Teste 1 Semestre Flashcards

1
Q

Princípios básicos do fNIR e seu funcionamento na medição da atividade cerebral e metabolismo energético

A

O fNIR (espectroscopia funcional no infravermelho próximo) utiliza luz infravermelha próxima, com comprimentos de onda entre 700 e 900 nm, para atravessar os tecidos biológicos. Essa luz é absorvida de forma diferencial por dois tipos de hemoglobina: oxi-hemoglobina (HbO2) e desoxi-hemoglobina (Hb). O método baseia-se no princípio do acoplamento neurovascular, que descreve a relação entre o aumento da atividade neuronal e a maior demanda por oxigênio e glicose. Essa demanda provoca mudanças na composição do sangue, que são detectadas pelo fNIR.

A técnica mede essas alterações em tempo real, permitindo o mapeamento não invasivo da atividade cerebral e do metabolismo energético.

Justificativa

O fNIR é uma ferramenta valiosa devido à sua portabilidade, custo acessível e segurança. Ele é especialmente útil em populações que não podem utilizar métodos como a ressonância magnética funcional (fMRI), oferecendo uma alternativa eficiente para estudar a atividade cerebral.

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2
Q

Descreva o processo de acoplamento neuro vascular e como a concentração de Hb e HbO2 é modulada durante a atividade neuronal.

A

Durante a atividade neuronal, ocorre um aumento inicial na deoxi-hemoglobina (Hb) devido ao consumo de oxigênio. Em seguida, há vasodilatação e aumento do fluxo sanguíneo, trazendo oxi-hemoglobina (HbO2) e compensando a demanda metabólica.

Isso resulta em uma elevação da HbO2 e redução de Hb, características capturadas pelo fNIR.

Justificação: Essa dinâmica é fundamental para correlacionar mudanças hemodinâmicas com a ativação funcional do cérebro.

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3
Q

Compare e contraste as ondas de Mayer, ondas de pulso e onda de bocejo destacando suas frequências, origens fisiológicas e relevância clínica no fNIR.

** Por não ter a imagem**

Ondas de Mayer:

Ondas de baixa frequência, que se assemelham a uma sequência de “montanhas” suaves e amplas, com subidas e descidas graduais. Representam oscilações lentas no fluxo sanguíneo e na pressão arterial, geralmente com ciclos de cerca de 10 segundos (0,1 Hz).

Ondas de pulso:

Ondas de alta frequência e curta duração, típicas do ciclo cardíaco. Elas começam em um ponto neutro, atingem rapidamente um pico (limite linear), e depois caem, formando um padrão rítmico semelhante ao monitor cardíaco que ouvimos em hospitais (“pi, pi, pi”).

Ondas de bocejo:

Ondas que possuem um padrão irregular, com picos mais acentuados seguidos por quedas rápidas. Esses picos podem se repetir, criando um formato “irregular”, frequentemente associado a mudanças momentâneas no fluxo sanguíneo cerebral.

A

A análise das ondas (ciclo cardíaco, respiratório e ondas de Mayer) no fNIR é fundamental para garantir a qualidade do sinal e possui alta relevância na prática clínica. Essas ondas estão correlacionadas com a dinamização da hemodinâmica dos processos fisiológicos.
Assim, reflete as variações reais do fluxo sanguíneo e oxigenação cerebral.

Sua presença indica que o sinal é confiável, enquanto a ausência ou distorção pode sugerir ruídos ou falhas na coleta dos dados no FNir

Por que isso é importante para a qualidade do sinal?

Pulsações cardíacas:
Indicam que o dispositivo está capturando corretamente as variações no fluxo sanguíneo.

Ondas respiratórias e de Mayer: Refletem a respiração e a regulação da pressão arterial, elementos fundamentais da autorregulação cerebral.
Verificação de frequências fisiológicas esperadas: As ondas de Mayer, por exemplo, têm frequência típica de 0,1 Hz (10 segundos), o que ajuda a validar o sinal.

Relevância clínica:

Monitoramento em tempo real:

Útil para avaliar alterações no metabolismo cerebral em condições como lesões traumáticas, AVC e distúrbios neuropsiquiátricos.
Autorregulação cerebral: As ondas de Mayer podem indicar problemas na regulação do fluxo cerebral em pacientes críticos ou com hipertensão intracraniana.

Diagnóstico e acompanhamento:

Em distúrbios como demência e autismo, o fNIR permite rastrear déficits durante tarefas específicas.
Avaliação cardiovascular e respiratória: Fundamental em UTIs, neonatos e crianças, onde métodos como fMRI são inviáveis.

