REMIT, Queimaduras, Cicatrização Flashcards
Resposta Endócrina Metabólica Imunológica ao Trauma
- Massa corporal magra: isenta de gordura, parte funcional de proteínas estruturais (músculo)
- Trauma, cirurgia e jejum fazem tanto proteólise como lipólise = disponibilização de glicose, segurar H20 e fornecer O2
- 1g de gordura = 9kcal
- 1g de proteína = 4 kcal
Metabolismo Intermediário
- Anabolismo: Insulina
2. Catabolismo: hormônios contra insulínicos (glucagon)
Anabolismo
- Período pós-prandial: ↑ glicemia e ↑ insulina
- Sobrou glicose: Insulina inicia o ANABOLISMO
- Construção de estoque (2 formas):
- ↑ glicogênio ou glicogenogênese(reserva de glicose)
- ↑ gordura ou lipogênese
Catabolismo
- Jejum, cx ou trauma: ↓ glicemia e ↓ insulina
- Hormônios contra insulínicos iniciam o: CATABOLISMO
- Destruição de estoque (2 formas):
- Glicogenólise: mantém glicemia estável por 12-24h
- GlicoNeoGênese: proteólise e lipólise
GlicoNeoGênese (Catabolismo)
- Proteólise:
- Glutamina
- Alanina
- Lactato
- Lipólise:
- Glicerol
- Ácidos graxos
- Todos exceto ác. graxos vão para o fígado e viram glicose
Ciclo de Felig
- Alanina vira Glicose na gliconeogênese
Ciclo de Cori
- Lactato vira glicose
Única substância que não vira glicose
- ÁCIDOS GRAXOS
2. No fígado se transforma em Corpos Cetônicos
Adaptações do Jejum/Trauma
- Reduz a proteólise
- Prioriza lipólise
- Cérebro começa a consumir corpos cetônicos
Manejo pré-operatório para evitar as REMIT
- Para sustar o processo em jejum fornecer 400 Kcal = 100 g de Glicose = 2000 ml SG 5%
- Previne a cetose de inanição (corpos cetônicos)
- Inibir a gliconeogênese
Resposta Endócrina Catabólica - Adrenal
*Aumento da resistência à insulina
- Cortisol: gliconeogênese (por AA) e permite ação das catecolaminas no processo de estímulo a lipólise. Permanece elevado por no mínimo 24h.
- ↑ IL-10 (anti-inflamatória) e apoptose linfocitos T
- Catecolaminas (epinefrina): preservar a perfusão sanguínea. Faz broncodilatação, ↑ FC, vasoconstrição e Atonia intestinal
- Faz piloereção, relaxa esfincter, glicogenólise, gliconeogênese e lipólise
- 2 ↓ TNF-a
- Aldosterona: retém Na e H20, libera K e H+ (preservar água) → alcalose mista do PO
Resposta Endócrina Catabólica - Hipotalámica
- ADH (vasopressina): faz oligúria funcional, ↓ débito urinário (<30 ml/h de diurese) operatória com retorno em 2-4 dias de PO
- Edema de ferida operatória
- Vasoconstrição esplêncnia: isquemia-reperfusão
- Glicogenólise e gliconeogênese
- Permanece elevado por 1 semana PO
- Pâncreas: ↓ insulina e ↑ glucagon
- ↑ GH (IL-1, TNF-a e IL-6 inibem IGF-1): ação catabólica inicial
Alterações Clínica e laboratoriais no PO
- Atonia intestinal: catecolaminas e opioides endógenos
- Oligúria funcional/ edema de ferida operatória: ADH
- Alcalose mista: aldosterona, drenagem nasogástrica, hiperventilação anestésica e hiperventilação associada à dor no PO
- HIPERGLICEMIA: ↑ glucagon, cortisol, catecolaminas e GH
- ↑ temperatura (37,8ºC): IL-1
- Anorexia: TNF-a
Resposta Imunológica (Pró-inflamatória)
- IL-1, IL-2 e TNF-a
- IL-1: ↑ temperatura (37,8ºC)
- TNF-a, IL-1: Anorexia (vasoconstrição esplênica)
Resposta Imunológica (Anti-inflamatórias)*
- IL-4, IL-6, IL-10, IL-13
2. TGF-B
Atenuação da Resposta Endócrina e Imunológica - MODULAÇÃO
- Catabolismo no trauma é iniciado por: DOR e LESÃO
- Anestesia peridural/epidural: ↓ resposta endócrina (cortisol, catecolaminas)
- Cx laparoscópica: ↓ produção imune de produção de citocinas (menores cortes menos leucócitos)
Fases do metabolismo no Pós-Operatório (PO)
- Fase adrenérgica-corticoide: logo após cx, c/ ↑↑↑ níveis catabólicos balanço negativo de nitrogênio. Dura 6-8 dias se não complicada.
