Epidemia, endemia e pandemia Flashcards
Conceito de epidemia
Elevação progressivamente crescente, inesperada e descontrolada dos coeficientes de incidência de uma determinada doença, ultrapassando os valores do limiar epidêmico preestabelecido
Com apenas 1 caso notificado é possível considerar epidemia?
SIM, pois epidemia se trata de uma situação INESPERADA. Para doenças novas ou que estavam irradicadas, 1 único caso já é considerado uma epidemia
Definição de surto
Uma ocorrência epidêmica (número de casos acima do limiar epidêmico), os casos estão relacionados entre si, atingindo uma área geográfica delimitada ou uma população restrita
Epidemia explosiva ou epidemia maciça
Rápida progressão até atingir a incidência máxima em curto espaço de tempo
Ex.: pessoas que foram a uma festa e contraíram Shigella de uma mesma maionese
Epidemia progressiva ou propagada
Transmissão de hospedeiro a hospedeiro
Ex.: Covid-19
Feridas de alto risco para tétano (alto risco de contaminação pelo Clostridium tetani)
Lesões profundas ou puntiformes
Lesões contaminadas (terra, graxa)
Presença de corpo estranho ou tecido desvitalizado
Queimaduras
Feridas por arma branca ou de fogo
Mordeduras, politraumas e fraturas expostas
Condutas em ferimento de alto risco para tétano
Vacina se
- Esquema incompleto
- Último reforço há mais de 5 anos
SAT/IGHAT se
- Esquema básico incompleto ou incerto
- Situações especiais: imunodeprimido, desnutrido grave, idoso ou suspeita de que o ferimento não tenha sido bem abordado inicialmente
Profilaxia para raiva: para definir conduta é preciso ter como guia 2 parâmetros. Quais?
Tipo de acidente e classificação do animal envolvido
Profilaxia para raiva: classificação de cães e gatos
Animal passível de observação e sem ter sinais sugestivos de raiva –> C/G sem suspeita. Mas se durante a observação dos 10 dias o cachorro desaparecer, morrer ou ficar raivoso, já passa a ser um caso suspeito
Animal não passível de observação por 10 dias ou com sinais sugestivos de raiva –> C/G com suspeita
Profilaxia para raiva: classificação dos animais
Morcego
Animal silvestre (exceto morcego)
Animal de interesse econômico
Cão e gato com suspeita
Cão e gato sem suspeita
Profilaxia para raiva: o que é considerado acidente grave?
Mordedura ou arranhadura de mucosas OU segmento cefálico OU mãos/pés OU áreas extensas ou múltiplas, profundas (mesmo puntiformes)
Lambedura de lesões profundas e mucosas (mesmo que intactas)
Profilaxia para raiva: conduta em acidente grave
Sorovacinação para todos os casos, exceto C/G sem suspeita
Profilaxia para raiva: conduta em acidente leve
Sorovacinação para morcego e animal silvestre. Vacinação para animal de interesse econômico e C/G com suspeita
Profilaxia para raiva: como deve ser a vacinação e administração do soro?
Vacinação sempre será indicada em 4 doses: 0, 3, 7 e 14
Soro (SAR ou IGHAR): indicação tão logo possível, máximo de até 7 dias após 1a dose de vacina. Infiltrar volume preferencialmente dentro ou ao redor da lesão. Na ausência de identificada a lesão, aplicar IM. Não aplicar no mesmo local da vacina
Definição de: infectividade, patogenicidade e virulência
Infectividade: capacidade do agente infeccioso de poder alojar-se e multiplicar-se dentro do hospedeiro. Ex de alta infectividade: varicela e sarampo
Patogenicidade: capacidade do agente infeccioso de produzir doença no hospedeiro
Virulência: capacidade do agente infeccioso de produzir casos graves e fatais
Meningites bacterianas predominam no _________ e meningites virais predominam no __________
Inverno
Verão
Agentes mais comuns das meningites
Bactérias: meningococo
Vírus: enterovírus
Dois principais exemplos de doenças com alta patogenicidade
Raiva humana e HIV: quase todos infectados irão manifestar doença aparente
Patogenicidade da COVID-19
Baixa: muitas pessoas infectadas sem manifestar doença
Exemplos de doença com alta virulência
Raiva humana e HIV: muitos casos graves e fatais
A grande maioria dos casos de influenza que ocorreram no Brasil foram pelo vírus ____
A
Influenza: a vacina do PNI é trivalente. Cobre quais cepas?
