Epilepsia Flashcards
Crises Focais Sem Sintomas Discognitivos
- Consciência está preservada
- QC depende da região acometida
- Foco localizado na área motora principal: clônus (mvtos repetitivos de flexão/ extensão) da mão CL
- Marcha jacksoniana: expansão gradual da atividade convulsiva em outros locais do corpo
- No geral é contida pela hiperativação reflexa de neurônio inibitórios no entorno do foco
- Paralisia de Todd (pós-ictal): após cessar a crise
- Aureus: crises convulsivas focais de caráter não motor (parestesias, alt. Visuais, auditivas, psíquicos)
Crises Focais Com Sintomas Discognitivos
- Perda da consciência
- Inicia como uma aura (sensação cheiro forte) com parada súbita comportamental, sendo frequente os automatismos (programas motores básicos armazenados no cérebro)
- Amnésia anterógrada (a partir do início do evento) ou afasia (se hemisfério dominante) são comuns no pós-ictal
Crises Focais que Generalizam
- Inicio focal (motora ou aura) que se generalizada
- Dx pela videoeletroencefalografia
- É diferenciado da generalizada que apresenta IMEDIATA disseminação da crise sem dar tempo para ocorrer manifestações focais
Crises de Ausência- Generalizada NÃO motora
- Pode ser tipícas, atípicas, mioclônicas
- Relacionada a problemas de aprendizagem na escolha
- Atípica: difere da típica devido lapsos de consciência serem mais duradouros e não apresentarem início e fim tão súbitos (evolução gradual da crise)
- No geral há sintomas motores mais grosseiros durante a crise
- EEC: complexos “ponta-onda” com frequência ≤2,5 Hz (atividade lenta) sobreposto a um traçado ANORMAL
- Comum relação com alterações estruturais e RM
Crises de Ausência TÍPICA (ou pequeno mal)- Generalizada NÃO motora
- Episódios súbitos e breves (duração de segundos) de perda de consciência sem perda do tônus postural
- Retorno súbito imediato da consciência após crise, sem manifestações pós-ictal
- Lapsos do funcionamento normal, podendo ocorrer várias vezes ao dia
- Pode apresentar automatismos sutis (piscar olho, mastigar, clônus)
Crises de Ausência TÍPICA (ou pequeno mal)- Generalizada NÃO motora
- Início na infância mais entre 3-12 anos com pico entre 5-8 anos
- Desencadeada por hiperventilação, privação do sono
- Relacionada a síndromes genéticas de epilepsia
- É principal tipo de crise das cças epilépticas (15-20%)
- EEC: complexos “ponta-onda” de 3 Hz bilaterais e simétricos (em todas derivações ao mesmo tempo) sobreposto a um traçado NORMAL
Crises de Ausência TÍPICA (ou pequeno mal)- Generalizada NÃO motora
- Prognóstico no geral é bom c/ resolução espontânea com o passar do tempo (raro após 20 anos), mas alguma parte desenvolvem outras formas de crise convulsiva p/ resto da vida
- TTO: Etossuximida, Valproato ou Lamotrigina
- OBS: NÃO usar carbamazepina, gapapentina e vigabatrina*** na ausência típicia
Crises Tônico-Clônicas (grande mal)- Generalizada MOTORA
- Tipo mais comum de crise convulsiva induzida por fatores desencadeante (intoxicação, distúrbios metabólicos, eclâmpsia)
- É o tipo mais comum nos portadores de epilepsia (10%)
- Começam com uma fase tônica (contração simultânea dos músculos esqueléticos = despolarização exagerada e concomitante de todos neurônios do cortex motor, nos 2 hemisférios cerebrais)
- Grito ictal (som estridente pela contração músculo da expiração e laringe); mordedura dos lábio/ língua; cianose e hiperatividade simpática (aumento FC, PA, midríase)
Crises Epilépticas Generalizadas
- Não motora: ausências (típica, atípica, mioclonica)
- Motoras: Atônicas, Mioclônicas ou tônico-clônicas
- OBS: nem toda generalizada ocorre perda da consciência (mioclonica não faz)
Crises Tônico-Clônicas (grande mal)- Generalizada MOTORA
- Fase tônica tem curta duração (10-20seg) seguida pela fase clônico (período de relaxamento muscular sobreposto à contração tônica de base = ativação reflexa dos interneurônios inibitórios)
- Clônus diminui progressivamente na medida que os reflexos inibitórios prepondera
- Período pós-ictal com paralisia flácida generalizada, relaxamento do esfíncter e incontinência urinaria/ fecal, e retorno da consciência gradual (confusão mental pós-ictal c/ cefaleia, mialgia e fadiga)
- EEG: tônica com baixa voltagem e amplitude aumentada progressivamente, clônica pontipontas de alta voltagem interrompida por ondas lentas (padrão ponta-onda)
Crises Atônicas - Generalizada motora
- Súbita e breve (1-2seg) perda do tônus postural podendo ter perda de consciência
- Recuperação rápida sem pós-ictais
- Ocorre na maioria leve queda da cabeça, mas em crises prolongadas pode haver quedas.
