Cuidados pós-parada Flashcards
Qual o objetivo dos cuidados pós-PCR?
O objetivo dos cuidados pós-PCR é otimizar a recuperação do paciente e minimizar danos secundários após o retorno da circulação espontânea (RCE). Para isso, as condutas se concentram em:
-Determinar e tratar a causa da PCR, evitando novas paradas.
-Minimizar a lesão cerebral por meio do controle
da temperatura, ventilação e perfusão adequadas.
-Manejar a disfunção cardiovascular, garantindo estabilidade hemodinâmica e suporte adequado.
-Lidar com complicações da lesão por isquemia-reperfusão, prevenindo falência de múltiplos órgãos.
O que a bradicardia pode sugerir após a RCE (retorno da circulação espontânea)?
Pode indicar causas cardíacas, hipóxia, distúrbios metabólicos ou intoxicações, isso porque é esperava uma taquicardia reflexa após retorno da circulação.
A que se deve a disfunção cardíaca secundária?
A disfunção cardíaca secundária após a RCP ocorre devido a uma combinação de fatores associados à isquemia e à reperfusão, levando a um quadro conhecido como síndrome pós-parada cardíaca. As principais causas incluem:
-Lesão por isquemia-reperfusão → Durante a PCR, o miocárdio sofre hipóxia severa. Com a retomada da circulação, a rápida reoxigenação gera estresse oxidativo e inflamação comprometendo a função cardíaca.
-Disfunção miocárdica → Após a RCP, há redução da contratilidade do miocárdio, semelhante a um choque cardiogênico transitório, causado por disfunção mitocondrial e acúmulo de metabólitos tóxicos.
-Instabilidade hemodinâmica → Hipotensão, vasoplegia e arritmias são comuns devido ao desequilíbrio autonômico, inflamação sistêmica e disfunção endotelial.
-Síndrome de resposta inflamatória sistêmica (SIRS) → A reperfusão do tecido hipóxico leva à liberação de mediadores inflamatórios, aumentando a permeabilidade capilar e comprometendo o débito cardíaco.
-Disfunção autonômica → Ocorre uma ativação desregulada do sistema nervoso simpático, levando a efeitos deletérios como aumento do consumo de oxigênio pelo miocárdio e risco de novas arritmias.
Essa disfunção cardíaca costuma ser transitória, com recuperação em 24 a 72 horas, mas pode evoluir para choque cardiogênico, especialmente se houver lesão miocárdica prévia significativa.
Quais reflexos de tronco são avaliados no exame neurológico pós-PCR?
1.Reflexo Fotomotor → Consiste na contração da pupila (miose) no olho em que a luz incide diretamente. Esse reflexo avalia a integridade do nervo óptico (NC II) e do nervo oculomotor (NC III), além das conexões do mesencéfalo.
2.Reflexo Consensual → Quando a luz incide sobre um olho, a pupila do olho contralateral também se contrai. Isso ocorre porque parte das fibras do nervo óptico cruza no quiasma óptico, ativando ambos os núcleos do nervo oculomotor.
3.Reflexo Corneopalpebral → Consiste no piscar dos olhos ao toque da córnea (geralmente com um algodão ou gaze). Avalia a integridade do nervo trigêmeo (NC V, ramo oftálmico) como via aferente e do nervo facial (NC VII) como via eferente.
4.Reflexo Óculocefálico (Reflexo dos Olhos de Boneca) → Ocorre quando a cabeça é movimentada para um lado, e os olhos se movem na direção oposta para manter o olhar fixo. Esse reflexo avalia a integridade do tronco encefálico, envolvendo os nervos vestibulococlear (NC VIII), oculomotor (NC III) e troclear (NC IV). Sua ausência pode indicar lesão grave no tronco encefálico.
