DTUI Flashcards
Como é o controle neurofisiológico da micção?
A micção é controlada pelo sistema parassimpático ao passo que a retenção de urina é estimulada pelo simpático
Como que é o controle muscular da micção?
Durante a fase de retenção, o músculo detrusor da bexiga está relaxado e o esfíncter ureteral externo contraído. O padrão se inverte na retenção.
Como é o desenvolvimento do controle miccional?
- Recém-nascido: reflexo medular primitivo quando a bexiga atinge sua capacidade secundária. A criança urina cerca de 20 vezes
- Aos seis meses: a capacidade da bexiga aumenta e a criança reduz a frequência de micção
- Aos dois anos: a criança tem o desejo consciente de urinar, mas ainda não consegue o controle. Urina cerca de 8 a 10 vezes.
- Dos dois aos três anos: a criança começa a adquirir o controle esfincteriano diurno. Urina de 4 a 6 vezes.
Qual é a importância do controle miccional?
Os pais colocam grande expectativa nesse processo. Por isso, é importante orientá-los. É um marco em que a criança adquire autoafirmação e independência. Estudos mostram que crianças que adquirem o controle após 36 meses enfrentam problemas de incontinência urinária, constipação e incontinência fecal.
Qual controle esfincteriano geralmente vem primeiro?
O fecal e, depois, o urinário
O que é a disfunção do trato urinário inferior?
- É um transtorno em que a criança apresenta um padrão diferente para a idade das fases de esvaziamento ou enchimento da urina.
- Ele não pode ser causado por problemas neurológicos ou anatômicos
- Pode ter várias causas desde a hiperatividade do destrusor quanto situações mais graves acompanhadas de lesão no trato urinário superior
Qual a fisiopatologia da DTUI?
Entre 3 e 5 anos, a criança aprende melhor a controlar o TUI com o SNC. No entanto, nesta fase, ela pode começar a realizar manobras, que ajuda a retenção, mas atrapalham o controle correto. Por exemplo, podem sentar ou ajoelhar com o calcanhar sob a uretra ou, então, contrair os músculos do assoalho pélvico.
O controle miccional com o assoalho pélvico é um sistema mais fraco e não é o natural. Com o tempo, há uma incoordenação entre os músculos do assoalho e o estrusor. O estrusor se torna hiperativo. Assim, o estrusor começa a realizar contrações isométricas periódicas contra um esfíncter ureteral externo contraído. Isso leva à hipertrofia da parede da bexiga e uma instabilidade, que reduz a capacidade de armazenamento, levando a um ciclo vicioso de incotinência.
Quais são os quatro parâmetros observados para o diagnóstico da DTUI?
Incontinência, frequência miccional, volume urinado e ingestão hídrica.
Quais são as 10 classificações de ITUI?
- Urge incontinência: urgência, pequeno volume, frequência maior que 7 vezes.
- Incontinência aos esforços: liberação de pequena quantidade de urina aos esforços, como tosse, espirro etc.
- Incontinência do riso: durante crises de risos, há o descontrole urinário com a liberação de todo o conteúdo vesical
- Frequência miccional extraordinária: aumento da frequência urinária, volume menor do que 50% da capacidade vesical, sem perdas
- Micção disfuncional: esforço para iniciar e manter a micção. O jato miccional é interrompido.
- Adiamento da micção: micção infrequente (<5), manobras de retenção.
- Detrusor hipoativo: jato interrompido. Esvaziamento da urina apenas com esforço
Obstrução: fluxo urinário fraco. Aumento da pressão no detrusor.
Disfunção do colo vesical: fluxo urinário reduzido
Refluxo vaginal: eliminação de urina após o término da miccção.
