Suicídio Flashcards
Suicídio e perturbações afetivas
Estão ligados, porque havendo uma perturbação afetiva não tratada, o risco de suicídio é muito elevado.
Chamada de atenção muito importante!!!
O suicídio é uma das complicações mais graves da doença psiquiátrica major não tratada: depressão grave não tratada, esquizofrenia, psicose associada a drogas.
Sempre que há sintomas psicóticos, temos uma doença psiquiátrica grave e, tendo uma doença psiquiátrica grave, temos risco de suicídio importante.
Taxa de suicídio
1 milhão de suicídios + 10-15 milhões de tentativas
A taxa de suicídio no ano a seguir à tentativa de suicídio em doentes com patologia mental é 60-100 vezes superior à população geral.
A taxa de suicídio também aumenta após a alta dos serviços de psiquiatria - é muito importante uma vigilância apertada após a alta e haver um familiar responsável por essa pessoa.
Suicídio
Morte ocorrida por lesão auto-infligida pelo próprio de forma deliberada com o objetivo de atingir esse fim.
Ideação suicida
Pensamentos de empreender um comportamento com o propósito de terminar com a própria vida.
Planeamento de suicídio
Formulação de um método específico para terminar com a vida.
Intencionalidade suicida
Grau de intenção para atingir a morte num ato autoagressivo.
Tentativas de suicídio
Empreender um comportamento potencialmente autoagressivo no qual há uma clara intenção de morrer.
Meios letais
Método pelo qual o ato autodestrutivo é realizado.
- Baixa letalidade: ingestão medicamentosa.
- Elevada letalidade: armas de fogo, aramas brancas, defenestrarão, enforcamento.
Letalidade
Potential de um determinado método autoagressivo de provocar a morte
Autoagressão deliberada
Pessoa que fez uma autoagressão deliberada, mas não há uma clara intenção de morte. Muitas vezes são pessoas que estão em sofrimento psicológico grave e para aliviar, provocam ferimentos físicos, para aliviar o sofrimento psicológico.
Parasuicídio
Não há uma clara intenção de morte.
Ex.: pessoa que queria dormir e tomou imensas BZDs e depois entra no SU com intoxicação por BZD
Fatores de risco
Podem ser classificados como:
- Primários/Psiquiátricos: os que têm maior valor preditivo - ++++ DOENÇA PSIQUIÁTRICA MAJOR NÃO TRATADA
- Secundários/Psicossociais
- Terciários/Demográficos
Menmónica dos Fatores de Risco
SAD PERSONS
Sex (male)
Age (older)
Depression
Previous suicide attempt Ethanol abuse Rational thinking loss Social support lacking Organised plan No spouse or partner Sickness
Depressão no suicídio
Risco de suicídio habitualmente maior no primeiro episódio depressivo - ++ nos que não recebem tratamento.
Na PAB, o risco é de 10-15% ao longo da vida, sendo mais comum nas fases iniciais da doença.
Perturbação da Personalidade no Suicídio
Diagnóstico comprido de perturbação da personalidade e 50% dos indivíduos que cometem suicídio - +++ Perturbações borderline e anti-social da personalidade
Abuso de substâncias no Suicídio
A dependência de álcool está fortemente relacionada com o risco suicidário.
Abuso de outras substâncias tóxicas é comum, principalmente em jovens.
É desinibidor e as pessoas usam para ganhar coragem para fazer a tentativa de suicídio. Por outro lado, se o doente desenvolve uma psicose associada à canais, pode tentar o suicídio durante esse surto psicótico.
Esquizofrenia no Suicídio
Risco aumentado em indivíduos do sexo masculino nos primeiros anos de evolução da doença (+++ sintomas depressivos ou disfunção/sofrimento associados)
Fatores de risco primários ou psiquiátricos
- DOENÇA PSIQUIÁTRICA MAJOR (NÃO TRATADA)
- TENTIVA PRÉVIA DE SUICÍDIO
- Pensamentos recorrentes de morte, desejo de morrer, ideação suicida, planeamento
- História familiar de suicídio - DUPLICA O RISCO - indicador indireto de doença mental grave
Fatores de risco secundários ou psicossociais
- Eventos adversos de vida
- Desemprego, dificuldades financeiras graves
- Isolamento social (solteiro, divorciado)
- Aparecimento de doenças graves, terminais
Fatores de risco ternários ou demográficos
- Sexo masculino: usam meios com maior letalidade e porque são mais impulsivos
- Adolescência, velhice
- Períodos de vulnerabilidade
- Grupos minoritários
Grupos especiais
- Indivíduos em contacto com serviços psiquiátricos
- Suicídio racional
- Profissão de risco: médicos, cirurgiões veterinários (grupo profissional com maior taxa de suicídio), agricultores
- Imigrantes
- Pactos suicidários
Qual a pergunta mais importante de se fazer após uma tentava de suicídio?
“Qual foi o primeiro pensamento que lhe veio à cabeça quando percebeu que estava vivo?”
Perguntar o contexto. É importante saber se houve ideação suicida estruturada, planeamento ou se foi algo impulsivo.
Fatores de proteção
- Bom suporte familiar
- Gravidez
- Pós-parto
- > 3 filhos
- crenças religiosas fortes
ATENÇÃO: na presença de doença psiquiátrica major, o efeito protetor desaparece.
PAB no suicídio
O risco de suicídio em doentes bipolares é 15-30 vezes mais elevado do que na população geral
Prevalência de tentativas de suicídio em doentes bipolares varias entre os 20-58%.