- Fase anabólica precoce ou “retirada do glicocorticoide”: diurese, ação IGF-1 (anabólico), balanço nitrogenado positivo c/ síntese proteica e ganho de massa corporal magra e peso
- Fase Anabólica tardia: ganho ponderal lento (meses a anos)
REMIT no TRAUMA (lesão acidental)
- Trauma, sepse, hemorragia, pancreatite necrosante
- Agressão mais grave depende da intensidade da lesão
- Desgaste de proteína muscular mais acelerado (diafragma → respiração)
- Lipólise: microêmbolos gordurosos e acidose metabólica
- Vasoconstrição microcirculatória
Resposta Imune ao Trauma/Jejum
- Inata: pouco específica mas rápida (1ª linha de defesa) → neutrófilos, macrófagos, céls NK e dendríticas, sist. complemento, citocinas
- Limita dano tecidual, combate micro-organismo e céls tumorais e iniciar resp. adaptativa
- Adaptativa: demorada e resulta em resp. humoral (anticorpos) e celular (céls T citotóxica) c/ diferenciação dos linfócitos T helper
Citocinas na resposta ao trauma - Benefícios
- Processo de cicatrização de feridas
- Resposta contra micro-organismos invasores
- Aumento da síntese d eproteínas de fase aguda (IL-1 e IL-6)
- Estímulo à resposta imune
- Modulação da resposta imune (IL-10)
- Ação anti-inflamatória: IL-4, IL-6, IL-10, IL-13
- Diferenciação de linfócitos T e produção de IFN-y (IL-12)
Citocinas na resposta ao trauma - Efeitos Deletérios
- Febre pós-operatória: IL-1
- Anorexia: IL-1
- Caquexia e proteólise: TNF-alfa
- Falência orgânica múltipla: IL-6 e IL-1
- Diminuição da resposta a micro-organismos invasores: IL-10
Queimadura
- Lesão tecidual por trauma térmico, elétrico, químico ou radioativo, que destrói parcial ou total a pele e seus anexos
- Pode alcançar tecido cel. SC, músc., tendões e ossos
- Mortalidade bimodal: imediatamente após lesão (principal causa) ou semanas mais tarde (falência multiorgânica associada à sepse grave/choque)
- Queimaduras térmicas (chama,líquido, sólido aquecidos) são as mais frequentes
Grande Queimado (American burn association)
*Não inclui queimaduras de 1º grau
- Envolve ≥25% de SCQ em adultos entre 10-40 anos
- Envolve ≥20% SCQ em <10 anos ou >40 anos
- Envolve >10% SCQ de 3 grau
- Envolve olhos, ouvido, mãos, pés ou períneo (comprometimento funcional)
- Queimaduras elétricas de alta voltagem
- Queimadura complicada por trauma grave ou lesão por inalação
- Todos queimados que tenham cormorbidades graves
Indicações de Admissão em CETQ (ATLS)
- NÃO INCLUI queimadura de 1º grau (s/ repercussões sitêmicas/funcionais)
- 2º grau >10% SCQ
- 3º grau: qualquer %
- Face, mão/pé, grandes articulações
- Olhos, períneo/ genitália
- Química ou elétrica grave
- Comorbidades que pode ser piorada pela queimadura
- Lesão por inalação de via aérea
Atendimento inicial no Pré-Hospital ao Queimado
*Uso de gelo é contraindicado pois aumenta área queimada e/ou hipotermia
- Segurança da cena
- Afastar o pctes da fonte de calor: retirar as roupas, joias
- Resfriar a lesão: jogar água até 15-30 min após o trauma em temperatura ambiente ou ≥12ºC (morna se queimadura química)
- Prevenção da hipotermia: envolver c/ lençóis ou cobertores secos*
- Pegar acesso
- Decidir se precisa ir p/ CETQ
Evidências de envolvimento da VA no 1º atendimento
- Queimaduras cervicais ou faciais
- Chamuscamento dos cílio e vibrissas nasais
- Depósitos de carbono e alterações inflamatórias agudas na orofaringe
- Escarro carbonado
- Rouquidão