Urge incontinência
- Urgência
- Pouco volume
- > 7 vezes ao dia
Micção disfuncional
- Esforço para iniciar e manter a micção
- Jato interrompido
Adiamento da micção
- Micção infrequente (<5)
- Manobras de retenção
Incontinência aos esforços
- Liberação de urina aos esforços que aumentam a pressão abdominal, como tosse e riso
- Pequeno volume
Incontinência do riso
- Esvaziamento completo do conteúdo vesical após crises de riso
Detrusor hipoativo
- Jato interrompido
- Necessário esforço para esvaziar completamente a bexiga
Obstrução
- Jato urinário reduzido
- Pressão sobre o detrusor
Refluxo vaginal
Perda pequena após a micção
Frequência urinária extraordinária
- Frequência de micção aumentada
- Volume menor que 50% da capacidade vesical
- Sem perdas
Distúrbio do colo vesical
- fluxo urinário reduzido
- Necessário esforço para iniciar e manter micção
2. Jato interrompido
Micção disfuncional
- Jato interrompido
2. Necessidade de esforço para o esvaziamento vesical
Estrusor hipoativo
- Liberação de todo o conteúdo urinário em crise de riso
Incontinência do riso
- Fluxo urinário fraco
2. Pressão sobre o detrusor
Obstrução
- Micção infrequente (<5)
2. Manobras de retenção
Adiamento da micção
- Micção involuntária em esforços, como tosse e espirros
2. Pequeno volume
Incotinência aos esforços
- Urgência
- Pequeno volume
- > 7 vezes ao dia
Urge incontinência
- Liberação de pequeno volume após micção
refluxo vaginal
- Aumento da frequência urinária
- volume menor do que 50% da capacidade vesical
- Sem perdas
Frequência urinária extraordinária
- Fluxo urinário reduzido
Disfunção do colo vesical
Qual a terminologia para a disfunção da eliminação das fezes e urinas?
Disfunção da bexiga e do intestino
Qual é a classificação das incontinências? Qual o critério diagnóstico?
Contínua: ocorre tanto no dia quanto na noite. Geralmente, deve-se a malformação congênita, como fístula vesico vaginal, ureter ectópico e extrofia da bexiga.
Interminente: ocorre em um único período. Se diurna, é chamada de incontinência urinária diurna. Se noturna, enurese.
Critério diagnóstico:
- Criança > 5 anos
- Um episódio por mês, mínimo
- Por mais de três meses
O que é enurese? Quais suas classificações?
- É a perda de urina, em pequena ou grande quantidade durante o sono.
- É chamada de frequente quando >= 4 vezes ao mês
- É chamada de infrequente quando < 4 vezes ao mês
É monossintomática quando está desecompanhada de outros sintomas, exceto noctúria.
É não monossintomática quando é acompanhada de outros sintomas, como incontinência urinária diurna, manobras de retenção, esforço miccional, sensação de retenção urinária etc.
Primária: a criança não ficou seca por um período superior a seis meses
Secundária: a criança ficou seca por um período superior a seis meses
O que é frequência urinária aumentada e diminuída?
Frequência urinária aumentada: >= 8 vezes ao dia
Frequência urinária reduzida: =< 3 vezes ao dia
Frequência obtida pelo diário de micção.
O que é urgência urinária? Ela é sinal de que?
A urgência urinária se trata de desejo intenso de urinar após ter adquirido o controle do esfíncter.
É sinal de bexiga hiperativa.
O que é noctúria? Qual o seu significado?
A criança acorda à noite para urinar.
Sua presença não significa DTUI ou condição patológica isoladamente.
Quais são os 10 sintomas possíveis durante o esvaziamento?
Hesitação: dificuldade para iniciar a micção
Esforço: necessidade de aumentar a pressão intra-abdominal para iniciar e manter a micção
Intermitência: o jato é interrompido um ou várias vezes
Jato fraco: o nome já diz tudo
Disúria: dor ao urinar.
Manobras de contenção Jato espalhado Sensação de esvaziamento incompleto Gotejamento pós-miccional Retenção urinária
Quais são as comorbidades possíveis a DTUI?
Infecção urinária
Bacteriúria assintomática
Refluxo vesicoureteral
Distúrbios neuropsiquiátricos
Constipação e incontinência fecal
Distúrbios do sono (apneia)
Déficit intelectual
Obesidade
Quais são as perguntas essenciais na anamnese dessa queixa?
- Desenvolvimento: perguntar de marcos do desenvolvimento, principalmente do controle dos esfíncteres. Perguntar como foi o processo detalhadamente.