5.Drive Respiratório → Refere-se ao estímulo central para a respiração, sendo regulado principalmente pelo centro respiratório no tronco encefálico (bulbo e ponte). O principal mecanismo envolvido é a resposta ao aumento da PaCO₂ e à acidose, que ativam quimiorreceptores centrais e periféricos para estimular a respiração.
6.Reflexo de Tosse → É um mecanismo de defesa das vias aéreas. Ocorre quando um estímulo irritante ativa receptores na laringe, traqueia ou brônquios, gerando um reflexo mediado pelo nervo vago (NC X) e resultando em uma tosse vigorosa para expulsar o agente agressor. Esse reflexo é essencial para a proteção da via aérea e sua ausência sugere comprometimento do tronco encefálico ou depressão neurológica grave.
Quais exames laboratoriais deve-se solicitar após uma PCR?
- Gasometria arterial: avaliação do equilíbrio ácido-base e oxigenação, idealmente em intervalos inferiores a 6 horas.
- Lactato: indicador de hipoperfusão e prognóstico.
- Eletrólitos (Na, K, Ca, Mg): correção de distúrbios.
- Troponina: identificação de síndrome coronariana aguda.
- Função renal e hepática: avaliação de disfunção orgânica
- Hemograma: identificação de infecção ou anemia
- Coagulograma: avaliação de distúrbios de coagulação
Por que a dosagem de troponina deve ser realizada em intervalos de 8 a 12 horas pós-RCE?
Para detectar lesão miocárdica e diferenciar elevações relacionadas à PCR de um infarto agudo do miocárdio.
Quais exames complementares devem ser solicitados?
- Eletrocardiograma (universal)
- Raio-x de tórax (universal) -
- USG point-of-care (POC (universal)
- Angiotomografia de tórax - investigação de tromboembolismo pulmonar
- ## TC de crânio (individualizada) - pacientes com alteração de exame neurológico ou que permaneceram inconscientes após RCE. Detecta precocemente edema cerebral ou hemorragia intracraniana pós-PCR.
Qual a primeira intervenção no manejo do sistema respiratório no pós-PCR?
Assegurar uma via aérea definitiva, principalmente se um dispositivo temporário de resgate, como máscara laríngea, foi utilizado durante a RCP.
Quais são os principais distúrbios gasométricos no pós-PCR?
Hipóxia e acidose, que devem ser corrigidas com prioridade para evitar danos secundários.
Por que devemos evitar hiperóxia no pós-PCR?
PaO₂ > 300 mmHg está associada a maior mortalidade hospitalar e pode gerar estresse oxidativo e danos celulares.
Qual a meta de saturação periférica de oxigênio (SpO₂) no pós-PCR?
Manter SpO₂ entre 92-98%, ajustando a FiO₂ para evitar hiperóxia.
Qual o impacto da hiperventilação no paciente pós-PCR?
A hiperventilação pode levar à vasoconstrição cerebral, reduzindo o fluxo sanguíneo para o cérebro e piorando a lesão neurológica.
Quais são os alvos gerais da ventilação mecânica no pós-PCR?
Resposta:
SpO₂ > 94%
PaO₂ ~100 mmHg
PaCO₂ entre 35-45 mmHg
Evitar hiperventilação e hiperóxia
Quais parâmetros podem ser usados para avaliar a perfusão pós-PCR?
Diurese (> 0,5 mL/kg/h) e pressão venosa central (PVC) entre 8 e 12 mmHg, embora a PVC tenha baixa acurácia na predição de fluidorresponsividade.
Quais são os alvos recomendados de pressão arterial média (PAM) no pós-PCR?
Manter a PAM acima de 65 mmHg para reverter o choque e, quando possível, entre 80 e 100 mmHg para otimizar a perfusão cerebral.
Quais são as principais opções inotrópicas para choque cardiogênico pós-PCR?
Dobutamina (2 a 20 µg/kg/min) e milrinone (dose de ataque 50 µg/kg em 10 min, seguida de infusão contínua de 0,375 a 0,75 µg/kg/min).