- Pode ser associada a síndromes genéticas de epilepsia
Crises Mioclônicas
- Mioclonica é a contração involuntária súbita e breve, que envolve apenas uma parte do corpo ou corpo inteiro (“susto“)
- Pode ser fisiológico (pegar no sono) ou relacionado c/ distúrbios metabólicos, encefalopatias estruturais.
- É uma crise convulsiva quando ocorre sincronizado com surtos de atividade epileptiforme no EEG (complexos ponta-onda difusos)
- No geral coexiste com outras formas de crises convulsivas, mas é a forma predominante na epilepsia mioclônica juvenil
- No geral pode não haver perda de consciência
Espasmos Epilépticos - Não Classificados
- Movimentos súbitos de flexão ou extensão de grupamentos musculares proximais afetando principalmente o tronco
- EEG: hipsarritmia (traçado de base caótico, onda pontiagudas multifocais e irregulares)
- Durante o espasmo há supressão da atividade elétrica de base (onda lentas gigantes): Resposta eletrodecremental.
- Eletroneuromiografia (ENMG): padrão romboide de transmissão neuromuscular (≠ da tônico-clônica que é normal)
- Forma de crise convulsiva típica de crianças pequenas (<1 ano) por imaturidade do SNC (s/ conexão neuronal)
Síndrome de West (“espasmos infantis”)
- Espasmos epiléticos recorrentes da infância
- Pode ser primária (ausência de lesões cerebrais, marcos desenvolvimento normal, bom prognóstico)
- Pode ser secundário (lesões cerebrais congênitas ou adquiridas, retardo no desenvolvimento, prognóstico ruim)
- TTO: glucocorticoide ou ACTH exógeno +/- ácido valproico
- CRH hipotalâmico atua como estimulante endógeno
Síndrome de West (“espasmos infantis”)*
- Espasmo infantil + retardo desenvolvimento
- Inicio entre 4-7 meses de vida (<1 anos)
- EEG típico: hipsarritmia* bilateral e caótico com onda de lenta, alta voltagem e multifocais
- TTO: ACTH, Vigabatrina
- 20-30% podem evoluir para Síndrome de Lennox- Gastaut
Síndrome de Lennox- Gastaut*
- Acomete mais pré-escolares
- É qualquer crise + Retardo mental
- ECG típico: Espícula-Onda 1 a 25 Hz
- Possui diversas etiologias como estruturais grave, levando a um mal prognóstico e má resposta aos anticonvulsivantes
Tríade Clinica da Síndrome de Lennox- Gastaut
(1) múltiplos tipos de crise convulsiva (tônico-clônico, tônico, atônico, ausência atípica);
(2) ECG c/ descargas difusas tipo “ponta-onda” <3 Hz associado a anormalidades do traçado de base;
(3) alterações neuropsicomotoras, podendo incluir Retardo mental
Síndromes Epilépticas
- Desordens c/ características clínicas, patológicas, radiológicas e EEG e/ou genéticas peculiares em que a epilepsia é uma manifestação preponderante
- Principais: Síndrome de West; Síndrome de Lennox- Gastaut; Eplepsia do lobo temporal mesial; Epilepsia Mioclônica Juvenil
Epilepsia Mioclônica Juvenil (Síndrome de Janz)
- Etiologia desconhecida (poligênica)
- Inicio na adolescência (12-16 anos)
- Mioclonias bilaterais isoladas ou repetitivas em sincronia c/ alterações EEG (complexo ponta-onda difusos de 4 Hz)
- Episódios são mais comuns pela manhã, ao despertar e aumentam de frequência com privação sono
- Consciência pode ser mantida (se curta duração)
- Pode apresentar outra forma de crise convulsiva (ausência* e tônico-clônica)
- Não costuma ter remissão espontânea, mas tem boa resposta aos anticonvulsivantes.