- Perfil psicossocial da família
- Passado de ITU e vulvovaginites
- Hábitos urinários: período do dia e frequência urinária e das perdas
- Sintomas urinários: urgência, manobras de retenção, jato fraco
- Avaliação do hábito intestinal
- Avaliação da ingesta hídrica
Como deve ser o exame físico direcionado da DTUI?
Diferenciar bexiga neurogênica de ITUI
- Analisar genitária
- Testar de S1 a S4: verificar tônus do esfíncter anal, alterações na marcha e assimetria dos pregas glúteas
- Olhar sinais neurocutâneos: pilificação sacral, nevo, pigmentação anormal em fosseta, lipoma,
- Palpação do abdômen: palpar bexiga e intestino à procura de massa fecal
- Exame psíquico completo
Como é feito o diário de eliminações?
Relevante para crianças acima de 5 anos. O diário das eliminações deve registrar todas as micções e ingestas de água de uma criança em 24 horas. Registra-se também quando há perdas. Deve-se registrar o horário e o volume. Deve ser realizado, para as micções, por 2 dias no mínimo.
Também, devem ser registrados os horários das evacuações e perdas fecais durante 2 semanas.
O que é a urofluxometria?
É um exame simples e não-invasivo. Consiste na avaliação do jato urinário. Avalia-se:
- o fluxo urinário: medido pelo volume final dividido pelo tempo de esvaziamento da bexiga
- A característica do jato: contínuo, intermitente e staccato
- o volume
Ao final, verifica-se o resíduo miccional na bexiga por meio de ultrassonografia.
Quais são os exames complementares básicos a serem pedidos?
- Urina rotina, urocultura
- Creatina e ureia séricas
A US de rins e vias urinárias com o estudo da dinâmica da micção para diagnóstico e acompanhamento da DTUI. Ela permite avaliar vários parâmetros, como refluxo vesicoureteral, espessura e movimentos da bexiga, dilatação das vias e do sistema pielocalicinal.
Quando é indicada a uretrocistografia miccional?
Somente é indicada nos casos de ITU de repetição ou dilatação de hidronefrose ou alterações anatômicas da bexiga.
Quando é indicada a urodinâmica?
Pode ser solicitada no caso de alterações no padrão do fluxo, presença de dilatação do trato urinário superior ou parede vesical espessada.
Quais os objetivos do tratamento da DTUI?
- Restaurar o padrão normal da micção
- Corrigir a hiperatividade do detrusor e do assoalho pélvico
- Restaurar a continência, tratando a ITU e a constipação
O que é a uroterapia?
É um processo complexo, que envolve:
- Cognitivo: mudar os pensamentos do que é certo e errado sobre micção
- Comportamental
- Fisioterapêutico com exercícios para o assoalho pélvico, com ou sem biofeedback
Quais são as orientações comportamentais?
- Micção de, no mínimo, 3 a 4 horas de intervalo
- Micção em 2 ou 3 tempos
- Controle da ingesta hídrica
- Orientação para o uso do vaso sanitário
Como deve ser a ingesta de alimentos e água?
- Deve-se calcular a ingesta de água para exatamente o necessário para a reposição de fluidos.
- Acrescentar alimentos rico em fibras para o controle da constipação intestinal.
Qual é a substância a ser evitada?
Cafeína
Em caso de constipação e DTUI, qual deve ser tratada primeiro?
As duas devem ser tratadas juntas e, se necessário, utilizar laxantes.
Qual o tratamento medicamentoso da DTUI? Qual a dose?
Uso de anticolinérgicos. De escolha, é o oxibutinina-HCl.
A dose é 0,3 a 0,5mg/kg/dia em 2 ou 3 tomadas.
Qual o papel do bioneurofeedback e da neuromodulação na DTIU?
São duas técnicas novas. A primeira é a monitoração do sinal elétrico da inervação dos musculos do assoalho pélvico e o detrusor, que é colocada em uma tela em forma de jogos.
A neuroestimulação é a aplicação de corrente elétrica na região sacral.