hepatite ATD 3 Flashcards
Hepatite Aguda viral: Epidemiologia, dados clínicos e laboratoriais
Epidemiologia: Esporádica ou Endêmica a via de transmissão pode ser fecal/oral, parenteral, sexual ou vertical.
Quadro Clínico: Presente ou ausente – Anorexia, Náuseas, Colúria e Icterícia (nem sempre): formas colestáticas.
Alterações Bioquímicas (Lesão Hepatocelular): +
Aminotransferases (TGO e TGP) e bilirrubinas, com ou sem aumento de enzimas de membrana (FA e GT).
Aspectos morfológicos da hepatite aguda
Macroscopia: Congesto e edemaciado porém diminuído na forma fulminante.
Microscopia: 81,6% do órgão = hepatócitos, escasso estroma. Na hepatite aguda lesões Hepatocelular predominam. Os hepatócitos infectados ativam macrófago CD8+ citotóxico que destrói os próprios hepatócitos.
Alterações parenquimatosas: Degeneração, necrose, regeneração; conferindo aspecto de desarranjo das trabéculas hepáticas.
Degeneração hidrópica (achado inespecífico hepatite viral aguda)
Com prejuízo da bomba de sódio: tumefação dos hepatócitos – degeneração balonizante. Pode evoluir para necrose: “Drop-out-necrosis” onde o hepatócito simplesmente se desprende da trabécula, deixando como marca a presença de inflamação local.
Degeneração acidofílica (achado inespecífico hepatite viral aguda)
Retração citoplasmática, evolução para morte celular resultando em corpúsculo de Councilman-Rocha Lima (Descrito na febre amarela, visto em várias doenças hepáticas), processo de apoptose, sem resposta inflamatória.
Necrose Hepatocelular (achado inespecífico hepatite viral aguda)
Focal (forma clássica), Mais extensa (em ponte, panacinar). Necrose maciça: Hepatite fulminante
Resposta linfomononuclear (achado inespecífico hepatite viral aguda)
Precede a lesão Hepatocelular ou consequente a necrose do hepatócito: nos espaço-porta e áreas de necrose. Passagem do espaço porta para o parênquima = Spillover. Necrose da interface (saca-bocado).
Células de Kupffer (achado inespecífico hepatite viral aguda)
e macrófagos portais ativados e contendo lipofuscina
Colestase (achado inespecífico hepatite viral aguda)
intra-hepatocítica e intra-canalicular. Mais comum em Hepatite A e C
Classificação histológica da hepatite aguda (tipo necrose)
- Clássica, com necrose focal.
- Com necrose em ponte
- Com necrose panacinar (maciça ou submaciça)
Classificação temporal da hepatite aguda (tipo de necrose)
- Clássica (Até 6 meses)
- Prolongada (6 meses a 1 ano)
- Em resolução
Hepatite pelo vírus A
- Sinônimos: “Hepatite infecciosa”.
- Vírus: Hepatovírus RNA (picornavírus).
- Transmissão: Fecal-oral, geralmente alimentos/água contaminados.
- Período de incubação: 3 a 5 semanas.
- Quadro clínico: Anorexia, Náuseas, vômito, icterícia. Muitos casos são sub-clínicos. Tem as enzimas e a bilirrubina aumentada.
- Lesão Hepatocelular: Citotoxidade anticorpo-dependente, através da resposta imune do tipo humoral.
- Sorologia: IgM anti VHA na fase aguda e IgG por toda a vida.
- Evolução: Não evolui para crônica, nem leva a estado de portador.
Hepatite pelo vírus B
- Sinônimos: Hepatite Sérica
- Vírus: Hepadnavírus DNA. Partículas de DANE
- Transmissão: Parenteral, sexual, vertical. Presente no Sêmen, na saliva, no leite materno e no suor.
- Indivíduos Infectados: Aproximadamente 300 Milhões
- Período de incubação: 30 a 180 dias (Média de 1,5 a 2 meses)
- Quadro clínico: Igual ao da hepatite
- Cronificação: Persistência das alterações clínicas, bioquímicas e sorológicas por mais de 6 meses; ocorre em aprox. 3-10%.
- Lesão Hepatocelular: mediada por mecanismo humoral e celular.
Hepatite pelo vírus C
- Vírus: RNA – Isolado em 1989 entre os assim chamados vírus NANB
- Transmissão: Parenteral: 90% pós transfusão, drogadição, vertical e sexual não-habituais, casos esporádicos.
- Período de incubação: 14 a 180 dias
- Quadro clínico: ~ a VHA e VHB. Evolução para doença crônica +- 50%
- Lesão Hepatocelular: Imunológicamente mediada. Anti- VHC+ no soro por época de elevação das transaminases
- Forma fulminante: Rara
Hepatite pelo “vírus” D (delta)
- Vírus: RNA (viruóide - agente delta) – centro encapsulado AgHbs, necessário para sua replicação.
- Transmissão: Parenteral
- Apresentação:
1) Como hepatite aguda, com hepatite aguda pelo VHB
2) Como hepatite aguda em portador crônico do VHB
3) Como hepatite crônica em portador crônico do VHB - Lesão Hepatocelular: Citotóxica direta (?)
