Choque (ATLS - CAP 3) Flashcards
Descreva o que é choque
Choque, independentemente da sua etiologia, é um estado de hipoperfusão generalizada, no qual há o comprometimento da oxigenação dos tecidos orgânicos.
Como deve se dar a abordagem do choque?
Primeiramente, nós devemos reconhecer a presença do choque (e a partir daí, já começar a tomar as medidas cabíveis), e, em seguida, determinar a etiologia do choque (em caso de trauma, o choque será hipovolêmico até que se prove o contrário)
(V ou F) A grande alteração no débito cardíaco gerada pelo choque advém diretamente da grande diminuição da pós-carga
FALSO
A alteração gerada no débito cardíaco advém da redução da pré-carga (retorno venoso), devido à hipotensão, que irá diminuir a quantidade de sangue ejetada pelo coração e, com isso, o débito cardíaco.
observação: a pós-carga sofre alteração indireta, justamente pela redução da pré-carga.
pré-carga = retorno venoso pós-carga = resistência vascular
Explique o mecanismo fisiológico do choque compensado
Primeiramente, devemos entender que o choque é um estado de hipoperfusão generalizado, então a primeira repercussão sistêmica será a hipotensão.
com a hipotensão, há a redução da pré-carga (retorno venoso) e, a partir disso, do débito cardíaco.
O corpo, então, aumenta a frequência cardíaca e a p[os carga (resistência vascular; através da vasoconstrição periférica) a fim de preservar os órgãos nobres e tentar elevar o débito cardíaco.
Qual é a diferença entre o choque compensado e o descompensado?
No choque compensado, os mecanismos compensatórios do organismo são capazes de compensar a diminuição da pré-carga e, com isso, diminuem-se as repercussões sistêmicas.
No choque descompensado, os mecanismos compensatórios não são suficientes para se contrapor às alterações da pré-carga e, assim, temos o aumento progressivo da hipoperfusão tecidual e a piora do quadro do paciente.
Quais são os principais sinais de choque? (são 07)
- Taquicardia
- Pele fria
- Pulso rápido e fino
- Rebaixamento do nível de consciência
- Redução do débito urinário
- Redução do hematócrito
- Tempo de enchimento capilar > 3seg
No adulto, qual é a faixa normal da frequência cardíaca?
FC = 60 - 100 bpm
No lactente, quando consideramos taquicardia?
FC > 160 bpm
Na criança, quando consideramos taquicardia?
FC > 140 bpm
Descreva a classe I do choque hipovolêmico
O choque grau I apresenta uma perda volêmica menor do que 15% da volemia corporal, ou seja, menos de 750 ml de sangue.
Por conta disso, geralmente não apresenta repercussões sistêmicas ou necessidade de reposição volêmica, mas há a necessidade de monitorização constante.
Descreva a classe II do choque hipovolêmico
O choque grau II apresenta uma perda volêmica entre 15-30% da volemia corporal, ou seja, 750-1500 ml.
Essa perda volêmica já é capaz de provocar sintomas leves, como a taquicardia, a redução da pressão de pulso e alterações sutis do SNC.
Possivelmente, esse paciente precisará de infusão de cristaloides.
Descreva a classe III do choque hipovolêmico
O choque grau III apresenta uma perda volêmica ente 30-40% do volume sanguíneo, o que corresponde a 1500-2000 ml.
Dessa forma, o paciente apresenta sintomas mais severos, como a taquicardia, a taquipnéia, redução da pressão de pulso, redução do débito urinário, redução do glasgow e princípios de hipotensão.
O paciente necessita de infusão de cristaloides e pode ou não necessitar de reposição de produtos sanguíneos.
Descreva a classe IV do choque hipovolêmico
O choque grau IV é muito severo e corresponde a uma perda sanguínea de mais de 40% do volume corporal, ou seja, mais de 2.000 ml de sangue.
Os sintomas característicos são taquicardia, taquipnéia, hipotensão, débito urinário desprezível, redução do sensório, pele fria e pálida e redução da pressão de pulso.
O paciente irá necessitar de transfusão de sangue, através do protocolo de transfusão maciça, que corresponde a infusão de 4 bolsas de sangue em 1h ou 10 bolsas de sangue em 24h (na proporção 1:1:1)
Descreva como deve ser realizado o acesso venoso no paciente que necessita de reposição volêmica, no cenário do trauma.
Idealmente, devemos realizar um acesso venoso periférico, uni ou bilateral, com jelco 18.
Caso o acesso periférico não consiga ser realizado, devemos partir para o acesso venoso central.