Duas cepas A e uma cepa B
Quando indicamos o tratamento com oseltamivir na influenza?
Em pacientes com algum fator de risco para evoluir com gravidade: crianças < 5 anos, idosos, indígenas, portadores de doenças crônicas não transmissíveis, hepatopata, pneumopata, gestantes ou puérperas
Medicamento deve ser feito em até 48h do início dos sintomas
Para termos uma _______, precisamos de um número de casos acima do esperado, de determinada doença, em determinado local e período
Epidemia
PCDT: abordagem sindrômica de úlcera genital < 4 semanas sem evidência de vesículas
Tratar para cancroide e sífilis: Azitromicina e penicilina benzatina
Doença meningocócica: quais são os grupos de pessoas considerados contatos próximos que deverão receber a quimioprofilaxia com rifampicina (600mg 12/12h por 2 dias)
- Moradores do mesmo domicílio
- Indivíduos que compartilham o mesmo dormitório
- Comunicantes de creches e escolas
- Pessoas diretamente expostas às secreções do paciente (profissional da saúde exposto e que não usou EPI). Obs.: não é qualquer profissional da saúde nem qualquer atendimento!
Obs.: USP-SP 2022: colegas de trabalho não são considerados contatos próximos
HbeAg - o que significa sua detecção
Altos níveis de replicação viral
Hepatite B: infecção perinatal apresenta maior risco de __________
Cronificação
Dilema diagnóstico: dengue e ________ fazem reação cruzada nos testes diagnósticos
ZIKA
Hospedeiro _____________: onde ocorre a fase de reprodução sexuada
definitivo
Hospedeiro _____________: onde ocorre a fase de reprodução assexuada
intermediário
Hospedeiro intermediário na esquistossomose
Caramujo
_________ é todo ser vivo invertebrado capaz de TRANSMITIR um agente infectante, seja de forma ativa ou passiva
Vetor. Se for de forma ativa o vetor também é infectado
Doença meningocócica: quando realizar bloqueio vacinal
Em caso de surto: pelo menos 3 casos do mesmo sorotipo com vínculo epidemiológico em um mesmo território. Bloqueio é feito com meningoC para indivíduos de 3m a 64 anos
Então reforçando: bloqueio vacinal só é realizado para casos de surtos. A quimioprofilaxia com rifampicina para os contactantes costuma ser a principal estratégia da vigilância
Obs.: O bloqueio não substitui a dose do PNI, mesmo que a criança tenha recebido a dose no momento que deveria receber a vacina pelo PNI
Um recurso usado para estimar o potencial epidêmico de uma doença transmissível é o chamado número básico de reprodução (R0), que representa
o número médio de indivíduos que poderão ser infectados a partir de um caso, desde que nenhuma medida preventiva seja estabelecida e que haja 100% de susceptibilidade populacional
Profilaxia pós-exposição para sarampo: qual o esquema preferencial?
Vacina tríplice viral em até 72h. Bloqueio vacinal para todos > 6m, exceto gestantes e pessoas com sinais e sintomas de sarampo
Profilaxia pós-exposição para sarampo em gestantes: qual o esquema preferencial?
Imunoglobulina em até 6 dias
Antitetânica produz imunidade de rebanho?
Não
Ferimentos com risco mínimo para tétano nunca faremos SAT/IGHAT. V ou F?
V
Em quais cenários de ferimentos devemos fornecer o soro antitetânico ou a IGHAT?
Paciente com esquema vacinal incompleto ou vacinação incerta
OU
Paciente com esquema completo de 3 doses mas com o último reforço há mais de 10 anos
OU
Situações especiais, como pacientes imunossuprimidos
Profilaxia para raiva: o que é considerado lesão leve?
Mordedura ou arranhadura superficial em tronco ou membros (exceto mãos e pés) e lambedura de lesões superficiais
Profilaxia para raiva: lesão leve e C/G não passível de observação
4 doses de vacina (0,3, 7 e 14)
A vacina antirrábica não pode ser aplicada no _________
glúteo. Deve ser aplicada no deltoide ou vasto lateral da coxa (em < 2 anos)
Profilaxia para raiva: quando o soro está indicado em acidentes leves?