- Hx confusão mental e/ou confinamento no local do incêndio
- Hx de explisão c/ queimaduras de cabeça e tronco
- Níveis sanguíneo de carboxi-Hb >10%
Indicações de IOT precoce*
- Sinais de obstrução da VA (rouquidão, estridos, musc. acessória, retração esternal)
- SCQ >40-50%
- Queimaduras faciais profundas e extensas
- Queimaduras no interior da boca
- Edema ou risco
- Dificuldade de deglutir
- Rebaixamento de consciência
- Comprometimento respiratório
- Transferência de grande queimado
Atendimento Hospitalar ao Queimado
A. Coluna e VA B. Complicações respiratórias* C. Acesso e reanimação D. Disfunção neurológica E. Exposição
Complicações Respiratórias
- Cenário 1: queimadura em face e pescoço
- 1 Lesão térmica das VAS (fumaça quente)
- Lesão pulmonar por inalação (fumaça suja)
- Cenário 2: incêndio em recintos fechados (gases tóxicos)
- Intoxicação por monóxido de carbono
- Intoxicação por cianeto
Lesão térmica em VAS
*Não vai para o pulmão
- Lesão por altas temperaturas da VA se estende até as cordas vocais (rara até bifurcação traqueal)
- QC: hiperemia de orofaringe, rouquidão, estridor e Insuf. Respiratória IMEDIATA
- Dx: clínica/laringoscopia
- TTO: suporte ventilatório e IOT “preoce”
Lesão Pulmonar por Inalação
- Semelhante a uma alergia pulmonar
- Lesão face e/ou ambientes fechados
- Combustão de elementos no ambiente em chamas alcança a VA infraglótica, lesão brônquios, bronquíolos e alvéolos
- QC: alergia → sibilos, escarro carbonáceo, produção de muco
- Insuf. respratória mais tardia após 24 horas
- Dx: broncoscopia e cintilografia com Xe 133
- TTO: nebulização c/ broncodilatadores ± NBZ c/ heparina e Broncoscopia
Intoxicação pelo monóxido de carbono (CO)
- Locais fechados
- CO tem afinidade pela Hb 240x superior ao O2
- QC depende do tempo de exposição a fumaça, coloração vermelho-cereja da pele raramente é encontrada
- COHb <20% não há sintomas
- COHb 20-30%: cefaleia e náusea
- COHb 30-40%: confusão mental
- COHb 40-60%: coma
- COHb >60%: óbito
Intoxicação pelo monóxido de carbono (CO)
- Dx: dosagem de carboxihemoglobina
- O oxímetro de pulso não é capaz de sugerir exposição ao CO pois não diferencia a COHb da oxiemoglobina
- Divergência entra oxímetro de pulso e PaO2
- TTO: O2 a 100% em alto fluxo imediato, ↑ FiO2 e medicina hiperbárica
Intoxicação por Cianeto
*Rápida evolução p/ óbito
- Fumaça derivada da combustão (poliuretano, náilon, lã e algodão)
- Cianeto inibe metabolismo aeróbico
- QC: rebaixamento de consciência
- Dx: ↑ lactato e ↑ de cianeto
- TTO: deve ser empírico* com administração de Tiossulfato de Sódio e Hidroxicobalamina em altas dosagens
Ressuscitação Volêmica no Queimado
- Queimados com SCQ >20% faz resposta sistêmica inflamatória c/ ↑ permeabilidade capilar e perda de fluido e proteínas do intravascular p/ 3o espaço
- ↑ DC faz hipoperfusão de vísceras que agrava a área queimada
- Deve iniciar 1/2 Ringer Lactato no momento da exposição por 8 horas (Se exposição foi há 3 horas deve contabilizar para 5 horas) e 1/2 nas próximas 24 horas
- Fazer controle de diurese (cateter vesical de Foley) que deve ser de 0,5 a 1 ml/kg/h e 1ml/kg/h em crianças com <30 kg
- Sítio de punção pode ser em área queimada p/ não atrasar reposição volêmica
- Reforço do toxoide tetânico (0,5 ml) em todo pcte com >10% queimado + analgesia com opióides
Avaliação da Área Queimada(SCQ)
- Regra dos 9 ou de Wallace: usado para adultos