Nesse meio tempo, podemos lançar mão de um acesso intraósseo, que deverá ser desfeito assim que o paciente receber um acesso venoso central.
Além disso, é nesse momento que devemos retirar uma amostra de sangue para avaliar a tipagem sanguinea, fazer a prova cruzada, o Bhcg (mulheres em idade fértil), além de uma análise toxicológica.
*observação: todos os pacientes que recebem um acesso venoso central devem ser encaminhados, assim que possível, para uma radiografia de tórax (a fim de avaliar o posicionamento do catéter).
Explique o conceito de hipotensão permissiva ou reanimação controlada.
A hipotensão permissiva consiste, basicamente, em aceitar um valor mais baixo de pressão enquanto o controle definitivo da hemorragia não é realizado.
A infusão massiva de conteúdo, enquanto a hemorragia não foi controlada, é capaz de agravar ainda mais a hemorragia e o quadro de hipovolemia do paciente.
Dessa forma, uma infusão controlada é realizada e a pressão é monitorizada de tal forma que o paciente aumente sua volemia, sem exacerbar a hemorragia.
(V ou F) Em casos de pacientes com a pressão abaixo de 60x40 MmHg, não há tempo hábil de aquecer os cristaloides/produtos sanguíneos. Dessa forma, devemos infundi-los sob quaisquer condições de temperatura.
FALSO!
Visando o não-agravamento da hipotermia, devemos sempre infundir os cristaloides a 38/39 graus.
Qual será o tratamento inicial do choque?
Infusão de 1L de cristaloide (Ringer Lactato) aquecido a 39 graus, no acesso venoso. - ADULTOS
ou 20 ml/kg em crianças com menos de 30 kg
Descreva a resposta rápida à reposição volêmica.
Na resposta rápida, o paciente responde rapidamente à infusão inicial de cristaloides e permanece estável ao longo do tempo.
podemos reduzir a velocidade de infusão, mas manteremos os exames de tipagem e prova cruzada disponíveis.
Descreva a resposta transitória à reposição volêmica.
Na reposta transitória, o paciente responde rapidamente à infusão inicial, mas começa a piorar a perfusão periférica ao longo do tempo.
Geralmente, são pacientes de choque grau II ou III e necessitam de transfusão sanguínea.
Descreva a resposta mínima à reposição volêmica.
Na resposta mínima/sem resposta, o paciente praticamente não responde à infusão inicial de cristaloides e está indicado o protocolo de transfusão maciça.
Como deve ser realizado o protocolo de transfusão maciça?
Nesse protocolo, devemos infundir 04 unidades de sangue na primeira 1h ou 10 unidades de sangue nas primeiras 24h.
A proporção deverá ser 1:1:1, entre plasma, concentrado de hemácias e concentrado de plaquetas.
Caso não tenhamos a prova cruzada e a tipagem sanguínea disponíveis no momento, qual tipo sanguíneo deveremos infundir nos pacientes?
Para concentrados de hemácias e plaquetas, deveremos utilizar o tipo O, preferencialmente negativo, e para plasma, devemos utilizar o tipo AB.
Quando devemos considerar a autotransfusão?
a autotransfusão deve ser considerada em situações onde o paciente apresenta uma grande quantidade de sangue fora dos vasos e dentro de cavidades, como no caso de um hemotórax maciço, por exemplo.
(V ou F) o Ácido tranexâmico é de grande ajuda em casos de coagulopatias devido à hemorragia. Nesse caso, devemos aplicar no paciente, uma dose de 1g dentro das primeiras 8h, caso constatemos que haja um choque superior a grau I.
FALSO!
o Ácido Tranexâmico deve ser administrado a todos os pacientes de trauma, já que um paciente politraumatizado apresenta choque hipovolêmico até que se prove o contrário.
Dessa forma, a primeira dose deve ser administrada pela equipe pré-hospitalar, ainda em cena.
Já a segunda dose, de 1g, deve ser administrada dentro de 8h.
Quanto à coagulação, mais de 30% dos pacientes de trauma apresentam distúrbios de coagulopatia, devido à hemorragia. Nesse cenário, quais são os exames de laboratório que devem ser solicitados?
- Tempo de Protombina
- Tempo de Tromboplastina Parcial
- Contagem de Plaquetas
(V ou F) A melhor forma de avaliar a perfusão tecidual do paciente é através da pressão arterial (PA) e do Pulso.
FALSO! A melhor forma de avaliação é através do débito urinário. DU Adulto > 0,5 mL/Kg/h DU Criança > 1 mL/Kg/h DU Criança (< 1 ano) > 2mL/kg/h