Apoio a terapias:

Monitoramento em reabilitação neurológica ou estimulação cerebral para ajustar tratamentos.

Resumo:
A identificação dessas ondas reforça a qualidade do sinal do fNIR e sua aplicação clínica. Elas oferecem insights cruciais sobre o estado neurológico e hemodinâmico do paciente, sendo essenciais para diagnósticos, monitoramento e intervenções terapêuticas baseadas em evidências.

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4
Q

Como as ondas de Mayer ajudam na verificação da qualidade do sinal no fNIR e qual é a relação delas com a pressão arterial e o ritmo cardíaco?

A

Ondas de Mayer refletem oscilações regulares na pressão arterial, importantes para validar a qualidade do sinal nos eletrodos do fNIR.

Essas oscilações são sincronizadas com mudanças no ritmo cardíaco e fornecem um indicador de estabilidade no acoplamento neurovascular.

Justificação: A presença de ondas de Mayer bem definidas sugere que o sistema de detecção está funcionando adequadamente.

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5
Q

Como medir ERPs associados à atenção e controle cognitivo em crianças autistas durante tarefas Go/No-Go, garantindo especificidade e sensibilidade nos resultados?

Estudo Fictício: Medição de ERPs em Crianças Autistas Durante Tarefas Go/No-Go

Objetivo: Investigar como crianças com autismo respondem a estímulos de atenção e controle cognitivo durante tarefas Go/No-Go, analisando as ondas N2 (relacionada ao controle e inibição de respostas) e P3 (associada à atenção e processamento de eventos relevantes).

A

Desenho Experimental:

Participantes: Crianças com autismo e grupo controle neurotípico (6 a 10 anos).
Procedimento: Realização da tarefa Go/No-Go enquanto o EEG é registrado. A tarefa inclui estímulos para os quais os participantes devem responder (Go) ou inibir a resposta (No-Go).
Medição de ERPs: Foco nos componentes N2 e P3 durante a tarefa.
Especificidade e Sensibilidade:

Especificidade:
Garantida pela análise de componentes temporais bem definidos (N2 e P3) e remoção de artefatos através de filtragem do sinal.

Sensibilidade: A qualidade do EEG será aumentada por técnicas rigorosas de filtragem e controle de ruídos, como a remoção de artefatos oculares e musculares.

Justificação: Os ERPs são sensíveis a processos cognitivos, mas exigem cuidados para evitar interpretações equivocadas. A especificidade e sensibilidade garantirão que as diferenças observadas sejam atribuídas aos processos de atenção e controle cognitivo, e não a artefatos ou outros fatores.

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6
Q

Descreva o passo á passo do Pré-processamento do Sinal EEG para Análise Temporal.

A

Passos no Pré-processamento do Sinal EEG:

  1. Inspeção Visual:
    • Objetivo: Identificar artefatos iniciais, como movimentos oculares ou ruídos, que podem afetar a qualidade do sinal.
    • Importância: Permite a identificação de distúrbios visíveis no sinal, antes de aplicar qualquer técnica de correção, para garantir a qualidade dos dados desde o início.
  2. Filtragem:
    • Objetivo: Remover ruídos de baixa e alta frequência, como interferências de 50 Hz (da rede elétrica) ou ruídos musculares.
    • Importância: Essencial para isolar o sinal de interesse e evitar distorções que podem interferir nos resultados, especialmente em análises temporais.
  3. ICA (Análise de Componentes Independentes):
    • Objetivo: Separar componentes do EEG em fontes independentes para identificar e remover ruídos como movimentos musculares ou atividades do coração.
    • Importância: Ajuda a eliminar artefatos não relacionados à atividade cerebral, melhorando a precisão da análise dos ERPs e outros componentes.
  4. Interpolação de Canais Ruins:
    • Objetivo: Substituir dados de canais defeituosos ou com sinais inconsistentes por valores interpolados a partir de canais vizinhos.
    • Importância: Garante que o sinal seja contínuo e consistente em todo o cérebro, minimizando a perda de informações durante a análise.

Justificação:

Esses passos são fundamentais para reduzir interferências e ruídos no sinal EEG. A aplicação cuidadosa de cada etapa melhora a precisão dos resultados e a confiança nas conclusões tiradas da análise temporal, como a medição de ERPs.