- TTO de escolha: Valproato e lamotrigina
- Evitar: Carbamazepina e Fenitoína
Doença de Lafora
- Principal dxx c/ Epilepsia Mioclônica Juvenil
- Autossômica recessiva que evolui c/ epilepsia de difícil controle, demência e óbito dentro de 2-10 anos após início do quadro.
- EEG: complexos poliponta-onda occipitais e traçados de base anômalo
- Dx: biópsia de pele c/ corpúsculos de inclusão com material PAS+ nas cels sudoríparas
Epilepsia do Lobo Temporal Mesial
*Comportamental
- Principal causa de crise focal com alterações discognitivas
- Apresenta lesão estrutural característica, evidência da pela RM: esclerose do hipocampo (porção mesial do lobo temporal)
- Hipometabolismo e hiperperfusão na área de esclerose
- Má resposta aos anticonvulsivantes (de escolha é a Carbamazepina), mas pode ser CURADA pela neurocx por ressecção (cura em 70% ou redução em até 90%)
- Aura, parada comportamento, perda consciência e amnésia anterógrada
Epilepsia “Benigna” da infância “Rolandica” ou Epilepsia com descargas centrotemporais (nova nomenclatura)
- Hx familia +; mais em meninos 2-14 anos (pico de 7-10 anos)
- Fisiopatologia: alteração cortical REVERSÍVEL, desaparece com a maturação
- Dx: crises focais, no sono ou ao despertar
- EEG: ondas agudas centrotemporais
- TTO: só 25% recorrem! Só depois da 2a crise deve tratar
- OBS: Evitar Carbamazepina e Lamotrigina
Epilepsia
*Prevalência de 0,5%
- Fenótipo de crises convulsivas recorrentes e espontâneas (não necessariamente provocadas ou evitável)
- É 2 ou mais crises não provocadas em intervalo >24h; OU
- É 1 crise não provocada c/ chance alta de recorrência; OU
- Síndrome epiléptica
Classificação das Crises Convulsivas
- Focais (apenas um hemisférico é afetado): manifestação pré-dominantes (motoras, sensoriais, autonômica, cognitivas, comportamentais), pode evoluir p/ generalizada 2ª
- Generalizada (ambos hemisférios são afetados desde o início do quadro): ausência, tônico-clônica, tônica, atônica e mioclônica (essa não perde consciência)
- Crises não classificáveis: espasmos epilépticos
Crise Convulsiva
- Alteração aguda e transitória da fç cortical cerebral
- Descargas neuronais anômalas, excessivas e sincronizadas
- É a SINTOMATOLOGIA, sinais e sintomas.
- 5-10% podem ter uma crise ao longo da vida, não necessariamente evoluindo p/ epilepsia (fator precipitante reversível)
Crises Focais
- Limitada a um hemisfério com ou sem alteração da consciência
- SEM perturbação da consciência: sem discognição/ perceptiva
- COM perturbação da consciência: com discognição/ disperceptiva
- Podem ter início motor OU não motor
Etiologia das Epilepsias
- Desequilíbrio entre excitação e inibição neuronal
- Cérebro normal é suscetível se exposto a circunstâncias apropriadas
- Epileptogênese: alterações que culminam em epilepsia
- TCE tem risco de desenvolver em 50%
Principais Causas de Convulsão/ epilepsia em Crianças
- Neonatos (<1m): lesão hipóxico-isquêmica perinatal, hemorragia intracraniana, distúrbio metabólico (hipoglicemia*, hipocalcemia), abstinência a drogas maternas
- Crianças (>1m a 12 anos): convulsão febril,, traumatismo/ infecção cerebral, sds genéticas
- Adolescentes: traumatismo/ infecção cerebral, uso de drogas ilícitas, tumores cerebral
Principais Causas de Convulsão/ epilepsia em Adultos
- 18-35 anos: trauma, drogas ilícitas, abstinência alcoólica, tumor cerebral, autoimunidade
- > 35 anos: AVC, tumor cerebral, abstinência álcool, dist. metabólicos, dças degenerativas, autoimunidade
Principais drogas indutoras de crise convulsiva
- Cloroquina, mefloquina
- Bussulfan, clorambucil
- Aciclovir, ganciglovir
- Betalactâmicos, quinolonas, isoniazida
- Fentanil. tramadol
- Contraste
- Anfetamina, cocaina
- Ciclosporina, tacrolimus
Investigação da 1ª Crise Convulsiva
*Crises generalizadas SEMPRE alteram EEG convencional
- Anamnese: fatores de risco, medicamentos, sono
- EEG: se alta suspeita de desenvolver epilepsia, se normal não afasta o dx da crise (focos profundos).
