Aula 4 - Cartilagem e Osso Flashcards
Quais as funções do tecido cartilagíneo?
facilitar a movimentação suave dos ossos nas articulações
suporte de estruturas (ouvido, vias respiratórias, laringe)
formação e crescimento dos ossos
Quais os tipos de cartilagem que existem?
Hialina, elástica e fibrocartilagem
Onde podemos encontrar a cartilagem hialina?
trauqueia
laringe
superfícies articulares
superfície ventral das costelas
Onde podemos encontrar a cartilagem elástica?
pavilhão auricular
epiglote
laringe
Onde podemos encontrar a fibrocartilagem?
discos intervertebrais
sínfise púbica
ligação de alguns tendões aos ossos
Descreva a cartilagem hialina e as células que a constituem
Cartilagem mais frequente
Condrócitos: células maduras da cartilagem, que ocupam todo o espaço da lacuna. Possuem núcleo redondo ou oval. Apresentam superfície celular irregular, quando observados ao ME
Como se forma a cartilagem hialina?
A. Origem no tecido mesenquimatoso indiferenciado
B. diferenciação das células mesenquimatosas em condroblastos (centros de condrificação)
C. condroblastos produzem matriz extracelular e tropocolagénio, levando ao afastamento celular
D. diferenciação dos condroblastos em condrócitos, que se inserem em espaços da matriz denominados de lacunas, podendo ainda ocorrer algumas divisões mitóticas (grupos isogénicos)
Em que altura da nossa vida ocorre a formação da cartilagem?
vida fetal
Quais as duas formas de crescimento da cartilagem?
intersticial e aposicional
Explique o crescimento intersticial da cartilagem
Ocorre por divisão mitótica dos condrócitos, encerrados nas lacunas, levando à formação de grupos isogénicos.
O que são grupos isogénicos?
grupos de células, em número par, encerradas numa lacuna e provenientes da divisão de um mesmo condrócito
Explique o crescimento aposicional da cartilagem hialina
Origina-se a partir do pericôndrio, camada de tecido conjuntivo denso que rodeia a cartilagem e contacta com o tecido conjuntivo envolvente
camada condrogénica - revestimento celular da zona mais interna do pericôndrio, em contacto com a cartilagem, formada por células com capacidade de diferenciação em condrócitos e de deposição de matriz cartilagínea durante a formação da cartilagem. Encontra-se em latência no estado adulto
Qual a constituição da matriz cartilagínea hialina?
colagénio tipo II: fibrilhas finas formando uma rede, NÃO ESTÁ EM FEIXE
proteoglicanos: formados por um núcleo proteico de e pelos GAGs (sulfato de condroítina e sulfato de queratano)
ácido hialurónico: cadeia muito longa à qual se ligam as moléculas de proteoglicanos, formando agregados que se localizam nos interstícios da rede de colagénio tipo II.
condronectina: proteína que promove a aderência dos condrócitos à matriz da cartilagem
Qual a função da matriz da cartilagem hialina?
confere resistência mas permite difusão (sulfatos) dos nutrientes devido às propriedades de hidratação
Como é a regeneração da cartilagem hialina?
capacidade de recuperação limitada, superior em crianças
recuperação das lesões por activação das células do pericôndrio (camada condrogénica)
danos extensos podem levar à formação de tecido cicatricial (conjuntivo denso) sem recuperação da cartilagem
Descreva a cartilagem elástica
Cor amarela, a fresco
células semelhantes às da cartilagem hialina
abundantes fibras de elastina, rodeando os condrócitos e obscurecendo a matriz, continuando-se até ao pericôndrio
forma principal de crescimento por aposição
Como ocorre a histogénese da cartilagem elástica?
Semelhante à da cartilagem hialina, com deposição de fibras durante a formação da matriz, as quais adquirem posteriormente propriedades da elastina
Descreva a fibrocartilagm
Formada por tecido conjuntivo denso onde se inserem condrócitos isolados ou em grupos isogénicos, rodeados por uma pequena porção de matriz cartilagínea territorial
tecido de transição entre a cartilagem e o conjuntivo denso
não apresenta pericôndrio
Como ocorre a histogénese da fibrocartilagem?
Semelhante à do tecido conjuntivo, diferenciando–se alguns dos fibroblastos em condrócitos com capacidade condrogénica, os quais produzem um anel envolvente de matriz territorial
Quais os dois tipos de tecido ósseo?
Compacto e esponjoso
Onde se encontra o osso compacto?