Perturbações afetivas e suicídio - Subtipo clínico
- Taxa de suicídio superior em doentes bipolares
- Tentativas aumentam ao longo da vida
- Bipolar tipo II com mais predominância de suicídio - + episódios de depressão. tentativas mais graves e violentas (+ hipótese de morrer)
- Maior taxa de suicídio após alta hospitalar em doentes bipolares tipo II
- O risco e o suicídio consumado em bipolares é também mais elevado na doença de início precoce e de maior duração.
- História familiar muito importante nos doentes bipolares
- Presença de comorbilidades nos doentes bipolares (++++ PERTURBAÇÕES DA PERSONALIDADE - + BORDERLINE)
- Eventos adversos recentes aumentam o risco de suicídio quando surgem no bipolar num episódio depressivo ou misto.
PAB Tipo II
- Difícil de diagnosticar - muitas vezes diagnosticado como depressão recorrente
- Muitas vezes diagnosticados quando fazem VIRAGENS HIPOMANÍACAS COM ANTIDEPRESSIVOS - VENLAFAXINA é o fármaco mais implicado nas viragens.
- GRANDE DESAFIO: tratar as depressões , porque há sempre risco de viragem
PERURBAÇÕES DA PERSONALIDADE (BORDERLINE)
- Personalidades mais problemáticas
- Muito impulsivas
- Baixa tolerância à frustração
- Associadas a um vazio existencial (associado com procura de drogas)
- Vêm a vida a preto e branco - tudo ou nada
- Projeta sempre a culpa no outro
- Gostam muito de demonstrar que os médicos são completamente incapazes de os ajudar
- Muita dificuldade em lidar com as figuras de autoridade
Avaliação do risco suicidário
2 passos:
- Questionar o doente sobre as suas intenções, fazendo perguntas diretas.
- Estar alerta para fatores de risco que possam fazer prever uma tentativa de suicídio - baixa sensibilidade e especificidade
Sinal de alerta mais óbvio
Declaração direta de ideação suicida - averiguar a presença de fatores que aumentem o risco de suicídio
Abordagem pós 2 passos iniciais
Questionar o doente sobre os seus problemas atuais e sobra a sua reação a estes:
- Perdas
- Existência de conflitos interpessoais, isolamento ou doença física
- Personalidade do doente (descrição de si próprio pode estar mascarada por uma depressão!!)
- Variações de humor, tendências impulsivas ou agressivas, atitude do doente face à religião e à morte
- Função cognitiva
- Avaliar ideias homicidas (++ doentes com depressão muito severa - ato de piedade que poupará as pessoas mais próximas de sofrimento intolerável)
Gestão do doente
Internamento Vs Ambulatório
- Intensidade da ideação suicida
- Gravidade de alguma doença psiquiátrica que o doente possa ter
- Disponibilidade/existência de suporte social fora do hospital
Tratamento em ambulatório
- Envolvimento de familiares e amigos
- Assegurar linha de contacto para o doente
- Garantir ambiente seguro
Tratamento em internamento
- Ambiente seguro na enfermaria
- Nº adequado de profissionais de saúde bem treinados
- Alta hospitalar bem planeada e discutida com o doente e a sua família - consulta de follow-up marcada + plano de alta
ATENÇÃO: No período pós-alta existe um risco aumentado de suicídio, se a saída para o ambulatório não for convenientemente planeada
Tratamento farmacológico
Tratamento da MANIA:
- Estabilizadores do humor: Lítio (GOLD-STANDARD) -> valproato (cuidado com as mulheres em idade fértil)
- Carbamazepina
Antipsicótico de 2ª gerações (propriedades estabilizadoras do humor) + Estabilizador do Humor clássico
Lítio
Medicamento em psiquiatria com evidência robusta de efeito anti-suicidário
- Excretado via renal - Pessoas idosas ter em atenção a desidratação
- Desvantagem: janela terapêutica muito próxima da janela tóxica
- Intoxicação por lítio: ataxia da marcha, delirium
Clozapina
Medicamento em psiquiatria com evidência robusta de efeito anti-suicidário
- Antipsicótico de 2ª geração que são é dados nas esquizofrenias resistentes a tratamento
- Vários efeitos secundários graves: leucopenia com neutropenia +++ (megacólon tóxico, miocardites -> raro)
Prevenção do suicídio
- Capacitar os cuidados de saúde primários
- Melhorar o atendimento nos serviços psiquiátricos e criar serviços de aconselhamento;
- Planear estratégias de prevenção dirigidas aos grupos de risco identificados;
- Prescrição racional de fármacos: toma a longo prazo + agentes com menor risco de toxicidade
A prescrição de antidepressivos no período subsequente a um episódio depressivo parece reduzir o risco de recorrência do mesmo, mas não tem impacto demonstrado na taxa de suicídio.
Profilaxia com Lítio parece reduzir a taxa de suicídio
Conclusões
- Maior risco nos doentes bipolares tipo II
- Episódios mistos aumentam o risco de suicídio
- tentativas anteriores - preditor muito importante
- Perturbações de ansiedade, abuso de substâncias, perturbações da personalidade e doença terminal aumentam o risco
- História familiar de suicídio em parentes em 1º grau, eventos adversos e fraco suporte familiar aumentam o risco de suicídio
- Deteção precoce e tratamento eficaz das perturbações afetivas reduzem a mortalidade por suicídio