- Neuroimagem: RM (mais sensível que a TC)
- Exames de rotina: hemograma, Na, K, Ca, Mg, Glicose, Fç renal e hepática, EAS
- Exames se suspeitas: toxicológico, punção lombar, cultura, hormônios
Diagnóstico Diferencial de Epilepsia - Síncope
- Perda da consciência e do tônus postural por baixo fluxo sanguíneo cerebral
- A mais comum é vasovagal (ou neurocardiogênica)
- Outras causas são: arritmia, cardiopatias
Diagnóstico Diferencial de Epilepsia - Síncope x Crise Convulsiva (CC)
- Desencadeantes: emoções, dor, Valsava, hipotensão postural, cardiopatias (CC = nenhum)
- Pródromos: escurecimento visual (lipotimia), náusea, sudorese, cansaço (CC = nenhum ou auras)
- Postura antes do evento: ortostase (CC: indeferente)
- Perda consciência: gradual em segundos (CC: instantânea)
- Duração da inconsciência: segundos (CC = minutos)
- Mvtos tônicos ou clônicos: breves (CC >30-60s)
- Fáscies: palidez (CC = cianose, sialorreia)
- Pós-ictal: <5min (CC >5 min a horas)
- Infrequente mialgia ou cefaleia pós-ictal, incontinência , moderdura língua (comum na CC)
Diagnóstico Diferencial de Epilepsia - Crises Psicogênicas
- EEG normal, evento não convulsivo em que pcte simula crise tônico-clônica generalizada
- Associado a transtorno conversivo
- Ausência de paralisia de Todd ou coma flácido
Tratamento Crônico Medicamento da Epilepsia
- Quando iniciar: A partir da 2ª ou da 1ª crise com lesão cerebral
- Como iniciar: Monoterapia em dose baixa (↑ progressivo)
- Quando parar: mais de 2 anos (1-5 anos) SEM crise
- Qual usar: depende da crise
Tratamento Crônico Medicamento da Epilepsia - Medicações
- Focal: Carbamazepina/ Lamotrigina/ Valproato
- Generalizada: Lamotrigina/ Valproato
- Gestantes: Lamotrigina / Carbamazepina
- NÃO USAR VALPROATO = teratogênico (espinha bífida)
- Tabagistas: cuidado com bupropiona
Drogas Antiepilépticas (DAE)
- Agem bloqueando o início ou disseminação da hiperexcitação elétrica dos neurônios
- Maioria tem efeito pleiotrópico (inibe mais de um mecanismo ao mesmo tempo)
- Não há meios de evitar o fenômeno da epileptogênese (impedir focos epilépticos após insulto)
Drogas Antiepilépticas (DAE)
- Inibição de canais de Na+ (início potencial de ação) de maneira frequência-dependente: Fenitoína, Carbamazepina, Topiramato e lamotrigina
- Inibição canais de cálcio (evolução do PA) e bloqueia receptores de glutamato (excitatórios): Topiramato e Lamotrigina
- Abertura canais de K+ (hiperpolarizam a célula e ↓ o PA): Ezogabina
- ↑ atividade receptores GABA( (inibitórios): BZP e barbitúricos
- ↑ síntese/ oferta GABA: ác. valproico, gabapentina e barbitúricos
- ↓ transmissão sináptica: levetiracetam
Medicamentos para Crise de Ausência Típica
- Etossuximida (e Ác. Valproico): inibe canais de Ca2+ do tipo T em neurônios talâmicos, bloqueando circuitos talamocorticais envolvidos na gênese da crise
Quando começar o TTO com DAE?