Encontra-se nas diáfises e zona externa das epífises dos ossos longos, bem como constituindo as camadas externas dos ossos curtos e do crânio
Descreva o osso esponjoso
Pode ser encontrado no interior quer das epífises dos ossos longos, quer dos ossos curtos e do crânio
Periósteo
camada de tecido conjuntivo denso que envolve externamente os ossos, com excepção das superfícies articulares. Contém as células osteoprogenitoras, de morfologia semelhante à dos fibroblastos, tal como os vasos sanguíneos que nutrem o osso
Endósteo
camada fina de células pavimentosas com capacidade osteogénica que forram internamente todas as cavidades do tecido ósseo
Descreva a matriz óssea
substância intersticial mineralizada, disposta em lamelas, observando-se pequenas cavidades que correspondem às lacunas
Descreva as lacunas
cavidades de forma lenticular, distribuídas uniformemente pela matriz óssea, encerrando os osteócitos
O que são canalículos?
irradiando das lacunas em todas as direcções e anastomosando-se com os provenientes das lacunas adjacentes. Preenchidos por prolongamentos dos osteócitos que comunicam assim com as células vizinhas, possibilitando a troca de nutrientes entre as células e entre estas e os vasos sanguíneos
Descreva a constituição do osso compacto
Sistemas de Havers: constituídos por lamelas concêntricas de tecido ósseo, delimitando um canal central longitudinal, o canal de Havers, onde se encontram um capilar e uma vénula. São delimitados por uma linha de matriz mais mineralizada, a linha Von Ebner
Sistemas intersticiais: fragmentos irregulares de tecido ósseo organizado em lamelas, localizados entre os sistemas de Havers
Canais de Volkman: canais vasculares transversais ou oblíquos que ligam entre si os canais de Havers e estes com os vasos sanguíneos do periósteo ou do endósteo
Lamelas circunferenciais, externa e interna: dispostas longitudinalmente nas zonas externa e interna da diáfise
Descreva a constituição do osso trabecular
lamelas de tecido ósseo, dispostas em trabéculas finas.
não possui vasos sanguíneos, nem sistemas de Havers ou canais de Volkman
nutrição directa pelos canalículos, a partir do endósteo e da medula óssea
Quais as células do tecido ósseo?
osteoprogenitoras
osteoblastos
osteócitos
osteoclastos
Descreva as osteoprogenitoras
células indiferenciadas, semelhantes às mesenquimatosas. Possuem capacidade de divisão mitótica e de diferenciação em osteoblastos. Localizam-se no endósteo e zona mais interna do periósteo, apresentando o núcleo e o citoplasma pouco corados. Encontram-se activas durante o crescimento e em latência no adulto
Descreva os osteoblastos
sintetizam a matriz óssea, encontrando-se no osso em crescimento. Possuem núcleo proeminente, com organitos bem desenvolvidos, citoplasma basófilo e grânulos citoplasmáticos. Ao ficarem encerrados na matriz calcificada diferenciam-se em osteócitos, ou, caso não o fiquem e cesse a formação de tecido ósseo, revertem para células osteoprogenitoras (no endósteo e periósteo)
Descreva os osteócitos
células maduras do tecido ósseo, localizadas nas lacunas, e que emitem numerosos prolongamentos citoplasmáticos através dos canalículos, contactando com as células adjacentes por junções “gap”. Exercem menor actividade metabólica do que os osteoblastos, revelada por citoplasma menos corado e organitos menos desenvolvidos
Descreva os osteoclastos
células multinucleadas (até 50 núcleos) de grandes dimensões, provenientes dos monócitos. Localizam-se nas lacunas de Howship. Estão relacionados com os processos de reabsorção e remodelação do tecido ósseo. Os seus núcleos são semelhantes aos dos osteoblastos e o citoplasma é eosinófilo, muito vacuolizado. Apresentam estriação radial na membrana plasmática que contacta com o osso, devido à presença de inúmeras pregas ligadas à reabsorção do tecido ósseo
Descreva a matriz óssea inorgânica
confere dureza ao osso (local de fixação do F- e isótopos radioactivos), formada por:
fosfato de cálcio, depositado de forma regular sobre e entre as fibras de colagénio, num complexo cristalino semelhante à hidroxiapatite
iões citrato, carbonato sódio e magnésio, fixados em conjunto com os sais de cálcio
Descreva a matriz óssea orgânica
confere resistência e elasticidade ao osso, constituída por:
substância fundamental (5%) - glicosaminoglicanos (sulfatos de condroítina e queratano e ácido hialurónico)
colagénio (95%), predominantemente tipo I, apresentando-se as fibras bem ordenadas (50 a 70 nm de diâmetro), dispostas de forma paralela em cada lamela óssea (organização tridimensional helicoidal)
osteocalcina, proteína produzida pelos osteoblastos, com capacidade para fixar o cálcio
Descreva a ossificação intramembranosa
Origina os ossos achatados do crânio e parte dos maxilares, bem como o espessamento dos ossos longos e o crescimento dos ossos curtos. Tem origem directa no tecido mesenquimatoso indiferenciado:
- Condensação do tecido mesenquimatoso, formando-se tecido conjuntivo laxo, muito vascularizado
- Diferenciação das células mesenquimatosas em osteoblastos, no centro de ossificação, que depositam osteóide por entre a rede de vasos sanguíneos o qual, ao calcificar, origina uma rede de trabéculas ósseas encerrando alguns osteoblastos –> osteócitos
