Transtornos Convulsivos Flashcards
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Definição
Uma atividade excessiva e/ou hipersincrônica de neurônios corticais que resulta em sintomas neurológicos transientes.
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Convulsão sintomática aguda
Convulsão “provocada”
Convulsão que ocorre no momento ou após um evento agudo sistêmico ou condição do SNC: até uma semana após AVC, TCE, encefalopatia anóxica, cirúrgia intracranina; hematoma subdural; infecção do SNC; exacerbação de esclerose múltipla e outras doenças autoimunes; distúrbios metabólicos; intoxicação/abstinência alcoólica
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Convulsão reflexa
Convulsão que possui gatilhos específicos que diminuem o limiar convulsivo:
* luzes piscantes, músicas
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Crise não provocada
Convulsões que ocorrem sem uma causa identificada.
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Ictal
Ocorre durante a convulsão
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Interictal
Ocorre entre crises convulsivas.
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Pós-Ictal
Sinais que ocorrem após a crise convulsiva.
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Epilepsia
Transtorno neurológico crônico caracterizado por uma disposição a crises convulsivas:
* Duas ou mais crises não-provocadas ou reflexas separadas por mais de 24h
* Uma crise não provocada/crise reflexa em um indivíduo com alto risco (após TCE, AVC, infec do SCN)
* Diagnóstico de síndromes convulsivas
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Epilepsia refratária
Epilepsia na qual duas drogas antiepilépticas (administradas em conjunto ou não) falharam em prevenir as crises.
30% das epilepsias são refratárias aos tratamentos farmacológicos.
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Epilepsia resolvida
- Síndrome epiléptica relacionada à idade que não ocorre em indivíduos que estão além da idade relacionada à síndrome;
- Não ocorrência de crises > 10 anos em indivíduos que não estavam em tratamento nos últimos 5 anos.
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Uma única crise ou múltiplas crises provocadas (que possuem gatilhos; convulsão febril) sem uma predisposição à convulsões não é suficiente para diagnosticar um indivíduo como epiléptico.
Verdadeiro.
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Gatilhos para crises convulsivas
Gatilhos são estímulos que podem precipitar crises convulsivas em indivíduos com e sem epilepsia.
- Ex. físico em excesso
- Consumo etílico
- Febre - gatilho mais comum em crianças
- Privação de sono
- Luzes piscantes
- Música
- Hormônios - ciclo menstrual
- Má-aderência à MAP
Transtornos Convulsivos e Epilepsia
Causas de convulsões sintomáticas agudas
- TCE
- AVC
- Encefalopatia anóxica
- Cirurgia neurológica
- Infec. SNC
- Distúrbios metabólicos - uremia
- Abstinência alcóolica
- Drogas recreacionais
- Exacerbações de doenças autoimunes
Transtornos Convulsivos e Epilepsia - Classificação
Focal
- Origina-se nas conexões de um único hemisfério cerebral
- Paciente consciente ou não
- Início motor ou não
- Focal -> envolvimento bilateral tônico-clônico (característico de envolvimento bilateral)
Transtornos Convulsivos e Epilepsia - Classificação
Generalizada
- Origina-se em ambos os hemisférios
- Tônico-clônico ou outros
Transtornos Convulsivos e Epilepsia - Classificação
Indeterminada
- A classificação em focal ou generalizada não é possível
- Motor: tônico-clônico; outros motores; não-motores
Manifestações Clínicas
Focais
Também chamadas de Parciais
Originam-se em um hemisfério cerebral
Usualmente causadas por anormalidades estruturais focais
Sintomas dependem da área anatômica afetada
- Consciência: intacta ou não - causa mais comum de consciência rebaixada é convulsão do lobo temporal;
- Ictal: aura - ansiedade, medo, déjà vu;
- Sintomas motores: automatismos; flacidez muscular; mioclonias; clonias; tonias; marcha Jacksoniana; movimentos irregulares de grande amplitude
- Autonômicos; comportamentais; cognitivos (dislexia, afasia, anomia, amnésia anterógrada); emocionais (riso, choro, medo); sensitivos (visuais, somatosensitivos; vestibular; auditivo; olfativo; gustatório)
- Pós-ictais: déficits nerológicos transientes a depender a região afetada; paralisia de Todd (dura de minutos até 36h)
Manifestações Clínicas
Focal à tônico-clônico bilateral
Antigamente classificada como convulsão tônico-clônico generalizada secundária.
