Hanseníase Flashcards
Quais são as características da hanseníase?
- Acomete pele, mucosas e nervos periféricos → é uma infecção neurológica
- Grande potencial de incapacitação → sobretudo por lesões neurais que geram deformidades
- Doença de notificação compulsória
Qual é o agente etiológico?
Mycobacterium leprae
Mycobacterium leprae
- O que é?
- Bacilo álcool-ácido resistente e parasita intracelular obrigatório
- Alta infectividade e baixa patogenicidade
- Não é cultivável → limita estudos e testes de medicamento
- Doença crônica e insidiosa, com longo período de latência
- Tropismo pelos macrófagos e células de Schwan. Formas mais graves: pode ir para outros tecidos.
Quem é o reservatório do bacilo e como é a transmissão?
- Reservatório → homem
- Transmissão: via respiratória → doente bacílifero
- **A inoculação ocorre pela mucosa nasal e, por exceção, pela pele (soluções de continuidade)
Quem são os principais transmissores?
- Pacientes multibacilares e sem tratamento são os principais transmissores
Quando suspeitar clinicamente de hanseníase?
Presença de pelo menos 1 das seguintes características:
- Perda de sensibilidade em lesão cutânea
- Um ou mais nervos periféricos aumentados de volume, com perda de sensibilidade e/ou fraqueza muscular na região correspondente à inervação
- Baciloscopia positiva em esfregaço cutâneo
***BAAR negativo não descarta o diagnóstico!
Toda suspeita clínica deve ser…
Toda suspeita clínica deve ser notificada e tratada
Como é o dx de hanseníase? É possível fazer o dx sem exame complementar?
- Clínico e epidemiológico: anamnese, exame físico e dermatoneurológico
- Sim!
Especifique o dx de hanseníase
> > > Basta 1 critério para estabelecer o diagnóstico:
- Lesão de pele com alteração de sensibilidade
- Acometimento de nervo periférico, com espessamento e/ou alteração funcional ;
- Baciloscopia + de esfregaço dérmico → é o exame complementar mais útil no diagnóstico
Como avaliar alteração de nervo periférico?
- Realizar palpação dos troncos nervosos acessíveis e fazer a avaliação funcional
(sensitiva, motora e autonômica) dos que são mais acometidos pela doença. - Palpação: avaliar o calibre do nervo em comparação com seu contralateral, se há
dor, fibrose ou nodulações - Os mais avaliados:
- MMSS: ulnar, mediano, radial e radial cutâneo;
- MMII: tibial posterior, fibular comum;
- Segmento cefálico: grande auricular e nervo facial (este não é palpável, é motor).
Como fazer a baciloscopia de esfregaço dérmico?
- Colhe-se o raspado de tecido epidérmico nos lóbulos das orelhas, cotovelos e lesão suspeita.
- Seu resultado é apresentado sob a forma do índice baciloscópico, numa escala de 0 a 6+;
- Interpretação:
- Positiva : classifica o caso como multibacilar
- Forma virchowiana
- Negativa : não exclui o diagnóstico de hanseníase e não modifica a classificação
- Formas tuberculóide e indeterminada
→ Resultado variável na forma dimorfa - Biópsia de pele
- Forma multibacilar: FAN, VDRL falso positivo
- Reação tipo II: leucocitose com neutrófilos, trombocitose, aumento do PCR, IgG e IgM
Como fazer a avaliação da perda da sensibilidade?
- Especifique como testar sensibilidade térmica, dolorosa e tátil
Testar pele normal primeiro para conferir percepção e resposta normais e depois a pele com lesão suspeita para comparar
> > Sensibilidade térmica → tubo de ensaio com água quente e água fria
> > Sensibilidade dolorosa → testar com a cabeça do alfinete (pressão) e depois com a ponta (dor)
> > Sensibilidade tátil → ponta de algodão
E se não for possível fazer o teste de sensibilidade, o que fazer?
- Pode-se utilizar o teste da histamina ou da pilocarpina
Quais os principais nervos a serem avaliados?
- Supraorbital, cervical, grande auricular
- Ulnar, radial, mediano, cutâneo radial
- Fibular comum e tibial posterior
Classificação da hanseníase quanto a forma de apresentação
- Indeterminada
- Virchowiana
- Dimorfa
- Tuberculoide
- A doença tradicionalmente se inicia com a forma indeterminada e, dela, evolui para uma das outras 3 apresentações.
Análise das características segundo o tipo de apresentação na ordem:
Virchowiana → Dimorfa → Tuberculoide
Aumento da imunidade celular ➔ Redução da imunidade humoral ➔ Redução de lesões de pele ➔ Redução da positividade da baciloscopia ➔ Dano neural se mantém
O que é a forma indeterminada da hanseníase?
Forma matriz → é considerada a 1ª forma clínica da hanseníase e após algum período de
tempo pode evoluir para cura ou para outra forma clínica
Como é a apresentação clínica da forma indeterminada?