- Cada membro superior é 9% (4,5 anterior e 4,5 posterior), cada membro inferior é 18% (9 anterior e 9 posterior), tronco é 36% (18 anterior e 18 posterior), cabeça e pescoço 9%(4,5 anterior e 4,5 posterior), períneo e genitália juntos 1%
- A palma da mão corresponde a 1%
- Em criança a cabeça e pescoço é 18%, cada glúteo é 2,5%, cada perna é 14% (frente e trás) e membro superior 9%, tronco 18% e costas 13%
- Diagrama de Lund e Brownder: criança e adultos mais detalhado
Classificação das Queimaduras - Primeiro Grau
- Localização: epiderme sem comprometer anexos e sem bolhas
- Coloração: eritema
- Dor moderada com sensibilidade e ardência
- Não entra no cálculo de SCQ
- Ex: queimadura solar
- TTO: limpeza, analgesia e hidratantes
Classificação das Queimaduras - Segundo Grau (= bolhas)
- Compromete toda a epiderme até a derme. Superficial se até camada papilar e profunda se até camada reticular
- Coloração superficial eritematoso com bolhas e profunda rósea com bolhas e cicatrização estética, pode haver alterações de sensibilidade tátil com preservação da pressão (barestésica) com maior risco de cicatrizes não estética (Hipertrófica)
- Bolhas surgem em 12-24 horas
- Sensibilidade muito dolorosa na superficial e dor moderada na profunda
- TTO: limpeza, curativo + ATB tópico (Sulfadiazina de Prata), se profunda fazer enxerto
Classificação das Queimaduras - Terceiro Grau
- Compromete toda espessura da epiderme, derme e parte do tecido celular SC (hipoderme)
- Coloração variada desde pálida e esbranquiçada (cera) ou enegrecida ou vermelho-amarelado/ marrom
- Textura firme (=couro), sensibilidade tátil e pressão diminuída, dor ao redor da ferida
- Cicatrização só ocorre se contração importante ou enxerto cutâneo
- Se na região de tórax circunferências pode levar a insuf. Respiratória ou em membro compressão com hipoperfusão distal
- TTO: enxertia precoce e/ou ESCAROTOMIA (longitudinal medial) em peles duras
Classificação das Queimaduras - Quarto Grau
- Acomete toda espessura da pele, tecido SC e tecidos profundos (músculo e ossos)
- Comum na queimadura elétrica
Manejo das Queimaduras
*Ideal se >20% SCQ
- Primeiras 24 horas: 4ml (Parkland) ou 2 ml (ATLS 10ed) de Ringer Lactato x Peso x SCQ
- 1/2 nas 1as 8 horas e a outra 1/2 nas próximas 16 horas (calcular em horas que restam desde o pré-hospitalar)
- Controlar diurese ≥ 0,5 ml/kg/h (ou ≥1 em crianças ou se queimadura elétrica)
- Analgesia com opióides IV
- Profilaxia com tétano / TVP*
- Dieta com 1-2 g/kg/dia de proteína por via enteral
Cuidados com a Queimadura
- Obrigatório: Fazer desbridamento com retirada de corpos estranhos e tecidos desvitalizados com limpeza da ferida (água e clorexidina) com curativo oclusivo (troca 2x/dia)
- Remoção das bolhas: aumenta probabilidade de infecção e diminuem superfície de contato com ATB tópicos
- Sulfadiazina de prata a 1%: não faz dor na aplicação só causa neutropenia reversível, inativa contra pseudomonas e enterococcus
- Curativos biológicos ou sintéticos: queimaduras de 2o grau
- Enxerto: queimaduras de 2 e 3o grau dentro da 1a semana da queimadura
Complicações das queimaduras - Infecção e sepse
- Principal causa de morte nos queimados por perda cutânea, imunodepressão, predisposição a translocação bacteriana do TGI e procedimentos invasivos (VM, cateter profundo, SVD)
- Redução com uso de curativos sintéticos e biológicos e/ou tradicionais