- Progride à perda da consciência
- Começa unilateral e proguide à fase bilateral: perda de consciência, sintomas motores - convulsão tônico-clônica; incontinências urinária e/ou fecal
- Pós-ictal: confusão, sonolência, agitação, fadiga, possível esquecimento da crise
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão Tônico-Clônica (grand mal)
Envolve um/ambos hemisférios cerebrais
Tem início com a perda da consciência
Pacientes não se lembram da convulsão
- Pródromos até horas antes da convulsão: transtornos do sono, tonturas, mudanças de humor, ansiedade/irritabilidade, problemas de concentração
- Perda de consciência súbita e sem aviso (normalmente pacientes sofrem queda ao solo)
- Sintomas motores:
1. Fase tônica: contração muscular generalizada: rotação dos olhos, apneia, mordedura de língua, sialorreia, cianose e gemidos (grito ictal, causado pela contração dos múculos laríngeos e respiratórios)
Aumento do tonus simpático: pupilas dilatadas irresponsivas, aumento da FC e da PA
2. Fase clônica: contrações musculares rítmicas
3. Incontinência urinária/fecal
4. Lacerações por modedura de língua
5. normalmente duram de 1-3 minutos
Pós-ictal: irresponsibilidade; confusão; amnésia do evento; afasia; fadiga; flacidez e dor musculares; cefaleia; hipersalivação com ou sem obstrução aérea
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão Tônico-Clônica (grand mal)
Envolve um/ambos hemisférios cerebrais
Tem início com a perda da consciência
Pacientes não se lembram da convulsão
- Pródromos até horas antes da convulsão: transtornos do sono, tonturas, mudanças de humor, ansiedade/irritabilidade, problemas de concentração
- Perda de consciência súbita e sem aviso (normalmente pacientes sofrem queda ao solo)
- Sintomas motores:
1. Fase tônica: contração muscular generalizada: rotação dos olhos, apneia, mordedura de língua, sialorreia, cianose e gemidos (grito ictal, causado pela contração dos múculos laríngeos e respiratórios)
Aumento do tonus simpático: pupilas dilatadas irresponsivas, aumento da FC e da PA
2. Fase clônica: contrações musculares rítmicas
3. Incontinência urinária/fecal
4. Lacerações por modedura de língua
5. normalmente duram de 1-3 minutos
Pós-ictal: irresponsibilidade; confusão; amnésia do evento; afasia; fadiga; flacidez e dor musculares; cefaleia; hipersalivação com ou sem obstrução aérea
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão Clônica
- Perda da consciência
- Tremedeira muscular rítmica (de todo o corpo ou apenas parte)
- Pós-ictal: amnésia do evento
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão Tônica
- Normalmente ocorre quando o paciente está sonolento, dormindo ou após acordar
- Perda da consciência
- Rigidez muscular (extensão ou flexão da cabeça, tronco e/ou extremidades) - uni ou bilateral
- Sintomas autonômicos
- Pós-ictal: amnésia do efento; sonolência e confusão podem ocorrer
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão Mioclônica
Associada com síndromes epilépticas: epilepsia mioclônica juvenil; síndrome de Lennox-Gastaut; epilepsia mioclônica progressiva
- Mioclonia positiva: contração muscular súbita;
- Mioclonia negativa: perda rápida da atividade muscular durante a contração tônica
- Mioclonia pode afetar todo o corpo ou não
- Convulsão mioclônica são disrrítmicas e irregulares
- Pós-ictal: amnésia do evento
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão mioclônica-atônica
Também associada com síndromes epilépticas
- Mioclonia, seguida de uma breve perda do tonus muscular
- Pós-ictal: amnésia do evento
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão mioclônica-tônica
Também associada com síndromes epilépticas
- Mioclonia seguida de breve aumento do tonus muscular