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7
Q

Por que o conceito de “linear mixing” não se alinha aos pressupostos básicos do ICA no EEG, e como isso afeta a separação de sinais?

A

O ICA pressupõe independência estatística das fontes, enquanto o “linear mixing” assume que os sinais captados são misturas lineares. Isso pode introduzir dependências entre os sinais, dificultando a separação precisa de fontes no EEG.

Justificação: A aplicação do ICA permite identificar e remover artefatos, o que melhora a análise de sinais neuronais.

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8
Q

Defina potenciais relacionados a eventos (ERPs) e explique como sua sincronização com estímulos é usada para inferir processos cognitivos

A

ERPs são alterações elétricas no cérebro que ocorrem em resposta a eventos específicos, como estímulos sensoriais ou cognitivos. São sincronizados temporalmente e extraídos através da média de múltiplas tentativas, destacando atividades cerebrais relevantes.

Justificação: ERPs têm alta resolução temporal, essencial para estudar processos rápidos de tomada de decisão e atenção.

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9
Q

Descreva em detalhes a tarefa Go/No-Go, incluindo o rácio dos estímulos, a duração do ponto de fixação e o intervalo inter-estímulo. Explique como essa tarefa avalia o controle inibitório e sua relação com os componentes N2 e P3 dos ERPs.”

A

A tarefa Go/No-Go é um teste amplamente utilizado para avaliar o controle inibitório, um processo cognitivo essencial para a regulação das respostas automáticas e impulsivas. A estrutura da tarefa é composta por dois tipos de estímulos:

Rácio dos Estímulos:
A maior parte dos estímulos são “Go”, ou seja, os participantes devem responder a esses estímulos (por exemplo, pressionando uma tecla). Estímulos “No-Go” são apresentados esporadicamente, exigindo que o participante iniba a resposta, ou seja, não reaja quando esse estímulo aparece.

Duração do Ponto de Fixação:
Antes da apresentação de cada estímulo, é comum que haja um ponto de fixação no centro da tela, geralmente com uma duração de 500 ms, ajudando os participantes a se prepararem para o próximo estímulo e evitando distrações.

Intervalo Inter-Estímulo:
O tempo entre a apresentação de dois estímulos consecutivos varia, mas geralmente fica entre 1000 a 1500 ms, permitindo tempo suficiente para o processamento do estímulo anterior e preparando o participante para o próximo.

Avaliação do Controle Inibitório:

O controle inibitório é avaliado pela habilidade do participante em inibir uma resposta quando um estímulo “No-Go” é apresentado. Essa tarefa exige que o participante evite a resposta automática aos estímulos “No-Go”, o que é um reflexo de sua capacidade de controlar impulsos.

Relação com os Componentes N2 e P3 dos ERPs:

N2: O componente N2, que ocorre aproximadamente entre 200-350 ms após o estímulo, está associado à detecção de conflito e ao processo de inibição da resposta quando um estímulo “No-Go” é apresentado. Um aumento da amplitude do N2 geralmente está relacionado a um maior esforço para inibir a resposta, o que é um reflexo do controle executivo.

P3: O componente P3, que aparece por volta de 300-600 ms, reflete a alocação de recursos atencionais para um evento inesperado. Em tarefas Go/No-Go, o P3 tende a ser maior para os estímulos “No-Go”, pois exige mais atenção e recursos para a detecção e inibição da resposta.

Justificação:
A tarefa Go/No-Go é amplamente usada para estudar processos de controle inibitório em diferentes condições clínicas, como no autismo, pois permite examinar como o cérebro responde a estímulos conflitantes e exige o controle de respostas automáticas. A análise dos ERPs, em particular do N2 e P3, oferece uma janela para entender os processos cerebrais envolvidos no controle da atenção e da inibição.

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10
Q

Explique os benefícios de um estudo longitudinal em neuropsicologia e como ele pode identificar mudanças progressivas em condições clínicas.

A

Resposta:

Os estudos longitudinais permitem observar mudanças no tempo, analisando a progressão de condições clínicas como doenças neurodegenerativas (ex.: Alzheimer) ou o desenvolvimento de transtornos como TDAH. Eles fornecem dados detalhados sobre a evolução natural de uma condição, os efeitos de intervenções terapêuticas e a relação entre fatores de risco e resultados clínicos.

Benefícios:
* Identificação de trajetórias de desenvolvimento ou declínio cognitivo.
* Melhor suporte para estabelecer relações causais devido à sequência temporal.

