas crianças de tenra idade mas sem repercussão no crescimento.
Tipo II: desprendimento PARCIAL entre a cartilagem de crescimento e a metáfise. A fratura pode prolongar-se para a metáfise. Cartilagem e irrigação da epífise intactas. Freq. nas crianças c/ 10 anos. Tx: cirurgia para estabilizar e reconstituição anatómica.
Tipo III: lesão na epífise que atinge a cartilagem e PODE levar a alterações no crescimento. O prognóstico depende se há comprometimento ou não da irrigação da cartilagem.
Tipo IV: lesão envolve a epífise, a cartilagem e a metáfise. Como há deslocamento de fragmentos pode haver incongruências articulares.
Tipo V: fenómenos de empactação. Cartilagem entra parcial/ ou total/ em necrose pq há lesão das artérias de nutrição e pode levar a um crescimento assimétrico com deformidade angular.
Consequências das fraturas epifisárias:
atingem a cartilagem de crescimento na criança e, portanto, param (atraso de crescimento) ou estimulam o crescimento.
Definição de artrose
Processo degenerativo das articulações.
Principal causa de fraturas das superfícies articulares. Fraturas diafisárias com consolidação em posição viciosa, com desvios axiais.