- Exame neurológico alterado
- 1ª crise foi um status epilepticus
- Ocorrência de paralisia de Todd
- Hx familiar de epilepsia
- EEG de base anormal
Medicações Específicas para cada Crise
*Ác. Valproico e Lamotrigina são 1ª escolha para maioria (exceto ausência que é Etossumida e na focal é a carbamazepina)
- Tônico-clônica generalizada 1ª: Lamotrigina/ ác. valproico
- Focal: Lamotrigina, Carbamazepina*** (melhor p/ focal), Fenitoína, Oxcarbazepina e levetiracetam
- Ausência típica: Ác. valproico, Etossuximida, lamotrigina
- Ausência atípica, mioclônica, atônica: ác. valproico, lamotrigina e topiramato
Atenção às DAE
- Carbamazepina, oxcarbamazepina e fenitoína podem PIORAR crise de ausência, mioclônicas, tônicas e atônicas
- Portadores de HLA-B*1502 (mais asiáticos) tem risco aumentado de Sd. Stevens-Johnson após exposição à Carbamazepina e Fenitoína
Manifestações adversas das DAE
- Fenitoína: osteoporose
- Carbamazepina e Fenitoína: Sd. Stevens-Johnson
- Carbamazepina: ↓ Na, diplopia, fadiga
- Fenitoína: fadiga, hirsutismo, hipertrofia gengival
- Valproato: Hepatotóxico, alopecia, ↑ peso, parkisonismo em idoso, teratogênico
- Fenobarbital: Sedação, agitação em cças
Interrupção do uso de DAE
- Certa de 60-70% dos que suprimem por completo a epilepsia conseguem interromper a medicação
- Preditores de sucesso: Ausência de crises por 1-5 anos; único tipo de crise; exame neurológicos normal; EEG normal
- Maioria das recidivas ocorre nos primeiros 3 meses após parada
Epilépticos podem dirigir?
- Sim, caso estejam em tto e não apresentem crises por um período mínimo de 2 anos
Interação das DAE
- Ác. valproico DIMINUI a metabolização da Lamotrigina, ↑ seus níveis séricos.
- Conduta: Usar dose mais baixa da lamotrigina
Epilepsia Refratária
- Se monoterapia refratária associar 2ª droga de 1ª linha (maior risco se lesão estrutural do SNC, e vários tipos de crise)
- 20% não respondem à combinação de 2 ou mais DAE
- Nesse caso a Cx pode ↓ ou curar a epilepsia, é benéfica nos quais tem foco epileptogênico identificável e passível de ressecção (esclerose mesial do lobo temporal por lobectomia ou amigdaloipocampectomia)
Tratamento Agudo da Epilepsia ou Status Epilepticus (estado de mal epiléptico)
- No geral maioria das crises se resolvem em domicílio não necessitando de tto agudo hospitalar
- Estado de mal epilético (EME): crise convulsiva repetitiva (subentrantes) sem recuperação da consciência entre os episódios. Pode ser:
- Convulsivo Generalizado (SECG c/ mvtos tônico-clônicos generalizados c/ atividade epileptiforme difusa)
- Não Convulsivo (SENC c/ coma ou consicência preservada, mas confuso, c/ atividade motora mínima ou ausente)
Status Epilepticus (estado de mal epiléptico)
*OBS: SENC não é uma emergência médica, mas o manejo é o mesmo que do SECG
- É toda crise que necessite de tto farmacológico imediato (e não mais CC que dura >15-30 minutos)
- SECG: emergência médica devido ao risco de disfunção cardiorresp., rabdomiólise e hipertermia, e lesão direta nos neurônicos (mortalidade de 20%)
- No caso do SECG considera crises de EME c/ duração >5 min
- Principal causa é MÁ ADESÃO TERAPÊUTICA aos anticonvulsivantes
Mal Epiléptico ou Status Epilepticus (estado de mal epiléptico)
- Duração > 30 minutos
- Duração ≥ 5 minutos de crise ou ≥ 2 crises s/ recuperação da consciência entre elas
- Pode ser convulsivo ou não convulsivo
Manejo do Mal Epiléptico ou Status Epilepticus (estado de mal epiléptico)
*Se hipoglicemia: glicose 50% 25-50 ml IV
- ABC + dextro + O2 + Acesso venoso