  • Observação direta de como intervenções afetam desfechos clínicos.
    Justificação: Esse método é ideal para estudos que buscam entender mudanças progressivas, embora exija mais tempo e recursos do que abordagens transversais
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11
Q

Como um estudo de caso pode oferecer insights sobre a evolução de uma lesão cerebral ao longo do tempo? Discuta suas vantagens e limitações.

A

Resposta:
Um estudo de caso analisa profundamente um indivíduo ou grupo pequeno, fornecendo insights detalhados sobre como uma lesão cerebral afeta funções cognitivas e comportamentais ao longo do tempo.

Vantagens:
* Permite uma análise detalhada de condições raras ou únicas, como as observadas em pacientes com lesões específicas (ex.: H.M. e a memória).
* Gera hipóteses iniciais para estudos mais amplos.
* Observa os impactos de intervenções personalizadas.
Limitações:
* Generalização limitada para outras populações devido ao foco em um único caso.
* Dificuldade em estabelecer relações causais definitivas.
* Potencial para viés do pesquisador, pois depende de interpretações qualitativas.

Justificação: Apesar das limitações, é uma ferramenta valiosa para entender casos únicos e formar a base para futuras investigações

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12
Q

Qual é a diferença entre estudos correlacionais e estudos causais em termos de metodologia e interpretação de resultados?

A

Resposta:

  • Estudos correlacionais: Medem relações entre duas ou mais variáveis sem manipulá-las, usando coeficientes de correlação para determinar a força e direção do relacionamento. Por exemplo, investigar se o volume cerebral está associado à memória em idosos.
    Interpretação: Não estabelecem causalidade, pois podem haver variáveis de confusão.
  • Estudos causais: Manipulam uma variável independente para observar seu efeito em uma variável dependente, frequentemente usando desenhos experimentais (ex.: RCTs).
    Interpretação: Estabelecem causa e efeito, desde que haja controle adequado de variáveis externas.

Justificação: Escolher entre essas abordagens depende da pergunta de pesquisa e dos recursos disponíveis. Estudos correlacionais são mais fáceis de realizar, mas não fornecem inferências causais

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13
Q

Discuta os principais componentes necessários para assegurar a validade de um estudo neuropsicológico, incluindo validade interna, externa e ecológica

A

Resposta:

  • Validade interna: Refere-se à capacidade do estudo de estabelecer que a relação entre variáveis é causal. Isso é garantido pelo controle rigoroso de variáveis externas, uso de grupos de controle e atribuição aleatória de participantes.

Exemplo: Controlar o ambiente experimental em estudos de EEG para evitar artefatos.

  • Validade externa: Representa a generalização dos resultados para outras populações, tempos e ambientes. Depende da representatividade da amostra e da relevância do cenário experimental.
    Exemplo: Usar uma amostra diversificada para investigar memória em diferentes faixas etárias.
  • Validade ecológica: Relaciona-se à aplicação dos resultados em contextos reais. Isso requer a inclusão de tarefas que simulem situações do cotidiano.
    Exemplo: Utilizar tarefas Go/No-Go para avaliar o controle inibitório em ambientes reais.

Justificação: Estudar esses componentes fortalece a credibilidade e aplicabilidade dos achados neuropsicológicos, especialmente em contextos clínicos.

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14
Q

Como as assunções de modularidade e subtratividade podem ser integradas para investigar padrões de associação e dissociação em estudos de lesões cerebrais?

A

A assunções de modularidade e subtratividade são como complementares. A modularidade permite identificar quais módulos estão envolvidos em uma função, enquanto a subtratividade ajuda a inferir como a perda de um módulo específico afeta o funcionamento geral.

Essa integração é essencial para interpretar padrões de associação e dissociação, como déficits seletivos em tarefas cognitivas após lesões.

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15
Q

Por que os componentes N2 e P3 são fundamentais para estudos de neurociência e neuropsicologia?

A

Os componentes N2 e P3 são essenciais porque refletem processos cognitivos centrais como controle inibitório, detecção de conflito (N2) e alocação de atenção e avaliação de estímulos (P3).

Com alta resolução temporal, permitem analisar respostas cerebrais em tempo real, sendo amplamente usados em tarefas como Go/No-Go e tarefa de Stroop que reflete os conflitos cognitivos entre as informações.

Sua robustez e associação a condições clínicas, como TDAH e esquizofrenia, transtorno de ansiedade e TOC, os tornam ferramentas indispensáveis para investigar funções cognitivas e disfunções cerebrais

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