- Antimicrobianos locais não esterilizam a área queimada, apenas mantém número de micro-organismo sob controle
- Não é recomendado ATB sistêmico profilático (faz pressão seletiva da flora e bactérias multirresistentes)
- Deve ser prescrito se desbridamento e enxertia no perioperatório por <24h
- Profilaxia com higienização de mãos e controle glicêmico (140-180)
Complicações das queimaduras - Infecção e sepse
- Sinais de infecção: evolução da área de queimadura de 2o grau p/ necrose da espessura da derme; surgimento de focos hemorrágicos, escuros ou negros; aparecimento de lesões sépticas na pele íntegra em torno da queimadura (ectima gangrenosa de Pseudomonas ou celulite)
- febre e leucocitose não são confiáveis
- Dx: biópsia quantitativa c/ 10 elevado entre 4 a 7 UFC/g de tecido queimado
- Agente mais comum: Aspergillus sp., Candida sp., herpes vírus
- Risco de desenvolver em outras áreas não queimadas (pneumonia)
Complicações das queimaduras
- Gastrointestinais: HDA de duodeno e estômago por úlcera de Curling (rara com uso de bloq. de H2), Síndrome de Oglive (pseudo- obstrução colônica)
- Colecistografia alitiásica (colecistecotmia), insuf. Hepatocelular (suporte)
- Cutânea: úlcera de Marjolin → queimadura de 3o grau que degenera para carcinoma de células escamosas que ocorre na cicatriz da queimadura após 35 anos da fase aguda da queimadura
- Mioglobinúria
Queimadura Elétrica
- Não se usa a fórmula de parkland pois a diurese deve ser com base na diurese elevada
- Queimadura de “dentro para fora” → acomete tecidos profundos, pele têm mais resistência que nervos, vasos sanguíneos ou músculos (áreas de baixa resistência)
- Geralmente causa lesão maior em área de entrada da corrente elétrica
- Queimaduras de baixa voltagem (domiciliar) = queimaduras térmicas
- Corrente alternada é mais perigosa que continua
- Monitorização cardíaca continua (risco de arritmia nas 1as 24 horas) c/ ECG
- Queima de músculo ocorre tanto na rabdomiólise e/ou Síndrome Compartimental
- Outras complicações: mioglobinúria, NTA por rabdomiólise, catarata*(2 anos após o acidente)
Queimadura Elétrica - Síndrome Compartimental
- Edema muscular, agravado por ressuscitação volêmica, com compressão vascular
- Ausência de pulso arterial não afasta a doença, mas sugere (pode estar presente)*
- Dor ao estiramento passivo do músculo (problema na fáscia)
- TTO: Fasciotomia
Queimadura Elétrica- Rabdomiólise
- Pode ocorre NTA
2. Conduta: forçar diurese >2ml/kg/h (manitol) + Alcalinização (bicarbonato de sódio)
Queimadura Química
- Dano progressivo e contínuo à pele e tecido SC, até ocorrer o tratamento
- Mais comum os acidentes domiciliares, e mais graves os industriais
- Por álcali é pior que por ácido, por penetrar mais e inativação mais tardia
- Nãodeve neutralizar
- O cuidado da ferida deve ser priorizada do que o ABCDE
Queimadura Química - Manejo
- Remover imediatamente as vestimentas e irrigar copiosamente a área queimada
- Não neutralizar
- Fazer irrigação PRECOCE c/ água morna sob baixa pressão: 15 a 20 ml ou ± 30 minutos
- Manter pH da pele = 7-7,5
Cicatrização
- Sequência de eventos p/ restaurar o tecido lesado
- Regeneração é a restauração por completo da arquitetura do tecido
- Possui 3 Fases cronológicas: inflamação, proliferação e maturação
- Possuem 3 mecanismos: fechamento 1o ou 1a intenção; 2o ou por 2a intenção ou 1o tardio ou por 3a intenção
