Leptospirose Flashcards
Agente da leptospirose
Leptospira interrogans (Espiroqueta)
Existem mais de 200 sorovares (sorotipos) identificados, todos capazes de infectar o ser humano e causar o quadro. No Brasil, os sorovares icterohaemorrhagiae e Copenhageni frequentemente estão relacionados aos casos mais graves
Espécie de bactéria Leptospira
Espiroqueta aeróbica obrigatória

Característica:
- Não identificável pelo gram, logo não adiante pedir bacterioscopia.
- Diagnóstico microscópico difícil, fazendo partir para outros metodos que geralmente leva mais tempo pra sair o resultado, obrigando ao tratamento mesmo sem o resultado.
Epidemiologia da Leptospirose
Acomete mais:
- Região sudeste maior parte de casos e óbitos
- Sexo Masculino
- 20-49 anos
- Área urbana
Reservatório da leptospirose
Reservatório Principal: Ratos, camundongos,…
Outros: cães, bovinos, suinos, caprinos, ovinos, equinos, e silvestres

Transmissão da leptospirose
Exposição a enchentes, esgotos,…

Rato: toda vida
Homem: Sem transmissão inter-humana
Incubação Leptospirose
7 a 14 dias
Quadro clínico da Leptospirose
- Fase precoce ou Leptospirose anictérica
Representa cerca de 85-90% dos casos
- Fase tardia ou Leptospirose íctero-hemorrágica
Representa cerca de 15-10% dos casos
Obs.: Raro formas graves sem ictéricia.
Qualquer órgão pode ser acometido, mas os
principais são:
Rim e fígado
Quadro clínico da fase precoce ou anictérica
- Fase precoce = Leptospirose Anictérica:
Representa 85-95% dos casos sendo autolimitada.
Há leptospira = leptospirêmica. Dura 3 a 7 dias.
Febre abrupta, cefaleia frontal e retro-orbitária, anorexia, mialgia, naúseas e vômitos.
Dor nas panturrilhas + sufusão conjuntival
Discreta hepatoesplenomegalia e linfadenopatia ocorrem às vezes.

Quadro clínico da fase tardia ou Leptospirose Íctero-Hemorrágica
Fase tardia = Ictero-hemorrágica
Não há leptospira, e sim reação imunologica
A forma íctero-hemorrágica começa do mesmo
modo que a forma anictérica.
Inicia após 1 semana, envolve 15% dos pacientes
O envolvimento pulmonar é comum e, às vezes, a principal manifestação.
Síndrome de Weil = icterícia + disfunção renal aguda + diátese hemorrágica
Síndrome de Weil
Ictéricia “rubinica” (3-7dias) caracterizado pelo predomínio de bilirrubina DIRETA, com reflexo da colestase intra-hepática + Disfunção renal aguda + diátese hemorrágica (comumente pulmonar)
Causa de alteração renal na leptospirose:

Causa de alteraçâo renal na leptospirose:
- Baixo fluxo
- Sangramentos
- Nefrite intersticial
- Mioglobinúria
- NTA como soma desses fatores
Laboratório da Leptospirose
Laboratório da Leptospirose
- Anemia
- Leucocitose com desvio ou leucopenia
- Plaquetopenia
- Elevação leve/moderada de transaminases
- Bilirrubina direta alta
- Uremia
- CPK aumentada
- Hipocalemia
- Acidose metabólica
- LCR: Menigite LMN
A leptospirose lambe o fígado e morde o rim
Leptospirose causa POUCA alteração nas transaminases e MUITA alteração na função renal
Leptospira no rim
Ocorre uma nefrite intersticial aguda por invasão tecidual e disfunção predominantemente do túbulo contorcido proximal, que causa aumento na fração excretória de sódio e, consequentemente, de potássio.
Leptospira no fígado
Ícterícia rubínica.
Há uma grande colestase intra-hepática, com pouca ou nenhuma necrose hepatocelular, ou seja, as aminotransferases são pouco alteradas.
É a principal causa de óbito na Leptospirose
Leptospira no pulmão
O envolvimento pulmonar se dá por hemorragia (ruptura de capilares), e não por inflamação.
Atualmente é a principal causa de óbito na doença, já que a diálise salva os doentes com insuficiência renal.
Leptospira no músculo
Costumam ser envolvidos, sofrendo rabdomiólise focal (disfunção celular e isquemia), com a clássica mialgia das panturrilhas, que deve ser um sinal de alerta para o diagnóstico da doença.
É uma doença generalizada e sistêmica, traduzida
fundamentalmente por vasculite infecciosa
Leptospirose íctero-hemorrágica
Diagnóstico diferencial de Leptospirose
Diagnóstico diferencial de Leptospirose:
- Fase precoce (Anictérica)
Dengue, influenza (síndrome gripal), malária, riquetsioses, doença de Chagas aguda, toxoplasmose, febre tifoide, entre outras.
- Fase tardia ( Ictero-hemorrágica)
Hepatites virais agudas, hantavirose, febre amarela, malária grave, dengue grave, febre tifoide, endocardite, riquetsioses, doenca de Chagas aguda, pneumonias, pielonefrite aguda, apendicite aguda, sepse, meningites, colangite, colecistite aguda, coledocolitíase, esteatose aguda da gravidez, sindrome hepatorrenal, síndrome hemolítico-uremica, vasculites, lupus eritematoso sistêmico, entre outras.
Na Leptospirose, qual fator clínico melhor distingue
a forma grave da forma mais comum
autolimitada da doença
Icterícia.
Quando a hipocalemia é observada na insuficiência renal aguda, deve-se apontar como sua etiologia:
Leptospirose.
Poucas condições levam à insuficiência renal com potássio normal ou baixo. Leptospirose, a exemplo da lesão renal por aminoglicosídeos e anfotericina B, é uma delas.
Metodos de confirmação de diagnóstico para Leptospirose
- 1°semana
Sangue - pesquisa direta ou cultura
- 2°semana
Urina - pesquisa direta
Sangue - sorologia
Método de confirmação diagnóstico de leptospirose mais utilizados no Brasil
Sorologia
Elisa IgM, macro e microaglutinação
- Positiva a partir do 7° dia do inicio dos sintomas
- necessário repetir após 7 dias
Teste de microaglutinação (padrão-ouro)
Tratamento da Leptospirose
Tratamento precoce diminui complicações

Reação de Jarisch-Herxheimer
Os sintomas surgem algumas horas após o início da antibioticoterapia e o tratamento é de suporte.
É caracterizada pelo início súbito de febre, calafrios, cefaleia, mialgia, exacerbação de exantemas e, em algumas vezes, choque refratário a volume, decorrente da grande quantidade de endotoxinas liberada pela morte de bactérias espiroquetas, após o início da antibioticoterapia.

Tratamento da Síndrome de Weil
Tratamento da Síndrome de Weil
- Correção de distúrbios hidroeletroliticos e ácido-base
- Diálise precoce ( preferência hemodiálise)
- Ventilação com pressão positiva
Profilaxia
- Educação em saúde
- Controle da doença
- Vigilância epidemiológica
A leptospirose é uma doença de notificação compulsória no Brasil
Profilaxia PÓS-exposição
Doxiciclina 200mg VO uma vez por semana