- Entre 5-30’: Diazepam IV/via retal ou Midazolam IM/IV (dose de ataque) → repetir BZP em até 2x (pode associar Fenitoína pois é o que impede a próxima crise e termina essa)
- DAE IV: Fenitoína IV/IO 20 mg/kg a 50 mg/min → repetir até 2x c/ metade da dose
- Opções: Valproato, Levetiracetam
- Fenobarbital 20 mg/kg → 2x c/ metade da dose
- 30 min -48h: Tiopental/ Midazolam / Propofol infusão contínua
Manejo do Mal Epiléptico ou Status Epilepticus (estado de mal epiléptico)
- BZP de ação rápida são drogas de 1ª escolha p/ abortar a crise convulsiva
- Fenitoína é que vai cessar a crise e impedir uma nova crise, devendo sempre ser feita
- Nunca diluir em soro glicosado, pois fenitoína precipita na glicose
- Nunca infundir em velocidade >50mg/min (hipotensão e arritmia)
Epilepsia na Gravidez
- Frequência das crises convulsivas se mantém inalterada em 50% das grávidas, aumenta em 30% e diminui em 20%
- DAE tem risco de malformações congênitas cardiovascular/ musculoesquelética em 5-6% (10-20% se uso de 3 drogas)
- Risco de crise convulsiva materna é maior que o risco de teratogenicidade
- Manter tto habitual (preferir monoterapia na menor dose possível)
- Fazer suplementação de ác. fólico (1-4 mg/d) durante gestação
Epilepsia na Gravidez
- DAE indutoras de enzimas do citocromo P450 (Fenitoína, Carbamazepina, Topiramato, Fenobarbital e Primidona): ↑ chance de dça hemorrágica do RN por def. de Vit K
- Prevenção: Suplementação de Vit K VO 2 sem antes do parto p/ gestante + Vit K IM no RN após nascimento
- É contraindicado uso de Ác. Valproico, preferir carbamazepina e lamotrigina
- Aleitamento é permitido se mãe usar DAE, interromper se cça c/ efeitos colaterais (letargia e baixa ingestão) → Levetiracetam tem ↑ concentração no leite
Convulsão Febril ou Crise Febril
- Convulsão que ocorre na vigência de doença infecciosa febril (excluindo infecções do SNC e desequilíbrios hidroeletrolíticos) com temperatura ≥38oC (embora elevação possa ocorrer só depois da crise)
- Geralmente na OMA, amigdalite, laringites ou exantema súbito
- É benigna, autolimitada que não evolui para com anormalidade neurológica ou deficit cognitiva ao longo do tempo (dxx c/ crise epilépticas em vigência de febre)
Crise Febril Simples ou Típica
- Ocorre entre 6 meses até 60 meses (5 anos) de idade (média de 14-18 meses). Incomum antes de 3 meses;
- Tipo de crise: tônico-clônica generalizada
- Duração <15 minutos
- Período pós-ictal c/ uma breve sonolência
- Crise única em 24h
- É benigna e não provoca dano neurológico a longo prazo, mesmo se tenha tido várias crises febris simples
- Não aumenta o risco de epilepsia no futuro
Crise Febril Complexa ou Atípica (ou complicada)
- As convulsões em vigência de febre apresentam uma das seguintes abaixo:
- Tipo de crise FOCAL
- Duração > 15 minutos
- Período pós-ictal: presença de sinal neurológico (Ex: Paralisia de Todd) ou sonolência duradoura
- Recorrência da crise dentro de 24h
Convulsão Febril ou Crise Febril - Generalidades
- Hx familiar positiva
- Ausência de precipitantes
- Acomete mais meninos (1,6:1) entre 6 meses até 5 anos
- Após 5 anos a criança não volta a recorrer em crises e não se transforma em epilepsia futura
- A hipertermia pode estimular e reduzir o limiar convulsivo
Convulsão Febril ou Crise Febril - Generalidades
- Alto risco de recorrência se: <1 ano, <24h de febre, Febre entre 38-39oC
- Alto risco de epilepsia se: atraso no neurodesenvolvimento
- É a desordem convulsiva mais comum da infância (2-5% dos lactentes e pré-escolares)