- Preenchimento dos espaços peritrabéculares por medula óssea, diminuindo o número de vasos sanguíneos
- Crescimento radial até à substituição de todo o tecido conjuntivo
- Espessamento periférico que oblitera a maior parte dos vasos sanguíneos, formando as zonas exteriores de osso compacto, enquanto que no interior permanece osso trabecular e medula óssea
- Formação do periósteo por condensação do tecido conjuntivo adjacente e, finalmente, regressão dos osteoblastos periféricos para células osteoprogenitoras
Descreva a ossificação endocondral
- Hipertrofia dos condrócitos na zona média da diáfise – centro de ossificação primário – reduzindo-se a matriz cartilagínea a finos septos entre os condrócitos muito volumosos
- Degeneração e morte dos condrócitos, com calcificação dos septos de matriz cartilagínea
- Formação em simultâneo com o processo anterior, de um anel de tecido ósseo envolvendo a zona média da diáfise, por ossificação intramembranosa, transformando- -se o pericôndrio da cartilagem em periósteo
- Invasão das cavidades em que se encontravam os condrócitos por capilares e células mesenquimatosas provenientes do periósteo, diferenciando-se estas últimas em osteoblastos que se fixam nos septos calcificados e depositam sobre eles matriz óssea
- Ossificação de toda a diáfise, acompanhada pelo crescimento do anel ósseo externo, formado por ossificação intramembranosa
- Formação nas epífises dos centros de ossificação secundários, levando à ossificação daquelas de modo radial
Como ocorre o crescimento longitudinal dos ossos longos?
processa-se a partir dos discos epifisários ou de crescimento, constituídos por cartilagem hialina e que se localizam entre a diáfise e cada uma das epífises (metáfise). Estes discos permanecem durante o crescimento, findo o qual se dá o encerramento da epífise, sendo toda a cartilagem substituída por osso
Quais as 5 zonas dos discos epifisários?
de cartilagem em repouso - cartilagem hialina sem alterações
de cartilagem seriada ou de proliferação - divisão orientada dos condrócitos no sentido longitudinal, formando grupos isogénicos enfileirados e originando o crescimento intersticial da cartilagem
de cartilagem hipertrófica - condrócitos muito volumosos, com redução da matriz a septos finos
de cartilagem calcificada - degeneração dos condrócitos e deposição de sais de cálcio nos septos de matriz cartilagínea
de ossificação - invasão por osteoblastos e formação de tecido ósseo sobre os septos
Como ocorre o crescimento dos ossos longos em diâmetro?
deposição de tecido ósseo pelos osteoblastos da camada osteogénica na zona externa da diáfise, pelo processo de ossificação intramembranosa
reabsorção do tecido ósseo interno pelos osteoclastos, com formação do canal medular, evitando o espessamento excessivo da diáfise
O que é o osso primário?
formado inicialmente durante os processos de ossificação, não apresentando estrutura lamelar, nem canais de Havers bem definidos, devido à relativa rapidez na deposição do tecido ósseo sem que as fibras de colagénio se organizem de forma paralela; menor resistência do que o osso lamelar
O que é o osso secundário?
formado após remodelação do tecido ósseo, apresentando agora o aspecto lamelar e os sistemas de Havers
O que é a reabsorção do tecido ósseo?
substituição do osso primário por secundário
Como ocorre a reorganização (reabsorção + reposição) do tecido ósseo?
Processo contínuo de reabsorção e reposição de tecido ósseo, levando à substituição de todo o osso primário por osso secundário.
reabsorção pelos osteoclastos do tecido ósseo, formando cavidades de absorção
alongamento das cavidades de absorção até à formação de zonas cilíndricas, que são invadidas por vasos sanguíneos e células mesenquimatosas
cessação da actividade osteoclástica que é substituída pela osteoblástica, depositando-se tecido ósseo, organizado em lamelas concêntricas, até à formação dos sistemas de Havers de primeira geração do osso secundário
substituição de todo o osso primário por osso secundário, a qual se encontra completa no fim do primeiro ano de vida
reabsorção e deposição contínua de tecido ósseo, levando à formação de gerações sucessivas de sistemas de Havers (2ª geração, 3ª geração, etc.) e de sistemas intersticiais, os quais correspondem a sistemas de Havers de gerações anteriores parcialmente reabsorvidos e se observam no osso adulto juntamente com sistemas de Havers já formados e em formação
Como ocorre a Reparação e regeneração do tecido ósseo?
remoção dos coágulos sanguíneos e restos celulares da zona lesada, pelos macrófagos
formação de cartilagem hialina e fibrocartilagem, a partir do periósteo e do endósteo, unindo as extremidades da fractura
activação das células osteoprogenitoras e deposição de tecido ósseo, por ossificação encondral no interior da cartilagem e por intramembranosa no exterior, levando à formação de um “calo” ósseo de dimensões superiores às originais
reabsorção do osso primário e substituição por osso secundário, agora com a forma e dimensões aproximadas às do osso original