- Sem relevo: máculas hipocrômicas ou eritematosas com alteração de sensibilidade (hipoestésicas)
- Podem haver áreas de hipoestesia mesmo sem manchas
- Lesões de nervos → ramúsculos cutâneos
- Troncos nervosos (nervos grandes) não são acometidos, de modo que não é incapacitante e estes não são palpáveis
- Poucas lesões, bem delimitadas
Como é a apresentação nos exames complementares da forma indeterminada da hanseníase?
- Baciloscopia negativa (BAAR -) → paucibacilar
- Reação ID Mitsuda → reação intradérmica (semelhante ao PPD)
» Não faz diagnóstico, permite apenas classificar como multibacilar (+) ou paucibacilar (-)
» Pouco utilizada na prática
Como é a forma tuberculoide da hanseníase?
- PB com lesão única ou 2-5 lesões
- 2-4 vezes maior o risco de transmissão
- 5-10 anos de evolução para desenvolvimento da forma clínica
- Predomínio de Th1 → produção de interleucinas pró inflamatórias
Como é a apresentação clínica da forma tuberculoide?
- Lesões com relevo: placas, pápulas
- Eritematosas, da cor da pele ou escuras, infiltradas, bem delimitadas, com alteração de sensibilidade
- Lesão do nervo pode ser a única manifestação (isolada) → forma neural primária
- Poucas lesões, bem delimitadas
- Poucos nervos são acometidos, mas de forma precoce
Como são os exames complementares da forma tuberculoide?
- BAAR negativo
- ID Mitsuda sempre positiva (boa imunidade celular)
- Biópsia: granuloma tuberculóide, com células epitelióides, halo linfocitário, células gigantes e destruição neural → caso não haja destruição neural pode ser qualquer outra doença granulomatosa
Quais são os dxd da forma tuberculoide da hanseníase?
- Sífilis, sarcoidose, leishmaniose
Forma borderline ou dimorfa
- Apresentação + comum e menos típica
Como é a apresentação clínica da forma borderline ou dimorfa?
- Placas, pápulas, cor da pele, eritematosas, violáceas, ferruginosas, áreas de infiltração
- É a única forma de hanseníase que gera lesões foveolares → borda interna bem delimitada e
borda externa mal delimitada - Ter lesão foveolar não é sinônimo de HD, mas caso haja lesão de nervo, fecha o diagnóstico.
- Lesão de nervos pode ser a única manifestação, dano neural precoce e intenso → muito
incapacitante - Muitas lesoes: podem ou não ser delimitadas e com padrão variável
Evolução da forma tuberculoide da hanseníase
- Cura espontânea (25%) ou dano neural → mesmo assim, não se espera a cura, trata-se todos os casos
Evolução da forma borderline ou dimorfa
Instabilidade imunológica → está constantemente mudando de apresentação e há aumento do dano neural
Exames complementares para forma borderline ou dimorfa
- Mitsuda positiva ou negativa
- BAAR positivo ou negativo
Forma virchoviana
- Características
- MB acima de 5 lesões
- Vista como doença sistêmica
- 8-10 vezes maior o risco de transmissão → forma com a maior carga bacteriana
- 2-5 anos de evolução para desenvolvimento da forma clínica
- Padrão Th2 → imunidade celular
- Muitas lesões, mal delimitadas, com muitos bacilos dentro dos macrófagos
Apresentação clínica da forma virchoviana
- Doença sistêmica
- Manchas eritematosas, pápulas, nodulos (hansenomas), tuberculos, infiltração, madarose
- Lesões mal delimitadas
- Na face não há áreas de pele sadia
- Face leonina (infiltração na face) → pele sulcada, perda de cílios e supercílios (madarose), perda da expressão fisionômica
- Diagnostico diferencial com micose fungoide (ou linfoma cutâneo de células T)
- Dano neural progressivo, simétrico e tardio
- Comprometimento de órgãos internos → linfonodos, medula óssea, fígado, olhos, testículo,
mucosa oral e vias aéreas superiores
Exames complementares na forma virchoviana
- A baciloscopia é sempre + ! → A não ser que o laboratório empregue a mesma técnica usada no BAAR da tuberculose, pois a lavagem é mais intensa e o exame fica negativo (comum)
> > Exame negativo exclui esse diagnóstico
> > BAAR posistiva
> > Mitsuda negativa → a imunidade é sempre negativa
»> Essa forma da doença decorre de uma imunossupressão específica para o M.leprae,
provavelmente determinada por fatores genéticos
> > Evolui com cronicidade
O que as provas de pilocarpina e histamina demonstram?
- Comprometimento autonômico
Prova de histamina
- Feito na pele normal e na pele com lesão suspeita
○ Tríplice reação de Lewis
○ Hanseníase → tem pápula eritematosa mas não tem halo eritematoso, pois não tem inervação
reflexa para vasodilatação
Prova de pilocarpina
- Passa iodo na pele e adiciona maisena por cima da lesão e área normal. Onde há suor, o iodo reage com a maizena e fica roxo.
○ Hanseníase → não fica roxo, pois não tem inervação para estimular glândulas sudoríparas