- Hx familiar positiva de crises febris (autossômico dominante)
Convulsão Febril ou Crise Febril - Recorrências
- FR maior de recorrência: <1 ano, febre <24h antes da crise ou febre 38-39oC
- FR menor: Hx familiar +, hx familiar de epilepsia, crise febril complexa, sexo masculino, sódio sérico baixo
- Se ausência de FR a recorrência é de 12%, se 1 FR 25-50%, se 2 FR 50-59% e se 3 FR 73-100%
Convulsão Febril ou Crise Febril - Risco Epilepsia Futura
- Risco é = ao da população geral (0,5%)
- Fatores de risco abaixo são associados:
- Atraso no neruodesenvolvimento (33%)
- Crise febril complexa (29%)
- Hx familiar de epilepsia (18%)
- Duração da febre <1h antes da crise convulsiva (11%)
- Crise febris recorrente (4%)
Convulsão Febril ou Crise Febril - Etiologia
- Imaturidade cerebral com grande excitabilidade neuronal e formação de redes neurais
- Predomínio de neurotransmissores excitatórios
- Hipertermia, citocinas e padrão genético
- Traço autossômico dominante, genes FEB 2
- Crises sintomáticas (hipoglicemia, distúrbios eletrólitos, encefalites) são ≠ da crise convulsiva
Convulsão Febril ou Crise Febril - QC:
- Acontece com elevações rápidas da temperatura (≥39 oC)
- Crise usualmente é generalizada, tônico-clônica com duração até 15’
- Exame neurológico é normal
- Deve ser identificado o foco infeccioso
Convulsão Febril ou Crise Febril - Exames p/ Dxx:
- Se não identificar o foco, ou evoluir para mal epiléptico ou sinal de alerta (complexa, queda consciência) é fundamental a PUNÇÃO LOMBAR (excluir meningite, principalmente em <6m )
- Hemograma completo
- Eletrólitos
Convulsão Febril ou Crise Febril - TTO:
- Se está convulsivando: Diazepam IV/retal ou Midazolam IM, depois avaliar e tratar febre
- Não está convulsivando: avaliar causa da febre e tratar
- Punção lombar se: <6 meses OU crise complexa (crise tipo focal, duração prolongada >15’, recorrente em até 24h, pós-ictal c/ Todd ou sonolência prolongada)
- Uso de antitérmicos reduz mal-estar associado à febre, mas não impede a ocorrência da crise febril.
- Considerar EEG se fatores de risco
Quando fazer punção lombar na crise febril?
- <6 meses OU
- Crise complexa: crise tipo focal, duração prolongada >15’, recorrente em até 24h, pós-ictal c/ Todd ou sonolência prolongada
Crise Convulsiva na INFÂNCIA
- A mortalidade por estado epiléptico é de 5% ou menos
- Se necessário a via IM o midazolam é o BZP de escolha
- A ocorrência do estado epiléptico no geral ocorre na 1a crise
Diferenciais das Epilepsias
- Encefalopatia de Hashimoto: crise convulsiva, psicose, Coreia, tiques ,cefaleia e alterações do comportamento. Relação com alteração tireoide com anti-TPO (tirei peroxidasse)
- Síndrome opsoclonus-mioclonus: sd paraneoplasica com envolvimento do tronco encefálico e cerebelo, apresentando nas cças: ataxia, hipotonia, irritabilidade, mioclonias (ocular, apendicular, cefálica ou tronco) e desvio do olhar conjugado de forma arritmica, caótica e multidirecional
Diferenciais das Epilepsias
- Encefalite de Rasmussen: epilepsia focal, hemiparesia progressiva e deterioração intelectual, com atrofia cerebral
- Esclerose múltipla: desmielinizante inflamatória crônica, sintomas focais, motores, sensitivos e visuais.
- Encefalite autoimune: não infecciosa com sintomas neuropsiquiátricos, crises epilépticas, déficit cognitivo, distúrbios de mvtos e disautonomia.
- A mais comum é a anti-receptor N-metil-D-aspartato (anti-rNMDA), predomina em mulheres, cças e jovens, c/ quadro agudo de convulsão, discinesia orofacial, distúrbio consciência e teratoma no ovário