- Pós-ictal: amnésia do evento
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas
Convulsão Atônica
Também conhecida como drop seizure/drop attack
Também associada com síndromes epilépticas
- Perda súbita do tônus muscular (dura < 15 seg)
- Frequentemente confundido com síncope
- Pós-ictal: amnésia do evento
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas não-motores
Crise de ausência típica
- Interrupção do movimento/atividade; olhar vazio, não responsivo (confundido com day-dreaming)
- Pode ocorrer centenas de vezes ao dia e dura < 10 seg
- Automatismos sutis
- Início e parada súbitos
- Gatilhos: hiperventilação, luzes piscantes
- Pós-ictal: consciência volta rápido sem problemas; amnésia é comum
Manifestações Clínicas - Convulsões Generalizadas não motoras
Crise de ausência atípica
- Interrupção na atividade motora e cognitiva; olhar vazio
- Pacientes podem ser responsivos
- Automatismos
- Pequenos movimentos com as mãos
- Duram mais que o normal 10-30 seg
- Início e parada graduais
- Pós-ictal: consciência volta rápido sem problemas; amnésia é comum
Diagnóstico
Primeira Crise Convulsiva
- Confirmar a convulsão
- Identificar a causa, se possível
- Avaliação clínica da convulsão (focal vs generalizada) e identificar gatilhos
- Obter exames laboratoriais para distúrbios metabólicos
- Neuroimagem para causas estruturais
- EEG
Diagnóstico
Epilepsia já diagnosticada
- Procurar causas gatilho e fatores que aumentem a frequência das crises: má aderência ao tratamento, medicamentos; infecc ou doenças sistêmicas; consumo etílico ou de drogas; checar nível sérico das drogas AEP; EEG
Obter neuroimagem em pacientes com epilepsia diagnosticada e que tiveram mudanças no padrão das crises ou outros fatores que possam indicar problemas, como TCE, novos déficits neurológicos ou cefaleia persistente
Tratamento Farmacológico
Primeira crise (0-5 min)
- Normalmente auto-limitada, não é necessária farmacoterapia.
Tratamento Farmacológico
Status epilépticus inicial (5-20 min)
Administrar push dose, e repetir a cada 5-10 minutos se não houver resposta
- Lorazepam, diazepam IV
- Midasolam IM se acesso IV não for possível
- Midazolam intranasal ou bucal
- Diazepam retal
Tratamento Farmacológico
Status Epilépticus persistente (20-40 min)
- Fosfenitoína IV
- Ácido valproico IV
- Levotiracetam IV
- Fenobarbital IV
Tratamento Farmacológico
Status epilépticus refratário (40-60 min)
- Repetir fenobarbital IV
- Indução de coma: propofol, tiopental, midazolam ou fenobarbital
Causas rapidamente reversíveis de convulsões
- Hipoglicemia
- Hiponatremia
- Hipocalcemia
- Hipomagnesemia
- Hipertermia
- Eclâmpsia
- Encefalopatia hipertensiva
- Abstinência alcoólica
- Envenenamento
Tratamento farmacológico de longo prazo
Focal
- Lamotrigina, levotiracetam, fenitoína, carbamazepina, oxcarbazepina, fenobarbital (crianças)
- Gabapentina, valproato, pregabalina, topiramato
Tratamento farmacológico de longo prazo
Generalizada: tônico-clônica
- Lamotrigina, valproato, fenobarbital (crianças)
- Carbamazepina, zonisamida (tto adjunto)
Tratamento farmacológico de longo prazo
Generalizada: ausência típica
- Etossuximida, valproato
- Lamotrigina, clonazepam
Tratamento farmacológico de longo prazo
Generalizada: ausência atípica, mioclônica, atônica
- Valproato, lamotrigina, topiramato
- Clonazepam, felbamato
Complicacões
- Agudas: hipertermia, ácidose metabólica com ânio-gap e ácido láctico aumentado e bicarbonato reduzito pós-ictal (resolução espontânea); mordedura de língua, deslocamento da articulação glenoumeral, politrauma; status epilepticus
- Longo-prazo: ansiedade, depressão e risco de suicídio, problemas cognitivos, psicose, estresse psicosocial, insônia