Morcego e mamíferos silvestres (raposa, macaco, sagui)
Soro antirrábico: quando e como deve ser aplicado?
Quando: tão logo possível, máximo de até 7 dias após 1a dose de vacina, depois disso não há indicação de vacina.
Como: infiltrar volume preferencialmente dentro ou ao redor da lesão. Na ausência de identificada a lesão ou se não for possível aplicar todo o volume dentro ou ao redor da lesão, aplicar o restante IM. Não aplicar no mesmo local da vacina
Epizootias - conceitue e exemplifique
É a ocorrência de adoecimento ou morte em uma população animal, que pode preceder a ocorrência de doença em humanos. Febre amarela e raiva são exemplos de epizootias
Definição de caso provável
Caso suspeito que foi submetido a investigação clínica e epidemiologia E que cursou com quadro clínico compatível, porém sem possibilidade de confirmação laboratorial por PCR
_____ é uma ocorrência epidêmica em que há evidência de que os casos estão relacionados entre si, atingindo uma área geográfica delimitada ou uma população restrita
Surto
Na epidemia __________ a transmissão ocorre de hospedeiro a hospedeiro, pelas vias respiratórias, fecal-oral, sexual ou por vetores
progressiva/propagada, conhecida como epidemia lenta
Ela vai se propagando entre os suscetíveis até que haja esgotamento ou se adquira a imunidade de rebanho
Obs.: A pandemia de Covid-19 foi uma epidemia progressiva
Epidemia explosiva ou maciça
Rápida progressão até atingir a incidência máxima em curto espaço de tempo. Quando muitas pessoas suscetíveis adoecem ao mesmo tempo
Quimioprofilaxia para meningite bacteriana por H. influenzae: para quem?
Rifampicina 600mg 1x ao dia por 4 dias
Para os contatos domiciliares: apenas quando, além do caso índice, houver crianças menores de 4 anos suscetíveis (não vacinadas ou vacinação incompleta)
Para creches e pré-escolas: a partir do 2º caso confirmado, somente para os contatos próximos (mesma sala) que sejam suscetíveis
Quimioprofilaxia para meningite bacteriana por Meningococo: para quem?
Rifampicina 600mg 2x ao dia por 2 dias
Para contatos íntimos: aqueles que residem na mesma casa,colegas de classe, profissionais da saúde que tiveram contato com secreções orais ou realizaram procedimentos invasivos (como IOT sem precaução)
Quando? Idealmente nas primeiras 24h mas até 14 dias da exposição
Opções além da rifampicina
- Ceftriaxona IM 250mg DU para maiores de 12 anos e 125mg DU para menores de 12 anos
- Ciprofloxacino oral 500mg DU
- Azitromicina oral: 500mg DU adultos e 10mg/kg DU em crianças
Medidas de precaução indicadas para caso suspeito de sarampo
Precaução padrão (higienizar as mãos antes e após contato com paciente e EPI quando existir risco de contato com líquidos corpóreos, mucosa ou pele não íntegra)
+
Precaução de aerossóis (uso de máscara PFF2 durante contato com paciente e quarto privativo) durante todo o período de transmissibilidade do vírus (6 dias antes do exantema até 4 dias depois)
No caso de médicos veterinários e biólogos, considerados grupos com risco de exposição permanente ao vírus da RAIVA, qual a profilaxia indicada?
Profilaxia pré-exposição com duas doses da vacina (0 e 7 dias)
Diante de um caso de suspeita de raiva, precisamos responder a duas perguntas. Quais?
1) Acidente foi indireto, leve ou grave?
- Indireto: contato com pele íntegra, contato com a saliva em pele íntegra (dar de comer)
- Leve: não envolvem extremidades nem mucosas
- Grave: acomete extremidades, estruturas profundas, lambedura de mucosas ou lesões profundas
2) Qual foi o animal?
- Cão/gato sem suspeita
- Cão/gato com suspeita
- Animal de interesse econômico
- Animal silvestre (exceto morcego)
- Morcego
Opções além da rifampicina para quimioprofilaxia de meningite bacteriana por meningococo
- Ceftriaxona IM 250mg DU para maiores de 12 anos e 125mg DU para menores de 12 anos
- Ciprofloxacino oral 500mg DU
- Azitromicina oral: 500mg DU adultos e 10mg/kg DU em crianças
ILTB: para quem indicar tratamento com rifampicina ao invés de isoniazida?