Cicatrização de Feridas - Fase 1 de Inflamação (Inflamatória ou Reativa)
- Exsudato na ferida
- Vasoconstrição e inicio da HEMOSTASIA 1a e 2a (resposta inflamatória AGUDA)
- ↑ permeabilidade vascular: HISTAMINA
- Chegam NEUTRÓFILOS (PMN são os 1os a chegarem): fazem a “limpeza” local por 24-48h
- Depois chegam os “maestro”: MACROFAGOS que liberam fator de crescimento e transformação beta (TNF-b)
- Por último chegam os LINFÓCITOS T: libera IFN-y para estimular o FIBROBLASTO
Cicatrização de Feridas - Fase 1 de Inflamação
- Limita extensão da lesão
- Há predomínio de MACROFAGOS, que induzem apostou-se dos PMN (neutrofilos)
- IL-1 é a citocina pró-inflamatória de fase aguda e faz resposta febril
- IL-6 ativa linfócitos T que são recrutados no 5o dia da lesão
- Dura de 0 a 6 dias
Cicatrização de Feridas - Fase 2 de Proliferação (Regenerativa ou Reparadora)
*4-14 dias
- Tecido de GRANULAÇÃO
- O FIBROBLASTO é a célula principal desta fase! (É a ultima célula junto c/ linfócitos a acabar a cicatrização)
- Fibroplasia: migração, ativação e proliferação de fibroblastos fazendo síntese de Matriz Extracelular (MEC) e faz a deposição de colágeno. Inicial: Tipo III
- Angiogênese: neoformação de vasos (VEGF)
- Epitelização: encontrada em 24 hrs nas feridas fechadas por 1a intenção
- As células endoteliais e os fibroblastos são os últimos tipos celulares a infiltrarem a ferida
Cicatrização de Feridas - Fase 3 de Maturação (Remodelamento)
- Bordas contraindo
- O MIOFIBROBLASTO é a célula principal desta fase, que faz a contração celular.
- Faz a contração da ferida
- ↑ troca de colágeno tipo III pelo tipo I
- Formação de tecido cicatricial
- Dura de 8 a 16 dias.
Cicatrização de Feridas - Citocinas
- Principal citocina: TGF-Beta está presente em todas as fases faz a síntese de colágeno e MEC, estimula a proliferação de fibroblastos
Mecanismo de cicatrização
- Primário ou 1a intenção: fechamento por aproximação de bordos (sutura); enxertos ou retalhos. Rápida epitelização e pouca granulação (melhor resultado estético). Recomendado em ferida s/ contaminação e localização bem vascularizada
- Secundário ou 2a intenção ou espontâneo: deixada propositalmente aberta, dependente de granulação e contração das bordas. Uso no punção, cx canal anal ou alto grau de contaminação
- Primário tardio ou 3a intenção: inicialmente deixada aberta , por ter contaminação grosseira e c/ tto c/ desbridamento c/ ou s/ ATB e depois é fechado por sutura, enxertos ou retalhos
Fatores que PREJUDICAM na cicatrização
- Infecção: mais comum* de atraso de cicatrização (>10 a 5 UFC)
- Idade avançada: deiscência de ferida*
- Hipóxia: doença vascular, tabagismo, HT <15% (anemia)
- Diabetes: ação em todas as fases por neuropatia autonômica, aterosclerose e infecções
- Hipoalbuminemia <2 g/Dl
- ↓ vitamina: A (todas as fases), C (fibroplasia), K e Zinco (epitelização)
- Corticoide: efeito anti-inflamatório na 1a fase, síntese de colágeno, epitelização e contração
- Quimioterapia e radioterapia
Cicatrização Anormal Proliferativa - Hipertrofia
*Proliferação anômala de fibroblasto e excessivo de colágeno
- Localizado nos limites da lesão inicial
- Se desenvolve em ≤4 semanas da agressão e regressão espontânea em 12 a 18 meses
- Ocorre em áreas de tensão da pele e superfícies flexoras
- Não há componente genético predisponente
- Pode ter dor ou prurido
- TTO passível c/ terapia de pressão.