- Imuno-histoquímica: HD Ag no núcleo dos hepatócitos.
Hepatite pelo vírus E
- Vírus: RNA (calicivirus), Descrito em 1990
- Transmissão: Fecal-oral. Ásia, África e América latina
- Clínica e epidemiologia: ~ a VHA. Curto período de incubação e é mais grave durante gestação
- Lesão Hepatocelular: Imunológicamente mediada
Hepatite pelo vírus não A-E
- Vírus F, G (vírus RNA); TTV e SEN-V (DNA): pouco se sabe.
- Vírus F relacionado a hepatite fulminante.
- Vírus G talvez não seja patogênico.
- Vírus TTV talvez cronifique.
Evolução da hepatite aguda
Cura: Diminuição progressiva do infiltrado inflamatório, inicialmente no lóbulo e depois nos E-P; Placa limitante se torna íntegra; Restituição das trabéculas de hepatócitos.
Células de Kupffer e Macrófagos portais: proeminentes a mais tempo, até a cura da hepatite.
Pode cronificar.
Hepatite crônica
Definição: Inflamação hepática não resolvida no espaço de 6 meses a 1 ano (critério cronológico). No entanto, o melhor critério é o anatomopatológico.
Etiologia: Vírus hepatotróficos (B, C e D), autoimunidade, drogas, doenças metabólicas hereditárias, como a doença de Wilson e deficiência de 1anti-tripsina.
Macro: Fígado aumentado em volume
Micro: Espaços-porta alargados, com infiltrado inflamatório mononuclear, com ou sem necrose de hepatócitos da placa limitante (saca-bocados ou “piecemeal necrosis”)
Necrose em saca bocados: lesão mais importante como sinal de Hepatite crônica ativa
Elementos Celulares envolvidos (hepatite crônica)
Células reticulares interdigitantes: apresentadoras de antígenos: situadas na periferia dos E-P.
Linfócitos T supressor: r / citotóxicos (CD 8): atacam e destroem os antígenos de membrana dos hepatócitos Peri-portais
Células reticulares dendríticas: apresentadoras de antígenos: situadas no centro dos E-P
Linfócitos T helper: / indutores (CD 4): também no centro dos E-P
Hepatite crônica ativa
O hepatócito da placa limitante sofre desintegração: Apoptose.
E-P se alargam atingindo E-P vizinhos (pontes porta-porta) ou se unem a áreas de necrose da zona 3 (pontes porta-centro).
O parênquima Peri-portal é substituído por tecido colágeno septos fibrosos alterações estruturais, com desorganização e evolução para a cirrose pós-necrótica.
Estadiamento da hepatite crônica
Sociedade Brasileira de Patologia: alteração estrutural, infiltrado portal, atividade periportal, alteração parenquimatosa.
Metavir: A (atividade) F (Fibrose)de 1 a 3
1 suave
2 moderado
3 intenso
Achados histológicos específicos (marcadores etiológicos): Presentes na fase aguda, mas são mais frequentes na doença crônica. (Hepatite)
- Hepatócitos com o citoplasma em “vidro fosco”: VHB.
- Esteatose: VHC.
- Formação de folículos/agregados linfoides: VHC.
- Agressão ao ducto biliar: VHC 5.
- Depósitos de Cu (coloração- Rodanina): D. de Wilson
- Depósitos de 1 A-T (coloração específica-PAS): deficiência de 1 A-T
Hepatite Autoimune
Semelhante a Hepatite viral crônica
- predomina em mulheres - 70% jovens
- sorologia negativa
- IgG elevado (>2,5g%)
- 80% com auto-Ac ANA, anti-musculo liso, anti-mitocondrial, anti-microssomo hepático e renal. Nome antigo: Hepatite Lupóide?
- maior frequência em HLA B8 ou DRw3
Hepatite alcoólica
Patogenia do alcoolismo: ação hepatotóxica direta do etanol e do acetaldeído que produz alterações metabólicas:
1. + peroxidação de lipídios
2. + produção de triglicérides
3. + mobilização dos depósitos periféricos de gordura
4. inibe o reparo de DNA
5. aumenta a síntese de colágeno, etc.
Morfologia da hepatite alcoólica:
* A 1 a alteração hepática é a Esteatose associada à degeneração hialina de Mallory.
– Hepatomegalia
* Resposta inflamatória lobular com presença de neutrófilos: esteato-hepatite
- Deposição de tecido colágeno, fibrose peri-venular, septos fibrosos e cirrose
Esteato hepatite não alcoólica
- Termo introduzido por Ludwig e col. (1980)
- Oligossintomática, com alterações enzimáticas discretas.
- Evolução para cirrose em menos de 3%.
- Principais causas: obesidade, diabetes mellitus tipo 2, cirurgia de “by pass” jejuno-ileal, jejum prolongado, drogas - amiodarona, maleato de perexilene, diuréticos, hipoglicemiantes orais, estrógenos, hormônios tireoidianos, corticosteroides.