Crianças < 10 anos, idosos > 50 anos e hepatopatas
Rifampicina é menos hepatotóxica
Esquema mais atual para tratamento de ILTB
Rifapentina + isoniazida: posologia de 1 dose semanal por 3 meses
Manejo de RN exposto a um caso de TB bacilífera ao nascer
Não se vacina o RN e inicia-se o esquema de tratamento de ILTB por 03 meses. Os fármacos possíveis são: isoniazida ou rifampicina. Depois de 03 meses, realiza-se o PPD. Caso venha menor que 5mm, suspende-se o tratamento e vacina-se RN com BCG. Caso resultado seja 5 mm ou mais, considera-se que há infecção latente e completa-se o tratamento de ILTB. Caso a medicação seja isoniazida, usa-se por mais 03 meses (total de 06 meses). Caso seja rifampicina, usa-se por mais 1 mês (total de 04 meses). Especificamente para os RN, o manual de tuberculose coloca que pela facilidade posológica pode-se dar preferência à rifampicina suspensão pediátrica no lugar da isoniazida. Então reforçando: isso significa que não está errado usar isoniazida no esquema (usar um ou outro está correto), entretanto o tempo de tratamento é diferente (06 meses no total da isoniazida e 04 meses no total da rifampicina).
Manejo de RN exposto a um caso de TB bacilífera ao nascer e que já recebeu a BCG
O RN aqui foi inadvertidamente vacinado com a BCG e só depois percebeu-se a mãe com tuberculose bacilífera. O que fazer? No caso dos RN, não há indicação de realizar PPD nesse cenário. Considera-se como tuberculose latente presente e se realiza todo o tratamento para ILTB. Opções: isoniazida por 06 meses ou rifampicina por 4 meses.
180 doses de isoniazida em 06 meses (podendo-se completar as doses em até 09 meses se baixa adesão) ou 120 doses de rifampicina em 04 meses (podendo completar em até 06 meses). Completar o total de doses é mais importante que o tempo.
Medidas de precaução indicadas para caso suspeito de varicela
A varicela exige precaução de contato e aerossóis
Sarampo e influenza exigem precaução de gotículas e aerossol
TB exige precaução de aerossol
Epidemias de fonte comum
Quando vários indivíduos são expostos de forma simultânea a uma mesma fonte de infecção. Podem ser subdivididas em epidemias de fonte comum pontual (explosiva) ou de fonte comum contínua (exposição de duração mais prolongada ou até mesmo intermitente)
Apresenta rápida progressão até atingir a incidência máxima em curto espaço de tempo, ocorrendo quando muitas pessoas suscetíveis adoecem ao mesmo tempo
Epidemia explosiva
Doença ou condição crônica relativamente constante em uma área geográfica, dentro dos limites esperados, por um período de tempo ilimitado
Endemia
Ocorrência de um grande número de casos de uma doença específica em uma região geográfica delimitada em um curto período de tempo
Surto epidêmico
A disseminação de uma doença infecciosa de pessoa para pessoa dentro de uma comunidade ou população
Transmissão horizontal
A transmissão de uma doença infecciosa de mãe para filho durante a gravidez, parto ou amamentação
Transmissão vertical
Paramentação: qual o passo imediatamente antes da colocação de máscara e óculos de proteção?
Vestir o avental ou capote
Sequência de desparamentação
Luvas - lavar as mãos - avental - gorro - lavar as mãos - óculos - máscara - lavar as mãos
Fases de uma epidemia
. Incremento inicial de casos: quando a incidência de casos se aproxima do limite superior de casos considerados dentro do esperado para uma doença ou período (limiar endêmico).
. Egressão: a incidência ultrapassa o limite superior endêmico;
. Progressão: fase inicial do processo até o clímax;
. Incidência máxima: a força de crescimento da epidemia se extingue devido a: diminuição do número de expostos, diminuição do número de suscetíveis, ação intencional de vigilância e controle ou processos naturais de controle.
. Regressão: última fase na evolução de uma epidemia sendo caracterizada pelo decréscimo de casos até atingir novamente os níveis considerados endêmicos;
. Decréscimo endêmico: quando o processo regride a níveis mais baixos que aqueles vigentes antes da eclosão da epidemia.