Cicatrização Anormal Proliferativa - Queloides
*Excesso de colágeno (alta produção de fibronectina, elastina e proteoglicana)
- Lesões elevadas, levemente dolorosas (ardência) e pruriginosas
- Ultrapassam os limites da ferida original
- Mais comum em negros, hispânicos, asiáticos e tonalidade pigmentada
- Ocorre mais em jovens e tem componente genético (autossômica dominante com penetração incompleta e expressão variável)
- Não regridem espontaneamente
- Mais frequentes em tronco, cabeça e pescoço, e ombros
- Surgem após >3 meses
- Difícil tratamento c/ triancinolona intralesional (1a linha)
Sucesso do processo cicatricial
- Ambiente úmido
- Remoção do excesso de exsudato
- Trocas gasosas
- Barreira contra contaminação de particular e bactérias
- Proteção mecânica
- Oclusão* (maior poder cicatricial por garantir umidade do meio e proteção mecânica e barreira anti-bacteriana)
Oxigenoterapia Hiperbárica (OHB)
- Oferta de oxigênio puro (FiO2 =100%) em ambiente pressurizado em um nível acimada da pressão atmosférica
- Indicações: feridas crônicas que não cicatrizam; retalhos ou enxertos comprometidos; Sd. Forneiros; oteorradionecrose; queimaduras elétricas/ térmicas de difícil manejo; osteomielite; embolia gasosa
- Complicações: barotrauma do ouvido médio, pneumotórax
Tecidos com menor resistência elétrica
- Nervos e vasos sanguíneos
Úlcera de Marjolin
- Odor fétido
- Lesão úlcera da de bordos irregulares que não cicatriza e apresenta fundo sujo ou necrótico
- Excesso de tecido de granulação , crescimento rápido e sangramento ao toque
- Carcinoma epidermoide (escamoso) que cresce em cicatrizes de queimaduras (mais mas de 3o grau) ou feridas crônicas
- Desenvolvimento lento em 30 anos
- Lesão agressiva e de mau prognóstico
Risco de infecção cirúrgica
- Idade >65 anos e crianças
- Hiperglicemia prejudica imunidade celular (DM)
- Ascite (Cx abdominal)
- Uso corticoide
- Hipercolesterolemia
- Desnutrição
- Cx recente
Resposta metabólica no paciente cirúrgico
- Após o estresse agudo, ocorre rápida mobilização dos depósitos de gordura por meio da ativação da lipase
- O trauma Cx leva aumento da resistência à insulina
- No trauma prolongado pode ocorrer estado de catabolismo refratário
- A glicogenolise é estimula por hormônio liberados após aumento das citocinas pro-inflamatórias
Queimadura em Crianças
- Em menores de 12 anos se >10% da superfície corporal devem ser hospitalizado e ser considerado grande queimado (adultos é a partir de 15%)
- Preferir Ringer lactato (evitar acidose) que é um cristaloide
- Coloide nunca tem indicação de reposição inicial (apenas tardia)
- Hidratação não piora o choque
- Hidratação venosa está indicada p/ SQC >15%
Úlcera por Pressão - CLASSIFICAÇÃO NPUAP
- Lesão por Pressão Estágio 1: Pele íntegra com eritema que não embranquece
- Lesão por Pressão Estágio 2: Perda da pele em sua espessura parcial com exposição da derme
- Lesão por Pressão Estágio 3: Perda da pele em sua espessura total - gordura do SC é visível
- Lesão por pressão Estágio 4: Perda da pele em sua espessura total e perda tissular com exposição ou palpação direta da fáscia, músculo, tendão, ligamento, cartilagem ou osso.
- Lesão por Pressão Não Classificável: Perda da pele em sua espessura total e perda tissular não visível, a extensão do dano não pode ser confirmada porque está encoberta pelo esfacelo ou escara.
- Lesão por Pressão Tissular Profunda: descoloração vermelho escura, marrom ou púrpura, persistente e que não embranquece.